30 Abril 2006

Às pitinhas deste

...meu belo Portugal:

Depois de uma hora em 'revista de blogs', deixo-vos um conselho. Para se ter um blog igual ao da rititi ou ao da luna, é preciso ter pelo menos uma destas quatro características:
1)Um bocadinho, só um bocadinho, não sou muito exigente, de cultura;
2)Ter um mínimo de personalidade (inclui o bom-gosto);
3)Saber as regras gramaticais mínimas, e (o mais importante de tudo),
4)Saber descrever um gregório de forma exemplar.
Agora, reflecti, minhas lindas. E vão ver que chegamos todos à mesma conclusão: mais vale desistir.

Carlos Malmoro

O meu défice

Há duas coisas com as quais lido bastante mal: a injustiça e a impotência. Não consigo perdoá-las, esquecê-las ou ficar indiferente. No amor, elas abundam. Enfim, são as minhas sensações bestiais.

Carlos Malmoro

PS: bestiais, de bestas

28 Abril 2006

Perspectivas XXIV

(pensamento básico para acabar com o absolutismo da razão. Ou uma forma de agradecimento ao mestre António Damásio por ter provado que a razão também é feita de emoção.)
O que nos distingue dos animais é a razão. E o que nos distingue dos robots é a emoção.


Carlos Malmoro

27 Abril 2006

Perguntar não ofende

Por que caprichoso motivo nós temos três pessoas simpáticas, agradáveis e cultas 'atrás' de nós, e ficamos completamente obstinados por uma criatura com quem falámos há dois meses, durante dez minutos, num bar que já nem lembramos muito bem onde fica, e que nem nos recordamos do nome dela?
Carlos Malmoro

Há certos estudos

...que escusavam ser feitos. Pois se as estradas, que não sendo as melhores da Europa, já não são caminhos de cabras e o parque automóvel português já não se pode chamar propriamente de envelhecido, era preciso fazer um estudo para se chegar a esta conclusão?
Carlos Malmoro

Perspectivas XXIII

Série: L'amour...

Se não há chama, não vale a pena andar à cabeçada para ver se dá faísca.

Carlos Malmoro

Perspectivas XXII

Série: L'amour...

(tradução livre de uma expressão norte-americana)

A chama mais intensa é a que mais depressa se extingue.

Carlos Malmoro

26 Abril 2006

Wall of Sound

Doze CD para os doze estados de espírito.

Aqui, através do Blog do Desassossego.

Carlos Malmoro

Os amigos servem para dizer

...estas verdades: «tu já te apercebeste que metade das nossas vidinhas já passou?»
Obrigado, N.

Carlos Malmoro

25 Abril 2006

Negativo

O teu retrato depois de queimado pelas labaredas bruscas, retorna à forma de negativo como opaca flora a renascer do ventre da tundra.

Carlos Malmoro

Perspectivas XXI

O beijo é o fogo liso do lábio.

Carlos Malmoro

Perspectivas XX

A música é a prisão livre do som.

Carlos Malmoro

Perspectivas XIX

O sonho é a alma gémea do destino.

Carlos Malmoro

Perspectivas XVIII

A guerra é a brisa constante da dor.

Carlos Malmoro

Dedicatória

Uns e outros entrarão em desespero pela imensidão de palavras que te concedo. Mas será que eles não enxergam o hiato, o desconsolo, a lacuna, entre uma canção contigo e outra em que tu não nasças?

Carlos Malmoro

Perspectivas XVII

Há críticos literários, como este e Eduardo Prado Coelho, que fazem questão em transformar o prazer da leitura num sacrifício (ao contrário deste e deste).

Carlos Malmoro

24 Abril 2006

Posso escrever neste

...estaminé sem temer represálias por causa 'disto':

Amor aos papéis

Passei a tarde toda com um amigo holandês que quer vir morar para Portugal. Andei com ele nas burocracias. Ao fim da tarde, fomos tomar um café a Viana. Diálogo com a cidade aos nossos pés:

Ele: Eu não compreendo os portugueses.
Eu: Porquê?
Ele: Vocês têm uma paisagem, um sol e as mulheres mais bonitas da Europa...
Eu: E?...
Ele: E eu não compreendo como é que vocês, com tanta beleza, se foram apaixonar por papéis e burocracia...
Eu:...erghh...ah...nem nós...

