24 Março 2008

How many special people change?

How many lives are living strange?

Carlos Malmoro

21 Março 2008

A Política também pode ser Poesia

Angela Merkel é a governante internacional que mais admiro. Várias são as razões para tal eleição, mas desde logo a mistura de pragmatismo com humanismo, de saber muito bem o que é acessório e o que é essencial, e aquela imagem de uma liderança serena que transmite resultam na minha preferência.

Entre outras coisas, Portugal ficará a dever-lhe muito do Tratado de Lisboa. Sem a sua força negocial Sócrates não tinha «peso» para obrigar a cedências dos eurocépticos e o tratado teria hoje o nome de uma outra cidade.

Mas o que hoje aqui me traz é um outro assunto: Merkel tornou-se na primeira Chanceler a discursar no Knesset (Parlamento Israelita). Simbolicamente vestida de preto, fez o discurso em alemão e agradeceu a honra de o deixarem fazê-lo na língua materna. Mas abriu e fechou em hebraico – no final a proferir um significativo “Shalom” (Paz). Disse coisas tão fortes como esta: «A nós, alemães, a Shoah cobre-nos de vergonha. Inclino-me diante de suas vítimas, dos seus sobreviventes e daqueles que os ajudaram a sobreviver.» Foi calorosamente aplaudida pela sala. A Extrema-Direita israelita e o Hamas condenaram a iniciativa, o que me leva a aprová-la à priori. Merkel, mais uma vez, fez aquilo que deveria ser feito: não pediu perdão por uma monstruosidade imperdoável – disse é a nossa vergonha; não tentou branquear o passado - assumiu-o. E são atitudes como esta, quer do lado alemão quer do lado israelita, que dão alguma esperança ao futuro da Humanidade. Porque o que se passou na terça-feira no Knesset não foi política. Foi a escrita de mais um verso do «Poema da Esperança».

Carlos Malmoro

19 Março 2008

Pai

Deveria eu ter quatro ou cinco anos quando o meu pai me levou a casa de um amigo. O amigo era advogado, tinha uma biblioteca exemplarmente encadernada e a razão da visita prendia-se com uma oferta de livros. Melhor, o amigo precisava de se ver livre de uns quantos livros. A casa ia encolher, a mulher para um lado, ele para o outro e se não os oferecesse, iriam directamente para o lixo. Enfim, bookcrossing nos anos 70. O meu pai pôs-lhe uma condição: assim como ele nunca lhe oferecera nenhum livro de farmácia, também tu não me vais oferecer nenhum livro de Direito. A condição, uma daquelas tricas que a amizade permite, lá foi aceite.

Entrámos em casa do jurista e eles começaram a falar. Eu já aqui disse que tinha uma predilecção por estantes até ao tecto. Aquelas não chegavam tão alto, mas a encadernação sumptuosa dos livros transformavam aquela pequena sala numa grandiosa biblioteca. A escolha dos livros foi feita e o meu pai e o amigo encheram dois ou três caixotes com livros e levaram-nos até ao carro. Via-se na cara dele que ele estava a fazer aquilo por obrigação: o desconsolo era o seu rosto. Antes de se despedirem, o meu pai teve uma daquelas tiradas meio cinematográficas, mas que ilustram bem o que é a amizade: -Quero que saibas que estes livros serão sempre teus; estarão na minha casa apenas por empréstimo.

Para quebrar este momento solene e extraordinário, entra um puto na sala, eu, com ares de senhorio, a dizer «ó pai, eu também quero um», com a habitual chantagem lacrimal. Riem-se com bonomia e oferecem-me um livro. E já viram algum miúdo de quatro ou cinco anos ficar satisfeito com a primeira coisa que lhe dão? Exacto, «mas eu quero aquele e não este.» «Este ou nenhum» deve o meu pai ter dito. E eu lá fui para casa com “o” livro.

“O” livro está aqui ao meu lado. Foi publicado em 1957, é da «Editora Fundo de Cultura», do Brasil, tem como director editorial Mário de Moura e como autor John M. Keynes e chama-se «Teoria Geral do Emprego, do Juro e do Dinheiro». É, para quem é leigo nestas matérias, a Bíblia da Macroeconomia (Economia dos Estados). Está aqui ao meu lado, porque ainda ontem precisei de o consultar para a tese, assim como o consultei pela primeira vez no nono ano, aquando dos meus primeiros estudos de economia.
Neste dia do Pai, para além dos desejos habituais de saúde e felicidade, tenho um outro pedido: que a prenda que hoje lhe ofereci se revele tão acertada e tão necessária para a vida dele como este livro tem sido para a minha.
Carlos Malmoro

02 Março 2008

Correntes

Caríssima Carlota,
o meu pouco tempo deve-se à tese que ando a escrever e que defende que os Estados devem apostar em empresas com a qualidade da Audi, propõe que as empresas devem desenvolver produtos com a mais-valia do Audi A4, mas infelizmente não encontra soluções para que o autor de tal teoria compre um Audi A4. E agora que ponho as coisas nestes termos, vejo que há algo de muito errado na tese que ando a escrever. Adiante, e respondendo de imediato ao desafio, aqui vão cinco coisas que não têm importância nenhuma sobre mim:
1 - Conduzir com música é um prazer, sem música é um sacrifício;
2 - Se retirarmos fatos de cerimónia, visto as peças de roupa que compro mal sequem da primeira lavagem que levam após chegarem da loja;
3 - Sou generoso nos adjectivos que substanciam o meu gosto por pessoas ou coisas;
4 - Pago sempre as facturas no último dia, nunca dou autorizações de débitos directos às empresas de serviços e exijo sempre facturas em papel;
5 - Escrevo os posts sempre acompanhado de um papelinho que mantenho religiosamente ao lado do computador. Tem cerca de uma centena palavras que gosto especialmente, e que me permitirão responder de imediato à Leonor:
Caríssima Leonor,
O papel acima referido está escrito à mão. Nele aparecem palavras que copio de livros. Nenhuma delas está lá pelo seu significado ou pela sua dificuldade lexical. Fica então uma escolha aleatória de doze delas:
Devastação, mnemónica, istmo, falésia, candil, sussurro, crepúsculo, timbre, sirga, palavra, ímpeto ou candelabro, são algumas das palavras contidas nesta cábula.
Voltando à corrente da Carlota, aqui ficam as Leis:
1. Colocar o link para a pessoa que nos "marcou".
2. Colocar as regras no blog.
3. Partilhar 6 coisas sem importância sobre nós.
4. Marcar mais 6 pessoas no final.
5. Avisar estas pessoas deixando um comentário nos seus blogs.
Convido então a 125_azul, a Ouvinte, o Mike, o Luís, a Monalisa e a Rafaela a continuarem com as correntes.

Carlos Malmoro