Todos acabamos por ir, mas não poderia ser de outra forma?
Há um ano, Londres acordava normalmente para mais um dia de trabalho. Passadas umas horas, umas detonações, e o meu televisor a mostrar a morte e o sangue a espalharem-se pela Velha Albion.
Hoje, acordei normalmente para mais um dia de trabalho. Passadas umas horas, na estrada, um estrondo atrás do meu carro, e o meu retrovisor a mostrar a morte sem sangue de mais um rapaz de 18 anos nas estradas de Portugal.
Como foi? Igual, ou parecida, a tantas outras: perdeu o controlo da moto, embateu no carro que estava a ultrapassar e foi projectado contra este. A coluna não resistiu à violência do impacto. O INEM* chegou, mas a médica, depois de ver a causa, limitou-se a chamar alguém para fazer o levantamento do óbito.
Num e noutro caso, a senhora revelou os traços principais do seu carácter: fria, brutal, inesperada, inumana, selvagem e, acima de tudo, estúpida, demasiadamente estúpida para a nossa exígua compreensão.
*Uma palavra para o INEM: foram rapidíssimos a chegar ao local, com um carro apetrechado com o melhor equipamento, com pessoal especializado e demonstrando um profissionalismo que, tratasse-se aquilo de um simulacro e não de uma trágica situação real, diria que deu gosto em ver trabalhar
Num e noutro caso, a senhora revelou os traços principais do seu carácter: fria, brutal, inesperada, inumana, selvagem e, acima de tudo, estúpida, demasiadamente estúpida para a nossa exígua compreensão.
*Uma palavra para o INEM: foram rapidíssimos a chegar ao local, com um carro apetrechado com o melhor equipamento, com pessoal especializado e demonstrando um profissionalismo que, tratasse-se aquilo de um simulacro e não de uma trágica situação real, diria que deu gosto em ver trabalhar
Carlos Malmoro

6 comentários:
A pergunta do título não tem nenhuma repsosta possível.
Tirando os suícidas que escolhem a morte (Nietsche dizia que cada homem deveria escolher a sua morte!), todos os outros são "surpreendidos". Será que, nesse momento, pensam na forma?
...
Mudando de assunto, bom fim-de-semana para ti.
Beijos
Infelizmente as mortes nas estradas portuguesas são uma "realidade tão frequente" que muitas pessoas começam a ficar imunes a isso!
Conheço essa realidade bem de perto.. a frieza de quem está do outro lado e a quem parece que nada afecta, a falta de humanidade e respeito pela família de quem acabou de perder alguém.
fiquei com um nó na garganta. Todos iremos mas não precisava de ser assim de facto. Bjs
Pitucha:
Aquele que "de outra forma" estava directamente relacionado com a estupidez das causas das mortes de Londres e daquele rapaz (terrorismo e sinistralidade rodoviária) e menos com a altura em que ocorreram. Sorry, se me expressei mal.
Bjs e bom resto de fim de semana
Girassol: a senhora a que eu me refiro no final do texto é à morte e não á médica que fez o acompanhamento do sinistro. É uma expressão metafórica, por isso está em itálico.
Bjs
Papalagui:
Bjs
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