França
Há alguns dias, andava eu em deambulações profissionais pelo Porto, quando um casal de turistas franceses abeirou-se de mim para me perguntar onde ficava a estação de metro mais próxima. Eu, como bom português que sou, facilitei-lhe a vida e respondi em francês. Indiquei-lhe o caminho, desejei ao parzinho uma boa estadia (temos de preservar o turismo, mesmo o dos franceses que andam de metro...) e despedi-me. Nisto vejo o homem muito espantado a perguntar se eu sabia falar francês. Um pouco, respondi-lhe eu. Se já tinha sido emigrante foi a pergunta que se seguiu. E eu lá disse que não, que era mesmo francês da escolinha. Agradeceu e desapareceu.
Esta pequena estória serve para legitimar um pouco mais o que eu penso, dos franceses. São um povo que se julga superior, arrogante q.b., que pensa que a Europa é constituída pelas suas Luzes e pelas trevas dos outros, que tentam à saciedade iluminar com a sua cultura infinitamente mais humana, e que entendem que um português é alguém que sabe lavar escadas e nunca alguém capaz de balbuciar onde fica uma estação de metro na melhor língua do mundo: a deles.
Talvez por isso concorde com Vasco Pulido Valente quando diz no Público de sexta-feira que «Apesar da cosmética, ele [Sarko] e Ségolène vivem noutra era e, no fundo, não importa muito qual dos dois se aplicará agora a conservar o “arcaísmo francês”». A França quer criar um directório para a Europa, onde mande ela, claro, pois só ela encarna o espírito europeu; quer criar uma União Mediterrânica, para dominar o Oeste Europeu, quando ainda não se apercebeu que dentro desse Mediterrâneo há um país [Espanha] que já «conta mais» internacionalmente, em alguns aspectos realmente importantes, do que a França, e quer ser amiga dos norte-americanos «porque sim», mas parece esquecer-se que, quer entre homens quer entre países, uma relação de amizade tem por base a confiança e essa não se conquista com palavras doces depois de desconfianças de décadas.
Para a economia, temos a ideia peregrina de um proteccionismo semelhante ao francês (com os resultados brilhantes que se conhecem) aplicado a toda a Europa, e não se fala uma vez que seja dos coitados e miseráveis agricultores gauleses que são os que mais dinheiros recebem desse saco sem fundo chamado PAC.
Não me interpretem mal, sei que a França é um grande país, tenho alguns bons amigos franceses, petulantes para com Portugal, claro, mas bons amigos, gosto de alguma cultura francesa, e há muitos filmes franceses protagonizados pela Mónica Bellucci. Não suporto o som e o gesticular da língua deles, é certo. Mas isso não chega para me considerar francófobo. O problema da França é que não teve ninguém que lhe mostrasse um espelho. Que lhe dissesse que antes de conquistar a admiração do mundo, tem de conquistar a admiração dos franceses e que antes de se tornar um país relevante para os outros, tem de ser o país dos franceses. Enquanto isso não suceder, enquanto não arrumar a casa, será sempre considerada como o vizinho quer administar o prédio sem saber administrar o seu próprio lar.
Esta pequena estória serve para legitimar um pouco mais o que eu penso, dos franceses. São um povo que se julga superior, arrogante q.b., que pensa que a Europa é constituída pelas suas Luzes e pelas trevas dos outros, que tentam à saciedade iluminar com a sua cultura infinitamente mais humana, e que entendem que um português é alguém que sabe lavar escadas e nunca alguém capaz de balbuciar onde fica uma estação de metro na melhor língua do mundo: a deles.
Talvez por isso concorde com Vasco Pulido Valente quando diz no Público de sexta-feira que «Apesar da cosmética, ele [Sarko] e Ségolène vivem noutra era e, no fundo, não importa muito qual dos dois se aplicará agora a conservar o “arcaísmo francês”». A França quer criar um directório para a Europa, onde mande ela, claro, pois só ela encarna o espírito europeu; quer criar uma União Mediterrânica, para dominar o Oeste Europeu, quando ainda não se apercebeu que dentro desse Mediterrâneo há um país [Espanha] que já «conta mais» internacionalmente, em alguns aspectos realmente importantes, do que a França, e quer ser amiga dos norte-americanos «porque sim», mas parece esquecer-se que, quer entre homens quer entre países, uma relação de amizade tem por base a confiança e essa não se conquista com palavras doces depois de desconfianças de décadas.
Para a economia, temos a ideia peregrina de um proteccionismo semelhante ao francês (com os resultados brilhantes que se conhecem) aplicado a toda a Europa, e não se fala uma vez que seja dos coitados e miseráveis agricultores gauleses que são os que mais dinheiros recebem desse saco sem fundo chamado PAC.
Não me interpretem mal, sei que a França é um grande país, tenho alguns bons amigos franceses, petulantes para com Portugal, claro, mas bons amigos, gosto de alguma cultura francesa, e há muitos filmes franceses protagonizados pela Mónica Bellucci. Não suporto o som e o gesticular da língua deles, é certo. Mas isso não chega para me considerar francófobo. O problema da França é que não teve ninguém que lhe mostrasse um espelho. Que lhe dissesse que antes de conquistar a admiração do mundo, tem de conquistar a admiração dos franceses e que antes de se tornar um país relevante para os outros, tem de ser o país dos franceses. Enquanto isso não suceder, enquanto não arrumar a casa, será sempre considerada como o vizinho quer administar o prédio sem saber administrar o seu próprio lar.

4 comentários:
Ficaste mesmo mal disposto com aquela pergunta que te fizeram ...
Não, já são contas antigas (i´m kidding).
Bem vindo aqui ao pedaço
Não, já são contas antigas (i´m kidding).
Bem vindo aqui ao pedaço
Não, já são contas antigas (i´m kidding).
Bem vindo aqui ao pedaço
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