10 março 2006

Tal pai, ...

Na cerimónia de posse de um novo Presidente, um homem que já foi presidente e foi candidato nas últimas edições, não se dignou a cumprimentar o Presidente empossado.
Esse homem, dizia há cerca de dezoito meses, que o actual Presidente daria um excelente Presidente da República.

Esse homem não aplaudiu o discurso do novo Presidente. Eu também não o faria: adormecia antes.

Esse homem é apelidado de «Pai da Democracia», mas não teve a democracia necessária para cumprimentar o adversário/sucessor.

Esse homem chama-se Mário Soares. É com resignação que coloco este nome num texto sobre um acto tão anti-democrático.

E quando o «Pai da Democracia» não tem a democracia, nem o civismo, nem a educação suficientes para cumprimentar aquele que o povo democraticamente elegeu para Presidente da República, então é bom que não se exija aos filhos da democracia grandes veleidades democráticas, nem se sonhe com uma sociedade civilizada ou educada. Porque, como se costuma dizer, tal pai, tal filho.

Carlos Malmoro

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