30 setembro 2003

A Excitação

Os cientistas da BAS (British Antartic Survey) revelaram que o buraco de Ozono sobre o Pólo Sul é de, aproximadamente, 26 milhões de Km2 , cerca de 283 vezes a área de Portugal ou duas vezes a área da Antárctica.
Infelizmente, esta notícia nada tem de singular tão acostumados que estamos a receber novas deste molde. O que já é bastante extraordinário é o facto dos cientistas que procederam a este estudo, em vez de ficarem apreensivos ou mesmo prostrados perante tais indicadores, tiveram a seguinte reacção: «O mais excitante facto deste ano é que o buraco de Ozono está maior do que alguma vez esteve, segundo os registos.»
Bem, pelo andar da carruagem, ainda vamos ouvir falar de cientistas que abrem uma garrafa de champanhe de cada vez que uma espécie se extingue ou que dão uma festa por cada vez que um incêndio destrói umas centenas de milhares de floresta virgem. Será que estes cientistas só se conseguem excitar com estas coisas, que provocam inundações, secas, temperaturas desconformes e, consequentemente, milhares de euros de prejuízos materiais e centenas ou milhares de mortes por acção directa ou indirecta, cancros da pele, desses fenómenos.
Umas mamocas bem feitas ou umas pernas bem torneadas não lhe chegam para lhes inflamar a libido?
Carlos Malmoro

24 setembro 2003

Dia Europeu sem Carros.
Dia Europeu com Demagogia.
Carlos Malmoro

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«Pretendemos simplificar a Constituição da República Portuguesa e adequá-la à realidade actual» Diogo Feyo (CDS/PP), Diário de Notícias, 17/04/2003
A frase completa seria «...e adequá-la à realidade actual do CDS/PP»; só o politicamente correcto o impediu.

«O [programa] Acontece foi dos menos elitistas dos programas culturais da TV. Parte da Lisboa Cultural continuará visível, mas livrarias de Portalegre, grupos de teatro de Viseu ou poetas de Braga tão cedo não se safam.» António Costa Pinto, Diário de Notícias, 17/09/2003
Sinceramente, e descontando um certo paternalismo parolo, alguma vez se «safaram»?
Carlos Malmoro

Os Autógrafos de Miguel Torga

A Planeta d’ Agostini tem nas bancas uma colecção chamada Biblioteca Miguel Torga. É sempre vantajoso para a cultura portuguesa quando se tomam estas iniciativas, ainda para mais com uma apresentação excelente, o preço de capa acessível (8 Euros) e a justiça implícita que é feita à obra de um escritor que, em minha opinião, perdurará por uns séculos na nossa literatura, fruto da actualidade e acutilância da mesma.
O que eu já não acho nada bem é que, na capa dos referidos livros, esteja inscrito o seu autógrafo, porque, como é do conhecimento de quem leu os seus Diários, o autor recusou-se sempre a autografar os seus livros. Achava que isso adulterava a própria essência do livro; que isso tornava os exemplares do mesmo livro diferentes entre si, quando se procura que eles sejam iguais.
Será que quem dirige esta colecção preocupou-se tanto com a apresentação que negligenciou o conteúdo dos livros que irá publicar?
Carlos Malmoro

No Comment

Portugal é o país da OCDE onde morrem mais crianças vítimas de agressão. O problema afecta 3.7 em cada cem mil, perfazendo um total 323 crianças mortas, no período que o estudo abrangeu. Este número é seis vezes maior do que nos anos 70. Portugal ocupa o 1º lugar desta «lista negra», à frente de países como o México, a Áustria, a Hungria ou a Polónia.
Fonte: Relatório da Unicef para o Estudo da Mortalidade Infantil Provocada por Agressão e Negligência, nos Países da OCDE.
No Comment.
Carlos Malmoro

17 setembro 2003

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«Portas é efectivamente o queijo limiano de Barroso...» João Marques dos Santos, Correio da Manhã 16/05/2003
Deve ser por isso que Barroso anda tão esquecido das promessas que fez na campanha eleitoral.
Carlos Malmoro

