Vergílio Ferreira
Geralmente, não gosto do Existencialismo. Particularmente, gosto de Vergílio Ferreira. Em traços gerais, podemos definir o Existencialismo como uma corrente literária em que a «Existência precede a Essência». Tirando as aspas à formulação de Sartre, nela está explícita que a Existência do indivíduo deve ser o paradigma primeiro da literatura.
É exactamente por isto que não gosto do Existencialismo na Literatura: transforma os romances e os poemas em autênticos tratados de filosofia. Prefiro ler Kierkegaard (o grande percursor do Existencialismo enquanto corrente filosófica e inspirador de muitos dos escritores existencialistas), e depois ler um bom romance, a ler aquela filosofia de Sartre, embrulhada como se de um romance se tratasse, em que as palavras que mais vezes se encontram são «eu» e o verbo «existir» conjugado até à «Náusea».
Vergílio Ferreira é um pouco diferente. O romance, isto é, a história, a narrativa, as personagens estão lá. Existe um mundo e uma circunstância. Também é verdade que subsiste o Existencialismo. Mas é um Existencialismo que se manifesta para servir riqueza do romance e não é o romance que serve de canal para expôr novas teses filosóficas.
É exactamente por isto que não gosto do Existencialismo na Literatura: transforma os romances e os poemas em autênticos tratados de filosofia. Prefiro ler Kierkegaard (o grande percursor do Existencialismo enquanto corrente filosófica e inspirador de muitos dos escritores existencialistas), e depois ler um bom romance, a ler aquela filosofia de Sartre, embrulhada como se de um romance se tratasse, em que as palavras que mais vezes se encontram são «eu» e o verbo «existir» conjugado até à «Náusea».
Vergílio Ferreira é um pouco diferente. O romance, isto é, a história, a narrativa, as personagens estão lá. Existe um mundo e uma circunstância. Também é verdade que subsiste o Existencialismo. Mas é um Existencialismo que se manifesta para servir riqueza do romance e não é o romance que serve de canal para expôr novas teses filosóficas.
Vergílio Ferreira é um escritor que tem a particularidade (que eu tanto aprecio) de ser um escritor do não-óbvio. E é aí que a sua obra brilha: ele não nos descreve as personagens, mas antes as sombras que elas projectam; ele não nos mostra a tecedura da narrativa, apresenta-nos os filamentos de que é feita; o tempo é psicológico e o espaço é uma quase dimensão paralela. Ele até ‘acaba’ romances com palavras inacabadas, como a dizer: esta é a última palavra do universo atrás descrito mas, como todos os universos, está incompleto.
Tenho para mim o «Alegria Breve» e o «Até ao Fim» como os romances maiores de Vergílio Ferreira, além de ler as suas «Conta-Corrente» aleatoriamente. Vergílio Ferreira escrevia romances cheios de névoa e entregava ao leitor a tarefa hercúlea de a dissipar. Escrevia romances esbatidos, mas romances que aclaravam de modo único «o espantoso milagre de estar vivo e o incrível absurdo da morte.»*
Tenho para mim o «Alegria Breve» e o «Até ao Fim» como os romances maiores de Vergílio Ferreira, além de ler as suas «Conta-Corrente» aleatoriamente. Vergílio Ferreira escrevia romances cheios de névoa e entregava ao leitor a tarefa hercúlea de a dissipar. Escrevia romances esbatidos, mas romances que aclaravam de modo único «o espantoso milagre de estar vivo e o incrível absurdo da morte.»*
*in Aparição
Carlos Malmoro

3 comentários:
O homem será tal como a si próprio se fizer. Não há natureza humana. Há um projecto que se vive subjectivamente.
Por isso as meditações…
“ Esta coisa que sou eu (…) este irredutível e necessário e absurdo clarão que sou eu iluminado e iluminando-se”
(Apariçao)
Andei a indagar.
I love your website. It has a lot of great pictures and is very informative.
»
É muito errado alguém instruído fazer juízos de valor acerca de um certo escritor, quando comparado a outros.
O autor deste website demonstrou querer desvalorizar o trabalho de outros escritores (filosófos-existencialistas) só por usarem uma escrita não compreensível ao seu (neste caso, o autor deste website) entendimento, saiba que a leitura de uma obra é muito relativa, pois cada um tem o seu grau de instrução, mas, não devemos fazer de isso um "bicho de sete cabeças", só porque preferimos um livro com uma linguagem mais simples, um exempo é a obra: "Assim falava Zaratrusta", de Nietzsche, que apesar de dificil compreensão é muito procurada.
Procure-me vamos trocar algumas idéiaiswww.hassanechinchia.blogspot.com
Enviar um comentário