02 abril 2006

João Paulo II - Um ano depois

Não creio. Sou a favor da Interrupção Voluntária da Gravidez. Defendo o uso do preservativo. Considero que a vida, se estiver a causar unicamente sofrimento, possa ser interrompida. Estas são as minhas convicções. As convicções do senhor Wojtyla eram diferentes. Ainda bem que as defendeu: uma pessoa que não defende as suas convicções, só porque a maioria possa estar contra elas, é vulgarmente chamado de cobarde, cacique, oportunista, enfim, por aí...
Apenas registo, passado um ano da sua morte, o legado que ele deixou: esteve contra o comunismo e o nacional-socialismo, vulgo, nazismo, estava agora contra o capitalismo neo-liberal; aproximou-se dos jovens, mas não deixou de prescindir de mostrar que a velhice, mesmo sofrida, é uma parte da condição humana,i.e.,resistiu à tirania da juventude que neste mundo assume proporções cada vez mais surrealistas - aos 45 anos, uma pessoa já não é válida para trabalhar...
Praticou o ecumenicismo, abrindo a Igreja ao diálogo com outras religiões, deixou o conforto do Vaticano e viajou pelo mundo inteiro, desde a mais cosmopolita das cidades ao mais inóspito sítio; foi um pregador incansável da paz, nunca renengando que existem certos momentos na vida que a força possa ser usada para libertar o Homem (ele foi o primeiro líder internacional a denunciar que a população muçulmana de Sarajevo estava sob cerco e que todos os meios eram válidos para prevenir o genocídio).
Há um ano, muitos elogios se ouviram. Aquele que eu considerei mais correcto, na altura, foi proferido pelo Presidente da Comunidade Islâmica Portuguesa: «João Paulo II foi o Papa dos crentes e dos não crentes.» Hoje, com a boçalidade da questão dos cartoons na agenda, talvez não fosse permitido a um líder muçulmano tal liberdade.
Agora que passa um ano sobre a sua morte, e uma vez que não sou crente, apenas desejo que descanse em paz e que a forma como percorreu a vida inspire a vida de certos cowboys que andam pelo mundo a provocar a morte.
Infelizmente, sei que este meu último desejo não se realizará...
Carlos Malmoro
PS: É impressão minha ou Karol Wojtyla conseguia ser mais enfático com uma palavra, dita distorcidamente por causa da doença, do que Bento XVI numa encíclica inteira?

3 comentários:

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