Na estrada,
...há curvas tão apertadas que, por impulso, me levam a ligar o pisca. Já conheci pessoas assim. Apertadas.
Carlos Malmoro
Pertenço a um género de portugueses / Que depois de estar a Índia descoberta / Ficaram sem trabalho. Opiário - Álvaro de Campos carlos.malmoro@gmail.com
...há curvas tão apertadas que, por impulso, me levam a ligar o pisca. Já conheci pessoas assim. Apertadas.
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Com um obrigado à S. com Z, por me ter enviado isto, aqui fica: |
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Diz-se que há males que vêm por bem. Mas são infinitamente mais os bens que vêm por mal.
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- Eu sou assim: digo aquilo que penso.
- Devias ser assado: pensar naquilo que dizes.
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Hoje tenho algumas estantes com livros. Muitos livros. Não dão para forrar as paredes de casa na sua totalidade nem vão até ao tecto. Mas já vão estorvando e tirando rendimento mensal. Não cumpri a minha promessa de lê-los a todos. Alguns porque são de consulta, outros porque, muito honestamente, desiludiram-me. Mas ainda tenho trinta e um anos, e a possibilidade de ler e ter tantos livros como o Professor ainda não se pode dar como perdida. Já não digo o mesmo em relação à sua sabedoria. Mas não podemos ter tudo, não é?
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Diz-se que dá deus nozes a quem não tem dentes. Também não é menos verdade dizer que dá deus dentes a quem não tem nozes.
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Depois de um dia de trabalho destes, a palavra que mais me irrita ouvir é «Carlos».
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And the mercy seat is waiting / And I think my head is burning / And in a way I'm yearning / To be done with all this measuring of truth. / An eye for an eye / And a tooth for a tooth / And anyway I told the truth / And I'm not afraid to die. / And the mercy seat is burning / And I think my head is glowing / And in a way I'm hoping / To be done with all this weighing up of truth. / An eye for an eye / And a tooth for a tooth / And I've got nothing left to lose / And I'm not afraid to die. / And the mercy seat is glowing / And I think my head is smoking / And in a way I'm hoping / To be done with all this looks of disbelief. / An eye for an eye / And a tooth for a tooth / And anyway there was no proof / Nor a motive why. / And the mercy seat is smoking / And I think my head is melting / And in a way I'm helping / To be done with all this twisted of the truth. / A lie for a lie / And a truth for a truth / And I've got nothing left to lose / And I'm not afraid to die. And the mercy seat is melting / And I think my blood is boiling / And in a way I'm spoiling / All the fun with all this truth and consequence. / An eye for an eye / And a truth for a truth / And anyway I told the truth / And I'm not afraid to die. / And the mercy seat is waiting / And I think my head is burning / And in a way I'm yearning / To be done with all this measuring of proof. / A life for a life / And a truth for a truth / And anyway there was no proof / But I'm not afraid to tell a lie. And the mercy seat is waiting / And I think my head is burning / And in a way I'm yearning / To be done with all this measuring of truth. An eye for an eye / And a truth for a truth / And anyway I told the truth / But I'm afraid I told a lie. |
