30 Junho 2006
Arte Contemporânea na Casa de Banho
Carlos Malmoro
Posted by
Carlos Malmoro
at
00:35
2
pontos de vista
Da alarvidade
Posted by
Carlos Malmoro
at
00:03
1 pontos de vista
29 Junho 2006
«Nome: Refugiado»
Posted by
Carlos Malmoro
at
00:32
3
pontos de vista
Da Urbanidade
Fernando Ruas incita a "correr fiscais à pedrada".
É o que acontece depois de se assistir a jogos tipo Portugal-Holanda.
Carlos Malmoro
Posted by
Carlos Malmoro
at
00:24
2
pontos de vista
28 Junho 2006
Não me digam que há justiça
Carlos Malmoro
PS: Nos próximos quinze dias, o índice de postagens é capaz de descer. Para além deste, só tenho o computador do trabalho. E esse serve para isso mesmo: para trabalhar. (tão ajuizadinho que eu sou...)
Posted by
Carlos Malmoro
at
23:44
2
pontos de vista
Fina Ironia
In two more years, my sweetheart, we will see another view
such longing for the past for such completion
What was once golden has now turned a shade of grey
I've become crueler in your presence
They say: 'be brave, there's a right way and a wrong way'
This pain won't last for ever, this pain won't last for ever
Two more years, there's only two more years
Two more years, there's only two more years
Two more years so hold on
You've cried enough this lifetime, my beloved polar bear
Tears to fill a sea to drown a beacon
To start anew all over, remove those scars from your arms
To start anew all over more enlightened
I know, my love, this is not the only story you can tell
This pain won't last for ever, this pain won't last for ever
Two more years (...)
We cover our lies with handshakes and smiles
We try to remember our alibis
We tell lies to our parents he hide in their rooms
We bury our secrets in the garden
Of course we could never make this love last
I said of course we could never make this love last
The only love we know is love for ourselves
We bury our secrets in the garden
Bloc Party - Two More Years
Posted by
Carlos Malmoro
at
23:11
0
pontos de vista
Perspectivas XLVI
A nitidez é inimiga da imaginação.
Carlos Malmoro
Posted by
Carlos Malmoro
at
22:46
1 pontos de vista
27 Junho 2006
«Um livro em castelhano, editado primeiro em França?»
Neste momento estou a ler «A Sombra do Vento», de Carlos Ruiz Zafón. Amigos recomendaram, foi um sucesso de vendas e, simultaneamente – o que é quase inacreditável – teve boa crítica. Tudo para ser um sucesso. Acontece que logo na página vinte, aparece um miúdo de onze anos a fazer a pergunta que intitula este post. A menos que o miúdo seja um Eduardo Prado Coelho muito precoce, não estou a vislumbrar qualquer tipo de verosimilhança, de plausibilidade, nas suas palavras - eu, aos onze anos, estava mais virado para berlindes, levantar saias e jogar à bola. Enfim, coisas realmente importantes. E posso assegurar que cresci no meio de livros e com afecto por eles.
Porque, em literatura, é muito mais crível um gato ensinar uma gaivota a voar do que um miúdo de onze anos fazer aquela pergunta.
Posted by
Carlos Malmoro
at
23:03
6
pontos de vista
As vantagens do Mundial
No Domingo, pelo fim da tarde, decidimos acabar com o que restava do fim-de-semana na praia. E qual não foi o espanto quando reparámos que não se encontrava vivalma na dita. Uma praia pública tornada privada. Apercebemo-nos depois que era por causa do futebol. Consequência: sábado, lá estaremos de novo. É que isto de uma pessoa sentir-se dono de praias tem o seu quê de glamour…E, claro, é viciante.
Carlos Malmoro
Posted by
Carlos Malmoro
at
22:53
4
pontos de vista
Oxalá
Sendo ainda cedo para mandar foguetes, não vão eles depois começar a fechar lares e infantários a cadeado, é bastante acertada esta medida: só assim os discentes poderão ver que existe um mundo para além das paredes das universidades e, claro, dos bares e das discotecas, e que os seus problemas têm uma dimensão risível perante os que irão encontrar.
