27 Março 2005

Deposição

Telhados de Vidro

Esta afirmação foi proferida por Pedro Rolo Duarte, no Editorial do Diário de Notícias, no sábado, 26 de Março. Ela reporta-se a uma notícia que faz a primeira página desse dia, segundo a qual, existiria uma milícia em Viseu que tinha por fim atemorizar os homossexuais. É certo que a homofobia se sente mais nos meios isolados do que nas grandes cidades. Porém, e embora a notícia seja uma prova disso mesmo, a ilustração que acompanha a referida notícia - que se presume ser feita por um designer vanguardista, moderno, urbano e não-homofóbico - transmite-nos todos os clichés, preconceitos e ideias feitas que o mais homófobico dos seres tem em relação aos homossexuais. A saber: 1 - Os homossexuais frequentam as casas de banho públicas para engatar e não para fazer as suas necessidades; 2 - Os homossexuais são pessoas pouco entroncadas, ou seja, efeminadas; 3 - Os homossexuais têm sempre aquele corte de cabelo à la José Castelo Branco, isto é, têm aparência de bichas.
Deixo-vos com a ilustração que acompanha a notícia. Não sei porquê, mas se o ilustrador não é da referida milícia de Viseu, deve ser de alguma com semelhantes propósitos de Lisboa.

Carlos Malmoro

25 Março 2005

A Dança da Lua


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Moondance - Janet Treby
Carlos Malmoro

21 Março 2005

Admirável Mundo Triste

«Everybody knows the dice are loaded
Everybody rolls with their fingers crossed
Everybody knows the war is over
Everybody knows the good guys lost
Everybody knows the fight was fixed:
The poor stay poor, the rich get richer
That's how it goes, what everybody knows.»...
«Everybody Knows» Leonard Cohen & Sharon Robinson

Este excerto é de um poema de Leonard Cohen, escrito há trinta anos. Isso torna-o simultaneamente admirável e triste. Admirável, porque conseguiu manter a sua actualidade passadas que estão três décadas da sua génese; triste, porque as afirmações contidas nos três últimos versos, são e estão cada vez mais verdadeiras.
Carlos Malmoro

Mais do mesmo?...

Governo promete consolidação e transparência das contas públicas.
Mas aonde é que eu já ouvi isto?...
Carlos Malmoro

18 Março 2005

...e agora, Herberto Hélder:

«As palavras não fazem o homem compreender, é preciso fazer-se homem para entender as palavras.»


P.S.: Uma Verdade destas não se comenta: contempla-se!
Carlos Malmoro

O Génio de Gaudí II...

...ou de como todas as catedrais deviam ser...

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Carlos Malmoro

14 Março 2005

O Génio de Gaudí...

...ou de como todos os parques deveriam ser...

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Carlos Malmoro

13 Março 2005

Portugal Viciado

Esta notícia do jornal Público, baseada num estudo, vem confirmar aquilo que já se suspeitava: Portugal é um país de vícios.
Temos o vício do álcool que afecta quase dez por cento da população e o vício do tabaco que afecta muitos mais; temos o vício das drogas que afecta cerca de 2% da população e o vício da tagarelice ao telemóvel - 100% da populção afectada; o vício da net, uma imensa minoria, o vício colateral dos blogs, moi, por exemplo, e o vício das quatro horitas de televisão diárias; o vício de comer, ou melhor de encher o bandulho - muitos - e o vício de não comer - poucos, mas cada vez mais; o vício de trabalhar - raro, muito raro - e o vício da preguiça - toda a populção exceptuando as raridades atrás citadas; o vício do café - muitos - e o vício da leitura - considerados animais em vias de extinção; o vício de dizer mal do Estado, mas estar sempre à espera que ele nos resolva todos os nossos problemas - uma imensa maioria - e o vício de parar o carro quando se vê um acidente na estrada - uma imensa e vasta parte população, etc., etc., etc....
Finalmente, existe o maior dos vícios, aquele a que eu chamaria «o» vício de todos os portugueses, sejam eles racionais ou não: o vício de se ter a mania que se é engraçadinho, que tem a sua melhor e mais cabal prova no texto que acaba de ser escrito.
Carlos Malmoro

08 Março 2005

Uma História Sem Palavras

Esta é a foto de capa do livro «Terra» que Sebastião Salgado dedicou ao Movimento dos Sem Terra no Brasil. Este álbum do fotógrafo brasileiro consegue atingir aquilo que poucos artistas sabem fazer: através de imagens, ficamos a conhecer o que é, quem compõe e que fins ambiciona o Movimento dos Sem Terra.
É tão poeta o que pinta um fresco com palavras, como o que conta uma história sem palavras.

