22 Outubro 2007

Olha para ele


aqui, através daqui
Carlos Malmoro

21 Outubro 2007

A Ronda da Noite

  • Se não fosse uma voz amiga, não tinha dado por ela. No post com o mesmo nome deste, ali em baixo, referindo-me a este texto do Mike, disse que estava cento e dez por cento de acordo com a terceira parte. Errado; com a segunda parte era o que eu queria dizer. Até considero que o autor se excedeu no retrato das mulheres obesas: chamá-las de boneco da michelin é atroz. Adiante. A moda, era disso que eu queria falar. De facto, considero que há três tipos de pessoas a vestirem-se: as que vestem calças boca de sino porque ainda pensam que está na moda; as que vestem calças boca de sino porque pensam que será a moda da próxima estação e as que vestem calças boca de sino porque se sentem bem com elas. Estas últimas, são as que eu considero que verdadeiramente «estão na moda». [Não vás dormir não, Carlos];
  • Completei um ano de Geração Rasca. Para além do óbvio agradecimento ao André por me ter convidado e a todo o grupo por me ter aturado durante este ano - eu por vezes sou chatinho/mau feitio -, quero aqui fazer um pequeno balanço. O mais positivo que tiro deste ano é a constatação que é possível escrever num sítio colectivo sem perder a individualidade da escrita. Lógico é que os temas abordados são diferentes. Mas como a liberdade criativa é total, basta apenas um pouco de bom senso para que não se fuja ou se entre em choque com o livro de estilo do blogue. Pensava que na escrita isso não era possível, mas felizmente enganei-me.

Carlos Malmoro

16 Outubro 2007

Mudar de página

Levantar às seis e trinta. Cerca de duzentos quilómetros por dia. Um telemóvel com menos de um ano e com mais de cento e cinquenta horas de conversação. Ter dentro da cabeça uma empresa com dois mil clientes, saber manter um contacto profissional que, a despeito de estarmos no melhor ou no pior dos nossos dias, tem de ser cordial, sóbrio e atenciososo. Gerir a relação de setenta empregados. Sair com os miolos feitos em água e dirigir-me para a universidade. Deu-me a pancada da tese. Entrar em casa às onze e meia da noite. Tentar gerir a casa e os afectos. Antes de ir para cama, escrevo este texto a pergunto-me se tudo isto vale a pena, se não estou a esquecer-me das coisas mais importantes da vida, se vale a pena escrever este texto, se faz sentido um caos deste tipo, para ficar sem tempo para grande parte das minhas devoções e das minhas paixões, se vale a pena esta dor de cabeça que tenho, se vale a pena ter estudado para ter como recompensa um telefone com doze chamadas por responder, se vale a pena. Suponho que a vossa vida seja parecida com isto, mas nunca vos perguntais se vale a pena. Tenho que ir dormir. E tenho que mudar de página.


Versão original de Bob Seger aqui; Versão original do video aqui
Carlos Malmoro

14 Outubro 2007

LoLemos todos

A blogosfera vista pelo Herman. Quem escreve um texto deste calibre, ainda não está arrumado e merece, definitivamente, um post.

Carlos Malmoro

08 Outubro 2007

A Ronda da Noite

  • A Curva da Estrada sopra duas velas. Excelentes textos que se esperam que continuem por muitos e largos anos. Claro que ainda se tem paciência. Felicidades à autora "colega";
  • E ao décimo terceiro post da série «É que não posso», discordo da autora. Um post é mais do que «uma agradável conversa de café». Primeiro, porque é escrito e a escrita é sempre um acto solitário - as reacções só virão mais tarde. Depois porque dá para reflectir naquilo que se escreve, apagar, reescrever. Finalmente, porque eu já escrevi aqui textos que nunca levaria para uma conversa de café, por serem demasiado profundos, formais ou por tratarem de temas que só a mim me interessam. Estamos de acordo que os post´s não devem ser teses de doutoramento, mas entre uma tese e uma conversa de café há um enorme hiato que se pode percorrer escrevendo despretensiosos e excelentes textos, como aqueles a que Pitucha já nos habituou;
  • Cara Maria, essa exposição foi mesmo a brincar, não foi? Só pode. Ou então perdeu-se todo o respeito por quem consome cultura. (Já falei do assunto aqui);
  • O Mike fez trinta anos, está a escrever melhor que nunca (ver este texto ou este, onde estou cento e dez por cento de acordo com a terceira parte da trilogia ) e ainda tem tempo para «meter na linha» os senhores do Jumbo num texto que é um mimo.

