28 Fevereiro 2007

Two More Years*

Dois anos a escrever páginas de diário; dois anos a reclamar contra o cinzento, a chuva e a trovoada; dois anos a escrever crónicas. Mas o que importa dizer é que tanto as reclamações como os diários ou as crónicas são sempre escritos em grande estilo. Ao blogue, os parabéns pelo brilhantismo; à autora as «beijocas» do costume com os votos de felicidades dentro.
Carlos Malmoro
* Título de canção dos Bloc Party

27 Fevereiro 2007

Que nenhuma luva...

os amordace: o «Foram-se os anéis», mais conhecidos por "Dedos", fizeram ontem um anito. Um brinde a eles e felicidades ao José Nunes.

Carlos Malmoro

26 Fevereiro 2007

Being Carlos Malmoro

- Boa Tarde
- Boa Tarde

Que dia… E hoje ainda é segunda. Tenho que passar pela farmácia. Como se chamam mesmo? Concor? Concord? Que só haja uma dosagem: não faço ideia quantos mg’s serão. Ah, a ourivesaria é ao lado. Passar por lá. Quantos são? 26, então ainda não está pronto. O R. e a C. vêm cá passar o fim de semana e não sei que programar. Verificar as facturas para não acontecer pagar a actual e ficar a anterior por pagar. Logo, ver as condições da pós graduação. Telefonar à S. para acertar as viagens. Pensei em Berlim, já estou em Munique. Barcelona: um pulo num fim-de-semana. A partir de amanhã começar a preparar o final do mês na empresa. Ironia do dia: o mês de Fevereiro apanhou-me de surpresa não ir até dia 31… Estarei a ficar com entradas ou é do penteado ou a testa alta. Engraçado dizer-se que a testa alta é sinónimo de inteligência. Conheço muita testa alta burrinha. De qualquer forma é forte e cresce num instante. E o dente que não pára de doer, inflamar ou ficar com sensibilidade. E a língua masoquista que não pára de ir lá mexer para provocar dor. Mas tudo parava se fosse a um dentista. Coisa que adio há uns três mesitos. Logo à noite, descarregar o novo dos Kaiser Chiefs. Disseram na entrevista que mudaram, porque queriam que os levassem mais a sério. Se mudaram assim, espalharam-se ao comprido. Mas logo veremos. E escrever qualquer coisita. Tenho umas cinco ideias, três delas são boas, e não as escrever, não é falta de inspiração: é preguiça. Para a janta talvez o esparguete à bolonhesa. Então tenho que passar pelo supermercado para comprar o b…meu ingrediente secreto. Puxei demais na natação: tenho certas partes tensas. Ah, outra coisa, começar a pensar em escrever o convite. E ainda não sei o nome nem os convidados…ver isso. «Can’t find you now…» o tom como ele canta isto ainda dá mais melancolia ao desalento do verso. Encontrar o Fim de Partida do Beckett e aquele livro de entrevistas Os Escritores e a Literatura. Fazem falta para os textos. Virou-me a cadeira e está a sacudir-me. Tenho que despachar sete chamadas. São todas rápidas. Está a escovar-me. Ainda bem que acabou: já estava farto de ouvir falar de bola.

- Está bem assim, sr. Carlos?
- Está. Já serão entradas?
- Não, o senhor tem a testa um pouco alta.
- Quanto lhe devo pelo corte e pela barba?
- Dez euros.
Carlos Malmoro

23 Fevereiro 2007

Post's de continuidade

Como antigamente existiam as locutoras de continuidade (referência só para maiores de vinte cinco), no tempo da web 2.0 existem os post´s de continuidade. Analogamente às locutoras, os post´s de continuidade aparecem para cumprir os serviços mínimos de postagem que qualquer blogue que não se deseje vetado ao esquecimento necessita. Para além disso, servem de ponte entre um texto bem conseguido e um outro que teima em nascer.

Normalmente, estes posts surgem porque atravessamos uma fase da nossa vida em que temos a “agenda tão sobrecarregada que nem há tempo para morrer”(Gore Vidal), ou porque não temos assunto, ou porque nos falta a inspiração para desenvolver determinada ideia que julgamos sublime demais para o arrazoado que estamos a verter no ecrã (ia escrever «papel»…snob!). Ou então, e não raro, as três hipóteses em conjunto.
Os posts de continuidade são, exemplificando, a poesia que se coloca sem um único comentário, o vídeo do YouTube a dizer que o novo dos Arcade Fire vem aí, o quadro de um imortal com um verso de um outro imortal como título, a chalaça/trocadilho/aforismo fáceis ou a foto com a legenda indicando apenas o local a que se refere. Mas, melhor do que exemplos estereotipados, a principal característica de um post de continuidade é que se distingue assim que se lê/vê.

