31 Maio 2006

O meu relógio

Há um anúncio da Seiko que afirma o seguinte: «Não é o vestuário, nem o carro, nem o telemóvel que diz mais sobre um homem – é o seu relógio.» Então, se quiserem ficar a saber mais sobre mim, aqui fica o bicho:



Calculo que, por estas horas, já me conheçam melhor do que eu próprio...

Carlos Malmoro

PS: E isto é para não me alongar muito a dissertar sobre a futilidade que representa tentar perceber o ser pelo que se tem vestido ou pelo que se tem para conduzir... Sai um cérebro para aquela mesa de criativos, sff.

Os sublinhados dos livros terminados (i)

«Gebo: A felicidade na vida é não acontecer nada
Sofia: É o hábito?
Gebo: Talvez seja o hábito. É a gente fazer sempre o mesmo trabalho e dizer sempre as mesmas palavras.
Sofia: Como a chuva. E não cismar.»


«João: Antes morrer que viver sepultado.»

«Gebo: O dinheiro nunca se perdoa.»

«Sofia – Temos vivido aqui tantos anos e nenhum de nós se conhece. Durante o tempo todo que passou, houver um ser interior que se criou e que nenhum de nós suspeitava. Um ser que me mete medo e atrai.»


Raul Brandão – O Gebo e a Sombra – Teatro

Carlos Malmoro

Ode

Herberto Helder / Helder Herberto / Herder Bertohel / Berder Hertohel / Toder Herberel / Herhel Bertoder / Berhel Hertoder / Tohel Herberder / Helherber Toder / Derherber Tohel / Derberto Herhel / Derberhel Herto / Helder Herberto / Herberto Helder.

Carlos Malmoro

30 Maio 2006

Personalidade Mínima Garantida

Uma mulher serena, mas com um brilhozinho de loucura nos olhos ou uma completamente louca, mas com um travo de serenidade no olhar.

Carlos Malmoro

29 Maio 2006

O mais conceituado analista financeiro

O meu primo de sete anos diz que os «Morangos» estão uma seca e que agora o que está a dar é a «Floribela». Vou seguir as recomendações deste analista exímio e vender as acções da MediaCapital para comprar Impresa.

Carlos Malmoro

PS: Só por curiosidade, fui ver o fecho da Bolsa de Lisboa: a Impresa subiu quatro por cento. O miúdo faz-se.

28 Maio 2006

Caro visitante

iraniano:

Muito me apraz que este humilde estaminé seja objecto da sua visita por dois minutos e picos. Quero garantir-lhe que será sempre bem-vindo por estas bandas. No entanto, se percebeu as coisas que estão por aqui escritas, coisa que nem eu muito bem compreendo, já sabe que sou um porco infiel, i.e., em linguagem ocidental, ateu.

(clique para aumentar)

Porém, e antes que me lance uma qualquer fatwa, posso adiantar-lhe que sei de muito boas fontes - Sitemeter - que o sr. veio aqui parar vindo directamente do blogue «e deus criou a mulher», que expõe o corpo feminino na razão inversa do que é permitido aí nas ruas de Teerão e na sua religião. Portanto, e não querendo que tome isto como uma ameaça, veja com quem se mete e as fatwa's que lança.

Eternamente grato pela sua visita,

Carlos Malmoro

A história repete-se

O sangue que recomeça a aparecer em sítios que não devia, as dores que voltam, as manchas já conhecidas, as possibilidades de nova operação a aumentarem e a merda da quimio de novo no horizonte. Só me pergunto: onde irá ele buscar forças para passar por tudo novamente? E onde terei eu as forças para o apoiar incondicionalmente?
Carlos

27 Maio 2006

Perspectivas XXXVIII



Quando leio Pessoa, torno-me num seu heterónimo.
Carlos Malmoro

26 Maio 2006

Herman no

topo da sua carreira:


Sad but true.

Carlos Malmoro

Perspectivas XXXVII

Tanto aprecio as beatas da Igreja como as beatas da Razão.

Carlos Malmoro

Perspectivas XXXVI

As duas condições para hoje ser famoso: um palminho de cara e uma acefalia.

Carlos Malmoro

24 Maio 2006

Já me vai faltando

...a paciência para as pessoas que solenemente afirmam que «o que eu tenho a dizer, digo na cara», para as que orgulhosamente declaram que «eu digo o que penso» ou para as que certificam que são muito directas.