O Crepúsculo dos Heróis

O advogado João Vieira de Almeida relata, na sua coluna semanal no Diário de Notícias, de 15/11/03, intitulada «Heróis & Aspiradores», uma história no mínimo insólita. Numa dessas visitas de venda ao domicílio de aspiradores que tudo limpam só com o nosso pensamento, uma amiga do supramencionado causídico, não queria acreditar na personagem que tinha diante dos seus olhos, a demonstrar-lhe e a tentar convencê-la das excelência do aparelho: nem mais, nem menos que Carlos Lopes. Justamente esse, o campeão olímpico, detentor do recorde mundial da maratona durante uma década. A senhora teve que confirmar, através de pergunta feita ao próprio. Não a censuro: perante a o surrealismo do episódio, faria exactamente a mesma coisa.
Mas esta história é uma boa metáfora deste nosso país. O homem que em 1984 foi mais rápido, mais forte e mais longe do que o resto do mundo na Maratona, edificando uma marca que só viria a ser batida cerca de dez anos depois, tem de acabar a auferir o seu sustento no porta-a-porta, na venda de electrodomésticos que as lojas consideram de fraca fiabilidade.
Para o homem que recebeu condecorações por feitos desportivos relevantes em favor da sua pátria, não existe uma única porta que se abra para que ele possa desenvolver uma actividade ligada ao desporto que ama: o atletismo (ainda se lembram da triste figura que fizemos nos Campeonatos do Mundo de Paris?);
Para o homem que tanto fez pelo Sporting e por «meter Portugal no mapa», não existe um conjunto de escolas, uma associação de clubes de atletismo que o convidem para falar aos atletas mais novos sobre a necessidade de esforço, dedicação e perseverança que tem de se ter, para se conseguir ser herói por um dia. Exacto, herói, e essa é a diferença entre um herói e um famoso: o primeiro possui o espírito de sacrifício pelo objectivo; o segundo sacrifica o espírito pela fama.
Carlos Malmoro

Missão Impossível

Há cerca de uma semana, semana e meia, revi a «Missão Impossível II», na SIC ou na TVI (não tenho bem a certeza). Única justificação: ver Anthony Hopkins, durante breves momentos, no inicio e no final da fita, transfigurar duas linhas de texto completamente banais em Arte. Foi uma missão impossível realizada.
Carlos Malmoro

O Cromo

Na sequência do golpe militar na Guiné-Bissau, uma das fortes possibilidades de exílio para Kumba Iála é este jardim à beira-mar plantado. A concretizar-se o exílio, Portugal passa a contar nas suas hostes com o Cromo dos cromos, o mais raro dos cromos, enfim, O Cromo, em carne, osso e de barrete.
Carlos Malmoro

Ainda Há Esperança...

O primeiro Flash Mob a ter lugar em Portugal, realizou-se no dia 15/09/03, na cidade de Lisboa. Consistia em examinar o horizonte em busca de algo e, fingindo que se encontrava o que se procurava, exclamar um sonoro e feliz «Yes».
Segundo a Imprensa, o Flash Mob deu lugar a um Flash Flop. É que compareceram a esta iniciativa imbecil três almas penadas. E é nestes pequenas - mas simbólicas - coisas, que vamos sustentando que Portugal não é um país definitivamente perdido para a acefalia colectiva, e que ainda há esperança. YES!!
Carlos Malmoro

