14 dezembro 2006

Árvore

Como se ela própria tivesse consciência do mal que a atacava, começou a debruçar-se sobre si mesma, perfurou a terra e voltou a nascer ao lado.

Assim poderia começar um qualquer romance místico, mas nada disso se trata. Apenas e tão só da figueira cá de casa que, parecendo ciente do mal que a afectava, começou a inclinar um dos ramos mais afastados em direcção ao solo, entrou dentro dele e, quando já toda ela estava fulminada, fez nascer uma nova árvore. Aliás, não uma nova árvore: a mesma, segundo me garantiu quem estuda destas coisas. E que eu pude confirmar através das comparações que ele fez sobre a morfologia dos troncos, inclinação dos ramos, entre outras coisas. Hoje, a segunda vida da mesma vida está maior e mais viçosa do que a primeira. E, perante um certo desencanto pelo quotidiano, esta estória de superação não me deixa menos pessimista mas, sem dúvida nenhuma, mais confortável.
Carlos Malmoro

3 comentários:

Pitucha disse...

A tua árvore clonou-se, se bem percebi!
Beijos

Carlota disse...

A sobrevivência do reino vegetal vegetal espanta-me. Nunca tinha ouvido falar de tal coisa.
E gostei da forma como relatas efeito que o facto produziu em ti.
:)
Beijola e bom fim-de-semana!

Sinapse disse...

Estou fascinada! Nunca tinha ouvido falar de semelhante fenómeno!