Normalmente, estas expressões vêm antecedidas de um juízo que já revela tudo o que há para explicar. Exemplo: «Carlos, isso é um absurdo.» Ok. Já entendi a ideia. Agora, por favor, expliquem lá muito bem explicadinho qual é a necessidade de acrescentar: «Tu sabes que o que tenho a dizer, digo na cara».

Por outro lado, essa frontalidade só costuma funcionar num sentido. Assim, se for um juízo negativo, lá vem procedido pelo habitual «eu digo o que penso». Mas se me disserem «Carlos, foste brilhante», nunca aparece o lamiré do «Já sabes, mesmo que magoe, eu sou frontal.» Para além disso, tenho para mim que uma pessoa que passa a vida a afiançar um aspecto do seu carácter demonstra uma de duas coisas: ou falta desse traço do carácter, pura e simples, ou então uma grande insegurança em relação à sua personalidade. E também isso contribui para a falta de paciência que ando a ter com essa gente.

Para finalizar, gostava apenas que não me interpretassem mal: não aprecio a hipocrisia, nem tenho uma indelével admiração por pessoas apócrifas. Mas também não tenho muita paciência para os histerismos da frontalidade. Tanto mais que a vida já me ensinou que essa frontalidade é fértil em revelar-se como a mais hipócrita.

Carlos Malmoro

23 Maio 2006

Bem me parecia

aqui que eu não estava bem aqui.

You Belong in Dublin

Friendly and down to earth, you want to enjoy Europe without snobbery or pretensions.
You're the perfect person to go wild on a pub crawl... or enjoy a quiet bike ride through the old part of town.
Carlos Malmoro

Santa Hipocrisia

«Homossexuais continuam sem poder dar sangue»

Mas quem vai todos os dias às meninas pode.

Carlos Malmoro

22 Maio 2006

Perspectivas XXXV

(autobiografia)

Existem dois tipos de pessoas: as que têm tempo para tudo e as que não têm tempo para nada. Ele pertencia aos que tinham sempre tempo para tudo. Mas chegava sempre atrasado.

Carlos Malmoro

21 Maio 2006

When a man lies he murders
Some part of the world

These are the pale deaths which
Men miscall their lives
All this i cannot bear
To witness any longer
Cannot the kingdom of salvation
Take me home

Cliff Burton - To Live is To Die

Carlos Malmoro

"Príncipes do Nada"

O Inimigo Público é o suplemento humorístico do Público que inventa factos, distorce factos e dá opiniões completamente disparatadas para atingir o seu objectivo. Contudo, na última sexta-feira, na rubrica Telefobia, Renato Carreira, faz comentário a um novo programa da RTP «Príncipes do Nada», que estaria melhor numa página direita de um jornal de referência do que num rodapé de uma publicação humorística.

Comentário à foto da esquerda:
«Diz o povo que uma desgraça nunca vem só. E tem razão. A este homem não bastava o estigma de viver num dos países mais pobres do mundo em condições de miséria indescritível. Para além disto, também é serropositivo e vive num isolamento resultante da ignorância e do preconceito. Para coroar a série de desgraças em beleza, calhou-lhe em sorte (ou azar) ter de conviver pessoalmente com Catarina Furtado. A maior ironia disto tudo está no facto de nem sequer ter televisão»
Comentário à foto da direita:
«Séculos de exploração colonial não chegaram. Portugal precisava de aumentar a desgraça alheia. E quem melhor para isso do que a RTP com experiência acumulada de muitos anos a arreliar cidadãos incautos? A iniciativa tem como título "Príncipes do Nada". Príncipes serão todos aqueles que conseguem ir vivendo naquelas ocasiões. O Nada dirá respeito a quem deixa por umas horas o conforto do hotel de 5 estrelas para lhes espetar um microfone na cara e satisfazer uma sede doentia de protagonismo
O lema do Inimigo Público é «Se não aconteceu, podia ter acontecido». Parafraseando, este programa é mais um que aconteceu, mas que não devia ter acontecido.
Carlos Malmoro

E você,

caro utente deste serviço, também já não está pelos cabelos com códigos secretos, codex’s, instituições ocultas, grandes cabalas universais, ocultismos de variada estirpe, irmandades secretas, amostras de como a crucificação é violenta, provas irrefutáveis de que o outro lado existe, bruxas, feitiços e parapsicologia de pacotilha, e revelações iluminadas do lado sombrio da existência universal que agora servem de tema a tudo o que é filme, livro, composição musical? É que eu, como se vê pelo texto atrás escrito, ainda não estou. Rien de rien.

