16 outubro 2007

Mudar de página

Levantar às seis e trinta. Cerca de duzentos quilómetros por dia. Um telemóvel com menos de um ano e com mais de cento e cinquenta horas de conversação. Ter dentro da cabeça uma empresa com dois mil clientes, saber manter um contacto profissional que, a despeito de estarmos no melhor ou no pior dos nossos dias, tem de ser cordial, sóbrio e atenciososo. Gerir a relação de setenta empregados. Sair com os miolos feitos em água e dirigir-me para a universidade. Deu-me a pancada da tese. Entrar em casa às onze e meia da noite. Tentar gerir a casa e os afectos. Antes de ir para cama, escrevo este texto a pergunto-me se tudo isto vale a pena, se não estou a esquecer-me das coisas mais importantes da vida, se vale a pena escrever este texto, se faz sentido um caos deste tipo, para ficar sem tempo para grande parte das minhas devoções e das minhas paixões, se vale a pena esta dor de cabeça que tenho, se vale a pena ter estudado para ter como recompensa um telefone com doze chamadas por responder, se vale a pena. Suponho que a vossa vida seja parecida com isto, mas nunca vos perguntais se vale a pena. Tenho que ir dormir. E tenho que mudar de página.


Versão original de Bob Seger aqui; Versão original do video aqui
Carlos Malmoro

8 comentários:

Carlota disse...

Não, a minha vida não tem nada que ver com essa roda-viva.
Mas apesar de me perguntar muitas vezes se o que faço vale a pena, não tenho grandes dúvidas acerca da resposta. E acho que tu também não...
:)

Leonor disse...

Todos nos perguntamos isso, uns mais que ouros é certo, mas essa é uma dúvida que persiste mesmo nos momentos de menos stress. Beijocas e ânimo :-)

Carlos Malmoro disse...

Carlota,
É claro que sei a resposta, mas por vezes, só por vezes, pergunto-me para que é esta roda vi(d)va.

Beijocas


Papalagui,
Quando escrevi isto estava demasiado sttressado: tinha acabado de ter um excelente fim de semana, onde descansei bastante, com as baterias recarregadas, e acabo a segunda feira a pensar que já não me conseguia mexer ou pensar. E isso desanima ;)

Beijocas

Cerejinha disse...

Mas depressa (consequência da roda viva) vem outro fim-de-semana e as baterias ficam prontas para recarregar. Acho que a "arte" está em saber demorar esses momentos...

Pitucha disse...

Tu vais achar estranho mas eu respirei de alívio quando percebi os motivos das tuas ausências! Género, ah é só isso?
Como vês, tudo é uma questão de perspectiva!
Beijos

Sinapse disse...

Eu sim, pergunto-me se vale a pena. E também por vezes, só por vezes, pergunto-me para que é esta roda vi(d)va ... muitas vezes, até. E ainda não encontrei resposta. Vou rodando e vivendo.

Sinapse disse...

Ânimo! ... e abranda!! ... porque essa 'rotina' que descreves não é uma roda-viva, isso é um carrossel descontrolado!

Carlos Malmoro disse...

Cerejinha,
E essa é a mais difícil das artes ;)

Beijocas

Pitucha,
Pensando bem, tens razão: já vi situações bem mais complicadas na minha vida.
Beijocas

Sinapse,
Foi naquilo que me meti. Conscientemente. E penso que será mais uma questão de hábito.
Beijocas