16 setembro 2003

DA ESTUPIDEZ E DO RÍDICULO

Os Flash Mobs são uma espécie de manifestação instantânea do nada : a partir de uma convocatória recebida via Internet ou SMS, um grupo de pessoas, totalmente desconhecidas entre si, marcam um encontro num determinado sítio, de uma determinada cidade. Aí, fazem um gesto pre-estabelecido, sem qualquer teor político, cultural ou religioso, para, em seguida, dispersar. O gesto dura breves momentos e é absolutamente desprovido de qualquer sentido lógico, racional ou instintivo (uma vez que é pré-definido). Para melhor entender o espírito da coisa, deixo-vos dois exemplos:
Em Nova Iorque, cerca de cem pessoas reuniram-se junto de uma loja de brinquedos e rosnaram para um dinossauro de borracha que ali se encontrava, dispersando em seguida. Em São Paulo, aproximadamente cem pessoas juntaram-se e atravessaram uma das avenidas mais movimentadas da cidade. O particular dessa travessia foi, durante o percurso, terem retirado os sapatos e baterem com eles no chão. Depois, dispersaram.
Analisando estas manifestações, chega-se facilmente às seguintes ilações: existe uma linha ténue que separa a sublimação da mensagem da inexistência de mensagem; existe ainda uma outra linha ténue, que separa o humor non-sense da imbecilidade absoluta. Finalmente, existe uma linha - igualmente ténue - que separa o ilogismo dos gestos, por forma a reforçar o seu conteúdo, da estupidez de um nível tão baixo e, principalmente, tão ridículo, que se torna difícil aquilatar a essência dos Flash Mobs, pela enormidade de demência cretina que estes manifestos implicam. Os Flash Mobs ultrapassam todas estas linhas por sofrerem de um niilismo absoluto: são iniciativas sem mensagem, são gestos sem justificação e ideias sem conteúdo. E, com base nisto, se demonstra que a Natureza Humana não tem limites para a idiotia e que as nossas cidades andam povoadas de pseudo-intelectuais que nada mais têm mais para fazer na vida do que teorizar onanismos intelectualóides.
Que não haja misericórdia para a estupidez!
Carlos Malmoro

Os Nus de Spencer Tunick

Spencer Tunick, o nova-iorquino que costuma fotografar centenas (ou mesmo milhares) de pessoas em nu integral, nos centros das mais variadas urbes, decidiu-se, neste passado sábado, fazer uma incursão na cidade de Santa Maria da Feira.

No iní­cio, as sessões fotográficas de Tunick desfrutavam de uma carga revolucionária, naquele sentido em que importavam para a arte a celebração do corpo enquanto massa, enquanto população, enquanto um conjunto de paredes sem pintura que interagiam com as peles cínzeas dos edifí­cios citadinos. Até então, a arte apenas tinha descrito, interpretado e meditado sobre o corpo humano nu, enquanto indiví­duo, enquanto ser único e uno, belo na sua exclusividade e distinto na sua singularidade.

Hoje, as sessões de Tunick apenas se assemelham a uma provocaçãozita, uma vez que já perderam o sentido de novidade e do espí­rito de motim moral da arte, para se transformarem em acontecimentos inconsequentes e com um forte travo a linha de montagem. A melhor prova daquilo que acabo de afirmar é a reacção dos moralistas, nas cidades que Tunick visita: já não se indignam; antes ridicularizam as sessões.

Uma das condições que distingue um artista de um charlatão provocador é que o primeiro sabe reconhecer o esgotamento de um tema e, a partir daí, regressar ao ponto de partida para desenvolver uma nova ideia - ou, utilizando a mesma ideia, alterar o conceito subjacente. Spencer Tunick está a uns breves centímetros de cruzar a linha: um artista estagnado não é um artista; é um empregado.
Carlos Malmoro

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«Mussolini nunca matou ninguém. Ele mandava as pessoas para férias em locais distantes» Sílvio Berlusconi, Liberátion, Paris, 12/09/03,
Se juntássemos este ao Henry Kissinger, poderíamos começar a fazer um Clube dos Revisionistas da História.
«Se é verdade que George W. Bush finalmente apresentou a conta de quanto vai custar o esforço do Iraque, ainda não fez o suficiente para explicar tudo ao povo americano» Editorial, The New York Times, 14/09/03
Não me admira: ainda está por inventar o primeiro político que explique realmente tudo ao seu povo...
Carlos Malmoro

