29 julho 2003

A JESSICA

No início, a Jessica foi resgatada aos vilões que a tinham brutalmente torturado. Encontrava-se num hospital, como prisioneira de guerra, onde recuperava de graves ferimentos em combate. A qualidade do enredo fez com que Hollywood piscasse os olhos à Jessica. Sinopse: jovem, com palminho de cara, é feita prisioneira em combate, torturada pelo inimigo e resgatada pelos homens bons, numa operação espectacular. Blockbuster garantido.
Depois, a Jessica já tinha sido resgatada do hospital, onde tinha sido abandonada pelos homens maus, padecendo dos seus ferimentos e torturas, a evanescer-se para a morte.
Posteriormente, a Jessica "teve alta" de um hospital onde não havia ninguém e no qual a nossa heroína estava a recuperar dos ferimentos provocados pelo acidente com o jipe onde seguia.
Finalmente: não havia ninguém no hospital, quem a salvou foram os homens maus, que forneceram as indicações do seu paradeiro aos soldados bons, após estes terem "corrido" aqueles à metralhadora, quando os maus a queriam entregar aos bons, dois dias antes. Soube-se também que a Jessica foi tratada segundo a Convenção de Genebra, pelos homens maus.
Nestes dédalos de mentiras e desmentidos, deixa-me fazer-te duas perguntas Jessica: ó Jessica, tu és feita de carne e osso ou és um holograma?; ó Jessica, o teu apelido é Lynch ou Rabbit?
Carlos Malmoro

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