Pode ser que definitivamente se apercebam de que tudo o que toda a sociedade paga para que possam estudar, é dinheiro que não vai para outras coisas, como por exemplo, para uma ajuda mais efectiva a esses cidadãos carenciados.
Então, talvez comecem a levar os estudos mais a sério, a passear menos os livros, a convencerem-se de que a soma que pagam para estudar é irrisória, comparada com o gasto que cada ano chumbado custa ao Estado, i.e., a cada um de nós. Nem que seja pelo efeito de peso na consciência: aquele dinheiro que poderia ir em auxílio dos menos protegidos que vão apoiar, vai agora para a repetição de um ano, consequência directa dos futuros Xô doutores terem andado um ano lectivo a servir de cobaias para os efeitos nefastos que o álcool provoca sobre as capacidades cognitivas. Ou, dito mais terra a terra, consequência directa das suas infindáveis bebedeiras.
Mas isto é apenas um desejo fruto do bom senso e, como muito bem sabemos, os desejos, ainda para mais se forem sensatos, raramente se realizam.
Posted by
Carlos Malmoro
at
00:57
2
pontos de vista
25 Junho 2006
Dos Estudos
Posted by
Carlos Malmoro
at
04:04
2
pontos de vista
24 Junho 2006
Perspectivas XLV
Posted by
Carlos Malmoro
at
03:10
3
pontos de vista
22 Junho 2006
Perspectivas XLIV
Não repisar na lembrança do que passou nem insistir na perspectiva do que virá.
Carlos Malmoro
Posted by
Carlos Malmoro
at
22:41
5
pontos de vista
20 Junho 2006
A Felicidade existe
Hoje, passada que está mais de uma década sobre essas afirmações, afirmo que a felicidade existe. Encontrei-a na Marina de Viana do Castelo: é servida numa taça, num estival - mas chuvoso - sábado à noite e custa a módica quantia de 3,25€. Para os mais curiosos, deixo aqui a sua aparição:
Carlos Malmoro
Posted by
Carlos Malmoro
at
20:59
4
pontos de vista
19 Junho 2006
Perspectivas XLIII
A palavra é de prata, o silêncio é de ouro, a poesia é humana.
Carlos Malmoro
Posted by
Carlos Malmoro
at
22:51
4
pontos de vista
Mais uma vez
AAR vence.
Carlos
Posted by
Carlos Malmoro
at
14:18
5
pontos de vista
18 Junho 2006
O Monólogo do Silêncio
Ao longo da peça, alguns de vós vão tossir sem nunca terem fumado um cigarro na vossa vida nem estarem constipados, outros vão murmurar à companheira coisas sem sentido e ela responder-vos-à coisas com menos sentido ainda, alguns vão ao bolso – ou à bolsa – buscar uma caneta, um isqueiro, um batôn e deixá-los-ão cair, e eu perguntar-vos-ei qual a necessidade de uma caneta, de um isqueiro ou de um batôn para que uma peça de teatro seja bem sucedida. Outros vão-se rir do texto, e o texto é trágico, outros vão deixar os telemóveis ligados, não por exibicionismos anacrónicos, é antes por uma ordem do vosso subconsciente para que, durante um segundo, possam desfrutar a paz de espírito que eu, o silêncio, não concedo nunca.
Atentai:
Nunca vos perguntastes por que é que os momentos mais desesperantes de qualquer entrevista são aqueles em que eu fico entre o entrevistado e o entrevistador?
Nunca vos perguntastes por que é que quando se pede alguém em namoro, mais angustiante do que a própria coragem de se dar esse passo, é o silêncio que se instala antes de escutardes a resposta, e que esse ínfimo momento dura horas, e a vossa cabeça só pensa que vamos ouvir uma resposta negativa ou que acabamos de viciar uma bela amizade;
Nunca vos perguntastes por que razão é que quando uma criança nasce em silêncio, o choro e os gritos são entoados pelos pais dessa criança?
