«- Pensam que eu estou zangado por eles dizerem disparates, laborarem em erro? Mentira! Até gosto que eles
disparatem, que laborem em erro! Enganarmo-nos é o único privilégio humano frente a todos os outros organismos! Quem erra, chega à verdade! Sou ser humano precisamente porque erro.Ainda ninguém chegou a uma verdade qualquer sem antes se ter enganado catorze vezes, ou talvez cento e catorze, e isso é um mérito, neste sentido. Mas não, nem sequer sabemos errar por nossa nossa própria cabeça! Diz-me um disparate, mas à tua maneira, aí dou-te um beijo. Um disparate nosso, à nossa maneira, é quase melhor que uma verdade alheia: no primeiro caso, somos seres humanos, no segundo somos passáros! Não é a verdade que foge de nós, mas é muito mais fácil dar cabo daquilo que é realmente vida: há exemplos disso. O que somos nós, agora? Todos nós, todos sem exclusão, em termos de ciência, de desenvolvimento, de pensamento, de descobertas, de ideais, de desejos, de liberalismo, de razão, de experiência, de tudo, tudo, tudo, tudo, andamos ainda no primeiro ano do liceu! Tomámos o gosto de nos satisfazermos com as ideias alheias, ganhámos esse hábito! Não é verdade? Não é verdade o que eu estou a dizer? - gritava Razumíkkhin, sacudindo e apertando os braços das duas mulheres. - Não é verdade?»
disparatem, que laborem em erro! Enganarmo-nos é o único privilégio humano frente a todos os outros organismos! Quem erra, chega à verdade! Sou ser humano precisamente porque erro.Ainda ninguém chegou a uma verdade qualquer sem antes se ter enganado catorze vezes, ou talvez cento e catorze, e isso é um mérito, neste sentido. Mas não, nem sequer sabemos errar por nossa nossa própria cabeça! Diz-me um disparate, mas à tua maneira, aí dou-te um beijo. Um disparate nosso, à nossa maneira, é quase melhor que uma verdade alheia: no primeiro caso, somos seres humanos, no segundo somos passáros! Não é a verdade que foge de nós, mas é muito mais fácil dar cabo daquilo que é realmente vida: há exemplos disso. O que somos nós, agora? Todos nós, todos sem exclusão, em termos de ciência, de desenvolvimento, de pensamento, de descobertas, de ideais, de desejos, de liberalismo, de razão, de experiência, de tudo, tudo, tudo, tudo, andamos ainda no primeiro ano do liceu! Tomámos o gosto de nos satisfazermos com as ideias alheias, ganhámos esse hábito! Não é verdade? Não é verdade o que eu estou a dizer? - gritava Razumíkkhin, sacudindo e apertando os braços das duas mulheres. - Não é verdade?»Fiódor Dostoiévski, Crime e Castigo (ou 'O Grande Livro das Sombras da Alma'), Parte III, Cap. I.
Carlos Malmoro

5 comentários:
Errar é humano. Mas como uma vez li (não sei onde, mas não fui eu que disse!), "atribuir o erro aos outros ainda é mais humano".
Beijos
É uma grande verdade, pitucha...Acho eu...bj
Nice colors. Keep up the good work. thnx!
»
Interesting site. Useful information. Bookmarked.
»
Interesting website with a lot of resources and detailed explanations.
»
Enviar um comentário