Chegados aqui, e isto já não vai curto, peço-vos que não me interpretem mal: também eu coloco os meus posts de continuidade. Acho-os um mal necessário e até existem certos blogues em que os mesmos são mais estimulantes que os post´s, como hei-de chamar-lhes?, programados. Porque sobre este assunto só tenho uma imensa certeza: comparativamente às locutoras de continuidade, os post’s de continuidade são infinitamente mais interessantes.

22 Fevereiro 2007

A pergunta a que nenhum blogger quer responder

«-Há quanto tempo começou o blogue?
-Três anos.
-E quando é que o acaba?»

Esta última pergunta é maravilhosa em dois sentidos: porque os bloggers raramente se dão conta que iniciar um blogue é entrar no mundo do infinito (tem início mas não tem fim), e porque quem escreve regularmente já não sabe passar sem 'isto': há tanto assunto para opinar, e, quando não há, existem sempre os «posts de continuidade» (explicarei mais tarde) para manter o bicho faminto saciado.
Mas o aspecto peculiar desta pergunta é que ela não foi feita por nenhum estudioso da web 2.0 ou dos blogues. Foi feita pela visita regular cá da casa, numa breve pausa da torrente de perguntas sobre o modo como funciona o messenger com imagem (tinha que ver a Sofia, dizia ele). E, como sabem, a «visita regular» cá da casa conta com três mil dias de idade
Carlos Malmoro

20 Fevereiro 2007

Como é normal...

Sou um urbano telúrico. Sou um clássico pós moderno. Sou um melancólico bem-humorado. Sou um pessimista optimista. Sou um generoso avaro. Sou um impetuoso sereno. Sou um enfermo saudável. E para concluir em duas palavras decerto apreciadas por estas caríssimas, sou um geminiano geminiano.
Carlos Malmoro

This is incredible



Eu sei que isto parece de adolescente - e é -, mas há muito tempo que não desejava tanto poder escutar um novo trabalho de um grupo como actualmente acontece com os Arcade Fire. É que já não me lembro da última vez que uma banda conseguiu inovar tanto e, simultanemente, alcançar um som tão conseguido. «This is incredible» - Diz o locutor da rádio acerca de «Intervention», o primeiro single do novo álbum. Eu diria genial.

Carlos Malmoro

17 Fevereiro 2007

Agenda de fim de semana

«We took a back road.
We’re gonna look at the stars.
We took a backroad in my car.
Down to the ocean, it’s only water and sand
And in the ocean we’ll hold hands. »

Carlos Malmoro

15 Fevereiro 2007

Das raízes

Este foi o primeiro disco que tive. Deu-me, em 1979, o meu padrinho. Tinha 5 aninhos. Desde então devo ter escutado milhares de horas de música, quase toda ela de melhor qualidade, com melhores letras e com composições que deixam esta a anos-luz. No entanto, é-me completamente impossível esquecer esta canção, mesmo com a sua letra de puxar à lágrima, com frases como «tu és linda e bonita» e com solavancos rítmicos que nada se adequam à melodia.

Ainda o tenho comigo. Na capa, a dedicatória «Para o Carlitos, um grande homem», faz com que o que eu atrás disse da fraca qualidade da canção, se desvaneça completamente e que possa afirmar - sem qualquer tipo de embaraço - que adoro esta música. Porque tem lá dentro um tempo, uma infância, uma recordação, uma amor, um desejo e uma saudade.

E porque me faz lembrar um determinado tempo, e porque me faz crer que o melhor de nós nasceu na infância, e porque se torna a minha «madalena» para recordar o meu padrinho, e porque está lá dentro o meu amor por ele, e porque, para mim, perpassa através da música toda a saudade de um parente distante, digo que esta não é a melhor canção que ouvi, mas a melhor canção que vivi.
Carlos Malmoro
PS: Se quiserem escutá-la, vão aqui, e na coluna da esquerda cliquem em cima de «Una moca chovara». Eu sei, está mal escrito ;)

14 Fevereiro 2007

Dia de S. Valentim

Na celebração do S. Valentim, aqui fica um excelente vídeo de Tim Burton, para uma igualmente soberba música dos «The Killers», onde, a propósito, há cenas de amor em nu integral. Não resistam.


