30 Janeiro 2006

10 coisas que dão comigo em doido por estes dias...

1 - Como está vastamente demonstrado neste estaminé, eu gosto do trabalho de Leonard Cohen (canções & escrita). Acontece que existem duas músicas dele – The Tower of Song & Take This Waltz - que só me levam ao nirvana quando acompanhadas do charuto e do Black Russian. A irritação é que não posso beber;

2 - Que na Europa rica, o carro do ano seja o Clio, um carro que custa metade do carro do ano português: o Passat. Ai este novo riquismo;

3 – Que, com todos os seus defeitos, o DNa tenha acabado;

4 – A discussão sobre o que há-de Manuel Alegre fazer ao milhão e duzentos mil votos. Eu tenho uma teoria…

5 – Que a mais importante coisa neste país seja o clima….

6 – Que ande obcecado por pianos de cauda. Para quem possa andar distraído, são caros;

7 – Que ninguém me ofereça um reluzente piano de cauda (e criticava eu o novo-riquismo) …

8 – Que o euro-milhões não tenha vencedores. Já vou com catorze propostas para «entrar numa sociedade». Quando se recusa, as pessoas não pensam que seja porque não se acredita em jogos de azar, mas sim porque estamos a desconfiar da honradez delas em repartir o prémio …

9 – Que os cartazes das campanhas eleitorais ainda nos impinjam como panorama citadino as carinhas larocas dos senhores candidatos à presidência….

10 – A TVI.

Carlos Malmoro


29 Janeiro 2006

«Poema»

«Ouvi falar de um homem
que fala com tanta beleza
que só de pronunciar os seus nomes
as mulheres se lhe entregam.


Se estou mudo junto ao teu corpo
enquanto o silêncio floresce como tumores em nossos lábios
é porque ouço um homem subir as escadas
e a aclarar a voz do outro lado da porta.»

Leonard Cohen, Poemas & Canções - Vol. I, Relógio d'Água
Com um especial agradecimento à R.
Carlos Malmoro

28 Janeiro 2006

Mozart

Portugal por estes dias

  • Há vinte anos, na rua onde vivia, colocou-se um novo tapete de alcatrão. Passados três meses abriram-se os fossos para instalar o saneamento básico. Ficou o tapete todo destruído.
    Há três meses, na rua onde vivo, colocou-se um novo tapete de alcatrão. Actualmente, estão a substituir os canos da água. O tapete está a ficar todo destruído. Conclusão: vinte anos passados, não se conseguiu atingir que a falta de organização é a maior responsável pelo mau aproveitamento do dinheiro. Parafraseando: é a organização, estúpidos!

  • Diálogo:
    Ela: -Tu já reparaste que agora todos os casais que compram casa estão a reservar uma divisão para o «escritório»?
    Eu: - Com a quantidade de papelada que hoje se é obrigado a administrar, é a coisa mais natural do mundo.
    Ela: - Mas assim, as casas, que supostamente deveriam ser lares, passam a ser um género de empresa…As pessoas saem do escritório da empresa e entram no da casa.
    Eu: - As famílias sempre foram empresas. Só não o sabiam.

  • Uma mulher foi destacada para o comandar o posto da GNR do Pombal. É triste que apenas em 2006 isto aconteça. E é triste que quando isto aconteça, seja motivo de notícia. A notícia que testemunha o nosso provincianismo latente.

Carlos Malmoro

24 Janeiro 2006

Notas soltas

  • Pergunta para definir carácter: qual das versões de Neighborhood dos Arcade gostas mais?

  • Frase mais ouvida por estes dias (e pelos próximos anos): eu não votei Cavaco;

  • Diálogo escutado entre duas recepcionistas de Repartição Pública:
    - Amanhã, se calhar, chove.
    - Amanhã, se calhar, faz sol.
  • Máxima de fim de noite: o tamanho é preto e a cor é o L.

  • E agora, com um obrigado à T., relaxem aqui.

Carlos Malmoro

22 Janeiro 2006

Conclusões...