Carlos Malmoro

23 Abril 2006

Perspectivas XVI

Humanidade não rima com bom senso.

Carlos Malmoro

Vergílio Ferreira

Geralmente, não gosto do Existencialismo. Particularmente, gosto de Vergílio Ferreira. Em traços gerais, podemos definir o Existencialismo como uma corrente literária em que a «Existência precede a Essência». Tirando as aspas à formulação de Sartre, nela está explícita que a Existência do indivíduo deve ser o paradigma primeiro da literatura.

É exactamente por isto que não gosto do Existencialismo na Literatura: transforma os romances e os poemas em autênticos tratados de filosofia. Prefiro ler Kierkegaard (o grande percursor do Existencialismo enquanto corrente filosófica e inspirador de muitos dos escritores existencialistas), e depois ler um bom romance, a ler aquela filosofia de Sartre, embrulhada como se de um romance se tratasse, em que as palavras que mais vezes se encontram são «eu» e o verbo «existir» conjugado até à «Náusea».

Vergílio Ferreira é um pouco diferente. O romance, isto é, a história, a narrativa, as personagens estão lá. Existe um mundo e uma circunstância. Também é verdade que subsiste o Existencialismo. Mas é um Existencialismo que se manifesta para servir riqueza do romance e não é o romance que serve de canal para expôr novas teses filosóficas.
Vergílio Ferreira é um escritor que tem a particularidade (que eu tanto aprecio) de ser um escritor do não-óbvio. E é aí que a sua obra brilha: ele não nos descreve as personagens, mas antes as sombras que elas projectam; ele não nos mostra a tecedura da narrativa, apresenta-nos os filamentos de que é feita; o tempo é psicológico e o espaço é uma quase dimensão paralela. Ele até ‘acaba’ romances com palavras inacabadas, como a dizer: esta é a última palavra do universo atrás descrito mas, como todos os universos, está incompleto.

Tenho para mim o «Alegria Breve» e o «Até ao Fim» como os romances maiores de Vergílio Ferreira, além de ler as suas «Conta-Corrente» aleatoriamente. Vergílio Ferreira escrevia romances cheios de névoa e entregava ao leitor a tarefa hercúlea de a dissipar. Escrevia romances esbatidos, mas romances que aclaravam de modo único «o espantoso milagre de estar vivo e o incrível absurdo da morte.»*
*in Aparição
Carlos Malmoro

22 Abril 2006

Há sites assim:

com a capacidade de motivar através da desmotivação.



(clique para aumentar)

A minha motivação favorita:




20 Abril 2006

Tanto se poderia dizer sobre estas quatro notícias que hoje aparecem nos jornais, mas só me ocorrem dois versos de Nick Cave: I wondered when this would be over / And at home we are all so guilty-sad.
Carlos Malmoro

Escrever

Escrever é uma constante derrota. Tentar traduzir realidades por sinais, tentar expressar emoções por signos, tentar desvendar personagens através de símbolos ou tentar desenhar pensamentos e ideias em letras, são actos falhados. Escrevo com inteira e absoluta consciência disso. Sei que por cada realidade que tento descrever, é um teatro que enceno; sei que por cada emoção que arrisco a expressar, é apenas uma impressão ténue que transmito; sei que por cada personagem que caracterizo, é uma máscara que nasce e sei que cada vez que tento conduzir um pensamento do cérebro até à ponta dos dedos, metade da sua essência fica pelo caminho


Escrever é uma constante derrota. Se eu afirmar uma coisa tão prosaica como «Hoje está a chover.», a miríade de possibilidades, nuances e matizes que se encontram dentro desta singela frase, deixaria os leitores completamente desarmados: muito ou pouco?, onde? em que dia escreveste isso?, ontem não estava?... E dentro dessas nuances, entraria o subjectivo: o que significa para ti muito? E mesmo se eu quantificasse em mililitros por metro quadrado, essa quantificação não passaria de uma média aritmética que generalizava a cidade onde eu vivia e as vinte e quatro horas do dia. Se escrever uma frase tão simples como esta, representa sempre uma derrota, porque nunca a explicaríamos na sua totalidade, é inconcebível tentar expressar a mais simples das emoções humanas.