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O meu pior dia da semana não é a Segunda-Feira. Considero-a, antes, o início do fim da semana – tem-se sempre de começar por algum lado. A Terça-feira serve para embalar e, além disso, por motivos pessoais, é um dia especial. Quarta-Feira: chega-se ao fim do dia e sabe-se que mais de metade da semana está cumprida. É um primeiro alívio. Sexta-feira: tudo está consumado. Quinta-feira – o empecilho da quinta-feira. É o pior dia da semana. É o estorvo que está entre o meio e o fim-de-semana. É um dia chato. É aquele dia em que o trabalho corre sempre mal. É o dia em que, se somos empregados, o chefe começa por nos dizer: «Bom dia e que bela merda de trabalho você tem aqui.»; e é o dia em que, se somos patrões/chefes os empregados acabam sempre por fazer aquelas merdas que julgávamos impossíveis de serem realizados por humanos com [suposta] inteligência. As quintas estão enguiçadas, sempre desconfiei, e cada vez tenho mais certezas disso. Nem quando o dia de S. Receber calha numa quinta feira, ela é menos penosa. Por outro lado, os colegas parece que estão mais irritantes do que nunca - mesmo aquela colega simpática do escritório, aquela que quando queremos aliviar um pouco a tensão a convidamos para o café, anda completamente carrancuda e deixou o sorriso colgate guardado dentro da respectiva pasta dentrífica. Eu sei que tudo isto é uma embirração e uma estúpidez. Mas que outra coisa é a quinta-feira, senão um dia embirrento e estúpido? Carlos Malmoro |
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«Se a natureza é a arte de Deus, a arte é a natureza do homem. » J. A. Pina
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| «Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive.» Ricardo Reis «Encher o vazio com nada.» e.e. cummings «Tantos nomes que não há para dizer o silêncio - » Herberto Helder «Vaza-me os olhos: continuarei a ver-te. Tapa-me os ouvidos: continuarei a ouvir-te.» Rainer Maria Rilke «Possam estes sinais permanecer Quando tudo for ruínas outra vez.» W. B. Yeats «Pensamento meu, Quando me levarás onde te envio eu?» Anónimo «No mundo há só um templo: o corpo humano. É no céu que tocamos quando tocamos num corpo humano.» Novalis «Transforma-se o amador na cousa amada, Por virtude do muito imaginar» Luís Vaz de Camões «Quando a pátria que temos não a temos Perdida por silêncio e por renúncia Até a voz do mar se torna exílio E a luz que nos rodeia é como grades» Sophia «A razão de eu escrever É fazer algo Tão belo como tu» Leonard Cohen Carlos Malmoro |
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Uma pessoa foi morta. |
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![]() |
Fui alvo de uma tentativa de phishing aos dados da minha conta no banco norte-americano Chase Bank.Só que há aqui um 'pequeníssimo' pormenor que escapou aos artistas que tentaram fazer isto: não tenho lá conta (nem nunca tinha ouvido falar em tal instituição)..Estes piratas informáticos de hoje não valem um cêntimo...Carlos Malmoro
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A maior dificuldade dos empregados de limpeza daquele museu era distinguir o que era arte do que era lixo.
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...fica aqui um excerto do romance «A Vida e o Tempo de Michael K.». de J. M. Cotzee: «Não é vergonha nenhuma ser um simples de espírito. Eles costumavam deter os simples de espírito antes dos outros. Agora têm campos para crianças cujos pais andam fugidos, campos para pessoas que estrebucham e deitam espuma pela boca, campos para pessoas com cabeças grandes e para pessoas com cabeças pequenas, campos para pessoas visivelmente sem recursos, campos para desempregados da agricultura, campos para pessoas que se encontram a viver junto dos canos de esgoto, campos para prostitutas, campos para idiotas, campos para pessoas que se esquecem dos seus cartões em casa, campos para pessoas que vivem nas montanhas e fazem explodir pontes durante a noite. Talvez seja verdade que já é suficiente estar fora dos campos, fora de todos os campos ao mesmo tempo. Quantas pessoas restam que não estão detidas, nem de guarda ao portão?» Na Jugoslávia, no tempo de Milosevic, eram poucos aqueles que nem estavam detidos nem de guarda ao portão. Nem numa vala comum... Carlos Malmoro |
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E aos 14 dias do Mês de Março do ano da Graça de 2006, C. decreta: «Já se vêm alguns decotes: está aberta a caça.»
