25 fevereiro 2006

Deixar de fumar

Antigamente, fumar era um sinal de afirmação. Hoje, deixar de fumar é um sinal afirmação.

O meu médico, sempre preocupado com a minha afirmação pessoal (e penso que com uma doença que o meu criador padece a que fico mais exposto por fumar, mas isso é o menos), disse que estava na altura de incrementar a minha auto-estima largando o vício.
Depois do choque, analisemos.
Historial:
Começo a fumar cigarros roubados ao criador aos 9 anos. Vou fumá-los para a cave da casa com uma amiga. Um dia, além dos cigarros, fiz-lhe uma cama muito bonita na cave. Olhou-me terna e longamente, sorriu, passou a língua entre os lábios e sussurrou como um regato límpido estas palavras de veludo: «Carlos, vai à fava!». Adiante.
Comecei a fumar «a sério» aos dezassete. A partir daí, e até aos vinte e quatro foi sem parar e em crescendo. No dia dezanove de Novembro de 1999, deixei de fumar. Sem reduções. De um dia para o outro, deu-me para isso. Durante quinze dias, perdi doze amigos e fiz dezoito novos inimigos. E nem foi necessário recorrer ao mau feitio intrínseco: a falta de nicotina realizou a proeza. Deve ser por isso que agora tenho um blogue: falta de amigos.

Recomecei a fumar aos 26 anos. Porquê? Como é que dizia o Einstein? «Só conheço duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. E quanto ao Universo, não tenho a certeza.» Exacto, recomecei a fumar porque o Einstein não tinha a certeza se o Universo é infinito.
Hoje, estou com 31 anos e 30 cigarros por dia.
Possibilidades:
1) Continuar a fumar (é mau para a minha afirmação, segundo o meu médico);
2) Parar de fumar de um dia para o outro, como fiz no passado (esta opção levanta um problema: se perco mais amigos, fico sem contactos…a não ser que crie mais um blogue);
3) Reduzir, força de vontade e pensos de nicotina (não quero adoptar esta opção: sempre pensei que um problema se resolvia com uma solução e não com três. Isso dos sistemas é na matemática);
4) Picada na orelha (é uma escolha que dizem que resulta em mais de 90% dos casos. Porém, (tem de haver sempre um porém, um mas, um contudo, não é?...) é dispendiosa.

Conclusões:
Telefonar à menina que me mandou «à fava» a convidá-la para fumar um cigarro comigo. A meias, como nos bons velhos tempos.
Carlos Malmoro

2 comentários:

Anónimo disse...

Your are Excellent. And so is your site! Keep up the good work. Bookmarked.
»

Anónimo disse...

Hey what a great site keep up the work its excellent.
»