Escrever é uma constante derrota. Por cada frase que escrevemos, deveríamos escrever uma biblioteca infinita de Borges. Escrevia-se a frase pretendida. A partir daí, explorávamos as possibilidades dessa frase. Dessas possibilidades, explorávamos cada uma individualmente e as bifurcações que elas permitiam. E continuaríamos nesta progressão geométrica até ao limite do infinito. Mas, como é dos livros, o infinito é exactamente a ausência de limites. Derrotado, portanto.

Escrever é uma constante derrota. Sabendo-o, continuo a tentar até a uma utópica vitória momentânea ou até à derrota final. Não por masoquismo. Não por pessimismo. Entro no texto, assim como entraria numa partida de xadrez contra o Kasparov – tendo a total noção de que os meus conhecimentos comparados com os dele se resumem a partículas, mas não deixando de aceitar o desafio. O desafio em que as minhas infinitésimas possibilidades de o vencer são proporcionalmente inversas àquilo que eu aprenderia com ele e, principalmente, comigo próprio. Através dos meus erros e da sua sabedoria.

Escrever é uma constante derrota. Aceito-o. Sei que é numa utopia em que entro quando entro num texto. Sei que haverá distorções. Sei que haverá pessoas transformadas em personagens, realidades travestidas de circo e jamais conseguirei um texto completo. Sei ainda que os meus pensamentos não estarão bem explanados, que as minhas emoções serão metamorfoseadas em ténues impressões, e que a minha voz não passará de um disforme sussurro. Mas prefiro um mau pensamento à acefalia. Prefiro uma impressão à insensibilidade. E, claro, prefiro um sussurro ao silêncio.
Carlos Malmoro

19 Abril 2006

Perspectivas XV

Começar a namorar é melhor maneira de acabar com a paixão.

Carlos Malmoro

18 Abril 2006

Qual é a utilidade...

de os portugueses suportarem um canal sem publicidade, se as séries como «Sete Palmos de Terra», acabam às duas e meia da manhã de um dia de semana?...
Carlos Malmoro
Sugestão ao programador d' «A Dois»: a próxima série de Sopranos, às três da matina de segunda para terça, parece-me uma boa hipótese de trabalho. Brincadeirinha...atreve-te, ó palhaço!...


17 Abril 2006

Perspectivas XIV

«Do rio que tudo arrasta se diz que é violento / Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.»

«Infeliz do país que precisa de heróis. »

«Primeiro levaram os negros

Mas eu não me importei com isso

Eu não era negro


Em seguida levaram alguns operários

Mas eu não me importei com isso

Eu também não era operário


Depois prenderam os miseráveis

Mas eu não me importei com isso

Porque eu não sou miserável


Depois agarraram uns desempregados

Mas como tenho o meu emprego

Também não me importei


Agora levam-me

Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém

Ninguém se importa comigo.»

Bertold Brecht

Amar em círculos

Quando aos dez anos se ama uma criança de um ano, é-se internado num estabelecimento psiquiátrico.

Quando aos vinte se ama uma criança de dez, é-se preso por pedofilia.
Quando aos trinta se ama uma pessoa de vinte, é-se olhado de lado porque ele só quer «aquilo» dela.
Quando aos quarenta se ama uma pessoa de trinta, a de trinta anda atrás do nosso dinheiro.
Quando aos cinquenta se ama uma pessoa de quarenta, já ninguém acredita que é possível haver amor.
Quando aos sessenta se ama uma pessoa de cinquenta, os familiares do de sessenta perguntam se não é melhor mandá-lo para um lar.
Quando aos setenta se ama uma pessoa de sessenta, é-se internado num estabelecimento psiquiátrico.

