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15 julho 2007

É muito, bué mesmo, complicado

Ontem, sexta-feira, no jornal da tarde de uma qualquer TV, enquanto almoçava, era apresentada uma reportagem acerca das filas enormes que se juntaram para apresentar as candidaturas ao ensino superior. Portanto, pela amostra, os portugueses de amanhã, serão iguais aos de ontem e de hoje: deixam tudo para a última hora. Mas o mais trágico não é isto. O mais desesperante é que perguntaram a alguns alunos porque fizeram o processo de candidatura pelas vias normais e não pela internet e três deles disseram que assim poderiam ter quem os ajudasse a preencher a ficha porque esta "era complicada".
Eu tive acesso à ficha. A mesma era composta por um cabeçalho onde se pedia nome, morada e BI, um corpo para os códigos dos estabelecimentos/curso onde iam concorrer e um rodapé para perguntar se havia pré-requisitos para o curso e para assinarem. Desdobrando isto, no cabeçalho não havia dificuldade nenhuma. Para preencher o corpo bastava consultar os códigos que vinham no livro que acompanhava a ficha de candidatura e no rodapé bastava assinar e dizer se tinham concorrido a cursos que exigissem pré-requisitos, informação que também constava no tal livrinho.
Se um aluno que estudou 12 anos, fosse em que área fosse, não tem capacidade para preencher uma ficha destas, não merece entrar num curso superior. Mesmo com média de vinte, o preenchimento daquela ficha é tão primário que não se percebe como um aluno consegue acabar o secundário com positiva. E não estou a ser elitista em relação ao ensino superior, bem pelo contrário, estou a pedir o mínimo dos mínimos. Para finalizar quero apenas dizer que desta vez a culpa não é da ministra, nem do ministério, nem dos professores, nem dos pais, nem dos alunos. A culpa não é de ninguém e é de todos. Portanto, sendo Portugal o país que mais dinheiro investe na Educação em percentagem do PIB na UE, mais vale desistirem de tentar educar ou formar quem quer que seja e dedicarem-se todos, alegramente, à plantação de beterraba.
Carlos Malmoro