06 abril 2007

[cantigo anterior]

nasce-se de dentro para fora
para mais dentro cresce-se
e de fora para dentro morre-se

é assim que esta serra é continuamente morta
dando o seu sangue transparente
os pulmões de Deus e as sílabas do silêncio

é assim também que o mistério cresce
internando-se no coração do tempo

e é assim que eu me vou nascendo
batendo com os dedos pequenas interrogações
à porta do grande silêncio das palavras
intáctil genesiacamente mudo

no tempo em que eu fui um dedo de Deus
(aquele que Miguel Ângelo pintou)
eu vi Ele próprio criar-se
usou muito silêncio e mistério
o que sobrou colocou nesta serra

Pedro Sena Lino, [o ilimite do verde], incluso na colectânea Malcata 7 Geografias, Alma Azul

3 comentários:

david santos disse...

Olá!
Paseei para te felicitar pelo teu trabalho e desejar um final de semana feliz.

Anónimo disse...

não conhecia esta colectânea e agradeço a divulgação. belo poema.

Carlos Malmoro disse...

david santos:
Agradecido pelas felicitações.

Alice:
esta colectânea é constituída por sete trabalhos de sete jovens artistas (quatro poetas e três fotógrafos). Desde que a li, tenho prestado mais atenção ao trabalho de Pedro Sena-Lino. Obrigado pela visita