  • É engraçado na declaração de Louça o adjectivo «grande» estava junto da palavra «mobilização». Meus senhores do BE, expliquem lá ao vosso líder que ele ficou em quinto lugar, mesmo atrás de um Jerónimo oriundo de uma força política que dizem em decadência;
  • Na aceitação da derrota, Mário Soares portou-se como sempre: um democrata...em quem não votei, mas em quem reconheço que se hoje posso discordar dele, a ele muito lhe devo. Como cidadão, não tenho as suas convicções; como homem, aceite que lhe retribua com um simples mas sincero obrigado a vida política que dedicou a Portugal.
  • O senhor Alegre tem de descer um pouco do pedestal de poeta: se uma jornalista perguntar-lhe se «foi o senhor o responsável pela divisão da Esquerda?», não é um crime que lhe mereça fuzilar com o ollhar a dita senhora. A liberdade é de todos;
  • O sr Jerónimo de Sousa tem de aprender que se mais de 50% dos portugueses deram a vitória a uma candidatura de centro-direita, não significa necessariamente que todos esses cidadãos estejam a «sonhar» desde Salazar em «apoderar-se» da Presidência da República - quantos mais não seja porque muitos deles ainda não eram nascidos;
  • Garcia Pereira, não comento porque não me apetece;
  • Cavaco Silva: ganhou por 50%+1 voto expressos. Será empossado Presidente da República dentro de algumas semanas. Espero sinceramente que para o meu bem enquanto cidadão e para o do País, que se mostre como o melhor Presidente da República Portuguesa de sempre;
  • Jorge Sampaio: grande homem, grande Presidente - atravessou as mais inconcebíveis crises políticas que um país pode ter, com primeiros-ministros que abondonavam o barco. Em minha opinião, escolheu na esmagadora maioria das vezes as soluções que melhor defendiam o interesse de Portugal. Obrigado;
  • E agora a melhor notícia da noite: não teremos eleições nos próximos três anos e meio.YES!

Carlos Malmoro

21 Janeiro 2006

Dia de Reflexão

Hoje é dia reflexão.
Cogitemos, então.
Cavaco: Não - nunca gostei de políticos/economistas/salvadores;
Soares: Não - nunca gostei de políticos/políticos/políticos;
Alegre: Não - nunca gostei de políticos/poetas/parlamentaristas;
Jerónimo: Não - nunca gostei de políticos/operários/dançarinos;
Louçã: Não - nunca gostei de políticos/economistas/Pregadores de Verdades Absolutas;
Garcia Pereira - Não, e nem me vou dar ao trabalho de explicar porquê...

Cavaco: Sim - sempre gostei daqueles de que todos falam mal;
Soares: Sim - sempre gostei dos que combatem a ditadura da juventude;
Alegre: Sim - sempre gostei de rebeldes;
Jerónimo: Sim - sempre gostei de convicções;
Louçã: Sim - sempre gostei de inteligência;
Garcia Pereira - Não, e nem me vou dar ao trabalho de explicar porquê...

Mas como o que eu queria mesmo era uma Presidente, o meu voto está direccionado para uma grande mulher: Carmelinda Pereira - é o único candidato a quem eu não consigo encontrar defeitos.
Eu sei que virtudes também não encontro (nem sequer sei quem é a senhora), mas em eleições já estou habituado a escolher, não melhor opção, mas a opção menos má. É só mesmo pelo capricho de querer uma mulher como Presidente.
Carlos Malmoro




19 Janeiro 2006

��Aishwarya Rai

heln wein

16 Janeiro 2006



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O massacre continua.