Nunca vos perguntastes por que é que quando morre uma pessoa querida, mais doloroso que o acto fúnebre, é o silêncio que se instala no lugar da mesa que essa pessoa ocupava, no silêncio que se abate sobre o quarto onde dormia, é o silêncio que impera onde antes havia apartes, piadas, cumprimentos, onde antes havia pensamentos ditos em vós alta, palavras misturadas com gargalhadas, canções que vós acháveis ridículas e que agora escutais com toda atenção, com toda a saudade e com todo o regozijo que o coração humano pode comportar, enfim, onde antes havia o som da vida existe agora o silêncio da morte?
Se nunca colocastes a vós próprios estas questões, estão a ser levianos e cobardes perante mim; se nunca perguntastes por que é que sendo eu assim um elemento tão apaziguador, tão purificador, tão onírico e tão sagrado sou presença constante nos limites do vosso sofrimento, estão a ser negligentes e mentirosos perante vós próprios; se nunca vos questionastes por que é que sendo eu a fonte de eutimia eterna, o paraíso perdido, a paz, a saúde e a felicidade, em suma, a Vida, mas essa eutimia, esse paraíso, essa paz, essa saúde e essa felicidade são sempre meras consequências derivadas de causas do desassossego de espírito, da guerra, da doença da infelicidade, enfim, da Morte, é porque estão a ser hipócritas com a Humanidade e cegos para com a realidade.
Porque eu sou aquele que vos decifra esse vosso mundo bárbaro; porque eu sou aquele que vos apoquenta a alma; porque eu sou aquele que vos desagrega o amor; porque eu sou aquele que vos dita o destino, eu sou aquele a quem vós chamais de sexto sentido, eu sou aquele a que vós chamais o quinto elemento da Natureza, eu sou aquele que vós confundistes com Deus e eu sou aquele que vos recorda, durante todos e cada um dos momentos da vossa Existência, o absurdo dessa mesma Existência.
E agora que já vistes o poder de inquietação que eu possuo, agora que já sabeis que eu sou um prenúncio de sofrimento profundo, agora que já compreendestes que o ouro que dizem ser a minha essência absoluta, não é mais que a tinta dourada que reveste o Vaso de Pandora que realmente sou, com todos os males prontos a emanar do meu imo, agora que vós entendestes tudo isto, dou-vos um momento de pausa, saindo eu deste palco com a certeza de que, neste instante, já não represento para vós qualquer sublime paz, mas sim uma sumptuosa desolação.
Carlos Malmoro
Posted by
Carlos Malmoro
at
20:10
7
pontos de vista
17 Junho 2006
Ok, eu falo sobre futebol
Ele já está aqui:
Posted by
Carlos Malmoro
at
21:13
3
pontos de vista
Gosto de
Recordação de uma cama rural, do aroma dos pinheiros ao redor e da brisa da noite, tudo para contemplar o encanto deste fogo distante, que não voltará a sobrevoar-nos, assim, nesta dimensão, em toda nossa infância, em toda a nossa vida.
absolutas, sem margens para comentários.
Posted by
Carlos Malmoro
at
20:11
2
pontos de vista
Perspectivas XLII

A cavalo dado não se olha o dente. Menos pelo princípio d' «a intenção é que conta», mais por nunca esperarmos um puro-sangue.
Posted by
Carlos Malmoro
at
16:26
3
pontos de vista
16 Junho 2006
Perspectivas XLI
* Leonard Cohen
Posted by
Carlos Malmoro
at
21:18
2
pontos de vista
Da certeza
Depois das graças pelos alimentos recebidos, o monge retirou-se para a sua cela para preparar a sua meditação diária. Hoje, tinha decidido pensar nas certezas humanas: na véspera, um noviço perguntara-lhe como poderia ter ele a certeza que, passados 20 anos, como o senhor monge, não estaria arrependido da opção que tomara. A resposta fundamentou-a em Deus: «Se tiveres sempre fé, Deus indicar-te-á o caminho».
A regularidade quotidiana com que se dedicava a estes períodos de reflexão, doutrinou-o a atentar, primeiro, no todo, e depois, na parte. Consequentemente, dividiria a sua meditação numa primeira parte relacionada com a humanidade no seu todo, e uma última com o sítio onde vivia, porque, em sua opinião, só assim poderia evitar o logro das generalizações simplistas e por vezes insidiosas.