Carlos Malmoro

Como podem reparar...

estou em obras. Como este é um blogue que se orgulha de ser português, existirão derrapagens nos custos e nos prazos. A vossa paciência, portanto. (a minha já desapareceu há cerca de duas horas.)
Carlos Malmoro

13 Fevereiro 2007

O Primogénito

Este post é uma confidência. Descobri que este foi o primeiro blogue. Agora há cerca de 50 milhões de blogues (números da wikipédia). Segredo: eu também gostava de criar uma ideia que tivesse meia centena de milhão de seguidores.

Carlos Malmoro

PS: Eu sei que é megalómano, mas isto passa rápido.

12 Fevereiro 2007

O homem que não gostava de ser sequestrado

«-Estou farto de brincadeiras, ok?...
-Que brincadeiras eram?
-Então, fui sequestrado, já duas vezes, já chega, não gosto de ser sequestrado, é uma coisa que me chateia, pá (...)» Almirante Pinheiro de Azevedo



pelo venerável «Arcebispo de Cantuária»

Carlos Malmoro

Já que falamos de telemóveis...

No menu do meu telemóvel, a função fazer chamadas vem colocada em 9º lugar de 12 possíveis. Está aqui um belo assunto para reflectir. Mas agora vou jantar. Prioridades.

Carlos Malmoro

11 Fevereiro 2007

Fachada, dizem eles; choque tecnológico, contrapomos nós

Durante esta semana, recebi a visita de um casal amigo. São suecos, e entre o mau português deles, o meu péssimo francês e o nosso tolerável inglês, lá nos fomos entendendo. São duas observações que R. fez que me trazem aqui.
A primeira refere-se à surpresa deles quando viram os alunos de uma C+S saírem escola fora na hora do almoço. Para eles, isto é inconcebível: as crianças devem ficar o tempo todo na escola. Discordo desta perspectiva: não penso que obrigar os alunos a permanecer dentro da escola no intervalo para o almoço, possa estar, de algum modo, relacionado com o sucesso ou o insucesso escolar.
Posteriormente, ao observarem que os alunos vinham todos a falar ao telemóvel, começaram a perguntar-me por que razão tinham quase todos telemóvel, quem é que lhes pagava as contas, se havia mesmo necessidade de tanta comunicação tecnológica, e se Portugal era mesmo um país pobre. Eu, numa tentativa de defender o portuguese way of life, lá fui balbuciando que eram os pais que lhes pagavam as contas, que é claro que não há necessidade de haver tantos telemóveis nos alunos, mas que, embora pobre, nenhum pai quer que o seu filho fique privado de uma ferramenta que, possivelmente, considera indispensável para o seu desenvolvimento, e que pode sempre surgir uma emergência, e que blá blá blá... Ele apenas me perguntou muito directamente:
- Não havia necessidade, pois não, Carlos?
- Ok, R., concedo: não.
- É tudo por uma questão de fachada, não é, Carlos?
- Ok, desisto: é.
Carlos Malmoro

09 Fevereiro 2007

Arcade Fire: Rebellion (Lies)

Estava a pensar em fazer uma última declaração de voto, não a combater os argumentos do «Não», mas a afirmar os argumentos do«Sim». Tinha pensado em dizer que as condicionantes propostas na pergunta mereciam todas a minha aceitação: que «por opção da mulher» porque se evitariam as IGV's «fortemente aconselhadas» por pais e namorados e porque se não se consegue acreditar que uma mulher tem o senso necessário para recorrer à IGV só em último caso, então como educará essa mulher uma criança?
Tinha, igualmente, pensado em dizer que até «às dez semanas» e em «estabelecimento autorizado» dava, às mulheres e à sociedade, as garantias que a IGV era feita em condições mínimas de dignidade para as primeiras e de saúde pública para a segunda, dentro de prazos razoáveis. E o mais importante de tudo e o que está em causa no domingo: é claro que concordo com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez.
Também, finalmente, pensei em falar acerca dos meus receios dos resultados de domingo: a sociedade portuguesa já deu muitas mostras de hipocrisia e não me admirava nada que alguns daqueles que estão pelo «SIM» o estejam só porque é politicamente correcto estar deste lado, mas que no momento do voto...; e que os votantes do «SIM» são menos militantes do que os do «Não». Espero estar enganado, mas não estive há 8 anos.
Estava a pensar dizer isso tudo, mas preferi não fazê-lo. Vim aqui, apenas e só, para anunciar a boa-nova: os senhores aí de baixo vão editar o segundo álbum em Março, intitulado Neon Bible, gravado numa igreja que eles compraram para o efeito e que já está diponível o single de avanço intitulado «Intervention» .
Era isto que eu queria dizer.

