La Culture
Gao Xingjian, o escritor chinês refugiado político em França, vencedor do Prémio Nobel em 2000, não foi convidado para o Salão do Livro em Paris. Ao que tudo indica as pressões das autoridades oficiais chinesas sobre o governo francês para o «esquecerem» foram bem sucedidas.
É que a França está ansiosa por ter um maior acesso ao mercado chinês, ou seja, a um mercado de mil milhões de consumidores, e isso, como comprova a decisão de afastar uma voz dissonante da política oficial de Pequim, vale mais que toda a retórica de igualdade, liberdade e fraternidade e da aposta na cultura, com que os governos franceses tantas vezes enchem os seus discursos.
No meio disto tudo, só tenho pena do escritor Gao Xingjian que, na altura em que recebeu o Nobel, foi utilizado como bandeira de propaganda da política oficial francesa para os refugiados políticos, e agora está novamente proibido de manifestar os seus ideais, como pensou que o poderia fazer quando decidiu abandonar a China natal e rumar a um país com «liberdade de expressão».
… C´est la Culture…
Carlos Malmoro

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