«Meu Deus, a Humanidade precisa de mais certezas. Não basta saber que esta vida é finita e passageira, para os que têm fé, que Deus existe ou que a assumpção da incerteza da vida encerra, em si mesmo, uma certeza. Não; a Humanidade necessita de saber que é amada, que é respeitada, que os actos que a norteiam encaminham-na para um futuro melhor, enfim, que o trajecto que perfilhou, embora tumultuoso, a conduzirá a uma salvação. Ou melhor, nem é necessário tanto, meu Deus, a Humanidade precisa de saber, pelo menos, que a senda que está a trilhar fará brilhar uma luz ao fundo túnel, que é uma metáfora para Vos dizer e pedir que mostrai à Humanidade que há esperança. Ainda e sempre. Será por essa intenção que hoje rezarei.
» Meu Deus, nesta cidade a certeza é algo de exótico. As palavras mais escutadas são: presumível, putativo, possível, suposto, provável, alegado, candidato, aspirante ou pretendente, os verbos são todos conjugados no condicional e verbos como o ser, o ter, o ir, o estar, o querer e outros são sempre precedidos pelo futuro condicional do verbo poder.
Posted by
Carlos Malmoro
at
01:41
3
pontos de vista
15 Junho 2006
I call you by your name
I know not where you are
But somehow, somewhere, sometime soon
Upon this wild abandoned star
And I'm full of love
And I'm full of wonder
And I'm full of love
And I'm falling under
Your spell
Nick Cave - Spell
Posted by
Carlos Malmoro
at
05:05
0
pontos de vista
Da humanidade
Posted by
Carlos Malmoro
at
04:12
3
pontos de vista
Coito Interrompido
Posted by
Carlos Malmoro
at
03:59
8
pontos de vista
14 Junho 2006
A doze horas
Posted by
Carlos Malmoro
at
00:30
3
pontos de vista
Gostava que
Posted by
Carlos Malmoro
at
00:09
3
pontos de vista
12 Junho 2006
A Sabedoria do Tempo
Carlos Malmoro
*ademasia=troco
**vendeiro=empregado ou dono de café ou mercearia
Posted by
Carlos Malmoro
at
01:45
8
pontos de vista
10 Junho 2006
Perspectivas XL
Leio clássicos. Cito clássicos nos meus textos e, por vezes, nas minhas conversas. Não por vaidade intelectual, mas pela humildade de reconhecer que nunca escreverei com o génio que me permita expressar de um modo tão preci(o)so.
Posted by
Carlos Malmoro
at
14:44
4
pontos de vista
Mulland Drive
Uma curva apertada para a esquerda. A delimitá-la, e a servir de protecção, dez marcos de pedra, com cerca de cinquenta centímetros de altura. Do lado de fora da curva, o terreno sofre um declive. Ao lado direito, e ainda ao mesmo nível da estrada, uma casa. No declive duas casas: uma baixa, com as luzes acesas, outra toda branca, alta, mais alta que a casa que está ao nível da estrada. Foi a primeira vez na minha vida que passei naquela estrada. Paro e fico abismado. Quem me acompanha, pergunta o que se passa.
Há cerca de três meses, durante um sonho:
Uma curva apertada para a esquerda. A delimitá-la, e a servir de protecção, dez marcos de pedra, com cerca de cinquenta centímetros de altura. Do lado de fora da curva, o terreno sofre um declive. Ao lado direito, e ainda ao mesmo nível da estrada, uma casa. No declive duas casas: uma baixa, com as luzes acesas, outra toda branca, alta, mais alta que a casa que está ao nível da estrada. Conduzia rumo a um compromisso. Estava atrasado. Na curva, perco o controlo do carro, e embato contra uns marcos. Vou à casa que tem as luzes acesas e peço ajuda.
Posted by
Carlos Malmoro
at
14:34
4
pontos de vista
08 Junho 2006
(Dincas, África)
No tempo em que deus criou todas as coisas,
criou o sol,
e o sol nasce, e morre, e volta a nascer;
criou a lua,
e a lua nasce, e morre, e volta a nascer;
criou as estrelas,
e as estrelas nascem, e morrem, e voltam a nascer;
criou o homem,
e o homem nasce, e morre, e não volta a nascer.
