Vila de Rei
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Já há por aí muito alarido em relação a esta notícia. Que não senhor, que não pode ser. Que isto é desvirtuar o coração de Portugal. Que a alma daquela região vai ficar irremediavelmente perdida, enfim, o coro de protestos useiro e costumeiro do politicamente correcto.
Porém, a verdade é esta: uma pessoa afasta-se 80kms da costa e vê um país completamente ao abandono. É tudo muito bonito, as nossas vilas, com as suas remotas tradições, os rebanhos de cabras, os trajes, os cantares, as paisagens de perder de vista, etc, etc,. Mas depois, fecham-se maternidades por falta de casais jovens; os polos universitários e politécnicos idem, fazendo com que os estudantes e os quadros médios e superiores se desloquem para o litoral; as empresas fecham ou deslocalizam por falta de acessos e por falta de um clima empresarial onde possam estabelecer negócios de proximidade, enfim, cria-se um deserto autêntico a nível socio-económico que não permite a ninguém sonhar com um futuro para si e para os seus. Finalmente, o Poder Central nunca olha condignamente - e este condignamente significa exactamente com dignidade, e não com condescendência - para os problemas e necessidades destas pessoas.
E agora está tudo muito chocado porque uma senhora autarca, que, diga-se sem cerimónias, tem-os no sítio, apercebeu-se que o seu concelho, daqui a uma ou duas décadas, não estaria mais no mapa, e mandou chamar pessoas que quisessem fazer a sua vida e a vida de Vila de Rei. Se a senhora procedeu bem ou mal, existe uma coisa em Portugal que se chama democracia e que serve exactamente para julgar isso. Mas será sempre a população de Vila do Rei, e não a de Lisboa ou a do Porto, a fazer esse julgamento.
Para finalizar, a minha opinião: prefiro uma Vila de Rei com sotaque a uma Vila de Rei deserta.
Carlos Malmoro

7 comentários:
O problema é se um dia não te deixam lá entrar..
É a primeira vez que visito o blog, mas não podia deixar de comentar.
Realmente agora instalou-se a nova polémica por causa dos brasileiros que vão habitar em Vila de Rei.. eu pessoalmente não tenho nada contra, porque concordo com as palavras da presidente, quando ainda ontem questionada sobre a possibilidade de oferecer essas condições a portugueses dizia: "É muito pouco provável que um português se queira deslocar para Vila de Rei para ganhar o salário mínimo".
Para mim é um facto, os portugueses estão cada vez mais cheios de si.. e o que realmente me enerva é a recorrente situação do "Não fazem, nem deixam fazer".
É sempre um prazer em receber um girassol aqui no estaminé. Bem vinda seja. Quanto ao resto, está tudo dito na sua última frase: «Não fazem, nem deixam fazer.»
Carlos
E ainda te acontece como na Cova da Moura ou no Bairro da Torre: só lá entras com uma centena de polícias atrás de ti...
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