Carlos Malmoro

Peço a vossa paciência

Como podem confirmar nos comentários a post's anteriores a 15 de Maio, este blog foi alvo de um ataque de spam. A partir de agora, para se comentar ou dizer qualquer coisita, será necessário preencher a caixa de verificação de letras. Peço-vos a vossa compreensão para o facto.
Se bem que um comentário a dizer «Nice colors. Keep up the good work. thnx!», num post escrito a preto sobre fundo branco tem sempre a sua piada. E que um outro a afirmar que «Hmm I love the idea behind this website, very unique.», mesmo tendo sido produzido por uma máquina, me deixa completamente orgulhoso do estaminé que mantenho. Principalmente na parte do very unique.
Carlos Malmoro

Da saudade

Toda a gente que não é saudosista, nas quais me incluo, tem de ter uma boa dose de saudade. Assim, tenho saudades do sr. Manuel fazer a conta dos meus chocolates com o lápis que tinha atrás da orelha. Tenho saudades da minha mãe chamar por mim para o lanche – primeiro, por Carlos, depois por Carlos Manuel, finalmente, já em desespero de causa, pelo nome completo. Tenho saudades de defender um penalti marcado pelo matulão da escola. Tenho saudades de comer o meu «Dedo» da Olá. Tenho saudades de ver os desenhos animados enquanto lanchava. Tenho saudades de fazer o TPC na hora de iniciar a aula.

Tenho saudades de, contrariando a minha natureza tímida, levantar-me em frente da turma toda e perguntar à senhora professora porque é que a Sandra, minha colega de carteira e de coração, não passava para a terceira classe como eu. E, perante a resposta de que ela não estaria preparada para o fazer, ter oferecido os meus préstimos para a ajudar a ensiná-la melhor. Recebi um sorriso como resposta.

Tenho saudades do meu saco de berlindes. Tenho saudades de jogar ao «Mata». Tenho saudades de responder à minha mãe que as boas notas que tirava podiam muito bem aparecer sem estudar. Tenho saudades de construir um carrinho de rolamentos para depois o desfazer – a ele e a mim – na primeira descida. Tenho saudades de ir de mão dada com a minha mãe para a escola. Tenho saudades de não ter completado as minhas colecções de cromos dos recordes do Guiness (faltava o homem com as unhas mais compridas) e das estrelas de música (faltava a Olivia Newton-John).

Tenho saudades de me declarar com um bilhetinho a dizer «Gosto de ti. E tu, gostas de mim? Sim_ Não_». Tenho saudades de ter três meses de férias. Tenho saudades de Magoito, Praia Grande, Ericeira, Praia das Maças, Azenhas, de Sintra. Tenho saudades da minha bicla de ciclista com 10 mudanças. Tenho saudades de tomar banho à meia-noite completamente nu na praia de Magoito com o resto da pandilha. Tenho saudades do bolo de bolacha da minha mãe. Tenho saudades das minhas turmas da primária. Tenho saudades de aprender pelas emissões da tele-escola. Tenho saudades de nadar no rio. Tenho saudades de ir aos caracóis. Tenho saudades de não ter computador. Tenho saudades de ler «Os cinco» e de perguntar à minha mãe como é que se podia comer tanto num só lanche.

Tenho saudades de subir a uma árvore. Tenho saudades de ir à chinchada. Tenho saudades do Pão-por-Deus. Tenho saudades de ir com a minha mãe, pelo Natal, ao circo no Coliseu. Tenho saudades do Austin do meu pai. Tenho saudades de ouvir os discos da Comandita «Hey Vicky Hey / Levanta bem a vela» e de cantarolar: «D'artacão D'artacão / e os três moscãoteiros longe vão chegar», e de tentar construir uma casa numa árvore como o Tom Sawyer. Tenho saudades dos desfechos alternativos que a minha mãe arranjava para as histórias clássicas infantis.