Carlos Malmoro

A resposta correcta

...para o desafio que lancei neste post, era que tinha sido um homem a escrever o livro que recebera tais críticas: Leonard Cohen, para o romance «Beautiful Losers». Podem conferir desenvolvimentos na caixa de comentários do mesmo.

Carlos Malmoro

16 Abril 2006

Beijos originais

Na senda alguns testes feitos na Internet, mas que propositadamente não publiquei, porque a exposição do ridículo também tem limites, deixo-vos com o meu resultado de Como são realmente os seus beijos?, que afirma que os meus beijos são originais. A pergunta que se impõe: isso significa exactamente o quê?

Carlos Malmoro

Perspectivas XIII

O engenho aguça a necessidade.

Carlos Malmoro

14 Abril 2006

Van Gogh - Pieta d'apres Delacroix

13 Abril 2006

Beckett e o Parlamento português

No dia em que passa um centenário sobre o nascimento de Samuel Beckett, as páginas dos jornais trazem isto:

119 deputados saíram para férias e já ninguém pôde votar: Oito propostas do Governo e um voto de protesto do CDS/PP contra o encerramento das maternidades de Barcelos, Santo Tirso e Bragança ficaram ontem, véspera de férias de Páscoa, por votar no Parlamento por falta de quorum de deputados. Dos 230, estavam no plenário apenas 111 parlamentares, quando são necessários, no mínimo, 116 para se poder proceder a votações.

Percebo agora que aquele «Tentar de novo. Falhar de novo. Falhar melhor.» foi escrito a pensar em Portugal.

Carlos Malmoro


12 Abril 2006

Perspectivas XII

A melhor forma de se levar a vida de adulto é agir como uma criança.

Carlos Malmoro

11 Abril 2006

Nós de gravata

Diálogo entre uma empregada de uma loja e um cliente:
Ele – Desculpe, como eu não sei fazer nós de gravata, a Srª não se importava de o fazer?
Ela – Com todo gosto. Qual é o tipo de nó que o Sr. deseja?
Ele – Aquele igual ao do Abel Xavier.
Eu (pensamento) – Quando o futebol até já inspira nós de gravata, podemos perder as esperanças de quaisquer laivos de civilização…
Carlos Malmoro
PS: Mentira! O que eu realmente pensei foi: quando estás com a tua mulher, também lhe pedes uma queca à Ronaldo?

O bem amado II

Quando há cerca de mês e meio vi «Capote», apercebi-me que a gabardina do protagonista era em tudo semelhante à que eu levei à sessão. Sendo que a acção decorre no tempo da Maria Cachucha, não devia vir para aqui choramingar de aos 31 não ter ninguém que me acompanhe aos casórios. É que a vestir assim, não se deve ter grandes ilusões.
Carlos Malmoro
PS: E não, não acredito que o Guarda-roupa do filme esteja errado...

Não se lê, mas

…se às escutas orwellianas, juntarmos a burguesia queirosiana, a burocracia kafkiana e os incêndios dantescos, temos de conceder que Portugal é um país eminentemente literário.
Carlos Malmoro

10 Abril 2006

Um carolo

Comprei um teclado todo XPTO, sem fios, e um rato com as mesmas características. Saio da loja. Ando duzentos metros e entro numa livraria. Compro um romance de Philip Roth. Saíu-me mais caro o livro do que os dois instrumentos. Da próxima vez que alguém me vier dizer que a cultura não é cara, que é tudo uma questão de prioridades, que mais vale um livro do que uma ida à disco, blá blá blá, blá blá blá, coiso e tal, dou-lhe um carolo. A sério que dou. Dasse...
Carlos Malmoro

08 Abril 2006

Vida Garfield

Sexta-feira: sair do trabalho pelas dezanove horas. Ter ainda uma agenda cheia de problemas inadiáveis para resolver.Estar-me positivamente cagando para eles. Dar meia volta ao carro. Fazer 150 Km para ir comer arroz de lulas a Sanxenxo. Ir beber um copo cheio de coisas boas a Vigo. Voltar para casa com todos os problemas inadiáveis resolvidos.