Como algumas pessoas que conheço, tenho uma caixa de correio electrónico que serve de caixa de correio publicitária. Eu explico: é uma forma de salvaguardarmos que quando fazemos um registo numa determinada empresa ou serviço, e colocamos que não desejamos receber regularmente correspondência, nem autorizamos que a empresa comunique os nossos dados a outras empresas, mas as empresas fazem de conta de que não perceberam essas instruções, as mensagens vão para um sítio diferente que não o nosso endereço de e-mail mais pessoal. É como se tivéssemos duas caixas de correio: numa o carteiro colocava o que realmente interessava; na outra, e embora estivesse lá bem explícito que não aceitávamos publicidade de qualquer tipo, colocava os panfletos do Intermarché, as carinhas larocas dos candidatos às presidenciais e os cursos CEAC que garantem que uma pessoa aprende a tocar piano de cauda em três semanas sem praticar.
No dia sete de Janeiro, abri as caixas de entrada dos dois e-mails. Já andava visivelmente satisfeito por estarem a desaparecer as publicidades natalícias. Quando me deparo com o seguinte título de mensagem: «Dia dos Namorados: não se atrase». Paciência, haja paciência.
Depois, reflecti um pouco e apercebi-me que isto vai durar o ano inteiro. A saber: depois do Dia dos Namorados, existirá o Carnaval, e a Páscoa, seguido dos dias do Pai e da Mãe. Entramos na canícula e nas viagens, e saímos da canícula com os saldos e os primeiros cheiros a Natal, intercalados pelo Halloween, essa tradição portuguesíssima. Acto contínuo, entra o Natal em força e no dia sete de Janeiro de 2007, a caixa de e-mail publicitária lá receberá uma mensagem com o título «Dia dos Namorados - não se atrase», e o ciclo estará consumado e eu consumido. Arre!!!
Carlos Malmoro

15 Janeiro 2006

Comentando Comentários

«Os jornalistas querem impor-nos a homossexualidade até cairmos» D. Eurico de Nogueira, bispo emérito de Braga, revista Sábado.
Estes jornalistas são, de facto, uns perversos: sempre a pensarem na malandrice. Marotos. Só uma questão: eu leio jornais, e nunca vi nenhum jornalista a tentar impor-me a homossexualidade «até cair». Será que sou iletrado?

«Mário Soares não confunde o autor da Montanha Mágica com o autor da Utopia, não acrescenta cantos a «Os Lusíadas» e sabe que Fernando Namora foi um dos autores mais lidos e traduzidos no século XIX» Presidente da Câmara de Condeixa, referindo-se a Mário Soares como um homem de cultura, antes do candidato entrar na Casa-Museu Fernando Namora. Diário de Notícias
Fernando Namora de certeza que deu uma volta no caixão. Mário Soares pensou com os botões: se eu sou do mesmo século que o Namora, então estou mesmo velho. Cavaco Silva diz: não me facilitem tanto a vida. O eleitor pede: poupem-nos a estas lições, seguidas de humilhações – é confrangedor ver estas tristes figuras feitas por pessoas em quem votámos. Eu digo: de facto, Fernando Namora até pode dever alguma coisa da sua inspiração literária ao século XIX. Mas nada que possa transladar a sua existência física para o século anterior.
Carlos Malmoro

Constatação

Quando o Holocausto provocou aqueles milhões de mortos, fizemos o que tínhamos a fazer para terminar com ele.
Hoje, morrem tantas pessoas vítimas de fome e de doenças curáveis em quatro anos como as vítimas do Holocausto, e não estamos a fazer um centésimo do que era preciso.
Se o resultado é tão mortífero como as ideias loucas de um ditador megalómano, então temos de admitir que a inacção também é um crime contra a Humanidade.
Carlos Malmoro

A «MAIS BELA MULHER DO PLANETA»

Aishwarya Rai, 31 anos. Eu concordo.
Carlos Malmoro

14 Janeiro 2006

Visões das presidenciais

A Optimista: Depois destas eleições, Portugal voltará a ser a Nação Valente e Imortal.
Pessimista: O que eles querem é tacho!

A Indiferente: Que eleições?!..Que presidenciais?! É para escolher o novo presidente do Benfica?!...Ah, é para escolher Presidente da República. Eu até acho que o Ramalho Eanes está a fazer um bom mandato...

A Conspiradora: Isto é tudo mas é uma grande jogada para desviar as atenções do Processo Casa Pia, da Moderna e do Elefante Branco. Eles estão todos feitos uns com os outros. E, como sempre, o Zé-povinho é que se lixa.