Tenho saudades de ir com uma namorada fumar para a cave da casa. Tenho saudades de receber postais ilustrados de todo o mundo (fazia colecção). Tenho saudades de andar à pêra, tenho saudades dos «Rambo's», da «Força Delta» e d' «Os Deuses Devem Estar Loucos». Tenho saudades de ver a série Verão Azul e de assobiar a canção do genérico. Tenho saudades de não pensar nas respostas que dava nem nas perguntas que fazia.

Tenho saudades disto tudo. Saudades que não saudades. São antes pequenas memórias. Saudades, muitas e dolorosas, são as que tenho de uma senhora que, se hoje fosse viva, completaria sessenta anos. Como viveste, vives e viverás sempre em mim, aqui ficam os meus parabéns, madrecita.

Carlos Malmoro

20 Maio 2006

Os três melhores

... conselheiros que o dinheiro pode comprar:

Desde sempre a trabalharem para mim.
Mesmo quando ainda não os conhecia.

Carlos Malmoro

Van Gogh - Trees and Undergrowth

19 Maio 2006

Bem-vindos sejam

As últimas entradas aqui no estaminé como resultado de buscas, tiveram as seguintes palavras-chave:
- quando última palavra do verso rima com uma palavra no interior do verso seguinte, a rima denomina-se porque??;

- caixa de chocolate personalizadas dia dos namorados;

- biografia de pele o rei do futebol;

- qualidades do iogurte;

- O diálogo inter religioso+impossível?;

- a moderna caixa de pandora;

- sintav+sindicato;

- Guiné - Bissau / significado das cores de sua bandeira;

- Sindroma de asperger;

- gravidez precoce desenhos cómicos;

- registos do senhor santo Cristo;

- Medo e imaginário infantil;
e, por último, (a minha preferida)

- alfaquiques vende.
A todos dou as boas vindas. Aos programadores dos motores de busca gostaria, no entanto, de deixar no ar a seguinte questão: este blogue é o centro da net para onde tudo é atraído ou é a lixeira para onde tudo é atirado?
Carlos Malmoro

18 Maio 2006

Não li

o Código da Vinci, não vou ver o Código da Vinci e não quero mais ouvir falar em Código da Vinci. Eu sei que é pedir muito, mas, por uma vez na vida, façam-me lá esse jeito. Eu até peço por favor.
Carlos Malmoro

Na mouche.
Carlos Malmoro

Tivemos de trabalhar

...137 dias para pagar os impostos e a segurança social. Agora já falta pagar a escola dos miúdos, a renda/crédito da casa, o gasóil, os seguros, a paparoca, o vestuário, a electricidade, a água, o gás, o telefone…E no país com o mais baixo rendimento per capita da Europa dos 15, ainda há quem se admire com o nosso nível de endividamento. Admiram-se com muito pouco.
Carlos Malmoro

17 Maio 2006

Perspectivas XXXIV

Ele estava certo que só havia incerteza.

Carlos Malmoro

Do falhanço

Com um obrigado à T. por me ter alertado para o facto, sugiro-lhes um pequeno exercício. Vão ao Google, façam uma busca com a palavra 'failure', e, em vez da tradicional pesquisa, cliquem em «Sinto-me com sorte». O resultado foi a busca mais certeira que alguma vez fiz.

Carlos Malmoro

16 Maio 2006

Adições

Porque um tipo que tem Cannibal Corpse ao lado de Camané, é sempre um tipo com excelente gosto; porque um ivan é sempre terrível, mas existe sempre uma vizinha do lote 5, 1º Dto para nos acudir; porque um anarca constipado consegue ser sempre mais eloquente do que um qualquer abrupto; porque waving words é um belo poiso; porque é preciso coragem para se fazer um blog «em memória de...» e porque todos eles estão impregnados da natureza do mal, i.e., da natureza humana; por tudo isto decidi acrescentá-los à lista de blogues aqui do estaminé. E, claro, e pela maior razão de todas: porque quis.
Carlos Malmoro

15 Maio 2006

A/C DECO (II)

Crida DECO:

...e fica desde já aqui prometido que, se tu aplicares uma coima de 45 mil euros à AXE por publicidade enganosa, eu terei todo o gosto em fazer a respectiva volta ao mundo envergando uma t-shirt a fazer-te publicidade. Não enganosa, claro está.
Sempre teu,

