03 Fevereiro 2008

A Ronda da Noite

  • A Pitucha está deslumbrada com «Crime e Castigo» de Dostoievski. Não é para menos: para falar a sério sobre o livro eu necessitaria sempre de 718 elogiosas páginas para o caracterizar, o mesmo que a versão que cá por casa anda tem. Como não me vou meter nessa aventura, diria que se se queimasse todos os livros, e com bastante pena minha de tantos outros, talvez fosse este que eu pediria para deixar intacto;
  • A Carlota, agora minha colega no GR, faz uma observação na mouche: o barulho do computador parece-se muitíssimo com o som dos motores de um avião. Neste momento, o toshibazinho cá de casa está a fazer-se à pista: «Fala-vos o capitão Malmoro e sugiro que apertem os cintos - mas se entenderem por bem não o fazer eu não obrigo. Já agora pede-se aos senhores passageiros que decidam qual o destino do Boeing que eu ainda não sei para onde ir. Obrigado»
  • A Leonor gosta das palavras despojos e espargos. Eu também gosto da palavra despojos, mas nunca cogitei sobre espargos para lhe atribuir um gosto que não fosse aquele que eles têm no prato. Acho que o gosto por uma palavra está menos relacionado com o que ela significa, no dicionário ou para as nossas vidas, e mais com o som que emite. Eu adoro a palavra devastação. Ela não significa nada de bom, bem pelo contrário. Mas se se pode encontrar um denominador comum com as outras duas já aqui analisadas é que todas elas têm corpo, isto é, não são palavras magras têm por onde se lhe pegar;
  • O Hélder Franco, actualmente também meu colega no GR, teve a feliz iniciativa de fundar um blog sobre o metal. Recomendo para quem como eu gosta deste género de música e, para aqueles que pensam diferente de mim, é um óptimo sítio para desmistificar certos preconceitos em relação ao género rei do rock. O escriba deste arrazoado aguarda com expectativa textos sobre os Metallica, Megadeth ou Sepultura.

Carlos Malmoro

8 pontos de vista:

Pitucha disse...

Ainda não sei se "Crime e Castigo" será o meu livro de eleição. Mas que é um espanto, é!
Beijos

Carlota disse...

Um Boeing?... Pensei que fosse um AirBus. Pelo bem da economia europeia. :)
(A propósito: fiquei com uma dúvida sobre aquele post do outro dia sobre a localização do Ikea e a formação de mão-de-obra. A ver se vou lá esclarecer-me um dia destes.)

leonor disse...

Gosto dessa imagem das palavras que não são magras, mas eu gosto mesmo de espargos e não da palavra :-)

Carlos Malmoro disse...

Pitucha:
E o melhor do livro é que ele escreve aquilo como se fosse um texto normal, sem grandes recursos estilísticos...e depois sai aquele monumento ;)
Beijocas

Carlota,
pode ser o avião que a senhora passageira desejar. Comigo no comando do avião, o cliente é que ordena e outro galo cantaria em matéria de atrasos(provavalmente não saía do sítio:).
Em relação a Paços de Ferreira: como nessa cidade há uma grande tradição na indústria do mobiliário, o IKEA não teve necessidade de dar formação aos empregados. Pelo menos a mais básica.

Beijocas

Leonor,
Temos uma grave e penso mesmo que insanável divergência em relação aos espargos...Não sei como poderemos algum dia ultrapassar isto ;)

Beijocas

Carlota disse...

Pois, mas... porque é que os empregados do Ikea precisam de formação específica?... Eles não vão fabricar nada, apenas (e alguns) montar os móveis nos espaços de exposição. E isso qualquer um consegue fazer. Eu, por exemplo.
:)

Carlos Malmoro disse...

Carlota,
Há um pequeno equívoco. Em Paços de Ferreira vai ser feita mesmo uma fábrica. Com madeira, serrotes, lápis atrás da orelha e tudo :) Penso que estás a confundir com a loja que abriu em Matosinhos.

Beijocas

Carlota disse...

Ah, pronto, estou esclarecida. Assim já faz tudo mais sentido!
Beijola. :)

Hélder Franco disse...

Caro Carlos sobre os Sepultura vai ser difícil mas Metallica e Megadeath estão na forja até porque o metaleiro Dave Mustaine foi despedido dos Metallica por não saber cantar - é ele e eu. ;)