Imagino que não deverá ser fácil pronunciar-se uma palavra com catorze letras sendo que nove delas são consoantes. Se para uma pessoa que não entende alemão, como é o caso, aquela palavra parece ser o insulto mais grave que se pode proferir contra alguém, já para um entendido em germânicas, Neuschwanstein significa «Novo Cisne de Pedra».

Foi construído por um homem, o rei Ludwig II, que tinha o vício de construir castelos. Nesta sua paragem, decidiu arquitectar um castelo que homenageasse as óperas de Wagner, com formas de castelo de cavaleiros, vulgo, conto de fadas, e que fosse uma obra com o máximo conforto, tendo para isso recorrido a algumas inovações para a época onde se incluíam telefone, elevador ou aquecimento central, ressalvando, obviamente, o significado que se podem atribuir a esses conceitos numa construção do século XIX. Porém, como tantos outros vícios em tantos outros homens, também este levou à ruína do adicto. Ludwig II apareceu morto num lago, não se sabendo ainda hoje se foi morto ou se suicidou quando compreendeu que estava arruinado. Deixou uma obra a todos os níveis admirável quer pela sua beleza, é o símbolo máximo do conceito de castelo de fadas, tendo servido de inspiração à Walt Disney para conceber o seu logotipo, quer pela inteligência utilizada para inovar no seu conforto.

O que me leva a terminar este arrazoado com uma pequena observação. Na caixa de comentários do post sobre a lista das minhas sete maravilhas favoritas, um leitor chamava-me à atenção para o facto de o Castelo de Neuschwanstein ser, digamos, pouco representativo para ser considerado uma delas. Permita-me que discorde. Entendo, aliás, que é aí que reside grande parte do meu interesse pela obra: não foi construído para representar nada, não tem nenhum significado escondido, não teve utilidade porque foi edificado, como diz a apresentação no site das sete maravilhas, numa época em que já não se utilizavam os castelos como meio de defesa de uma cidade. Foi feito apenas pelo sonho e imaginação de um homem alienado que quis erigir e deixar como legado algo que ele entendia como belo. E se a capacidade de conceber algo formalmente belo é exclusiva do ser humano, mais humana ainda é a capacidade de o apreciar. E isto também é válido para os mamarrachos.
Carlos Malmoro
4 comentários:
Muito bem!
Apesar de estar um tudinho a pender para concordar com o comentário de que falas, fiquei plenamente satisfeita com os argumentos que utilizas para defender a tua posição. Temos doutor! :)
Beijola.
Doutor em quê? ;)
Beijocas
Doutor em Defesa de Concretização de Sonhos, claro! ;))
Disso tenho toda a honra em sê-lo. E espero que com distinção. Mas só tu podes dizer isso :)
Beijocas
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