«Pôr uma abaixo»
Há dias, fases, momentos, nadas na vida em que temos de «pôr uma abaixo». Na condução, como muito bem sabemos, «pôr uma abaixo» significa uma redução de caixa, que tem como efeito imediato uma diminuição da velocidade do carro. Continuando a analogia, a vida quotidiana não se compadece com reduções de velocidades. Obriga-nos a andar sempre em quinta a fundo, sem tempo para analisar as curvas, os cruzamentos e todos os sítios de perigo acentuado, a distância ao próximo é reduzida, sempre em risco de colisão com este, e as rectas, aqueles locais onde se poderia desfrutar mais a condução, tentamos ultrapassá-las o mais rapidamente possível.
Mas se a redução de velocidade do veículo como consequência de meter uma abaixo seja o aspecto mais visível, imediato e indesejável desta manobra, ela dá-nos mais segurança, mais força e o carro fica com os pneus mais assentes na estrada. O que se perde em velocidade, ganha-se na segurança para abordar os perigos da vida e da estrada, em mais força para evitar a colisão com o próximo e os pneus colados aos asfalto dão-nos garantias de que podemos usufruir dos momentos prazeirentos da condução e da vida.
Exceptuando os casos em que só se conduz o carro e a vida em primeira velocidade (nesses casos é porque não se sabe guiar nem viver sem medo), sou um apologista que se deve realizar amiúde esta acção. Quando o trabalho sufoca, «meter uma abaixo» significa fazer menos trabalho, mas fazê-lo melhor; quando estamos no limiar de uma discussão sem sentido com a “pessoa”, «pôr uma abaixo» significa trocar um pouco da nossa «razão» pela segurança de continuar a tê-la ao nosso lado; e quando estamos a gozar umas férias, reduzir de velocidade significa trocar a ânsia de ver tudo por reparar nalgumas pequenas mas deliciosas coisas que sejam memoráveis. Faz-nos falta pôr uma abaixo mais vezes. Na condução e na vida.
Carlos Malmoro
Mas se a redução de velocidade do veículo como consequência de meter uma abaixo seja o aspecto mais visível, imediato e indesejável desta manobra, ela dá-nos mais segurança, mais força e o carro fica com os pneus mais assentes na estrada. O que se perde em velocidade, ganha-se na segurança para abordar os perigos da vida e da estrada, em mais força para evitar a colisão com o próximo e os pneus colados aos asfalto dão-nos garantias de que podemos usufruir dos momentos prazeirentos da condução e da vida.
Exceptuando os casos em que só se conduz o carro e a vida em primeira velocidade (nesses casos é porque não se sabe guiar nem viver sem medo), sou um apologista que se deve realizar amiúde esta acção. Quando o trabalho sufoca, «meter uma abaixo» significa fazer menos trabalho, mas fazê-lo melhor; quando estamos no limiar de uma discussão sem sentido com a “pessoa”, «pôr uma abaixo» significa trocar um pouco da nossa «razão» pela segurança de continuar a tê-la ao nosso lado; e quando estamos a gozar umas férias, reduzir de velocidade significa trocar a ânsia de ver tudo por reparar nalgumas pequenas mas deliciosas coisas que sejam memoráveis. Faz-nos falta pôr uma abaixo mais vezes. Na condução e na vida.
Carlos Malmoro

4 comentários:
E ter coragem ou discernimento suficientes para sabermos exactamente quando temos que o fazer?
É por essas e por outras que digo sempre que não quero ter razão, quero é ser feliz... se bem que normalmente esta afirmação enfurece os outros...
Desejo que te sintas bem e que ponhas uma abaixo tranquilamente sempre que precises. Beijinho, bom fim-de-semana
«trocar a ânsia de ver tudo por reparar nalgumas pequenas mas deliciosas coisas que sejam memoráveis»
Gosto desta!
Bem visto. Apercebi-me que faço isso de vez em quando. Deve ser um sistema interno de auto-regulação.
Beijos
125_azul,
Tentarei fazer sempre isso ;)
Beijocas
Cristina,
Tankx ;)
Beijocas
Papalagui,
Eu também tento. Nem sempre com sucesso ;)
Beijocas
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