15 setembro 2003

O "Não" Sueco ao Euro

Se fosse em Portugal, e se a vantagem estivesse do lado dos apologistas do "Não", o assassínio de uma ministra bastante popular que defendesse o "Sim", faria com que a tendência de voto mudasse, dando a vitória aos defensores do "Sim". E porquê? Somos um povo que tem duas características que os suecos não têm:
Primeiro, somos latinos, logo mais emocionais que racionais, e depois, somos um povo que só gosta de reconhecer, e de dar razão, aos pontos de vista dos outros, depois da sua morte. No meio literário, costuma-se dizer, em jeito de brincadeira, que a condição sine qua non para um poeta ter sucesso é estar morto.
No entanto, duas razões contribuiram, a meu ver, para a vitória do "Não": num primeiro momento, a frieza de análise e a cerebralidade nórdicas não se compadecem com a emoção na hora do voto. Mas, a génese de todos os "Não"'s foi a arrogância alemã e francesa que, ao dizerem que só cumpririam o Pacto de Estabilidade lá para 2006, colocaram em xeque toda a disciplina financeira e arruinaram o pressuposto da igualdade de tratamento entre Estados, em que a Europa se alicerçou para se transformar no gigante económico que hoje é.
Como é sabido, os nórdicos são dos povos que a nível mundial mais disciplina exigem nas suas contas internas. E é fácil perceber o "Porquê" do "Não" sueco: estariam os suecos dispostos a fazer poupanças e a apertar o cinto, para os alemães e franceses esbajarem de forma desregrada o superavit do seu orçamento, em reduções de impostos para as empresas e famílias desses dois países? É óbvio que não: a solidariedade económica tem limites.
Carlo Malmoro

Sem comentários: