02 janeiro 2007

Micro Causa: Anti-Cheque Prenda [ou um sentido agradecimento a quem me presenteou]

Até ao presente dia, nunca me ofereceram um cheque prenda. O que me leva a pensar que quem me presenteia são pessoas que me conhecem demasiadamente bem, ou são pessoas que partilham desta minha aversão a esse conceito, ou são pessoas que partilham da aversão e conhecem-me tão bem quanto eu me conheço.

Sou contra os cheques prendas por eles representarem a lei do menor esforço em dois sentidos: por um lado, a pessoa compra-os e pode ‘riscar-me’ da lista de prendas; depois porque é menos tempo que se gasta – e eu gosto que se gaste tempo comigo.

Por outro lado, sou também contra o cheque-prenda por eles serem sempre exclusivos ou de uma cadeia de lojas ou de um determinado centro comercial. Ou seja, o tempo que não gastaram comigo a procurar uma coisa que se adequasse, teria eu de gastá-lo numa loja que, provavelmente, até nem seria a da minha preferência. Se não compraram com receio de me ‘desapontar’, a escolha da loja poderia desapontar-me.

Finalmente, acho que a prenda tem de ser pessoal. E nisto sou ultra-conservador. E o cheque prenda é a coisinha mais impessoal que conheço. Porque se há uns anos era inconcebível oferecer um cheque prenda, o mesmo tipo de raciocínio leva-me a concluir que daqui a uns anos receberei um envelope com uma notinha de vinte euros lá dentro.
Carlos Malmoro

5 comentários:

Monalisa disse...

Digamos que essa é a metodologia do presente de casamento aplicada a todas as outras realidades. Resumindo e concluindo: o que a malta quer é dinheiro. Ou melhor: o que a maior parte valoriza é isso mesmo. Eu cá sou das tuas: percam tempo comigo, por favor. Adivinhem-me, please.

Pitucha disse...

Concordo em absoluto! Para uma prenda assim mais vale prenda nenhuma...
Beijos

Carlota disse...

Só se pode concluir que és um sortudo em matéria de prendas!
Eu estou de acordo contigo, mas vou um pouco mais longe. Sou contra a própria prenda. Abomino-a e sofro por ter de a comprar/de a receber.
Espero com ansiedade pelo dia em que me informem que já não sou obrigada a comprar mais prendas. Até lá, sofro em silêncio (não me abstendo, porém, de dedilhar sobre o assunto).
:)
Beijola.

Anónimo disse...

Monalisa, pitucha, carlota:

Retiro o que disse. Estive a pensar melhor e existiria um cheque prenda que receberia com todo o gosto: um que me oferecesse tempo ;)

Bjokas

Anónimo disse...

Não me parece assim tão grave como vocês dizem.

É claro que é melhor receber/oferecer um presente concreto, mas o cheque prenda, apesar de ser um esforço menor, não é (ou não tem de ser) o menor esforço! =)

Discordo da monalisa: Não é linear que as pessoas queiram dinheiro, o que acontece é que quando há fins concretos e específicos em vista os outros podem não acertar e aí o dinheiro facilita as coisas.

Discordo da pitucha: Um cheque-prenda é algo entre o dinheiro no envelope e a prenda propriamente dita. Não é tão pessoal como a prenda, mas é mais pensado que o dinheiro. A escolha da loja pode já ser uma forma de selecção temática do que queremos dar mas não pudemos/soubemos escolher e pode também mostrar algum conhecimento da pessoa.

Discordo da Carlota: Eu gosto de dar/receber presentes; o bom da oferta é, precisamente, a procura (por muito que ela possa, por vezes, ser desmotivante, mas quando se encontra a prenda ideal é sempre reconfortante); o bom da recepção é, como diz o Carlos, saber que gastaram tempo connosco e que nos conhecem minimamente.

Carlos:
Na tua ordem de ideias, tu não queres um cheque que te ofereça tempo, tu queres é que te ofereçam tempo, propriamente dito. Por isso, acho que podes manter a coerência. =)