16 setembro 2003

DA ESTUPIDEZ E DO RÍDICULO

Os Flash Mobs são uma espécie de manifestação instantânea do nada : a partir de uma convocatória recebida via Internet ou SMS, um grupo de pessoas, totalmente desconhecidas entre si, marcam um encontro num determinado sítio, de uma determinada cidade. Aí, fazem um gesto pre-estabelecido, sem qualquer teor político, cultural ou religioso, para, em seguida, dispersar. O gesto dura breves momentos e é absolutamente desprovido de qualquer sentido lógico, racional ou instintivo (uma vez que é pré-definido). Para melhor entender o espírito da coisa, deixo-vos dois exemplos:
Em Nova Iorque, cerca de cem pessoas reuniram-se junto de uma loja de brinquedos e rosnaram para um dinossauro de borracha que ali se encontrava, dispersando em seguida. Em São Paulo, aproximadamente cem pessoas juntaram-se e atravessaram uma das avenidas mais movimentadas da cidade. O particular dessa travessia foi, durante o percurso, terem retirado os sapatos e baterem com eles no chão. Depois, dispersaram.
Analisando estas manifestações, chega-se facilmente às seguintes ilações: existe uma linha ténue que separa a sublimação da mensagem da inexistência de mensagem; existe ainda uma outra linha ténue, que separa o humor non-sense da imbecilidade absoluta. Finalmente, existe uma linha - igualmente ténue - que separa o ilogismo dos gestos, por forma a reforçar o seu conteúdo, da estupidez de um nível tão baixo e, principalmente, tão ridículo, que se torna difícil aquilatar a essência dos Flash Mobs, pela enormidade de demência cretina que estes manifestos implicam. Os Flash Mobs ultrapassam todas estas linhas por sofrerem de um niilismo absoluto: são iniciativas sem mensagem, são gestos sem justificação e ideias sem conteúdo. E, com base nisto, se demonstra que a Natureza Humana não tem limites para a idiotia e que as nossas cidades andam povoadas de pseudo-intelectuais que nada mais têm mais para fazer na vida do que teorizar onanismos intelectualóides.
Que não haja misericórdia para a estupidez!
Carlos Malmoro

1 comentário:

Anónimo disse...

Interessante seu ponto de vista sobre o trabalho do Tunick. Estou fazendo uma pesquisa sobre o trabalho do fotógrafo e seu discurso me leva agora a outras questões.