A Cavaquista: A opinião que eu tenho sobre o estado da nação está escrita na Bíb..., perdão, na Autobiografia Política do Prof. Aníbal Cavaco Silva.
A Soarista: Eu já disse que não falo. É uma censura completa o que estão a fazer ao homem. Nem a jornais, nem a televisões, nem a rádios, e muito menos a blogalhadas como esta, eu não falo!
A Alegre: Eu falo no nome de Álvaro Cunhal quantas vezes me apetecer: Álvaro Cunhal, Álvaro Cunhal, Álvaro Cunhal…e se o Jerónimo me tentar calar, eu concretizo a ameaça que o grande vate lhe fez: apanha a sério!

A Comunista: Temos que olhar para os trabalhadores como pessoas dignas e não como máquinas de lucro escravas ao serviço do grande capital. Só assim poderemos aspirar a ser uma sociedade justa, equilibrada e tolerante como a Coreia do Norte.
A Bloquista: Nesta campanha não se discutem os principais problemas das pessoas e do país. Já algum dos outros candidatos falou na necessidade das mortalhas serem produzidas em papel reciclado «Amigo do Ambiente»? Pois, é a campanha do ruído e das briguinhas, mas do silêncio sobre o que realmente importa. A propósito: alguém tem uma mortalha?

MINHA: Depois de ter reparado que mais de metade deste texto supostamente satírico é vero, vou, portanto, votar na Carmelinda Pereira.
Carlos Malmoro

11 Janeiro 2006

Se ainda subsistissem dúvidas...

É uma casa de Gaudí, com certeza...
Carlos Malmoro

08 Janeiro 2006

Coisas que se vão passando...

O maior medo dos pilotos do Dakar: que Jorge Sampaio discursasse na altura em que deu a partida.


Sondagens: segundo uma sondagem do Expresso, um milhão de portugueses têm tendências homossexuais. Vamos ver como esse milhão de portugueses homossexuais foi encontrado:
«-Boa noite. Sou a Kátia Vanessa e estou a falar-lhe do centro de estudos do Expresso.
-Boa noite, minha senhora. Que deseja?
-Estamos a fazer uma sondagem sobre homossexualidade.
-Sim…
-O senhor alguma vez teve ou pensou em ter relações homossexuais?
-Ó minha va…. Vira para cá essa p….que eu já te digo quem é o maricas!
-Desculpe, estou só a perguntar: é o meu trabalho.
-Onde tu devias estar a trabalhar sei eu, minha p….
-Não me ofenda, por favor. Como lhe disse, este é apenas o meu trabalho….
-E tu vens para aqui chamar-me de pane…às tantas da noite!!
-Olhe, sabe que mais? Vou colocar nas respostas que o senhor sempre pegou de empurrão, sempre gostou de morder a fronha da almofada e sempre desejou ter um boeing 747 metido bem dentro do seu hangar.
-Atreve-te, p…» (chamada desligada pela operadora)
Foi assim que o Expresso encontrou o milhão de portugueses homossexuais.


Herman: depois de ter sido «posto na linha» pelo novo director da SIC, já começa a dar gosto dar umas espreitadelas ao Herman Sic.
Carlos Malmoro

2005

Discos:
Leonard Cohen - Dear Heatter
Nick Cave – Abattoir Blues / Lyre of Orpheus(2004) / B-Sides & Rarities (2005)
Arcade Fire - Funeral
Patrick Wolf - Wind in the Wires
Bloc Party - Silent Alarm
Andrew Bird - The Mysterious Production of Eggs
Editors: The Back Room

DVD:
Nick Cave – The Videos
Million Dollar Baby – Clint Eastwood
Verão Azul (é mesmo muito pessoal e, diria mesmo, freudiana)

Concertos:
Nick Cave – Paredes de Coura
Patrick Wolf – Gaia

Filmes:
Million Dollar Baby – Clint Eastwood
Charlie e a Fábrica de Chocolates - Tim Burton
Flores Partidas - Jim Jarmusch

Blogs:
Estes três links aqui ao lado

Livros:
Philip Roth - A Conspiração Contra a América
Gonçalo M. Tavares - Jerusalém
T.S. Eliot - Prufrock e Outras Observações
J.M. Coetzee - No Coração desta Terra

Carlos Malmoro

04 Janeiro 2006

editors-munich

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01 Janeiro 2006

Luz no fundo do? Bom 2006