26 Dezembro 2005

Eu e eu e mais eu.


Carlos, o dono do carro atropelado – Está uma pessoa muito bem parada numa interminável e secante fila de trânsito, quando vem uma perigosa e excêntrica consumidora natalícia a olhar para uma amiga que estava do outro lado do passeio, dizendo-lhe: «Sandra, olha o que comprei para a T…» quando choca violentamente com o meu carro. A consumidora vinha a pé. Segundo os parâmetros jornalísticos, estas situações são os paradigmas que tipificam uma notícia: não foi o carro que atropelou o peão, mas o peão que atropelou o carro;
Carlos, o perverso: A dona do café onde tomo o pequeno-almoço tem a preocupação de colocar tudo o que eu digo no seu diminutivo: se eu peço um café, ela diz: «sai um cafezinho para o Sr. Carlos.»; ao princípio, é agradável, depois é tolerável e por fim já se estava a tornar insuportável. Ontem, a minha paciência cansou-se: pedi-lhe um descafeinado e foi bastante divertido vê-la a tentar dizer o diminutivo da palavra… Nota a mim mesmo: repetir sempre que possível.
Carlos, o eleitor: Se Soares ganhar, vai jurar a Constituição e depois apelar ao voto no PS em dias de eleições? Se Jerónimo ganhar, vai implementar uma democracia tipo Coreia do Norte, em clara consonância com as directrizes principais da nossa Constituição? Se Louçã ganhar, vai implementar a regra de que a minoria dos votos passa a vencer as eleições? Se Alegre ganhar, vai dissolver a Assembleia da República sempre que acordar mal disposto? Se Cavaco ganhar, vai jurar cumprir a Constituição ou os tomos da sua biografia política?
Carlos, o leitor: em leitura – A Ilha dos Pinguins, de Anatole France, «…Por mais que busquemos, apenas nos encontramos a nós próprios…»
Carlos, o ouvinte: no auto rádio, na aparelhagem e no computador: The Back Room – Editors e a pergunta que se torna em dúvida existencial para quem escuta este disco: por que razão aquela música se chama «Munich»?... «People are fragile things, you should know by now / Be careful what you put them through»
Carlos, o consumido: esta é a época de excelência dos consumidores ou dos consumidos?
Carlos, o intelectual: M. enviou-me um mail, que diz que segundo um reputadíssimo numerólogo (esta profissão existe?!) apenas os dias do nascimento são determinantes na personalidade de um indivíduo. Pois…Deixo-vos com os traços de carácter para quem nasceu no dia 30: «É o número da intelectualidade. Neste dia nascem pessoas de grande imaginação e intuição, que apreciam a arte, a música e o teatro e são eloquentes.» M.: sabes que comigo podes falar sem rodeios, isto é, acho que já existe confiança entre os dois para me chamares directamente de chato!
Carlos Malmoro

25 Dezembro 2005

Boas Festas. C.M.

20 Dezembro 2005

Refuse/Resist...

17 Dezembro 2005

UM BOM T�TULO PARA UM LIVRO - O AMARELO DE VAN GOGH

Porque eu tenho actualizar o blog, e tenho, é melhor que o faça já....

Uma das coisas mais peculiares no falar minhoto, é a repetição do verbo para dar força à ideia. Assim, achei por bem sair do período de hibernação deste blog, atribuindo um título a este post, onde se experimenta essa mesma forma...e digam lá que não fica um must?....
E agora chega de falar do umbigo. Vamos para a rua: é Natal! É tempo de paz, amor e concórdia entre os homens e as mulheres. Para onde quer que telefone, lá estão as famílias em concordante discussão a saber porque a prenda para o tio ainda não foi comprada, a despacharam-me com um amigável «despacha-te que ainda não comprei as prendas todas», a compatriotas a declararem aos seus amores que «nem pensar em dar uma prenda de 20,00€ à pirua/ao tanso da(o) C. que o que ela(e) quer sei eu»...enfim, é só amor....
Num assomo de laicismo, o Governo decidiu retirar todos os crucifixos das escolas. A função pública, incluindo professores, concordou. Agora só falta retirarem os feriados religiosos. Mas aí os professores vão querer que se respeite a dignidade dos católicos. Estes tipos são, como o título deste post: um «must»...Em sentido contrário, George W. Bush, esse Monty Python transatlântico, decretou multas para os estabelecimento comerciais que, nas suas montras natalícias, para além do tradicional Pai Natal, não tenham presépios, ou alguma forma de representação similar, que demonstre que estas festividades celebram o nascimento de Cristo.. Lá, como cá, quando existem problemas que a sua resolução é adiada consecutivamente, desvia-se a atenção da opinião pública criando um falso problema com esse íman das atenções gerais que é a religião.

Carlos Malmoro