08 julho 2006

Todos acabamos por ir, mas não poderia ser de outra forma?

Há um ano, Londres acordava normalmente para mais um dia de trabalho. Passadas umas horas, umas detonações, e o meu televisor a mostrar a morte e o sangue a espalharem-se pela Velha Albion.

Hoje, acordei normalmente para mais um dia de trabalho. Passadas umas horas, na estrada, um estrondo atrás do meu carro, e o meu retrovisor a mostrar a morte sem sangue de mais um rapaz de 18 anos nas estradas de Portugal.
Como foi? Igual, ou parecida, a tantas outras: perdeu o controlo da moto, embateu no carro que estava a ultrapassar e foi projectado contra este. A coluna não resistiu à violência do impacto. O INEM* chegou, mas a médica, depois de ver a causa, limitou-se a chamar alguém para fazer o levantamento do óbito.


Num e noutro caso, a senhora revelou os traços principais do seu carácter: fria, brutal, inesperada, inumana, selvagem e, acima de tudo, estúpida, demasiadamente estúpida para a nossa exígua compreensão.

*Uma palavra para o INEM: foram rapidíssimos a chegar ao local, com um carro apetrechado com o melhor equipamento, com pessoal especializado e demonstrando um profissionalismo que, tratasse-se aquilo de um simulacro e não de uma trágica situação real, diria que deu gosto em ver trabalhar

Carlos Malmoro

6 comentários:

Pitucha disse...

A pergunta do título não tem nenhuma repsosta possível.
Tirando os suícidas que escolhem a morte (Nietsche dizia que cada homem deveria escolher a sua morte!), todos os outros são "surpreendidos". Será que, nesse momento, pensam na forma?

...

Mudando de assunto, bom fim-de-semana para ti.
Beijos

Carmim disse...

Infelizmente as mortes nas estradas portuguesas são uma "realidade tão frequente" que muitas pessoas começam a ficar imunes a isso!
Conheço essa realidade bem de perto.. a frieza de quem está do outro lado e a quem parece que nada afecta, a falta de humanidade e respeito pela família de quem acabou de perder alguém.

Leonor disse...

fiquei com um nó na garganta. Todos iremos mas não precisava de ser assim de facto. Bjs

Carlos Malmoro disse...

Pitucha:
Aquele que "de outra forma" estava directamente relacionado com a estupidez das causas das mortes de Londres e daquele rapaz (terrorismo e sinistralidade rodoviária) e menos com a altura em que ocorreram. Sorry, se me expressei mal.

Bjs e bom resto de fim de semana

Carlos Malmoro disse...

Girassol: a senhora a que eu me refiro no final do texto é à morte e não á médica que fez o acompanhamento do sinistro. É uma expressão metafórica, por isso está em itálico.
Bjs

Carlos Malmoro disse...

Papalagui:
Bjs