Quando eu pensava que uma
1) MAIS LEITORES:
«Quando a rubrica «Gosto Não Gosto» começou no DNA, houve logo leitores que se apressaram a tomar conta da ideia e transformaram as suas opiniões sobre este suplemento em listas de amores e desamores. Gostámos da «apropriação» e publicámos quase todas que nos chegaram. Depois a secção entrou na rotina do costume, e deixaram de chegar esses manifestos que nos fazem pensar e nos obrigam tantas vezes a mudar. Agora, repentinamente, eis de volta à caixa do correio cartas sob a forma de «Gosto Não Gosto». O editor dispensa a sua carta para mais uma destas formas de estar connosco, mesmo quando se critica e lamenta…Aí está, então, o que vai na alma de Carlos (…), de Ponte de Lima:»
«Gosto da escrita directa (Palavras a Cores) e mágica (As Sombras da Liberdade) da Sónia Morais Santos. Onde estão as Palavras a Cores? Não sei do que se pode não gostar na escrita de SMS. Gosto dos Editoriais melancólicos e chuvosos, que pedem «Murder Ballads», de Pedro Rolo Duarte. Não gosto que PRD se atormente com políticos e políticas – se eles dizem que «a guerra é importante demais para ser deixada nas mãos de militares», então a cultura é demasiadamente vital para ser discutida com e por políticos. Ou seja, por quem faz realmente a guerra. Não gosto nem desgosto dos textos da Camila Coelho por não terem gosto. Gosto das críticas de P. Mexia à «Novíssima» poesia. Não gosto que o PM tenha feito a crítica, no DNA, a um livro de José Mário Silva, por este último ser Editor-Adjunto do DNA, nem gosto quando o PM se perde – e perde-nos – em efabulações conceptualistas, e tem de escrever entre parêntesis se o que está a afirmar é um elogio ou uma crítica ao livro. Gosto do humor nas crónicas de Miguel Esteves Cardoso e de Carlos Quevedo, que escondem aquilo de que não gosto nas suas crónicas: amargura azeda e generalizações simplistas. Gosto das histórias de escritores de Nelson de Matos. Não gosto da litania «Coitadinhos Dos Editores Que Não Recebem Subsídios» de Nelson de Matos. Gosto dos textos de Eduardo Barroso que falam de homens que salvam homens. Não gosto de textos políticos no «Sem Receita». Gosto do ritmo dos textos de José Mário Silva. Não gosto de certos textos de JMS que mostram a insuportável arrogância de uma pretensa superioridade intelectual. Já vos disse que gosto da escrita adulta da Sónia Morais Santos, mas é só para o texto ter estrutura circular. Gosto do gosto do DNA.»
Dito isto e para terminar, lembro aqueles dois versos de T.S. Elliot que diziam que o fim do mundo não chegará num big-bang mas num moroso e contínuo desvanecimento (cito de cor). Também em Portugal assim o é: isto não acabará num qualquer sobressalto. Antes num agonizar lento e entediante da vontade de lutar por um país melhor. Basta olhar para as escolhas que temos ao nosso dispor em vinte de Fevereiro.»
Carta publicada na Grande Reportagem, há aproximadamente três anos
Sem qualquer juízo de valor para com a necessidade e legitimidade que levou – e leva – uns e outros a tomarem tal opção de vida, é assaz preocupante que numa sociedade tecnológica, do conhecimento científico e da informação, e num país que padece de tantas carências a estes níveis, os melhores cientistas, investigadores e académicos tenham de procurar oportunidades no estrangeiro. Por que razão não o conseguem em Portugal?
Mas temos de compreender quem toma esta decisão, quase sempre com bastante sofrimento a nível pessoal e familiar. Se nos anos 60 e 70 fugia-se da miséria e da fome, hoje, quem emigra, procura evitar a estagnação das suas carreiras, uma vez que as universidades e centros tecnológicos portugueses não conseguem, nem de perto nem de longe, competir com os meios dos congéneres franceses, britânicos ou norte-americanos. (Em tempo: no OE para 2004, as verbas para Ciência e Tecnologia diminuem 3,8%.Para quem prometeu um forte investimento em ID&T, estamos conversados…)

1 comentário:
Nãome canso de repetir: as coisas que tu descobres!
Enviar um comentário