Carlos Malmoro

06 Outubro 2007

Os "oitenta"

Advertência: este post só será inteiramente entendido pelo grupo etário 30/45
Se há uma característica genérica da música dos anos 80 é que ela tinha sempre algo de muito bom e algo de muito mau. Comecemos pelo mau. O excessivo uso de sintetizadores/electrónica: havia grupos que tinham guitarras eléctricas, normais, mas que faziam questão de pôr os sintetizadores, normalmente com dois ou três pisos, alinhados em L, a fazer os sons da mesma guitarra. E depois, já se sabe, vinha aquele som que parecia que o amplificador da guitarra estava abafado dentro de água aos soluços. Os telediscos eram inundados por um êxtase cromático, berrante, no limiar da alucinação, as mulheres usavam sempre franjinha e dançavam de forma estranha, para não dizer mesmo muito mal, e os homens cantavam em falsete e muito mal dançavam. Ambos vestiam-se como, vamos ser meiguinhos, broncos: homens com jeans apertados a realçarem rabos e genitais (meu deus, que traumas), mulheres com blusões de couro sobre blusas brancas com os necessários botões desapertados para se vislumbrar uma centelha das mamocas (meu deus, que fantasias).
Depois a parte boa. A música, a despeito da electrónica, era sempre baseada numa linha melódica forte, que entrava facilmente no ouvido, e tinha bons beats, que dava para a pista de dança. Aliás, esta característica, a presença de um beat forte que dê para a disco, está a ser recuperada pelas bandas de pop/rock emergentes, de onde destaco os Bloc Party, para tornearem a dificuldade que o instrumento rei do rock, a guitarra, tem em conseguir um bom ritmo. Mas voltemos aos 80's. As letras: gostava, e gosto, de muitas das letras dessa época. Têm um travo agridoce, uma melancolia suave e uma nostalgia assumida que as tornam inesquecíveis. Exemplifico com o "Forever Young" dos Alphaville, o "Hunting High and Low", dos Ah-a, "True Faith", dos New Order (no video abaixo, uma das minhas favoritas).
Se retirarmos algum kitsch, a encenação com demasiado pathos ou o modo como certos arranjos eram feitos, com mais tecnologia do que uma central nuclear, e nos basearmos no essencial da música - a melodia, o ritmo e a letra - os anos oitenta foram excelentes. Basta ter ouvido para escutar para além do sintetizador.
Carlos Malmoro
PS: Uma confissão: este post foi feito muito "por culpa" de um senhor chamado "Tarzanboy", que mantém um blog, com a bonita idade de quatro anos, onde se dedica a saber por onde andam hoje os heróis musicais dos anos oitenta. É muito bem escrito, actualizado com bastante regularidade, e tem aquela pontinha de humor que cai bem em qualquer texto. Convido-vos a visitá-lo no dear 80's.

04 Outubro 2007

Menezes

Deixemos para trás o que no pretérito jaz. Para Menezes ganhar as eleições legislativas tem duas semanas para estabilizar o PSD e dois anos para conquistar o país. Para tal, tem, a meu ver, de fazer três coisas essenciais:
  • Estar mais preparado e estudar melhor os dossiers do que Mendes: era confrangedor ver os debates mensais com o PM, onde este era acusado pelo líder da oposição de ser apenas forma sem conteúdo, mas onde Sócrates levava sempre a melhor por um mais profundo conhecimento das matérias. Aliás, nunca percebi porque acusavam Sócrates de populismo, usando como argumento que este passava a semana a preparar os debates semanais com Santana: um bom profissional, se quiser ser promovido, tem de se preparar para os momentos decisivos, assim como um estudante que queira passar tem de estudar para os exames. Sócrates também é populista, mas não o é, certamente, por aplicar o seu tempo a preparar as suas intervenções;

  • Tomar como suas duas ou três causas, evitando, se possível a educação e a saúde: há corporativismo a mais e são zonas de conflito permanente. Sócrates bate-se pelo ambiente e pela desburocratização (que palavra mais burocrática de se dizer/escrever). Um exemplo: sempre que há uma novidade em matéria de ambiente ou de simplificação processual, o mérito vai direitinho para Sócrates. No meu dia a dia, é enorme a quantidade de loas a Sócrates que ouço por parte de empresários, mesmo com ligações ao PSD e ao PP, que conseguiram aquele licenciamento ou resolveram um assunto jurídico em metade do tempo, gastando metade do dinheiro, ou nenhum, porque os serviços necessários já estavam disponíveis online. E, num país afogado em burocracias, isto conta e muito;

  • Respeitar o político Sócrates. Mendes passou o tempo a dizer que Sócrates era populista, que prometia mas não cumpria, que não era sério, que não tinha valores. Desculpem, mas esse tipo de discurso é o que eu ouço no café, é aplicado a todos os políticos e tem um nome: conversa de chacha. O melhor que Menezes tem a fazer é ver onde Sócrates é forte e aparecer ao lado dele nesses assuntos e avaliar onde ele é fraco e apresentar alternativas bastante claras, publicitando-as o mais possível.

É simples: estudar as matérias melhor que o adversário, apadrinhar algumas causas, respeitar Sócrates e em 2009 poderá haver uma surpresa. A pior coisa que um político pode fazer é subestimar o adversário. Mendes fê-lo e perdeu. Que sirva de lição a Menezes.

Carlos Malmoro