Carlos Malmoro

To my sweet oldest brother

We went into town on the tuesday night
Searching all the places that you hang about
We’re looking for you

In the back street cellar dive drinking clubs
In the discotheques and the gaming pubs
We’re looking for you

You will pay the price for my own sweet brother
And what he has become
And a hundred other boys and girls
And all that you have done
We picked up the trail at the seven crowns
One of your cronies - he was doing your rounds
We followed him

Just a silhouette figure up market pass
Where the headlamps shine on the broken glass
We followed him

Over the bridge by the old canal
Where the shadows dance on the lighted wall
He stopped to light up a cigarette
And we dived into a doorway

No police, no summons, no courts of law
No proper procedure, no rules of war
No mitigating circumstance
No lawyers fees, no second chance

There are lasses getting trouble on their own home beat
There are old folk battered in the open street
In this city of ours
There are eyes that see but say nothing at all
There are ears that hear but they don’t recall
In this city of ours
So we followed your man back to your front door
And we’re waiting for you outside’cos not everybody here is scared of you
Not everybody passes on the other side

No police, no summons, no courts of law, no courts of law
No proper procedure, no rules of war
No mitigating circumstance
No lawyers fees, no second chance

And we could spent our whole lives waiting
For some thunderbolt to come
And we could spent our whole lives waiting
For some justice to be done
Unless we make our own

No police, no summons, no courts of law
No proper procedure, no rules of war
No mitigating circumstance
No lawyers fees, no second chance


Carlos Malmoro

The Hunt - Sepultura

06 Abril 2006

Homem ou Mulher

A mulher mais traumatizada pelo mau tempo que conheço, lançou um desafio: tratava-se de, através de um excerto do texto, descobrir se tinha sido um homem ou mulher a escrevê-lo. Vinha isto a propósito de saber até que ponto existia uma separação de águas entre escrita feminina e masculina. Pedindo permissão para a utilização da ideia (espero que não seja propriedade industrial como as ideias da Guidinha Rebelo Pinto), lanço o mesmo desafio mas noutros moldes: quem obteve as seguintes críticas a um livro seu – um homem ou uma mulher? (deixo em inglês por impossibilidade de tradução de algumas palavras / expressões)
«This is among other things the most revolting book ever written in (...)»

«I have just read the new novel and I’ve had to wash my mind.»

«Verbal masturbation.»

«We’ve overdrive and overkill and now we have oversex.»
«At it’s best (...) is a sluggish stream of concupiscence exposition of nausea»
Boa Sorte.
Carlos Malmoro

05 Abril 2006

iPod - Playlist # 1

Track 1 - It's difficult. It's very tough. I said to the man who'd been sleeping rough / I wondered when this would be over /And at home we are all so guilty-sad / Now, I'm sitting pretty down on the bank /Life shuffles past at a low interest rate / In the money-coloured meadows / And all the interesting shadows / They leap up, then dissipate / Easy Money / Rain it down on the wife and the kids / Rain it down on the house where we live / Rain it down until you got nothing left to give /And rain that ever-loving stuff down on me.

Track 2 - In two more years, my sweetheart, we will see another view / such longing for the past for such completion / What was once golden has now turned a shade of grey / I've become crueler in your presence / They say: 'be brave, there's a right way and a wrong way' / This pain won't last for ever, this pain won't last for ever / Two more years, there's only two more years / Two more years, there's only two more years / Two more years so hold on

Track 3 – Rosemary / Oh heaven restores you in life / I spent a lifespan with no cellmate / The long way back / Sandy, why can't we look the other way? / You're weightless, semi-erotic / You need someone to take you there / Sandy, why can't we look the other way? / Why can't we just play the other game? / Why can't we just look the other way?

