19 Agosto 2008

Enjoy the Silence

Há um mês atrás, no dia 19 de Julho de 2008, conduzi novecentos quilómetros. Na manhã desse sábado tive de cumprir um compromisso inadiável e no Domingo seguinte teria de acorrer a uma situação mais complicada. Restou-me então ir e regressar a Lisboa no mesmo dia. Alguns amigos e outros conhecidos perguntaram-me se não teria sido louco pelo dispêndio de tempo, de energia e, em última análise, de dinheiro. Mas o meu tempo a minha energia e o meu dinheiro servem única e exclusivamente para me proporcionarem momentos como aquele minuto. Aquele minuto em que questionei o meu agnosticismo e me rendi à transcendência. Aquele minuto em que uma voz calou dez mil. Aquele minuto pelo qual faria quantos novecentos quilómetros fossem necessários. Aquele minuto que recompensou cada um dos minutos das nove horas que passei dentro do automóvel. Aquele minuto, aquele minuto inicial de if it be your will. Aquele minuto num concerto de música em que não houve música. Aquele minuto em que se falou, melhor, em que se declamou o poema, melhor, a oração que nos permite enfrentar as agruras da vida. Naquele minuto houve uma voz que falou para todos os nossos minutos e que disse:

«If it be your will
That I speak no more
And my voice be still
As it was before
I will speak no more
I shall abide until
I am spoken for
If it be your will
If it be your will
That a voice be true
From this broken hill
I will sing to you
From this broken hill
All your praises they shall ring
If it be your will
To let me sing
From this broken hill
All your praises they shall ring
If it be your will
To let me sing»(...)