(Magias – versões de Herberto Helder)
Posted by
Carlos Malmoro
at
13:32
2
pontos de vista
06 Junho 2006
Perspectivas XXXIX
Por vezes, não dizer o que se pretendia dizer é a melhor maneira de dizer o que não se disse.
Carlos Malmoro
Posted by
Carlos Malmoro
at
00:21
2
pontos de vista
05 Junho 2006
Agradecimento Público
Posted by
Carlos Malmoro
at
13:13
3
pontos de vista
04 Junho 2006
A mais bela e genial dedicatória
Carlos Malmoro
Posted by
Carlos Malmoro
at
23:30
0
pontos de vista
Dúvida
Posted by
Carlos Malmoro
at
17:59
5
pontos de vista
03 Junho 2006
So when the birds fly south
We'll reach up and hold their tails
Pull up and out of here
And bridle the autumn gales
I give you my hand
The fingers unfold
To have and forever hold
To marry the untold blisses
And anchor this lost soul
Patrick Wolf - Tneigmouth - Wind in the Wires
Posted by
Carlos Malmoro
at
09:53
2
pontos de vista
02 Junho 2006
Nacionalidade
Posted by
Carlos Malmoro
at
12:20
2
pontos de vista
Avaliação dos Professores III
by Pitucha, na caixa de comentários deste post.
Carlos Malmoro
Posted by
Carlos Malmoro
at
12:10
1 pontos de vista
Camouflage
Por que estranhos e ínvios caminhos se metem a memória e o raciocínio para, de um momento para o outro, o pensamento saltar do jantar de sábado para a letra da música Camouflage, uma canção que não devo ouvir há 15-20 anos? Gostava que alguém me explicasse isto. Cientificamente, claro está.
Carlos Malmoro
Posted by
Carlos Malmoro
at
00:33
4
pontos de vista
Avaliação de Professores II
Depois, o outro equívoco: avaliar com objectividade. Um exemplo simples de como esta teoria é falível: um professor passa todos os alunos com dezoito. Nas provas nacionais têm a mesma nota. Outro aprova outra turma com doze, e nas provas nacionais também tiram doze. O primeiro professor é melhor que o segundo? E se os alunos de dezoito tivessem sido sempre alunos de dezoito e os da segunda turma sempre foram alunos de dez, mas nesse ano, fruto do ensino do professor, tivessem subido a nota em dois valores?
Finalmente, quem deve avaliar os professores? Como já ficou demonstrado em cima, não penso que os pais constituam bons avaliadores. Quer por serem parte interessada, quer por muitos portugueses não terem a formação necessária para o fazer. Também não penso que o ministério seja boa solução: quanto melhor forem as notas e o aproveitamento, melhores as estatísticas da UE, OCDE, etc, sobre o ensino português. Logo, melhor propaganda para o Governo (seja ele qual for). Por outro lado, os sindicatos atribuem nota vinte em piloto automático a todos os seus associados, excepto àqueles com uma cor política diferente da sua. Uma última hipótese: os professores avaliarem-se a eles mesmos. Mas lá voltaríamos nós ao velho, mas correctíssimo, pressuposto de que ninguém é bom juiz em causa própria.
Não tenho soluções. Mesmo que as tivesse, sei que existe gente muito mais abalizada para as encontrar. Apenas sei que avaliar professores pelos pais, os mesmos pais que cada vez mais utilizam a escola como depósito dos filhos, é um dos princípios do fim da escola que ensina alunos e forma cidadãos.
Posted by
Carlos Malmoro
at
00:21
3
pontos de vista
Avaliação de professores I
«(…)eu tenho adoração pelas crianças. O meu grande sonho desde sempre é ter uma espécie de herdade com um espaço enorme onde pudesse recolher todas as crianças de rua, maltratadas, desprezadas por este ciclo vicioso e por estes adultos que já foram crianças e que, infelizmente, esqueceram o que é ter sonhos e a alma carregada de esperança. Nesse sítio, daria às crianças tudo o que necessitavam: médicos, assistentes sociais, psiquiatras, psicólogos, pedagogos, educadores e eu para lhes dar tudo de mim. Porque sei que até o puto mais rebelde, mais "selvagem" se for bem orientado, no futuro tornar-se-á um exemplo de homem e que contribuirá para o bem da sociedade.(...)