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| Quando o clamor pela justiça se esbater Na deriva dos ecos do silêncio, e os sonhos De liberdade forem agrilhoados à vertigem Do ter; Quando a dor, a tristeza, a morte E a fome se revelarem como destinos últimos Da poesia, e os regressos quedarem-se como Delírios por não existir ponto de partida; Quando A memória for trocada por um fotograma, a Imaginação tiver como matriz o bite e a alma Decifrada em códigos de barra; Quando o último Anjo da morte tomar o poder e desaparecer O derradeiro espírito da estirpe que caminha Na senda do elemento onírico; Nesse dia, desesperadamente, entenderemos Que o silêncio é o mais violento dos discursos. Carlos Malmoro |
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«A Direcção-Geral da Saúde fez uma lista das cem mil pessoas "fundamentais para o país" e encomendou medicamentos antivirais para as proteger em caso de uma pandemia de gripe. Pelos cargos que ocupam, estes portugueses serão capazes de "manter as estruturas básicas do país a funcionar". É caso para perguntar: quem são os indispensáveis?» DN, 11/03/2006. Normalmente, e como relata a notícia, os «fundamentais» seriam os profissionais da Saúde, Justiça, Protecção Civil, Educação, etc. Mas o que, olhando à nossa idiossincrasia enquanto país, vai acontecer é a distribuição segundo a cunha. Assim, terão direito ao Tamiflu, os seguintes «fundamentais»:
No final, a pandemia vai revelar-se um autêntico flop, como foram a Febre Aftosa, a BSE ou a Pneumonia Atípica, que, segundo previsões 'nada alarmistas', iriam causar milhões de mortes, planos de evacuação de cidades e a mudança radical no nosso quotidiano. O mal destes episódios é que se vêm assemelhando à história do Pedro e do Lobo. E quando for realmente a sério, ninguém acudirá o Pedro. Carlos Malmoro |
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23:12
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| Uma pessoa tem defeitos e virtudes. Como um copo que está a meio. Na paixão, olhas para o copo e dizes que está meio cheio de virtudes . No desprezo, olhas para o copo e dizes que está meio vazio de virtudes. No amor, vês as duas perspectivas serenamente. Carlos Malmoro PS: Ou também podes beber...(lá se foi o romantismo...) PPS: Todas as palavras foram retiradas do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Está bem assim, Pitucha? |
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Na cerimónia de posse de um novo Presidente, um homem que já foi presidente e foi candidato nas últimas edições, não se dignou a cumprimentar o Presidente empossado. Esse homem, dizia há cerca de dezoito meses, que o actual Presidente daria um excelente Presidente da República. Esse homem não aplaudiu o discurso do novo Presidente. Eu também não o faria: adormecia antes. Esse homem é apelidado de «Pai da Democracia», mas não teve a democracia necessária para cumprimentar o adversário/sucessor. Esse homem chama-se Mário Soares. É com resignação que coloco este nome num texto sobre um acto tão anti-democrático. E quando o «Pai da Democracia» não tem a democracia, nem o civismo, nem a educação suficientes para cumprimentar aquele que o povo democraticamente elegeu para Presidente da República, então é bom que não se exija aos filhos da democracia grandes veleidades democráticas, nem se sonhe com uma sociedade civilizada ou educada. Porque, como se costuma dizer, tal pai, tal filho. |
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- Não te telefonei, mas tenho pensado bastante em ti.
- E eu telefonei.te...Mas para dizer que não penso mais em ti.
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-Uma coisa que gosto de fazer é conduzir sem destino.
-E quando conduzes sem destino para onde vais?
-?!?
-Não te faças de ingénuo: temos sempre um destino.
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| Apostas: Realizador – falhei; Filme – ao lado; Actriz Secundária – água; Actor principal – tiro no porta-aviões. Mas falemos da água: a actriz Catherine Keener, nomeada para Óscar para Melhor Actriz Secundária (é a senhora que está na foto abaixo). Vi-a em «Queres ser John Malkovich?», «A Intérprete», «S1mOne» e neste «Capote». Em todos eles, mesmo quando o filme era mauzito, vi competência, vi sobriedade, vi excelência em actuações sempre em low-profile. Dá gosto ver e apreciar. Além disso, é uma mulher que não tendo uma beleza transcendental ou um corpo de deusa, é uma mulher misteriosamente bela. Que também dá gosto ver e apreciar. Quando lhe perguntaram porque não tinha papéis mais marcantes ou porque não concorria para castings de personagens mais destacados, respondeu, simplesmente, que não tinha nascido para ser estrela. É pena. Carlos Malmoro |
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| OLHOS:..........Normais CABELO:..........Normal PESO:..........Médio ALTURA:..........Média SINAIS PARTICULARES:..........Nenhum NÚMERO DE DEDOS DAS MÃOS:..........Dez NÚMERO DE DEDOS DOS PÉS:..........Dez INTELIGÊNCIA:..........Média Que esperavas? Garras? Incisivos enormes? Saliva Verde? Loucura? Leonard Cohen, Flores Para Hitler Carlos Malmoro |
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