Carlitos

A/C DECO

Crida DECO:
Serve o presente para te informar que fui vítima de publicidade enganosa. Depois de 220 duches e 8 latas de deo AXE, simultaneamente conjugados, o resultado obtido não foi, nem de perto nem de longe, o anunciado no verso da embalagem de spray. A saber:

Como tal, estou ao teu dispôr e do Dr. Ricardo Sá Fernandes para que, juntos, possamos encetar uma louca cruzada judicial contra esta manifestação bárbara de capitalismo selvagem.
Atenciosamente,
Carlitos

14 Maio 2006

Perspectivas XXXIII

- Tu tens de mudar.
Três semanas depois, disse-lhe:
- Estás diferente. Que te aconteceu?

Carlos Malmoro

Rain, Steam and Speed - Turner

Perdido

Já procurei debaixo das almofadas do sofá, já telefonei para o trabalho a saber se ele não teria lá ficado por esquecimento, já remexi a gaveta dos boxeurs, já tirei os tapetes do carro, já vasculhei o caixote do lixo, não fosse parar lá por engano, já revistei os bolsos da calças, já averiguei no tambor da máquina, já farejei o frigorífico e já esquadrinhei todo o corredor. E continuo sem me lembrar onde foi que me esqueci do sentido da vida.
Carlos Malmoro

13 Maio 2006

Perspectivas XXXII

A todos concedo o direito à estupidez. Desde que não abusem do privilégio.
De todos espero receber o mesmo direito. Podem ficar descansados: eu não abuso.

Carlos Malmoro

12 Maio 2006

Cronenberg

desceu ao quotidiano para fazer um excelente filme e contar uma grande história.


Carlos Malmoro

Profundidade

As mulheres são capazes de identificar o melhor parceiro para constituir família através de um simples olhar para o rosto de um homem.

Grande coisa: nós nem precisamos de olhar para rosto delas.

Carlos Malmoro

11 Maio 2006

Perspectivas XXXI

Personagem 1) - Eu tenho muitos amigos
Personagem 2) - Eu tenho uma fila de inimigos.
Personagem 1) - Porque sou um bom carácter.
Personagem 2) - Porque sou um mau carácter.
Narrador: Afirmar que se tem carácter, bom ou mau, só revela falta de carácter.
Carlos Malmoro

Antropologicamente

falando, que significado podemos atribuir à circunstância de um dos melhores filmes dos últimos tempos abrir com um grande plano de um rabo?

Carlos Malmoro

10 Maio 2006

Melhor que sair o totoloto...

Comercializar um Livro de Reclamações para as relações.

Carlos Malmoro

Perspectivas XXX

- Sou importante para ti?
- Sim, como uma inesquecível canção. Mas sem letra.
- Um instrumental?...
- Exacto, como um instrumental: dá para seres assobiado, não dá para seres cantado.

Carlos Malmoro

Perspectivas XXIX

Dizia ele:
«Eu sou aquilo que não sou.»

Carlos Malmoro

09 Maio 2006

Perspectivas XXVIII

(momento Paulo Coelho)
O amor ancora a alma à deriva e liberta a alma ancorada. Simultaneamente.
Carlos Malmoro

07 Maio 2006

Dia da mãe

Madrecita, não te ofereci nenhum cartão a dizer «Para a melhor mãe do mundo», nem um poster a dizer (como vi numa papelaria) «Para a mãe mais fixe do mundo». «Melhor» e «mais» são termos comparativos. E tu és única. Dei-te a tradicional rosa branca. Coloquei-a em cima do teu caixão. Espero que gostes.
Carlos Malmoro

Wreck of a Transport Ship, Turner, Museu da Fund. Calouste Gulbenkian

Perspectivas XXVII

Uma das melhores coisas de ser velho não é ser indiferente ao que os outros pensam das nossas opiniões. É não sentir a necessidade de afirmar as nossas opiniões.
(Dica do vovô Moreira)

Carlos Malmoro

Como perder a paciência

Supermercado habitual, secção de laticínios, 18 e 48, do dia 07 de Maio de 2006. Olho para a montra de iogurtes e entro em pânico: trocaram os lugares todos. E para me deixarem mais confuso (sim, que aquilo foi feito propositadamente para me torturar o tédio de domingo à tarde), colocaram os iogurtes divididos por tipo. E há de todo o tipo. A saber: pois temos os de pedaços, os dietéticos, a perdição dos bífidos e a tentação dos naturais, os pronto-a- beber líquidos, os queijinhos, os de crescimento e, para finalizar, as sobremesas. Mas onde é que param os iogurtes normais? Sim, aqueles que toda a gente come - com aroma. Ora vem aí uma assistente. Vamos inquiri-la:

- Boa tarde. Pode indicar-me onde estão os iogurtes de aroma?