Haverá algo mais mágico do que acordar, abrir a janela para a vida e saber que tudo o que fazemos é o mais correcto, o mais acertado e sem exigir nada em troca? Não há, mesmo quando me dizem que sonho muito ou que sozinha não posso mudar o mundo. Mas sei que se tivesse muito dinheiro ou alguém que depositasse total confiança em mim, que uma diferença começava a partir do momento em que tivesse nos braços uma criança de rua e todas as condições necessárias.
Lembro-me de aos 18 anos, já em P., numa aula, um professor perguntar o que queríamos da vida. Enquanto muitos ou quase todos diziam que queriam casas, carros, marido ou mulher, etc, a tonta da F. disse o que acabei de escrever e de o professor ficar de boca aberta a olhar para mim. É claro que também fui alvo de chacota por parte de alguns colegas:"Estás armada em Madre Teresa? Preocupa-te mas é contigo." Mas não consigo.
Em miúda a minha mãe ia aos arames comigo quando aparecia em casa à hora do almoço com colegas sem avisar, por saber que não tinham quase nada para comer, fora as vezes que gastava dinheiro para lhes dar coisas. Sempre fui assim e também não quero mudar. Daí estar na profissão indicada, por estar em contacto diário com todo o tipo de crianças. E enquanto não puder ter o que mais quero, dedico-me a quem tenho à minha frente.
Antes de ser professora, sou pessoa e não me envergonho de ter feito o que já fiz, de ter levado pequenos-almoços a alunos, de os ter aos fins-de-semana em minha casa, de deixar de dar aulas para os ouvir, de rir e chorar com eles e de saber que deposito muita esperança nos adultos de alguns irão ser. Tenho perfeita noção que ao ter estas atitudes, estou a ir contra as grandes pedagogias educacionais mas não me vejo apenas como alguém que despeja a matéria aos alunos, mesmo sendo olhada de lado por colegas. Mas sinto-me tão preenchida que tudo o que possam dizer, é-me indiferente. »
Isto é um excerto de um mail que me foi enviado pela minha amiga F., professora em Coimbra e Leiria. Ela vai começar a ser avaliada pelos pais dos alunos. Os mesmos pais que permitem que as crianças tenham necessidades básicas, que não a conseguem dialogar com os filhos, (senão a F. não necessitaria de os escutar e de rir e de chorar com eles.) Que avaliação é que F. irá ter por parte destes pais que não olham com um mínimo de dignidade, nem dão a mais elementar atenção aos seus próprios filhos?
Carlos Malmoro
PS: Orgulho-me de ser amigo e da pessoa que F. é. E só desejo que os meus filhos sejam educados por professores como a F.
Posted by
Carlos Malmoro
at
00:14
1 pontos de vista
Profile
outros lamirés
IntraNet
Arquivo
- Fevereiro (1)
- Dezembro (1)
- Novembro (4)
- Setembro (1)
- Agosto (1)
- Julho (9)
- Junho (1)
- Abril (5)
- Março (4)
- Fevereiro (7)
- Dezembro (1)
- Novembro (2)
- Outubro (7)
- Setembro (5)
- Agosto (3)
- Julho (14)
- Junho (13)
- Maio (23)
- Abril (19)
- Março (33)
- Fevereiro (23)
- Janeiro (22)
- Dezembro (23)
- Novembro (8)
- Outubro (16)
- Setembro (18)
- Agosto (16)
- Julho (54)
- Junho (45)
- Maio (56)
- Abril (52)
- Março (49)
- Fevereiro (21)
- Janeiro (20)
- Dezembro (5)
- Agosto (1)
- Maio (3)
- Abril (5)
- Março (17)
- Fevereiro (12)
- Setembro (3)
- Agosto (1)
- Julho (3)
- Junho (11)
- Abril (2)
- Março (1)
- Fevereiro (2)
- Dezembro (6)
- Novembro (2)
- Outubro (14)
- Setembro (31)
- Agosto (7)
- Julho (3)


