É muito, bué mesmo, complicado
Ontem, sexta-feira, no jornal da tarde de uma qualquer TV, enquanto almoçava, era apresentada uma reportagem acerca das filas enormes que se juntaram para apresentar as candidaturas ao ensino superior. Portanto, pela amostra, os portugueses de amanhã, serão iguais aos de ontem e de hoje: deixam tudo para a última hora. Mas o mais trágico não é isto. O mais desesperante é que perguntaram a alguns alunos porque fizeram o processo de candidatura pelas vias normais e não pela internet e três deles disseram que assim poderiam ter quem os ajudasse a preencher a ficha porque esta "era complicada".
Eu tive acesso à ficha. A mesma era composta por um cabeçalho onde se pedia nome, morada e BI, um corpo para os códigos dos estabelecimentos/curso onde iam concorrer e um rodapé para perguntar se havia pré-requisitos para o curso e para assinarem. Desdobrando isto, no cabeçalho não havia dificuldade nenhuma. Para preencher o corpo bastava consultar os códigos que vinham no livro que acompanhava a ficha de candidatura e no rodapé bastava assinar e dizer se tinham concorrido a cursos que exigissem pré-requisitos, informação que também constava no tal livrinho.
Se um aluno que estudou 12 anos, fosse em que área fosse, não tem capacidade para preencher uma ficha destas, não merece entrar num curso superior. Mesmo com média de vinte, o preenchimento daquela ficha é tão primário que não se percebe como um aluno consegue acabar o secundário com positiva. E não estou a ser elitista em relação ao ensino superior, bem pelo contrário, estou a pedir o mínimo dos mínimos. Para finalizar quero apenas dizer que desta vez a culpa não é da ministra, nem do ministério, nem dos professores, nem dos pais, nem dos alunos. A culpa não é de ninguém e é de todos. Portanto, sendo Portugal o país que mais dinheiro investe na Educação em percentagem do PIB na UE, mais vale desistirem de tentar educar ou formar quem quer que seja e dedicarem-se todos, alegramente, à plantação de beterraba.
Carlos Malmoro

13 comentários:
Enquanto houver pais e professores que preencham os formulários aos meninos, não vamos a lado nenhum...
É menos cansativo fazer do que ensinar a fazer e infelizmente poucas pessoas preferem ensinar.
Bj
Papalagui,
Mas é que aquilo não tem nada para aprender ou para ensinar. Se queres que te diga a verdade, até achei um formulário muito bem feito, apenas com a informação necessária, numa única folha e sem nenhuns floreados ou burocracias desnecessárias.
Beijocas
Concordo, mas a questão é a autonomia que eles não têm e como há sempre, no caso de alguns, uma bengala, nem se dão ao trabalho.
Eu tinha nas matrículas marmanjos barbados de 18 anos de 11ºano com a mãe atrás para preencherem a papelada toda.
É incrível o que relatas no post! Não sabia, porque não vi notícias durante o fim-de-semana...
Mas a Papalagui também tem razão! A maioria dos jovens é muito pouco habilidosa para a generalidade das coisas básicas da vida.
A culpa é, obviamente, dos pais.
Eu, por exemplo, começo cedo a ter culpas no cartório. Por exemplo, é mais fácil vestir o Migas do que mandá-lo vestir-se. Poupo resmas de tempo e de paciência. Resultado: aos cinco anos, o Migas não sabe vestir-se sozinho. Se lhe peço para o fazer, corro o risco que ponha as cuecas do avesso, a t-shirt com a etiqueta para à frente, as meias com os calcanhares para cima, etc.
Quando imagino esta habilidade aplicada ao caso dos jovens, estou a ver um aspirante a engenharia no técnico a candidatar-se a Direito no Porto...
:)
Beijola e boa semana!
Lembro-me de no meu último ano de faculdade ter descoberto que uma colega de turma, na altura com 22 ou 23 anos, não sabia barrar o pão com manteiga nem sabia lavar o próprio cabelo.
Ainda hoje me pergunto como é que além de ter preenchido os formulários de acesso à universidade (que na altura - há mais de 15 anos - eram com bolinhas que não podiam ultrapassar as circunferências escolhidas) ela acabou o curso.
Mistérios...
Carlota,
Não são só os pais, os professores também fazem isso e é preciso muito treino para não ceder à tentação. Outra das coisa aparentemente básicas é tomar decisões. Não conseguem decidir o que preferem fazer, muito porque na Escola manda-se, não se pergunta. Eles próprios admitem que preferem ser mandados. São vícios que tento combater todos os dias e aulas.
Bjs
Não posso deixar de responder aqui à Papalagui, perguntando-lhe o que está ela porventura a insinuar com essa de que é preciso muito treino para não ceder à tentação... :))Terei de aumentar a minha descendência para treinar mais? ;D
Nada disso, estava a falar sobre nós professores, a tendência é dar respostas em vez de as exigir. Além disso, numa sala de aula deve ser mais fácil do que quando uma pessoa quer sair de casa porque tem horas e as cuecas estão vestidas do avesso ;-)
beijocas
Talvez seja insegurança, mais que inabilidade. Inseguranças alimentadas e perpetuadas pelos comportamentos descritos pela Papalagui e pela Carlota ...
Também, sinapse. É espantosa a baixa auto-estima que muitos adolescentes têm hoje e a forma como se "agarram" se lhe damos um bocadinho de atenção.
Papalagui, Carlota, Cerejinha e Sinapse,
A conversa está animada pelo que me resta como anfitrião perguntar: chá ou café? açúcar ou adoçante?
Beijocas
A esta hora, chá ... com açucar, sem leite.
Thank you!
;)
A esta hora, um aperitivo antes do jantar, sei lá, um mojito ou um vinho do Pico :-)
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