28 Junho 2007

Venceu o pior

O irresponsável perdeu. O responsável, adivinhem, ganhou. O adolescente saiu de cabeça baixa, enquanto o adulto, de cabeça bem erguida, falava com um cliente do Canadá durante uma interminável hora. A gravata levou a melhor sobre a T-shirt. A programação ultrapassou a improvisação. E foi assim que a sala onde escrevo este post se substituiu ao Parque Tejo para presenciar a melhor e maior catarse musical colectiva que poderia assistir neste planeta:




Carlos Malmoro

Isto sim,

isto é publicidade da boa.


Carlos Malmoro

25 Junho 2007

Nostalgia

Os post's acabaram. Agora escrevemos e publicamos mensagens. Para um indivíduo que anda nisto há quatro anos, a mudança lexical do blogger é sentida como uma traição. Não se faz. Já não postamos, mensajamos. No topo esquerdo do ecrã onde estou a escrever este post, perdão, esta mensagem, aparece-me «Envio de mensagens». A quem?
Carlos Malmoro

24 Junho 2007

Listas

A blogger mais insatisfeita com o tempo que eu conheço e que eu começo agora a perceber melhor, muito melhor, teve a amabilidade de me convidar a fazer uma lista dos últimos cinco livros que li. Excluindo os técnicos, aqui fica a colheita:

1 - Poetas Russos - Colectânea - Tradução e Prólogo de Manuel de Seabra;
2 - O Retrato do Sr. W.H. - Oscar Wilde;
3 - Insânia - Hélia Correira;
4 - Peregrinação de Barnabé das Índias - Mário Cláudio;
5 - Em Busca do Tempo Perdido - 6. A Fugitiva - Marcel Proust.

Como é hábito nestas iniciativas, é a minha vez de convidar cinco blogues/bloggers para elaborarem as suas listas:

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Carlos Malmoro

A minha é assim

A minha Ericeira é uma parte da minha adolescência. O mar da minha Ericeira riu-se de mim quando tentava aprender a surfar e aplaudiu, tenho a certeza, a minha decisão de nunca mais o fazer. A minha Ericeira é frequentar o bar de Ribeira d'Ilhas e perceber que um olhar muito "em cima" pode deitar por terra um "trabalho" de sedução começado há horas, por vezes dias, a uma cachopa. A minha Ericeira é o sítio de descanso no meio do treino de ciclista: Sintra, Lourel, Terrugem, S. Julião, Ericeira, pausa para restabelecer, retomava em direcção a Mafra, Cheleiros, Pero Pinheiro, Terrugem, Lourel e Sintra, de novo, mais morto que vivo, depois deste calvário com cerca de cinquenta quilómetros, tão plano quanto uma montanha russa. A minha Ericeira sabe que já tomei banho nu, à meia noite, no seu mar. A minha Ericeira tem a memória vergonhosa, que guardou em absoluto segredo, como boa amiga que não troça dos seus companheiros, do ataque de tosse provocado pelo primeiro cigarro que tentei travar. A minha Ericeira tem uma extraordinária qualidade: não há nenhuma parte dela que eu possa considerar como não sendo a minha Ericeira.

22 Junho 2007

Breve Tese

Uma pessoa pode gostar do mesmo que @ companheir@. Ou, por aproximações afectivas, pode passar a simpatizar com aquilo que lhe é agradável. Mas deixar de se apreciar uma música, um escritor ou uma cidade por a outra não gostar, isso já não é amor: é subordinação.
Carlos Malmoro

17 Junho 2007

Quando os poemas são letras

«But I remember us riding in my brother's car
Her body tan and wet down at the reservoir
At night on them banks I'd lie awake
And pull her close just to feel each breath she'd take
Now those memories come back to haunt me
They haunt me like a curse
Is a dream a lie if it don't come true
Or is it something worse?»

Bruce Springsteen, The River

Carlos Malmoro

Bonne Chance à Vous

Através deste blogue, tomei conhecimento que o antigo Presidente Francês que, entre outros cargos, também foi responsável pela condução dos trabalhos com vista à criação de uma Constituição Europeia, abriu um blogue que se debruçará sobre os problemas e os desafios da UE. Três coisas interessantes: a primeira, que um político de tamanho prestígio abra um blogue; segundo, que o faça com a bonita idade 81 anos de idade; terceiro, que o referido blogue tenha uma caixa de comentários aberta, sem qualquer tipo filtros ou de pré-visualização dos mesmos - eu confirmei com a frase que dá título a este post - e que um dos últimos posts seja uma resposta a um desses comentários.
Depois lembrei-me da elite blogosférica portuguesa: raramente tem caixa de comentários, e quando a tem, só depois de pre-visualizados os comentários, à boa maneira da censura, são publicados. Para além disso, mesmo os que não a têm, passam a vida a queixar-se de que as caixas de comentários são um antro de escumalha que vai ali ofender-se mutuamente, sem que nada acrescente ao debate das ideias. Em meu entender, o que verdadeiramente acontece é que essa elite não suporta que alguém pense fora da cartilha, que não lhe faça uma vénia e lhe estenda a passadeira vermelha pelo seu brilhantismo, e para alguns, pensar diferente é ofender.
E é assim que aos 81 anos, Valéry Giscard d'Estaing, o senhor em causa, acaba por dar uma bonita lição de liberdade aos presumidos iluminados de meia idade portugueses: não é livre de espírito quem quer mas quem sempre o foi.
Carlos Malmoro

16 Junho 2007

Troco

...o seguinte conjunto de pá e balde, protector solar, toalha e guarda sol,
por um outro que contenha guarda-chuva, um par de galochas, lenços de papel e uma embalagem de um qualquer antigripal.
À melhor oferta.
Carlos Malmoro

15 Junho 2007

"Movimento em Falso"

«Diz-me tu, quanto aguentas sem reagir
Diz-me tu, o que te faz fugir
Agora, se eu te vingar, tua dor estará contida
Tua vida vai significar
Sim, confesso foi um falso movimento
Tudo mereço, meu sentir foi fingimento
Um passo em falso e eu caí por um momento
Tu caíste para sempre
Minha cor foi um repente.Cai! Cai!

