15 junho 2006

Coito Interrompido

O doente passa dezoito horas em jejum de sólidos e líquidos. Passa ainda o stress do pré-operatório. A família não pensa noutra coisa durante dias. Falta ao trabalho para o acompanhar. Torres de ecrãs, cabos, monitores e demais maquinaria é deslocada para o bloco operatório. O doente desce ao bloco e despede-se do filhote. Entra. Meia hora depois dizem-lhe que não pode ser operado por um erro processual e que os Serviços Administrativos já fecharam. Só segunda-feira. Entretanto, passam quatro dias em que o tumor maligno tem a oportunidade de justificar o seu nome.
Mas parece que a selecção do país ganhou 1-0 a Angola. E isso é o que verdadeiramente importa.
Carlos Malmoro

8 comentários:

Leonor disse...

Nem tenho palavras. Bjs

Carmim disse...

Nem dá para acreditar, mas é uma realidade, essas coisas acontecem vezes sem conta em vários hospitais do nosso país.
Da burocracia à falta de respeito pela preocupação e dor alheia, quem sofre, é quem infelizmente se vê obrigado a recorrer a estes sítios! =(

125_azul disse...

Não é possível comentar sem praguejar e ficar muiiiito zangada.

Pitucha disse...

Não pode ser verdade!
Beijos

Carlos Malmoro disse...

Papalagui:
Eu já tive palavras para meter um processo contra o tribunal. Bjs

Girassol:
Acredita.

125_azul:
Embora praquejar e ficar deveras irritado constitua uma boa hipótese de trabalho,eu prefiro o tipo meio distraído, simpático e com uma leve ponta de melancolia que, com um sorriso entrega o processo nos Serv. Jurídicos do Hospital...;). Foi o que fiz...

Pitucha: Acredita. Se quiseres até peço à minha advogada para te dar o n.º de processo.

A todas, a beijoca do costume com um bigado lá dentro

Leonor disse...

Acho que fizeste muito bem. Quem utiliza o serviço nacional de saúde sabe infelizmente a leviandade com se lida com a vida das pessoas. Um beijo grande

Carlos Malmoro disse...

Papalagui:
desculpa, não é um processo contra o tribunal, mas contra o hospital...

Leonor disse...

Pelo contexto eu percebi que era contra o hospital, muito embora às vezes também devêssemos pôr o tribunal em tribunal ;-)