15 setembro 2003

O "Não" Sueco ao Euro

Se fosse em Portugal, e se a vantagem estivesse do lado dos apologistas do "Não", o assassínio de uma ministra bastante popular que defendesse o "Sim", faria com que a tendência de voto mudasse, dando a vitória aos defensores do "Sim". E porquê? Somos um povo que tem duas características que os suecos não têm:
Primeiro, somos latinos, logo mais emocionais que racionais, e depois, somos um povo que só gosta de reconhecer, e de dar razão, aos pontos de vista dos outros, depois da sua morte. No meio literário, costuma-se dizer, em jeito de brincadeira, que a condição sine qua non para um poeta ter sucesso é estar morto.
No entanto, duas razões contribuiram, a meu ver, para a vitória do "Não": num primeiro momento, a frieza de análise e a cerebralidade nórdicas não se compadecem com a emoção na hora do voto. Mas, a génese de todos os "Não"'s foi a arrogância alemã e francesa que, ao dizerem que só cumpririam o Pacto de Estabilidade lá para 2006, colocaram em xeque toda a disciplina financeira e arruinaram o pressuposto da igualdade de tratamento entre Estados, em que a Europa se alicerçou para se transformar no gigante económico que hoje é.
Como é sabido, os nórdicos são dos povos que a nível mundial mais disciplina exigem nas suas contas internas. E é fácil perceber o "Porquê" do "Não" sueco: estariam os suecos dispostos a fazer poupanças e a apertar o cinto, para os alemães e franceses esbajarem de forma desregrada o superavit do seu orçamento, em reduções de impostos para as empresas e famílias desses dois países? É óbvio que não: a solidariedade económica tem limites.
Carlo Malmoro

12 setembro 2003

Literalmente ...Sem Comentários

Não escrevi nenhum texto no dia 11 de Setembro, porque penso que estão como eu: ontem, como tudo o que era comentador, jornalista, escritor, artista, político, director de uma qualquer Fundação ou Associação, editor, blogger, explanava as suas ideias, elucidava-nos com as suas mensagens e exprimia os seus juízos, estou, neste dia 12, com uma overdose opinativa. Aquilo que eu penso sobre os “11 de Setembro”, Chile e EUA, está reflectido parcialmente nos textos de todos, e de cada um , mas não está avaliado integral e irrepreensivelmente em nenhum deles. Querem saber o que penso? Esperem até passar a overdose.
Carlos Malmoro

10 setembro 2003

O Nobel da Paz Revisionista

Numa entrevista recente ao jornal “La Tercera”, de Santiago do Chile, Henry Kissinger afirmou que o General Pinochet era mais uma vítima dos grupos de esquerda e dos fazedores de opinião do que um ditador sanguinário e déspota, e que «o seu maior pecado é ter derrubado um Governo que estava encaminhado em direcção ao comunismo». Por estas horas, o Comité Nobel estará arrependido de lhe ter atribuído o Nobel da Paz em 2002: nunca imaginaram que lhes sairia ao caminho um Revisionista. Pensando melhor, até não: afinal, estamos a falar de uma agremiação que já distinguiu com esse prémio um cidadão com as mãos cheias de sangue, e a consciência de mortos, de seu nome Arafat.
Carlos Malmoro

A Centenária Cineasta

Leni Riefenstahl morreu. Nunca uma artista despertou tanta conflituidade entre a consciência ética e o sentido estético como ela. De facto, os frescos que “pintou” do corpo humano perfeito são de uma beleza tal, que só se podem comparar ao Horror da ideologia que propagandeavam.
Carlos Malmoro

No Comment

Filha paga cem contos para mandar liquidar a mãe. No Comment
Carlos Malmoro

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«É improvável que os filhos de um déspota não acabem sendo tão tiranos como o seu progenitor. Há escassas excepções, femininas, como as de Svetlana Stalin e Alina Fernández, a filha de Fidel Castro, que ironias da História, acabaram fugindo para os EUA» Editorial, La Vanguardia, Barcelona, 3/08/20003
Ou seja, fugiram de ditaduras políticas para uma ditadura social: a do sucesso.
Carlos Malmoro

