09 maio 2007

David Lynch

Talvez inspirado em coisas sem sentido retratadas neste post da Leonor, trago hoje à colação David Lynch. Ressalvo que não sou um fanático das obras dele, e não penso, sequer, que qualquer coisa assinada pelo senhor constitua um novo paradigma da sétima arte. Os filmes recentes de Lynch pouco ou nada me dizem. Não que eu ache que são desmerecedores da «marca» Lynch; penso é que ele trilhou caminhos que não me apetece seguir... Vou falar de três obras dele: dois filmes e uma série.

A série, como já terão percebido, é Twin Peaks. Todas as séries de culto que hoje se idolatram começaram em 1990. O terrível homicídio da jovem Laura Palmer leva a Twin Peaks uma equipa do FBI para investigar o caso. À medida que a investigação avança, e os habitantes são confrontados com alguns resultados da mesma, os sentimentos, os laços familiares, as cumplicidades, enfim, tudo o que aproximava as pessoas naquela pequena cidade de 51201 habitantes, convertem-se em desconfianças, inseguranças, acusações. Um excelente exercício que nos prova que uma sociedade pode estar em guerra sem o uso de armas (físicas). E depois aquela banda sonora: mesmo que não víssemos a série, aquelas quatro notas de baixo com orquestração por trás seriam suficientes para explicar o que se estava ali a passar.

«Um Coração Selvagem». É um filme cheio de agressividade, perseguições, de suspense, uma boa panóplia de assassinos contratados, obsessões por Elvis e pelo «Feiticeiro de Oz». Enfim, aquilo que poderia parecer surreal é apenas um «Romeu e Julieta» dos tempos modernos. Laura Dern, uma filha de uma milionária, apaixona-se por Nicholas Cage. A mãe dela não está pelos ajustes, não pelo facto de ele ser um perdido, mas porque também está deslumbrada por ele. Um filme que aconselho.

Finalmente, o melhor filme de Lynch. Acho que nunca ninguém filmou de forma tão intensa. Vi-o pelo primeira com dez anos e lembro-me de ter chorado como um perdido. É extremamente belo e brutal. É o filme da minha vida. Aquele em que aprendi que nada do que aparenta é. Saímos da sala com uma nova visão do mundo: neste filme, é a vida que representa o cinema. Saímos da sala a perguntar o que é um ser humano. A perguntar o que é ser humano. Foi nomeado para oito óscares, não ganhou nenhum. Como as personagens olharam com desprezo para o protagonista, também a academia olhou com desconfiança para uma obra invulgar. Chama-se «O Homem Elefante».



Carlos Malmoro

4 comentários:

Ricardo disse...

Eu tenho uma relação de amor/ódio com o David Lynch (embora ele não saiba), mas o Mulholland Drive é um dos filmes da minha vida. Por várias razões.

125_azul disse...

Também chorei muito com o Homem Elefante. Sim, as aparências têm muito que se lhe diga! Beijinhos

Bino disse...

Só para dizer que fui eu quem matou Laura Palmer.

Carlos Malmoro disse...

Ricardo,
E quem te disse que ele não sabe? ;)

125_azul,
Então aqundo se vê novinho como eu o vi, aquilo parece um dilúvio ;)
Beijocas

binoc,
parabéns