13 Abril 2004

Concorrência Monopolista

Belmiro Azevedo afirmou recentemente que, se o Governo não mudar de estratégia, está a considerar deixar o País e estabelecer os seus negócios noutra nação. Também disse que está de costas voltadas com o ministro da Economia, já lhe tendo dito mesmo, cara a cara, que não voltaria a falar com ele.
O caricato da situação de um empresário particular, numa economia de mercado, aberta, concorrencial, com regras bem definidas para todos, presumir-se no direito de coagir um Governo de um país a mudar de estratégia política por sua causa, é revelador do corporativismo e caciquismo que ainda grassam na sociedade portuguesa, e, como este exemplo demonstra à saciedade, nas mentes dos nossos competitivos empresários, que se julgam D. Sebastiões da retoma económica aos quais todos os caprichos devemos vergar...
Mas, o que eu gostava mesmo de saber era o país que ele tinha em mente para transferir os seus negócios...
É que, sinceramente, não estou a ver nenhum outro país onde os grandes grupos privados negoceiem, directamente e por ajuste, os impostos que têm de pagar sobre os seus “rarefeitos” lucros, em vez de se subjugarem à Lei que, como toda a gente que tem umas luzes de Direito sabe, gozam da faculdade de serem gerais e não particulares…A não ser, claro, num país da África Sub – Sahariana, da Ásia das Monções ou da América do Sul.
Carlos Malmoro

La Culture

Gao Xingjian, o escritor chinês refugiado político em França, vencedor do Prémio Nobel em 2000, não foi convidado para o Salão do Livro em Paris. Ao que tudo indica as pressões das autoridades oficiais chinesas sobre o governo francês para o «esquecerem» foram bem sucedidas.
É que a França está ansiosa por ter um maior acesso ao mercado chinês, ou seja, a um mercado de mil milhões de consumidores, e isso, como comprova a decisão de afastar uma voz dissonante da política oficial de Pequim, vale mais que toda a retórica de igualdade, liberdade e fraternidade e da aposta na cultura, com que os governos franceses tantas vezes enchem os seus discursos.
No meio disto tudo, só tenho pena do escritor Gao Xingjian que, na altura em que recebeu o Nobel, foi utilizado como bandeira de propaganda da política oficial francesa para os refugiados políticos, e agora está novamente proibido de manifestar os seus ideais, como pensou que o poderia fazer quando decidiu abandonar a China natal e rumar a um país com «liberdade de expressão».
… C´est la Culture…
Carlos Malmoro