«A sesta é, tradicionalmente, uma forma de conservar a energia sob climas quentes. Mas, pode tornar-se num método de governo?» Editorial, Le Monde, Paris, 13/08/2003
Por esta frase, observa-se nitidamente que o Sr. Director do “Le Monde” não visitou Portugal nos últimos vinte anos, nem estudou as suas formas de governação.
Carlos Malmoro

«Um país em que há mais de vinte mil pessoas vezes n interlocutores a serem sistematicamente escutadas é orwelliano» Vasco Graça Moura, Diário de Notícias, 30/07/2003
Se juntarmos às escutas orwellianas, os incêndios de proporções dantescas, a burguesia queirosiana, a burocracia kafkiana e as políticas maquiavélicas, podemos afirmar, por factos abundantemente provados, que Portugal é um país literário.
Carlos Malmoro

08 setembro 2003

Diálogo Surrealista

Domingo, 7/9/2003, depois de um almoço “puxado” em termos de condimentos, peço à empregada do restaurante:
- Por favor, um café e uma água com gás.
A empregada:
- O senhor deseja a água com algum sabor?
Eu sempre julguei que a água era insípida, incolor e inodora. Mas, pelo caminho que isto leva, não faltará muito para termos água com cheiro...ou às cores.
Carlos Malmoro

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«É da natureza do artista sentir-se sempre menosprezado. Sempre. Quando recebe prémios, porque a crítica não o celebra tanto como o júri. Quando é apreciado pelos críticos e não é em igual proporção pelos leitores. E se os seus quadros, livros ou filmes alcançam sucesso, então teme o desprezo da elite que não perdoa o êxito» Vicente Molina Foix, El País, Madrid,15/08/2003
Pois é. Ainda estão por inventar agentes, editores e galeristas que celebrem contratos de gestão de autoconfiança.
Carlos Malmoro

«Como foi possível construir dois estádios de futebol, a poucas centenas de metros de distância, com chorudos subsídios do Estado, sendo que num há uma parte onde só os anões podem festejar os golos e noutro só os cegos podem «ver» o jogo? » Oliveira e Silva, Diário Económico, 13/8/2003
A verdadeira pergunta é: Como foi possível construir nove estádios de futebol, entre Braga e Lisboa, a cerca de quatrocentos Kms de distância entre eles (um estádio por cada 40 Kms) ?
Carlos Malmoro

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«Esta já não é uma guerra entre israelitas e palestinianos(...). As sondagens nos Territórios Palestinianos e em Israel mostram que setenta por cento de ambas as populações são favoráveis ao cessar-fogo, ao Roteiro para a Paz e à coexistência de dois Estados soberanos.» Amos Oz, Corriere Della Sera, Milão, 14/8/2003
O mar bate na rocha e o mexilhão é que...morre.
Carlos Malmoro

«Na sua segunda encarnação como Lara Croft, Angelina Jolie volta a enfiar-se num fato que lhe realça as sinuosas curvas. Infelizmente, o estúdio concluiu que o realce era excessivo e, para não perturbar o público adolescente, decidiu apagar digitalmente a marca dos mamilos do poster do filme. Afinal, sempre há boas razões para sermos anti-americanos.» João Miguel Tavares, Diário de Notícias, 12/8/2003
Esperemos que na terceira geração, a Anjelina já venha sem roupa: Única e exclusivamente, porque os estúdios sempre conseguiriam poupar uns dólares em “borrachas digitais”; só por isso.
Carlos Malmoro

«[Zé Cabra] declarou que cantava mal porque era assim que “os portugueses” gostavam, e que mudaria quando os “portugueses” o quisessem(...)Muitos e muitas romancistas do nosso burgo deviam fazer (...) uma declaração semelhante. Sempre era mais honesto» Pedro Mexia, Diário de Notícias, 12/08/2003
E, para aproveitarmos a onda de honestidade, uns quantos poetas também.
Carlos Malmoro

