Do respeito
No próximo dia 11, vou votar sim. As duas mulheres mais importantes da minha vida, a minha mãe e a minha namorada, votaram «não» há oito anos. Por razões da vida e da morte, este ano a minha mãe não vota. Se o fizesse, sei que votaria, novamente, não. A minha namorada, está indecisa: votaria não se lhe garantissem que indignos espectáculos como o da Maia não voltariam a acontecer e se se criassem condições de higiene para que ao número de abortos não se juntasse um número de mulheres com lesões, inférteis ou mortas pelos abortos feitos em vão de escada; votaria sim se lhe garantissem que a mulher teria direito a um acompanhento do acto, com informação, dissuasão e análise que garantisse que o acto é realmente por opção da mulher e não por coacção da família, namorado, etc.
Mas nenhuma das duas opiniões, a minha ou a delas, é relevante aqui. O que é realmente relevante é que a minha mãe com a 4ª classe, e a minha namorada embora doutorada, uma pessoa simples que cresceu na aldeia, ambas cristãs e católicas, tenham mais democracia nelas do que aquelas nossas elites que passam a vida a defender a diversidade de opiniões, que estão constantemente a dar loas à liberdade de escolha, mas que, ao que parece pelos argumentos insidiosos, baixos, rascas, aduzidos por ambas as partes, volto a frisar, utilizados por ambas as partes nesta campanha para o referendo, parece que as nossas elites, dizia, não admitem quem pense diferente.
Nunca me senti atormentado por ser ateu junto delas, nunca olharam de esquina por ter convicções diferentes das delas, nunca me chamaram assassino pela posição que tomo neste referendo, sempre foram mais pela tolerância de Cristo do que pelo sacrifício do Vaticano, nunca tentaram mudar a minha posição, embora sempre me pedissem que me explicasse para que compreendam também a minha posição, isto é, e numa palavra, nunca me julgaram. Assim como eu tento compreender sem julgar a posição delas. E isto, embora parecendo, nada tem a ver com o amor; tem antes a ver com o respeito.
Carlos Malmoro

4 comentários:
Talvez o respeito tenha tudo a ver com o amor...e assim fica fácil ser democrático! Beijinho, semana feliz e bom voto
O facto de visitar diariamente o blog tem uma razão. A razão é que desse lado, a vista é boa. Quero dizer, quem alimenta este blog vê para além do comum, do banal. Procura a essência e, de facto, descobre-a. Bem haja por tudo o que escreves. O sim ou o não, postos dessa forma, teriam outro valor. Termino dizendo que as campanhas do não têm um tipo de comunicação rasca, muito abaixo do razoavelmente aceitável. É um espelho do que somos, infelizmente.
Mike (nodagravata.bolgspot.com)
Dizeste tudo!
125_azul,
Talvez, minha cara, talvez...;) Fico feliz pelo teu regresso. Este estaminé «alimenta-se» de gente amiga como tu;
Mike,
Obrigado pelo elogio que tenho de retribuir na mesma moeda, ou em dobrado, depois da visita que fiz ao seu blogue;
papalagui:
A bem da continuação deste blogue, espero que ainda não tenha dito tudo ;)
Beijos e Abraços
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