Track 4 - It's the only way of getting out of here / This is the modern way / Of faking it everyday / And taking it as we come / And we're not the only ones / Is that what we used to say / This is the modern way / This is the modern way

Track 5 - With one hand you calm me / With one hand I'm still / People are fragile things, you should know by now / Be careful what you put them through / People are fragile things, you should know by now / You'll speak when you're spoken to

Track 6 - The magicians secrets all revealed / And the preachers lies are all concealed / And all our heroes lack any conviction / They shout through the bars of cliche and addiction / So i've got to go / I've got to go, so here i go / I'm going to run the risk of being free // And in this drought of truth and invention / Whoever shouts the loudest gets the most attention / So we pass the mic and they've got nothing to say except: / "Bow down, bow down, bow down to your god" / Then we hit the floor / And make ourselves and idol to bow before, // Well i can't / And i wont / Bow down /Anymore.// No more.

Track 7 - people say that you'll die faster than without water, but we know it's / just a lie, scare your son, scare your daughter / now here's the sun, it's alright! now here's the moon, it's alright! / now here's the sun, it's alright! now here's the moon, it's alright! but everytime you close your eyes, lies!

(…)
Carlos Malmoro

04 Abril 2006

Um destes dias vou deitar-me com Couves & Alforrecas.

Perspectivas XI

A humildade é a suprema vaidade.

Carlos Malmoro

Alberto João Jardim - uma pessoa coerente

Porquê tanto berreiro por Alberto João Jardim não querer comemorar o 25 de Abril? Se no 25 de Abril se celebra a liberdade e a democracia, então para quê festejar?

Carlos Malmoro

Perspectivas X

(ou como todas as generalizações são falaciosas):

Na mulher, o amor é a Prova Geral de Acesso ao sexo. No homem, o sexo é Prova Geral de Acesso ao amor.

Carlos Malmoro

O bem amado

O insucesso nas relações revela-se quando, aos 31 anos, olhamos para a agenda e não achamos ninguém indicado para servir de acompanhante a um casamento. E anda um pai a criar um filho para isto.

Carlos Malmoro

Oferta de emprego

Revisor: profissional que através de uma leitura vigilante, revê os manuscritos para encontrar erros ortográficos/gramaticais, contradições do enredo, incongruências das personagens. Também preciso de um revisor. Mas para a minha vida.

Carlos Malmoro

«- Pensam que eu estou zangado por eles dizerem disparates, laborarem em erro? Mentira! Até gosto que eles disparatem, que laborem em erro! Enganarmo-nos é o único privilégio humano frente a todos os outros organismos! Quem erra, chega à verdade! Sou ser humano precisamente porque erro.Ainda ninguém chegou a uma verdade qualquer sem antes se ter enganado catorze vezes, ou talvez cento e catorze, e isso é um mérito, neste sentido. Mas não, nem sequer sabemos errar por nossa nossa própria cabeça! Diz-me um disparate, mas à tua maneira, aí dou-te um beijo. Um disparate nosso, à nossa maneira, é quase melhor que uma verdade alheia: no primeiro caso, somos seres humanos, no segundo somos passáros! Não é a verdade que foge de nós, mas é muito mais fácil dar cabo daquilo que é realmente vida: há exemplos disso. O que somos nós, agora? Todos nós, todos sem exclusão, em termos de ciência, de desenvolvimento, de pensamento, de descobertas, de ideais, de desejos, de liberalismo, de razão, de experiência, de tudo, tudo, tudo, tudo, andamos ainda no primeiro ano do liceu! Tomámos o gosto de nos satisfazermos com as ideias alheias, ganhámos esse hábito! Não é verdade? Não é verdade o que eu estou a dizer? - gritava Razumíkkhin, sacudindo e apertando os braços das duas mulheres. - Não é verdade?»
Fiódor Dostoiévski, Crime e Castigo (ou 'O Grande Livro das Sombras da Alma'), Parte III, Cap. I.
Carlos Malmoro

