30 Dezembro 2006

O melhor de 2006 (ii)

em discos:

Vários - Banda Sonora do documentário dedicado a L. Cohen «I'm Your Man» (para quem é visita regular, sei que não é novidade a preferência...)

Bob Dylan - Modern Times
Morrissey – Ringleader of the Tormentors
Moonspell - Memorial
Muse - Black Holes And Revelations
Rodrigo Leão - O Mundo (1993 - 2006)
Placebo - Meds
Alice in Chains - The essencial
Tom Waits - Orphans
Platnev - Tchaikovsky: 18 pieces for piano
Vários - Monsieur Gainsbourg Revisited (o único tipo que eu suportava ouvir na língua francesa, exactamente porque não cantava à francês...e porque tinha atitudes destas: )





Um excelente 2007.

Carlos Malmoro

28 Dezembro 2006

A Inveja é um sentimento muito...

Uma pessoa brasileira que ficou de 'entrar' comigo no messenger, mostra-me no seu painel a seguinte mensagem pessoal: 'Carlos, estou na piscina. Entro às 21:45 portuguesas (19:45 brasileiras) conforme combinado.' Não sei o que lhe responder. Ou talvez até não lhe responda nada: o tema da conversa é a edição literária em 2006 no Brasil vs Portugal 2006. E não me parece que alguém fique chateado por receber um mail a dizer: «Falamos noutro dia. Fui para a lareira roer-me de inveja. Carlos». Eu acho que não ficaria chateado. E vocês?
Carlos Malmoro

27 Dezembro 2006

O melhor de 2006 (i)

em livros:
Shalimar, o Palhaço - Salman Rushdie

A Ronda da Noite - Agustina Bessa-Luís
Ontem não te vi em Babilónia - António Lobo Antunes
Cemitério de Pianos - José Luís Peixoto
Pequenas Memórias - José Saramago
Os Anéis de Saturno - W. G. Sebald
Correspondência a Três - Rilke, Pasternak, Tsvetsaieva
Um Herói Português: Henrique Paiva Couceiro - Vasco Pulido Valente
O Senhor Walser - Gonçalo M. Tavares

Conclusão: um bom ano de autores portugueses.

Carlos Malmoro

26 Dezembro 2006

Se

«Se és capaz de conservar o teu bom senso e a calma,

Quando os outros os perdem, e te acusam disso,
Se és capaz de confiar em ti, quando te ti duvidam

E, no entanto, perdoares que duvidem,


Se és capaz de esperar, sem perderes a esperança

E não caluniares os que te caluniam,


Se és capaz de sonhar, sem que o sonho te domine,

E pensar, sem reduzir o pensamento a vício,
Se és capaz de enfrentar o Triunfo e o Desastre,

Sem fazer distinção entre estes dois impostores,
Se és capaz de ouvir a verdade que disseste,

Transformada por canalhas em armadilhas aos tolos,
Se és capaz de ver destruído o ideal da vida inteira

E construí-lo outra vez com ferramentas gastas,
Se és capaz de arriscar todos os teus haveres

Num lance corajoso, alheio ao resultado,

E perder e começar de novo o teu caminho,

Sem que ouça um suspiro quem seguir ao teu lado,
Se és capaz de forçar os teus músculos e nervos

E fazê-los servir se já quase não servem,

Sustentando-te a ti, quando nada em ti resta,

A não ser a vontade que diz: Enfrenta!
Se és capaz de falar ao povo e ficar digno

Ou de passear com reis conservando-te o mesmo,
Se não pode abalar-te amigo ou inimigo

E não sofrem decepção os que contam contigo,
Se podes preencher todo minuto que passa

Com sessenta segundos de tarefa acertada,
Se assim fores, meu filho, a Terra será tua,

Será teu tudo que nela existe
E não receies que te o tomem,
Mas (ainda melhor que tudo isto)

Se assim fores, serás um HOMEM.»
Rudyard Kipling

R. Kipling enganou-se: onde está HOMEM, deverá ler-se 'deus'.

Carlos Malmoro

24 Dezembro 2006

Um blogue deveria ser um diário

Há dias, começou o Inverno. Nesse dia, os dias começaram a crescer. Daqui a seis meses, dá-se o fenómeno inverso: entra o Verão e os dias começam a diminuir de duração. No tempo como na vida: nunca temos tudo, nunca perdemos tudo. Bom Natal
Carlos Malmoro

21 Dezembro 2006

É tempo de entregar o piano às crianças

Andámos o ano todo a tentar que ele funcionasse, a tentar coordenar a música com a voz e com a imagem e continua tudo fora do tempo. O tempo é de entregar o piano e o xilofone e a guitarra e a batuta e a bateria às crianças. Quanto a nós, só nos resta levantar do banco do tal piano, dar uns passitos de dança, observar as crianças a divertirem-se com o dito, traulitar a melodia e desejar boas festas a quem por aqui passa, comenta e 'atura' este mafarricozito.
Boas Festas


20 Dezembro 2006

Obrigado, obrigado, obrigado




Onde posso levantar o prémio?