- Boa tarde. O mostrador de iogurtes está dividido por secções para que se torne mais fácil encontrar o produto pretendido.

Depois de ouvir esta resposta decorada na formação, - sim, que ninguém que eu conheça me dá uma resposta destas -, inquiro de novo:

- Sim, já reparei. Mas não existe nenhum separador para os iogurtes de aroma. Estão juntos com que os de que tipo?

- Nós aqui pretendemos organizar as diversas qualidades de iogurte por tipos, para que seja mais fácil e cómodo ao cliente escolher o que quer. De certeza que o senhor não os encontrará misturados com outros.

Pois...«mais fácil e cómodo»...Outra resposta decorada... Começo a perder a paciência.

- Desculpe, mas eu não vejo nenhum separador para «Aromas». Pode indicar-me onde estão?

Ela olha...

- Sim, não tem o separador de aroma, mas de certeza que os encontrará no refrigerador.

- Misturados com que tipo?

- Tenho a certeza que não estão misturados. Estão numa secção autónoma. Boa tarde e boas compras.

Olha, despachou-me...

- ...ah...boa tarde.

Lá encontrei os de aroma. Misturados com as sobremesas.

Pensando melhor, e trocado por miúdos, o que a tipa realmente me disse foi:

- Procure melhor. Nós aqui não nos enganamos. E eu tenho mais que fazer.

E existe lá coisinha mais irritante do que ser mal educada educadamente?

Vaca.

Carlos Malmoro

06 Maio 2006

Um bocadinho de naftalina para estes senhores, sff

A propósito do último texto aqui escrito, um tal de máquina zero, disse o seguinte: «O problema é se um dia não te deixam lá entrar..». Pois, a asneirola do costume.
No entanto, este comentário revela muito acerca da mentalidade da pessoa que o escreveu. E também revela muito da mentalidade de alguns portugueses. Uma mentalidade fechada, que não tem o mínimo gosto em conhecer coisas novas, de ver novas perspectivas, que tem receio a tudo o que é diferente. Uma mentalidade bafienta, que argumenta que Portugal é para os portugueses e que proclama o orgulhosamente sós.
Enfim, uma mentalidade de mono. Mas uma mentalidade que se esquece que muito do que é hoje Portugal tem as suas mais profundas e fortes raízes no espírito de dar novos mundos ao Mundo, na coragem da diáspora e na facilidade de adaptação a novas situações. E mais importante, que o País só engrandeceu quando se abriu ao exterior.

Portugal esteve assim meio século. Fechado, em morte cerebral, na penumbra. Como sou uma alma caridosa e solidária, a estas pessoas, que parecem tanto simpatizar com os 'gloriosos' tempos da velha senhora, só gostaria de lhes oferecer uma máquina do tempo, programada para retroceder cinquenta anos, sem possibilidade de voltar ao tempo em que vivemos. De certeza que seriam muito mais felizes no tempo da Fátima, Fado e Futebol. E eu não tinha de aturar tantos disparates.

Carlos Malmoro

04 Maio 2006

Vila de Rei

>

Chegam esta quinta-feira a Vila de Rei as primeiras quatro famílias brasileiras das 60 que a presidente da Câmara quer levar para o concelho.

Já há por aí muito alarido em relação a esta notícia. Que não senhor, que não pode ser. Que isto é desvirtuar o coração de Portugal. Que a alma daquela região vai ficar irremediavelmente perdida, enfim, o coro de protestos useiro e costumeiro do politicamente correcto.

