27 março 2007

Psicoterapia

«Quanto é? 3,00€. E está aqui este folheto para ficar com o cartão da nossa loja….dá-lhe descontos, e pode pagar a crédito…» «Quanto devo? 5,00€. Já lhe falei nas vantagens do nosso cartão?...» «Quanto custa? 10,00€, e sabia que se tivesse o nosso cartão ficava-lhe em apenas 9,98€?» «Quanto? 7,00. Se tiver o nosso cartão fica em 6,95€, mas os cinco cêntimos só podem ser descontados em compras na nossa superfície se o valor das mesmas exceder 100,00€.»

É esta a vida de quem paga. Além de pagar, leva sempre com a oferta do cartão. Sinceramente, eu sei que as senhoras da caixa não devem ler este blogue, e também sei que estar a oferecer o cartão da casa a todos os clientes deve ser para as senhoras um aborrecimento que faz parte dos ossos do vosso ofício. Mas eu gostava de saber o que tenho de fazer para que não me oferecessem mais cartões. Embora digam o contrário, e volto a frisar que tenho plena consciência que faz parte das vossas obrigações, eu não iria enriquecer com esse dinheiro, nem seria ele que num futuro hipotético me livraria de ficar economicamente debilitado. Aliás, os vossos cartões que proporcionam crédito, têm uma taxa anual efectiva global (TAEG, gostaram do preciosismo?...) a TAEG dos vossos cartões, dizia eu, é tão alta que me conduziria rapidamente, não à debilidade económica, mas à mais completa miséria. (eu sei, estou a hiperbolizar, tal como vocês costumam fazer com um desconto de cinco cêntimos…)

Para finalizar, quero dizer que existe um cartão ao qual me vou render. É ao do hipermercado. Os descontos e o crédito são tão miseráveis, os primeiros, e tão alto, o segundo, como em todas as outras lojas. Mas é que eu, pura e simplesmente, já não suporto ouvir a pergunta: tem cartão? Eu passo lá todos os dias, e a paciência tem limites. Assim, depois de ter o cartão, antes de chegar a minha vez de fazer o pagamento, eu vou atirar logo com o cartão para cima das empregadas da caixa. Evitar-se-á a pergunta. E espero que não tomem este acto como agressivo. É antes em defesa, legítima, da minha sanidade mental e do vosso património: é que aos loucos dá-se sempre um desconto e é sempre bem maior que o do vosso cartão.
Carlos Malmoro

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