02 Abril 2006

João Paulo II - Um ano depois

Não creio. Sou a favor da Interrupção Voluntária da Gravidez. Defendo o uso do preservativo. Considero que a vida, se estiver a causar unicamente sofrimento, possa ser interrompida. Estas são as minhas convicções. As convicções do senhor Wojtyla eram diferentes. Ainda bem que as defendeu: uma pessoa que não defende as suas convicções, só porque a maioria possa estar contra elas, é vulgarmente chamado de cobarde, cacique, oportunista, enfim, por aí...
Apenas registo, passado um ano da sua morte, o legado que ele deixou: esteve contra o comunismo e o nacional-socialismo, vulgo, nazismo, estava agora contra o capitalismo neo-liberal; aproximou-se dos jovens, mas não deixou de prescindir de mostrar que a velhice, mesmo sofrida, é uma parte da condição humana,i.e.,resistiu à tirania da juventude que neste mundo assume proporções cada vez mais surrealistas - aos 45 anos, uma pessoa já não é válida para trabalhar...
Praticou o ecumenicismo, abrindo a Igreja ao diálogo com outras religiões, deixou o conforto do Vaticano e viajou pelo mundo inteiro, desde a mais cosmopolita das cidades ao mais inóspito sítio; foi um pregador incansável da paz, nunca renengando que existem certos momentos na vida que a força possa ser usada para libertar o Homem (ele foi o primeiro líder internacional a denunciar que a população muçulmana de Sarajevo estava sob cerco e que todos os meios eram válidos para prevenir o genocídio).
Há um ano, muitos elogios se ouviram. Aquele que eu considerei mais correcto, na altura, foi proferido pelo Presidente da Comunidade Islâmica Portuguesa: «João Paulo II foi o Papa dos crentes e dos não crentes.» Hoje, com a boçalidade da questão dos cartoons na agenda, talvez não fosse permitido a um líder muçulmano tal liberdade.
Agora que passa um ano sobre a sua morte, e uma vez que não sou crente, apenas desejo que descanse em paz e que a forma como percorreu a vida inspire a vida de certos cowboys que andam pelo mundo a provocar a morte.
Infelizmente, sei que este meu último desejo não se realizará...
Carlos Malmoro
PS: É impressão minha ou Karol Wojtyla conseguia ser mais enfático com uma palavra, dita distorcidamente por causa da doença, do que Bento XVI numa encíclica inteira?

Na mesa de cabeceira:

Para T

Estou velho para isto. Para este correr sem saber muito bem para onde. Para este trânsito raivoso. Para esta ditadura da beleza, do ser fixe, do estar sempre ‘feliz’, do rebanho, dos sítios in, da estereotipação dos gostos. Estou velho para sentir a necessidade de mudar de telemóvel de seis meses em seis meses, só para poder dizer que amo via imagem, e estou velho para ver quatro horas de telelixo diário.
Estou velho para a literatura light e para a literatura não-emocional, ou, se preferirem, asséptica. Estou velho para ‘ler’ poesia em videopoemas e em infopoemas e para me aperceber que os versos da poesia pós-moderna são meros aforismos. Estou velho para não ter a liberdade de dizer os clássicos sem que me chamem snob e para ser obrigado a dialogar num dialecto qualquer - que eu não conheço - onde existem as palavras 'prontos', 'quaisqueres', 'fostes',...

Estou velho para os créditos a cinquenta anos, para os «dinheiro’s já» e envelheço cem anos quando ouço a expressão «produtos financeiros de alta rentabilidade». Estou velho para as promessas do governo, da oposição, para as reivindicações sindicais e patronais, para o «agora é que é», para o endeusamento da economia, para as «reformas estruturais» e para os «temas fracturantes».
Estou velho para escutar os críticos de tudo e de nada, para os críticos dos críticos, para seguir as profecias do Prof. Marcelo, Pacheco Pereira, Miguel Sousa Tavares e quejandos, e tomar as suas declarações como verdades iluminadas.
Enfim, estou velho para a falta de bom senso. E depois vens tu e dizes «o teu mundo de afectos é muito bonito», rejuvenesço e fazes-me perceber que as pessoas são elixir da eterna juventude.
Carlos Malmoro