[cantigo anterior]
nasce-se de dentro para fora
para mais dentro cresce-se
e de fora para dentro morre-se
é assim que esta serra é continuamente morta
dando o seu sangue transparente
os pulmões de Deus e as sílabas do silêncio
é assim também que o mistério cresce
internando-se no coração do tempo
e é assim que eu me vou nascendo
batendo com os dedos pequenas interrogações
à porta do grande silêncio das palavras
intáctil genesiacamente mudo
no tempo em que eu fui um dedo de Deus
(aquele que Miguel Ângelo pintou)
eu vi Ele próprio criar-se
usou muito silêncio e mistério
o que sobrou colocou nesta serra
Pedro Sena Lino, [o ilimite do verde], incluso na colectânea Malcata 7 Geografias, Alma Azul

3 comentários:
Olá!
Paseei para te felicitar pelo teu trabalho e desejar um final de semana feliz.
não conhecia esta colectânea e agradeço a divulgação. belo poema.
david santos:
Agradecido pelas felicitações.
Alice:
esta colectânea é constituída por sete trabalhos de sete jovens artistas (quatro poetas e três fotógrafos). Desde que a li, tenho prestado mais atenção ao trabalho de Pedro Sena-Lino. Obrigado pela visita
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