12 março 2006

Os «Fundamentais»

«A Direcção-Geral da Saúde fez uma lista das cem mil pessoas "fundamentais para o país" e encomendou medicamentos antivirais para as proteger em caso de uma pandemia de gripe. Pelos cargos que ocupam, estes portugueses serão capazes de "manter as estruturas básicas do país a funcionar". É caso para perguntar: quem são os indispensáveis?» DN, 11/03/2006.
Normalmente, e como relata a notícia, os «fundamentais» seriam os profissionais da Saúde, Justiça, Protecção Civil, Educação, etc. Mas o que, olhando à nossa idiossincrasia enquanto país, vai acontecer é a distribuição segundo a cunha. Assim, terão direito ao Tamiflu, os seguintes «fundamentais»:
  • os construtores civis e empreiteiros (porque é preciso destruir o que resta de ordenamento);
  • a Administração Púbica toda, desde a Central à Local, desde os ministros ao 2º vogal assistente do 2.º secretário de Alfaquiques (porque nenhum país progride sem um bom prato de caos e uma lauta sobremesa de burocracia kafkiana, refeições que estes senhores sempre foram mestres em nos servir);
  • os dirigentes do futebol e os jogadores de futebol (que, respectivamente, vão cuidar que a corrupção continue a grassar e que os pontapés na gramática sejam uma realidade);
  • Finalmente, os responsáveis e empregados de centros comerciais (para evitar que os fins de semana de mais de 90% dos portugueses sejam passados a pensar na pandemia).

No final, a pandemia vai revelar-se um autêntico flop, como foram a Febre Aftosa, a BSE ou a Pneumonia Atípica, que, segundo previsões 'nada alarmistas', iriam causar milhões de mortes, planos de evacuação de cidades e a mudança radical no nosso quotidiano.

O mal destes episódios é que se vêm assemelhando à história do Pedro e do Lobo. E quando for realmente a sério, ninguém acudirá o Pedro.

Carlos Malmoro

2 comentários:

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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