Diz-me tu, porque não estás a reagir
Diz-me tu, que crime tenho que cometer
Grita, que agora vou-te vingar
Perdoa-me mas tenho que o fazer»
Uma letra estranha, de uma estranha banda que responde pelo estranho nome de Bizarra Locomotiva. E, estranhamente ou não, desde a saída de A. Teixeira para formar os Balla, nunca mais soube não estranhar o ruído.
Vocês sabem do que eu estou a falar.
Carlos Malmoro

12 Junho 2007

Vila Real

Talvez o nome «Joelho de Porca» não seja uma designação que augure grande requinte à cozinha de uma cidade. E «Crista de Galo» também não é um nome que proponha uma doçaria atractiva. Porém, a poesia dos menus mostra-se amiúde surpreendente. No bom e no mau sentido. Nestes assuntos, o melhor é seguir o conselho dos comensais para regalo das pupilas gustativas. E nos casos indicados, elas regalam-se bem.
Talvez Vila Real tenha um erro crasso de arquitectura luminosa e um acerto clamoroso da mesma. O primeiro manifesta-se na cobertura do centro comercial Dolce Vita. Imaginem uma grande superfície com uma cobertura trapezoidal que se ilumina massivamente de azul à noite. Exacto, parece que um Ovni aterrou no meio da cidade. Não havia necessidade.
Mais do que a arquitectura do edifício, dos jardins ou da História, quando se fala na Casa de Mateus deve falar-se no clamoroso acerto da sua luz. A que se espraia nas paredes do mesmo, a que reflecte a sua fachada no lago, a que ilumina os seus jardins. Talvez por isso a Casa de Mateus seja, na realidade, um Solar.
Vila Real não tem o Marão. Tem apenas a Serra do Alvão. A Serra do Marão é mais imponente, mais icónica, mais paradigma de paisagem montanhosa. Mas ao caminharmos por lá, não nos apercebemos da sua grandiosidade. É, portanto, necessário subirmos ao Parque Natural do Alvão. E só então, só quando chegamos lá acima ao Pincho, podemos realmente apreciar o Marão na sua magnitude e, de caminho, legitimar Torga quando dizia que as duas únicas coisas realmente grandiosas em Portugal eram o Alentejo e Trás-os-Montes.
Carlos Malmoro

Existe um centro sem trânsito e, à sua volta, existe ainda o centro mas já com trânsito. Depois existe um anel de habitações, escolas, comércio e equipamentos de lazer. As vias-férreas, as circulares que distribuem o trânsito e as entradas/saídas das auto-estradas formam um outro círculo. Finalmente, existe a cintura industrial e estamos de volta à paisagem de montanha, salpicada com pequenas aldeias.


Guimarães é um exemplo de ordenamento do território. Como acima descrevi, as várias componentes da cidade estão organizadas de modo correcto. E a organização de uma cidade influi em muito na qualidade de vida que oferece aos seus cidadãos. E Guimarães prova-o, sendo das cidades portuguesas com mais qualidade de vida. Porque, como é óbvio, não ter uma auto-estrada a atravessar uma zona residencial ou uma fábrica colada a uma escola faz diferença.


Estas observações não foram feitas por nenhum entendido em matéria paisagística. Não o sou. Mas basta subir à Penha – de carro, para os adictos do conforto como eu; a pé ou de bicicleta, para os indefectíveis da Natureza; ou de teleférico, para os aventureiros – mas basta subir à Penha, dizia, para se confirmar, com uma simples olhadela à cidade, que ela prima em se mostrar muito organizada. Se em Guimarães nasceu Portugal, era bom que em Portugal começassem a nascer mais cidades como Guimarães: arrumadas.

Para finalizar, quero esclarecer que não falei na importância cultural do seu centro ou na relevância histórica do seu Castelo por uma razão muito simples: dissertar sobre um Património Cultural da Humanidade ou sobre o Berço de uma Nação não é matéria que se possa explanar num único post. Ficam, por isso, as fotos.
fotos: 1, 2, 3, 4
Carlos Malmoro

03 Junho 2007

E logo agora,

que o ministro compara a margem sul a um deserto, que um juíz decide que uma criança violada por um pedólfilo teve prazer, que a greve geral teve 14% de adesão para o Governo e 80 e muitos para os sindicatos, que Sócrates fechou a Praça Vermelha para o seu jogging diário, que os erros de ortografia são permitidos em provas de português e que volta à agenda a obrigação patética de os pais declararem cada quinhentos euritos que oferecem aos filhos, logo agora, dizia, é que eu tinha de ficar impedido por obrigações académicas, que me levam o tempo todo até à última semana do presente mês, de comentar estas suculentas barbaridades.
Sem desesperos: lá chegados, haverá iguais ou piores.
Carlos Malmoro