08 Fevereiro 2007

Dr. House vs Dr. Jorge

A propósito disto:
existe também um Dr. House à portuguesa. O último parágrafo do post da Luna encaixa que nem uma luva ao protagonista do romance «Domingo à Tarde», de Fernando Namora. Também era insociável, mau feitio, com humor negro, de personalidade forte e os seus pacientes eram doentes terminais. Não sei é se o Dr. Jorge era um «feio-bonito».

Carlos Malmoro

Quem aprendeu a andar de bicicleta

nunca esquece. É impressionante este senhor aqui em baixo, fazer aquele crescendo e terminar de forma arrebatadora o concerto que voltou a re-reunir os amigos, em 1993, na tournee «Old Friends: Live on Stage».
O momento de que falo, passa-se a partir dos 3 minutos e meio do vídeo até ao seu final e dá gosto ouvir um homem de 62 anos, na altura, com aquela voz e aquele pulmão, cantar uma muito bem conseguida letra que estes dois amigos desavindos durante 30 anos compuseram - ironia - sobre a amizade.

Carlos Malmoro

07 Fevereiro 2007

Deduções à colecta

Se por cada asneirola proferida nesta campanha fosse cobrado um euro, Portugal já tinha acabado com o problema do défice.

Carlos Malmoro

Uma outra grande pergunta

E agora, como é que se tiram os anúncios do Google (adsense) lá de cima?

Carlos Malmoro

06 Fevereiro 2007

Uma grande pergunta

Sobre o sexo...

by mike, in «O Nó da Gravata»

05 Fevereiro 2007

O tempo passa

Parabéns à sinapse e, atrasados, à 125_azul, pelo primeiro aniversário dos respectivos blogues. Votos de longevidade e felicidade para os meninos. Se bem que para a azulita os votos não são só para o «menino» escrito em itálico...
Carlos Malmoro

04 Fevereiro 2007

Do respeito

No próximo dia 11, vou votar sim. As duas mulheres mais importantes da minha vida, a minha mãe e a minha namorada, votaram «não» há oito anos. Por razões da vida e da morte, este ano a minha mãe não vota. Se o fizesse, sei que votaria, novamente, não. A minha namorada, está indecisa: votaria não se lhe garantissem que indignos espectáculos como o da Maia não voltariam a acontecer e se se criassem condições de higiene para que ao número de abortos não se juntasse um número de mulheres com lesões, inférteis ou mortas pelos abortos feitos em vão de escada; votaria sim se lhe garantissem que a mulher teria direito a um acompanhento do acto, com informação, dissuasão e análise que garantisse que o acto é realmente por opção da mulher e não por coacção da família, namorado, etc.
Mas nenhuma das duas opiniões, a minha ou a delas, é relevante aqui. O que é realmente relevante é que a minha mãe com a 4ª classe, e a minha namorada embora doutorada, uma pessoa simples que cresceu na aldeia, ambas cristãs e católicas, tenham mais democracia nelas do que aquelas nossas elites que passam a vida a defender a diversidade de opiniões, que estão constantemente a dar loas à liberdade de escolha, mas que, ao que parece pelos argumentos insidiosos, baixos, rascas, aduzidos por ambas as partes, volto a frisar, utilizados por ambas as partes nesta campanha para o referendo, parece que as nossas elites, dizia, não admitem quem pense diferente.
Nunca me senti atormentado por ser ateu junto delas, nunca olharam de esquina por ter convicções diferentes das delas, nunca me chamaram assassino pela posição que tomo neste referendo, sempre foram mais pela tolerância de Cristo do que pelo sacrifício do Vaticano, nunca tentaram mudar a minha posição, embora sempre me pedissem que me explicasse para que compreendam também a minha posição, isto é, e numa palavra, nunca me julgaram. Assim como eu tento compreender sem julgar a posição delas. E isto, embora parecendo, nada tem a ver com o amor; tem antes a ver com o respeito.
Carlos Malmoro