Porém, a verdade é esta: uma pessoa afasta-se 80kms da costa e vê um país completamente ao abandono. É tudo muito bonito, as nossas vilas, com as suas remotas tradições, os rebanhos de cabras, os trajes, os cantares, as paisagens de perder de vista, etc, etc,. Mas depois, fecham-se maternidades por falta de casais jovens; os polos universitários e politécnicos idem, fazendo com que os estudantes e os quadros médios e superiores se desloquem para o litoral; as empresas fecham ou deslocalizam por falta de acessos e por falta de um clima empresarial onde possam estabelecer negócios de proximidade, enfim, cria-se um deserto autêntico a nível socio-económico que não permite a ninguém sonhar com um futuro para si e para os seus. Finalmente, o Poder Central nunca olha condignamente - e este condignamente significa exactamente com dignidade, e não com condescendência - para os problemas e necessidades destas pessoas.

E agora está tudo muito chocado porque uma senhora autarca, que, diga-se sem cerimónias, tem-os no sítio, apercebeu-se que o seu concelho, daqui a uma ou duas décadas, não estaria mais no mapa, e mandou chamar pessoas que quisessem fazer a sua vida e a vida de Vila de Rei. Se a senhora procedeu bem ou mal, existe uma coisa em Portugal que se chama democracia e que serve exactamente para julgar isso. Mas será sempre a população de Vila do Rei, e não a de Lisboa ou a do Porto, a fazer esse julgamento.

Para finalizar, a minha opinião: prefiro uma Vila de Rei com sotaque a uma Vila de Rei deserta.

Carlos Malmoro

A post to say goodbye

Há sete anos, saí de Lisboa para Ponte Lima. Está na altura de sair de novo. Para onde? Carlos Malmoro

03 Maio 2006

Uma vez na vida

Logo, quando forem 01 hora, 02 minutos, 03 segundos, do dia 04, do mês 05, do ano 06, durante um segundo, vai acontecer uma coisa única na vida que já vivi e que ainda vou viver. Os relógios ficarão assim alinhados: 01:02:03 04/05/06. O que por vezes nos esquecemos é que a todo o instante acontecem nas nossas vidas momentos irrepetíveis, e quase sempre mais importantes do que esse segundo. A única diferença é que não estão alinhados aritmeticamente. E isso, não o devendo, faz toda a diferença.
Carlos Malmoro

De passagem

Ao sair do carro, um casal conhecido, na casa dos quarenta, vem na minha direcção.
O homem diz constantemente, num tom exaltado, para a mulher
Ele - Eu dou-lhe uma cabeçada que o mato.
Ela - ....
Ele - A sério, eu juro-te que lhe espeto uma cabeçada naqueles cornos que ele vai desta para melhor.
Ela -....
Ao cruzarem-se comigo, o homem, agora num registo simpático, como se nada fosse, diz:
Ele - Boa noite, senhor Carlos.
Ela - Boa noite, senhor Carlos.
Eu - Boas noites.
Depois de passar por mim, a voz simpática regressa à agressividade, e volta a dizer para a mulher:
Ele - Eu já te disse: não me custa nada mandá-lo desta para melhor com uma cabeçada.
Ela -.....
E foi nisto, com ligeiras variações, mas com a cabeçada e a ameaça de morte sempre presentes, até a voz se perder completamente nas minhas costas.
Dúvida: bebedeira ou obsessão? Ou ambas?...

Carlos Malmoro

Ponto da situação

Um erro de deus. Um desperdício da natureza.

Carlos Malmoro

02 Maio 2006

Perspectivas XXVI

(silogismo insidioso)

O conhecimento dá-nos poder. O poder corrompe. Conhecemos para ser corruptos?

Carlos Malmoro

01 Maio 2006

Literatura de viagem

Do Encontro Internacional de Literatura de Viagem, realizado em Matosinhos, retive duas ideias. Uma de Álvaro Siza Vieira: «uma viagem bem organizada vale mais do que um período inteiro de aulas», uma formulação que o arquitecto sempre utilizou enquanto professor. Outra, de Francisco José Viegas, a criticar «os que conhecem a República Checa mas nunca foram a Fânzeres».
Gosto destes encontros literários onde se fala para o leitor comum, sem grandes teorizações literárias nem polémicas de capelinhas. Apenas o gosto de falar de livros, por gente que, fazendo da sua vida a escrita, sabe que a leitura é a melhor forma de escrever.
Carlos Malmoro

Perspectivas XXV

A minha melhor qualidade é ter consciência dos meus defeitos.

Carlos Malmoro