05 setembro 2003

A Droga do Dinheiro

A primeira página do "Expresso" do último sábado dava conta que, em Portugal, «45% das notas em circulação têm vestígios de cocaína».
Este título fez-me chegar às seguintes conclusões:
1) Fiquei a compreender por que razão os portugueses afirmam que o país não presta, que não tem futuro, etc..., em tempos de aperto de cinto, e orgulham-se de viver «no melhor país do mundo» em tempo de vacas gordas: é o efeito de euforia que mais notas no bolso, logo mais cocaína, tem sob os nossos queridos neurónios;
2)Percebi o ditado «Dinheiro puxa dinheiro»: como todos sabemos, as adições querem mais e sempre mais produto para um mesmo efeito de satisfação;
3)E Entendi o "porquê" das expressões alienadas que muitos dos nossos banqueiros têm: ir visitar um cofre-forte cheio de notas, em que 45% delas têm cocaína, deve dar uma boa pedrada.
Carlos Malmoro

Amor com amor se paga...

Foi útil ver António Guterres, quando saía de uma visita ao ex - deputado Paulo Pedroso, no Estabelecimento Prisional de Lisboa, perguntar aos jornalistas (que apenas faziam o seu trabalho) « não vêem a figura de ridículo que estão a fazer?». Foi útil ver Raquel Cruz, numa semelhante situação e perante os mesmíssimos protagonistas, pedir: « Deixem-me em paz, caralho!». E qual é a utilidade destas duas declarações? É que na próxima vez que nos entrarem pela casa dentro com aqueles sorrisos enquadrados e aquelas frases feitas, poderemos perguntar ao Ex - Primeiro - Ministro o que ele perguntou aos jornalistas, e à Raquel faremos o mesmo pedido que ela fez aos jornalistas.
Carlos Malmoro

DESOLAÇÃO

As 58 pessoas que morreram completamente sós, fruto de abandono dos familiares, amigos e vizinhos, na onda de calor que assolou a França, tiveram um funeral com Honras de Estado. A pátria de Albert Camus deu-lhe, uma vez mais, razão: sofre-se só; morre-se só. Infelizmente, para estas pessoas, a expressão saiu do domínio da metáfora e ganhou contornos literais.
Carlos Malmoro

03 setembro 2003

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«Portugal tem, obviamente, futuro» M. Bettencourt Resendes, Diário de Notícias, 12 Agosto 2003. Não se sabe bem quando, nem como, mas tem.
Carlos Malmoro

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Secção Negócios, Diário de Notícias de 27/8/2003: «Os resultados líquidos [lucros] dos bancos a operar em Portugal ascenderam a 912 milhões de euros no 1º Semestre [de 2003], mais 3,2% que em igual período do ano passado» Eu não acredito que Portugal seja um país rico, mas que há muito dinheiro, lá isso há.
Carlos Malmoro