Terra-Sebastião Salgado

Carlos Malmoro

07 Março 2005

Por Esclarecer

Se o «choque tecnológico» for bem sucedido, como será possível baixar o desemprego? Se o trabalho que hoje é realizado por homens passar a ser efectuado por máquinas, como criar os tais 150 mil postos de trabalho?
Eis a dúvida que será esclarecida brevemente...ou dentro de uns quatro anos.
Carlos Malmoro

04 Março 2005

O seu a seu dono

Inadvertidamente, a pintura do post anterior ficou sem «dono» e sem nome...
Chama-se «The Boat Studio» e é de Monet.
Carlos Malmoro

Partida-II

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«Partida»-I

Sobre enormes espaços de luz
naufragava Neruda
Naufragava...
Sobre o vinho e o mel dos segredos
Sobre a órbita do coração do povo!
Parte da ida
As imagens lúcidas tornam-se estímulos para a partida
Percorrem todo o corpo beijando a nossa água.
Percorrem todo o nosso ciclo em ápice de luva.
No veludo espesso
da ruga na solidão.
Cada um. Ou quase, tem um gémeo preso
nas teias do encontro
Ama a vida do cais. Parte em muitos barcos. E sente
música nos passageiros mudando
O sono invade a paisagem desfeita de dia
Sinto a noite e é dia
O coral assombra porque é claro.
Isso não que as cores serem ausência mesmo cores.
Trapos coloridos que não se vêm. Só o preto e branco
da instabilidade
Fulcro mecânico do cinzento jorrando o óleo
- E a falta A FALTA DO COMEÇO DO POEMA E A PARTIDA
O avanço infantil da Partida.
A inconsciência hipnotizada da partida
O choro certo de alegria na Partida
A falta de adeua certíssimo na Partida
a Partida
a partida...
a Parti...
a Par..
a P...
A ...
...
Onde estão os tempos
em que tudo era simples
por não ser nacessário outra coisa
senão um abrigo frágil de luar?
Onde estão os violinos dentro das gotas
As montanhas ainda sem cimento corpos e confusão?
Onde estão os amigos de infância
que olhavam o Tejo
das gaivotas e rostos sadios?
Onde estão nesta tempestade?
Quem perdeu as asas dentro da cidade?
Que espíritos são estes adormecidos em tédio,
que despem todos os dias a pele nas ruas
e trazem nos olhos a dureza
da morte adiada?
Quem bebeu a última vaga de esperança
e ficou com a apatia na fundo
das veias a ser naufrágio?
Onde estão os animais que lambiam
as mãos das crianças?
Onde estão as aves
que viram no tempo claro
a última sensação de alegria?
Quem sabe da última folha beijada
pelo potro na planície?
Onde estão os caminhos desta cascata congelada?
Outono de maré cheia
Gravidez esquecida
de muitos silêncios num só corpo
Voo até ao infinito
desta necessidade de fuga como um raio
que nada toca pela ausência
Arvore esquecida no pântano
perto de um piano de cristal em melodia

Mundo autêntico que existe
além deste fastio de horas
sem nexo!

Eduardo Nascimento «Pedaços do meu Tempo»

03 Março 2005

Um pequeno passo

Segundo um estudo divulgado pelo jornal «Público», uma em cada três adolescentes sexualmente activas já tomou a pílula do dia seguinte.
Só gostava de saber o que fariam estas adolescentes caso não existisse a possibilidade de recorrerem ao método da contracepção oral de emergência. Das duas uma: ou deixavam a gravidez prosseguir e tinham o seu futuro enquanto Mulheres - e não donas de casa com a função primordial de procriar e satisfazer o marido - completamente aruinado, ou então fariam um aborto, sem as mínimas condições de segurança de para a sua saúde e, com sorte, ainda eram julgadas criminalmente...
A introdução da pílula do dia seguinte foi um pequeno passo para a sociedade portuguesa começar a aceitar que uma mulher não é uma máquina parideira: é um ser humano com o dom supremo de dar vida a uma nova vida. Conscientemente!
Carlos Malmoro

Um Outro «Se Isto é Um Homem»

O livro apresentado não necesitava de nada mais do que a sua foto de capa para nos revelar que o seu título era «Sem Destino». Um livro que é um dos mais poderosos a retratar um campo de concentração nazi. O seu autor, o Prémio Nobel Imre Kertész, foi um sobrevivente desses campos. Uma vez mais: apenas quem passou pelo Inferno pode ter veleidades a descrevê-lo com o mínimo de fidelidade.
Carlos Malmoro
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Um Mediterrâneo Queima-se com o Frio...

...e este frio que queima...

Carlos Malmoro
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