Paradoxo
Um belíssimo livro de Ana Marques Gastão, chamado Nós / Nudos, publicado pela Gótica, contém 25 poemas sobre 25 obras de Paula Rego. É um excelente tratado de como as palavras podem complementar as imagens, neste caso com as pinturas da nossa mais internacional artista plástica.
Agora que está feito o elogio da obra, que aconselho, uma coisa não entendo na autora. Aquando do seu lançamento, há cerca de um mês, numa entrevista ao Diário de Notícias, Ana Marques Gastão referia que nunca desejou que os seus poemas «tocassem» as imagens de Paula Rego, mas antes que caminhassem paralelas. Até aqui tudo bem: é uma perspectiva como todas as outras. O que já é mais estranho é que a mesma autora, nesse mesmo dia, tenha dito no programa «Magazine», sobre o mesmo livro, que pretendeu que os poemas encontrassem as pinturas de Paula Rego como que se de intercepções se tratassem. Afinal, em que é que ficamos: paralelismos ou intercepções?...
Talvez seja este um daqueles casos em que se prova que a pior pessoa para falar acerca de uma determinada obra é o seu criador.
Carlos Malmoro

1 comentário:
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