02 setembro 2003

INSENSIBILIDADE E MAU SENSO

1) José Mário Silva, na sua crónica semanal, no DNa de 9/8, escreve, acerca da vaga de incêndios que assolou o país, o seguinte: «Para mim, o choque só se tornou completo quando vi a imagem captada por um satélite NASA». Antes, e nesse mesmo verborreico escrito, admitia que já estava informado que, até ao momento em que escrevia, tinham perdido a vida onze pessoas e que havia incêndios em quinze distritos. Ou seja, como diz o outro o choque, o horror, a tragédia foi a contemplação da imagem NASA e não, como em qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade, as vidas humanas perdidas, os ecossistemas destruídos, que vão demorar décadas a readquirirem os seus equilíbrios, e o desaparecimento material de vidas inteiras de trabalho.
Concluindo de uma forma irónica e depois séria: se o senhor não tiver acesso à Net ou o site da NASA se encontrar "em baixo", certifique-se que a sua casa, roupa ou automóvel não estão a arder: não existiria a Net para lhe dar conta da ocorrência; agora a sério: não nos venha mais com as suas litanias dos afectos e de sentimentos de puxar à lágrima com que povoa amiúde as suas croniquetas: neste texto, o senhor demonstrou tanta sensibilidade como a que tem um paralelo de calçada, sem ofensa para este último.
2)Por outro lado, Guilherme Silva, líder da bancada parlamentar do PSD, afirmou que «o número de vítimas é relativamente restrito». Esta afirmação só mostra o valor que a vida humana tem para o Chefe de Bancada do partido mais votado: são números, apenas números; ou melhor, votos, apenas votos. Será que não percebem que até um ferido ligeiro já é um número demasiado de baixas, para um país que todos os anos se debate com o mesmo flagelo, e todos os anos adia a sua resolução.
3)Para finalizar, um conselho a estes dois senhores, através de Wittgenstein, que aproveito para citar de cor: «A melhor coisa a fazer quando nada se tem a dizer, é ficar calado.»
Carlos Malmoro

01 setembro 2003

MISE EN SCENE

A estória daquele sujeito que foi detido pelo FBI, ao tentar introduzir um míssil em Nova Iorque, está muito mal contada.
Segundo a revista "Jane's", trata-se de uma «...história de estupidez e aproveitamento político», porque, segundo a estação de televisão ABC «...Lakhani [ o tal indivíduo detido] não tinha contactos na Rússia que lhe permitissem adquirir mísseis no Mercado Negro, e que esses mesmos contactos terão sido fornecidos por agentes das polícias russas e americanas...», com o único propósito de fabricar esta "estorieta" para os jornais. A supracitada revista "Jane's", fala ainda de «...encenação de estados...», um analista militar dos EUA apelidou-a de «operação montada» e o Diário de Notícias intitula o seu texto referente à mesma notícia de «"Invenção" de Polícias».
Eu sei que não existe Verdade, que ela é relativa, que cada sujeito apreende uma Verdade distinta na observação do mesmo objecto, mas não seria possível às Polícias limitarem-se a investigar os casos que existem, em vez de perder tempo a construir mises en scene, para os cabeçalhos dos jornais? Ou será que têm assim tão pouco que fazer?
Carlos Malmoro

E ASSIM DESAPARECEU...

O programa "Acontece" acabou; digo-vos de outro modo: um dos únicos programas que realmente valia a pena ser visto, pese embora o estilo patusco do apresentador, acabou.
Como o ministro Morais Sarmento disse, há cerca de três meses, que ficava mais barato pagar uma volta ao mundo a cada um dos telespectadores do "Acontece" do que produzir esse mesmo programa, já fiz as malas para a viagem que o Sr. ministro me vai pagar. Mas, para ser completamente justo, tenho que reconhecer que os livros que levo na bagagem, os museus que pretendo conhecer, bem como as exposições que visitar foram-me recomendados pelo Sr. Carlos Pinto Coelho.
Finalmente, se decidirem acabar também com os programas "O Lugar da História", "Sinais do Tempo", "Artes e Letras" e "Britcom", ponho o televisor no prego: não quero ficar com um electrodoméstico que tem como únicas funções calcinar-me os neurónios em programas como "Big Brother", "Êxtase", "Mousse de Chocolate", e estupidificar-me a inteligência com novelas de 600 episódios, o "Jornal Nacional", "Vidas Reais" ou "À Sombra da Bananeira", e toda uma lista quase infinita de programas, que deveriam ter todos o mesmo sub-título: «Quem quer ser ignorante?».
Carlos Malmoro

NO COMMENT

Duas das respostas de Paula Bobone ao questionário de Verão do Diário de Notícias:
Pergunta: Qual é o seu maior pesadelo?
Resposta: Perder a agenda.
Pergunta: Qual é o seu pássaro favorito?
Resposta: A borboleta.
No Comment
Carlos Malmoro