28 Setembro 2007

Sinto-me estranho

Estou de acordo com o comentário* e achei acertada e extremamente corajosa uma medida de Santana Lopes.

Via Corta-Fitas


Carlos Malmoro

A propósito

disto:

Qual seria o preço para Portugal?

Carlos Malmoro

20 Setembro 2007

"O que eu não vivi, hei-de inventar contigo"

Este é o regresso do ano. Uma música fantástica, uma letra com palavras simples e gestos do quotidiano. Mas que resulta magnificamente. Os críticos musicais, normalmente, tecem-lhe loas sem regatear. É claro que agora lhe vão chamar popularucho. Mas talvez é isso que mais gosto nele: o estar na vida e na música como quer, independentemente do que os outros dizem. Foi assim quando atravessou uma fase mais sombria da vida, que se reflectia na música que compunha, e continua assim quando essa fase parece estar ultrapassada. E o vídeo reforça mais a ideia de estarmos perante um tema perto da perfeição: as habituais guitarras em treble, importadas dos blues, a voz melancólica, a pose urbano-depressiva, a constratar com a alegria e a descompressão que as amizades e cumplicidades de uma vida sempre nos trazem, transformam este clip num excelente fresco e num verdadeiro hino à Amizade e, não tenhamos medo da palavra, ao Amor.

Carlos Malmoro

13 Setembro 2007

Voar

Não tenho medo de andar de avião. Acho até uma grande chatice. Melhor, a palavra correcta é irritação. Como irrequieto que sou, a ideia de estar dentro de um galinheiro pressurizado, sentadinho e sossegadinho, sem me poder mexer mais do que dez centímetros para não invadir o espaço do vizinho, a ouvir uma voz distorcida anunciar os «novos e exclusivos menus Iberia», sendo que "novos" significa colas, sandes e donuts e "exclusivos" significa para todo o maralhal que estiver disposto a dar três euros por uma garrafa de água, não podendo ler ou dizer frases perceptíveis, porque não há concentração que resista a um joelho espetado nas costas, ao ruído de dois motores de centenas de cavalos a menos de uma dezena de metros de mim e aos constantes ataques de tosse que assaltam todos os passageiros - deve ser da altitude -, esta ideia, dizia, deixa-me sem grandes entusiasmos aéreos. Aliás, não consigo perceber como é que há pessoas que entendem que voar dá uma sensação de liberdade. É que tenho para mim que é o mais parecido com uma prisão de alta segurança - uma viagem de avião goza de proporcionalidade directa: um voo pequeno é um desconforto, um voo médio é um desconsolo, um voo grande um martírio.

Há, no entanto, três momentos que considero excelentes: a descolagem, a aterragem e a vigia. A descolagem pela sensação de potência e de velocidade, que nos cola ao banco, seguida daquela fantástica sensação na barriga quando o avião deixa a terra e entra no ar. A aterragem: acho admirável como se consegue parar um gigante de aço, lançado a duzentos ou trezentos quilómetros hora numa pista de dois mil metros. Olhar pela vigia, ver o quanto pequenos somos, de certa forma, relativiza-nos a importância, ajuda-nos a perceber o magnífico planeta que temos e dá para tirar fotos como esta:


Carlos Malmoro

10 Setembro 2007

Dalai Lama

Chega a ser revoltante tanta cobardia política junta para não se receber o Dalai Lama. Cavaco e Sócrates no presente, Guterres e Sampaio no passado, se bem que este último ainda teve mui "feliz coincidência" e alguma coragem de o encontrar enquanto visitava um museu, vergam-se ao peso da economia chinesa. Não têm coragem de receber uma pessoa que um regime ditatorial e desrespeitador dos mais elementares direitos humanos considera um perigoso separatista, não porque achem verdadeira aquela acusação, mas porque a China em termos económicos é um gigante emergente. A haver coerência, da próxima vez que uma delegação chinesa visitasse o país, não deveria ser recebida ao mais alto nível até que parassem os atropelos aos direitos humanos. Finalmente, ao darem as desculpas hipócritas de «agendas preenchidas» estão a contribuir para que a China se ache no direito de dar raspanetes e lições de democracia, como os célebres "puxões de orelhas" que Sampaio levou por se encontrar com o Dalai Lama no museu. A situação é o expoente máximo dessa coisa obtusa chamada de politicamente correcto, mas é também uma enorme desconsideração pela nossa democracia. Pensam que por serem obedientes aos ditames asiáticos conseguem num futuro próximo mais uns não sei quantos contratos económicos. Mas, na economia como na vida, ninguém respeita nem pensa por um segundo sequer nos fracos de carácter, porque o primeiro passo para os outros nos respeitarem é respeitarmo-nos a nós mesmos.
Carlos Malmoro