Munique não é um grande filme. É um bom filme. É um filme poderoso no argumento, imprevisível na narrativa e belo enquanto objecto estético (notável fotografia). É ainda um filme com uma excelente produção e com uma sonoplastia muito bem cuidada. Então o que lhe falta para ser um grande filme? Os pormenores. Erros de palmatória ao nível dos pormenores. A saber: - é minimamente plausível que membros de elite da mais reputada e organizada polícia secreta do mundo – a Mossad - possam parecer-se com aquele bandos de rapazolas que, inadvertidamente, dão informações top-secret a um completo desconhecido numa esplanada de Roma, ou que o membro indicado para a construção das bombas seja apenas um curioso, pois o seu verdadeiro trabalho é desmontá-las ou , finalmente, que caiam na mais velha armadilha do mundo da espionagem: uma apetecível senhora no bar de um hotel a implorar que façam amor com ela? A mim não me parece verosímil.
- Também não me parece lá muito verosímil que exista uma pessoa em Paris que saiba todos os nomes e todas as movimentações dos espiões de todo o mundo.
- Finalmente, é um filme com uma montagem muito fraquita, com flashbacks constantes e cenas que parecem descontínuas. As interpretações, não sendo fracas, não enchem o olho
Para rematar o filme, está a verdade que ainda hoje constatamos: no fim disto não haverá vencedores nem vencidos. Apenas as mortes não terão fim. De um lado e do outro. Um bom filme, sem dúvida.
Carlos Malmoro |
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