Carlos Malmoro

19 Dezembro 2006

Contra a TLEBS

Para a suspensão imediata da experiência da TLEBS, pode ser assinada esta petição, promovida pelo José Nunes, que, no momento em que escrevo isto, já conta com mais de 2000 assinaturas.
Carlos Malmoro

18 Dezembro 2006

Tudo o que é bom

acaba depressa. Demais, acrescento.

Carlos Malmoro

17 Dezembro 2006

Não resisto

a transcrever o título de uma peça do Inimigo Público:

«Maria Cavaco Silva ao 'Blitz': "Kurto Sepultura"»

Carlos Malmoro

14 Dezembro 2006

Árvore

Como se ela própria tivesse consciência do mal que a atacava, começou a debruçar-se sobre si mesma, perfurou a terra e voltou a nascer ao lado.

Assim poderia começar um qualquer romance místico, mas nada disso se trata. Apenas e tão só da figueira cá de casa que, parecendo ciente do mal que a afectava, começou a inclinar um dos ramos mais afastados em direcção ao solo, entrou dentro dele e, quando já toda ela estava fulminada, fez nascer uma nova árvore. Aliás, não uma nova árvore: a mesma, segundo me garantiu quem estuda destas coisas. E que eu pude confirmar através das comparações que ele fez sobre a morfologia dos troncos, inclinação dos ramos, entre outras coisas. Hoje, a segunda vida da mesma vida está maior e mais viçosa do que a primeira. E, perante um certo desencanto pelo quotidiano, esta estória de superação não me deixa menos pessimista mas, sem dúvida nenhuma, mais confortável.
Carlos Malmoro

13 Dezembro 2006

500

posts.

Carlos Malmoro

12 Dezembro 2006

Imagética

Esta foi a mais deslumbrante noite que alguma vez vi: milhares de luas cadentes e uma estrela cheia no centro do céu.

Carlos Malmoro

11 Dezembro 2006

Frases Finais

(...)A frase final é, ainda, a frase inicial desse novo livro que iremos escrever pela vida fora com as memórias daquele que originalmente lemos. (...) Texto completo aqui
Carlos Malmoro

Para quem for um indefectível

...fã de presépios com musgo, pode sempre ir a esta janela e recolher material para uns três ou quatro natais. A ministra agradece.




Carlos Malmoro

10 Dezembro 2006

Noite de Gala

Por estes lados, a noite ainda vai uma criança. Como uma criança que é, está a dar uma trabalheira desgraçada, mas que, também como todas as crianças, está-me a dar imenso prazer em ajudar a levá-la a bom porto.
Segundo a votação, os melhores de 2006 são:
Carlos Malmoro

08 Dezembro 2006

Felix Natal

Pendurado na árvore de Natal, ao lado da máquina de tabaco, estava este upgrade da língua portuguesa:



Aquele dezeija e aquele obrigados davam um óptimo objecto de estudo sobre o futuro da Língua Portuguesa. Mas a escrever-se assim, penso que não é necessário estudar um futuro que não existirá.
Carlos Malmoro

07 Dezembro 2006

A diferença entre o vencedor Schumacher e o campeão Senna

[com um obrigado ao N. pelo mail]



Carlos Malmoro

06 Dezembro 2006

Agradecimento

Se já fico coradito por ter votado no meu blogue e no blogue colectivo em que escrevo, então quando o faz mesmo sabendo que esse voto é considerado nulo pelo regulamento, fico sem saber o que dizer. Aliás, sei: obrigado.

Carlos Malmoro

05 Dezembro 2006

Prioridades

Vento derruba árvores e iluminações de Natal

Claro que as iluminações de Natal serão repostas amanhã. Quanto às árvores terão de esperar por melhores dias. Afinal, até estavam a estorvar.
Carlos Malmoro

02 Dezembro 2006

Apetites

Ainda há pouco, estava com uma incontrolável vontade de escrever um texto minimalisticamente grandioso e superficialmente profundo. Já passou.
Carlos Malmoro

Para W.

A questão não é se eu ainda estou acordado ou se estou acordado. A verdadeira questão é: vale a pena estar acordado?

Carlos Malmoro

As I Sat Sadly by Her Side (act.)

At the window, through the glass / She stroked a kitten in her lap / And we watched the world as it fell past / Softly she spoke these words to me / And with brand new eyes, open wide /We pressed our faces to the glass / As I sat sadly by her side / She said, "Father, mother, sister, brother, / Uncle, aunt, nephew, niece, / Soldier, sailor, physician, labourer, / Actor, scientist, mechanic, priest / Earth and moon and sun and stars / Planets and comets with tails blazing / All are there forever falling / Falling lovely and amazing" / Then she smiled and turned to me / And waited for me to reply / Her hair was falling down her shoulders / As I sat sadly by her side (...) restante aqui

As letras de Nick Cave são menos poemas e mais pequenas histórias. Geniais pequenas histórias. Que pedem uma noite de chuva como esta, para serem escutadas enquanto estou não-tristemente sentado ao teu lado.

Carlos Malmoro