31 julho 2003

A LUMINAR CLASSE

Apesar dos argumentos para a mudança do regime de permissões das escutas telefónicas aos mais altos representantes da Nação ( PR, PM, PAR e Ministros), em certa medida, serem válidos; apesar de não fazer sentido, num sistema judicial que se pretende moderno, o absurdo de tempo que se pode ficar detido sem acusação formada, e apesar do segredo de Justiça, de "segredo" só ter o nome, a verdade é que a Justiça teve de bater à porta da classe política, para esta se propor a fazer mais do que discursos niilistas, visitas às cadeias em época natalícia eoutros expedientes inconsequentes a que esta luminar classe já habituou o comum dos cidadãos.
Há um ano, alguém falava destas situações que, verdade seja dita, roçam o domínio do kafkiano? Há um ano, alguém publicava "Apelos" no Diário de Notícias, comparando a Justiça actual à do Estado Novo - curiosamente, como fez o advogado da "Fatinha" Felgueiras? Há um ano, algum político ficava consternado, mais do que cinco minutos, com os relatórios das Organizações Internacionais de Justiça e Direitos Humanos que alertavam e pediam rápida resolução destes mesmos problemas, ano após ano? As respostas são não, não e não.
Ironicamente, quem hoje pretende mudar a Legislação são exactamente os mesmos que a fizeram e aprovaram, mas, agora que a Justiça lhes bate à porta de olhos vendados, a primeira reacção corporativista que a classe política teve foi a de tentar retirar-lhe a venda. Na data em que escrevo isto, ela ainda continua
de olhos vendados. Até quando?
Carlos Malmoro

30 julho 2003

HAJA PACIÊNCIA

Na promoção do terceiro filme da saga "Terminator", o subtítulo diz isto " A Ascenção das Máquinas"... exacto, ascensão escrito com "ç" em vez do normal, e correcto, "s". Curiosamente, o apelido do Arnold está bem escrito. O que é que podemos concluir? Não podemos concluir nada, excepto que o analfabetismo funcional grassa transversalmente toda a sociedade portuguesa ou, parafraseando as "Abóboras Esmagadas", que existe ignorância e infinita estupidez.
Haja Paciência.
Carlos Malmoro

29 julho 2003

A JESSICA

No início, a Jessica foi resgatada aos vilões que a tinham brutalmente torturado. Encontrava-se num hospital, como prisioneira de guerra, onde recuperava de graves ferimentos em combate. A qualidade do enredo fez com que Hollywood piscasse os olhos à Jessica. Sinopse: jovem, com palminho de cara, é feita prisioneira em combate, torturada pelo inimigo e resgatada pelos homens bons, numa operação espectacular. Blockbuster garantido.
Depois, a Jessica já tinha sido resgatada do hospital, onde tinha sido abandonada pelos homens maus, padecendo dos seus ferimentos e torturas, a evanescer-se para a morte.
Posteriormente, a Jessica "teve alta" de um hospital onde não havia ninguém e no qual a nossa heroína estava a recuperar dos ferimentos provocados pelo acidente com o jipe onde seguia.
Finalmente: não havia ninguém no hospital, quem a salvou foram os homens maus, que forneceram as indicações do seu paradeiro aos soldados bons, após estes terem "corrido" aqueles à metralhadora, quando os maus a queriam entregar aos bons, dois dias antes. Soube-se também que a Jessica foi tratada segundo a Convenção de Genebra, pelos homens maus.
Nestes dédalos de mentiras e desmentidos, deixa-me fazer-te duas perguntas Jessica: ó Jessica, tu és feita de carne e osso ou és um holograma?; ó Jessica, o teu apelido é Lynch ou Rabbit?
Carlos Malmoro