Notas nas margens dos livros*
Por mais político que seja o tema do ensaio, um livro de Eduardo Lourenço é, antes de mais, uma singular obra de arte. A forma como ele pega nos assuntos e vai por ali fora, quase divagando, fazendo-nos crer, a determinada altura, que já nada do que nos é proposto tem realmente qualquer tipo de ligação com o objecto do ensaio; as voltas que dá, levando-nos a pensar que está a centrar-se no acessório e a fugir do fulcral; a demonstração que nos faz que também o lateral e o acessório devem ser apreendidos quando se pretende analisar um universo, e a suprema mestria de fazer tudo confluir para a ideia que nos quer transmitir, são particularidades que só estão ao alcance de raras penas.
*[adaptadas]
Carlos Malmoro

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