29 agosto 2003

NO COMMENT

Portugal, 28/08/2003: jovem de 9 anos dispara e mata o irmão de 4 anos, quando brincava na sala de jantar com a caçadeira do pai, que se encontrava carregada. No comment
Carlos Malmoro

OS SENTIDOS LITERAIS DE EXPRESSÕES FIGURADAS

Longe de querer criticar alguém por utilizar estas expressões - também eu as utilizo -, este texto apenas pretende demonstrar a insidiosidade da nossa Língua:
«Olha, fico na esplanada a matar o tempo» - Como é que se mata o tempo? à machadada, com a fisga ou será com armas de destruição maciça?
«Deixem-me em paz!» - Habitualmente, quando se utiliza esta expressão, é porque estamos em guerra com nós próprios. Sugestão:"Deixem-me em paz...com a minha guerra".
«Estás aqui?» Não é necessário explicar o ridículo desta expressão, bem como das suas congéneres «Já cá estás?» ou «Já chegaste?», quando a pessoa com quem falamos se encontra à  nossa frente.
«Bons olhos te vejam.» - Afinal, estamos contentes pela outra pessoa estar connosco ou pelo apurado e saudável sentido de visão que temos?
«- O trabalho está pronto amanhã, Sr. Joaquim? - Vamos ver.» - Responder desta forma ou «Prognósticos só no fim do jogo», é exactamente a mesma redundância.
«Querida, vou sair.» - Ora, se uma pessoa está dentro de casa, o único movimento que pode fazer é o de sair dessa mesma casa.
«Já vou!» - "Já" significa "agora, neste preciso momento", mas, no entanto, sempre que ouvimos esta expressão temos que esperar mais cinco minutos.
«Esta noite vou prá night.» Penso que nunca ninguém escutou o seu contrário (Neste dia, vou pró day), pelo caricato que se expunha.
«-Senhor Dr., o que é isto? - Isso não é nada!» Por vezes, os médicos deviam estar calados, porque, se não é nada, é porque é alguma coisa: uma dupla negação é uma afirmação.
«Estou fora de mim» - É a demanda que todos pretendemos realizar, com o objectivo último de alcançar o dom da ubiquidade. Para além disso, é também uma forma de dizer que estamos fartos desta camisa de forças que é o nosso corpo.
«Escusado será dizer...» - Ao pretendermos reforçar a ideia que iremos transmitir depois desta expressão, estamos a retirar-lhe força, pois "escusado", segundo o dicionário, é um adjectivo que significa "dispensável, desnecessário ou evitável". Porque, se é escusado, então não se diz.
Carlos Malmoro

19 agosto 2003

DE UMA VEZ POR TODAS!

Há um ano, neste mesmo mês de Agosto, a Alemanha, e toda a zona central da Europa, estavam a ser assoladas por violentas chuvas que resultaram em cheias e, consequentemente, mortes e avultados prejuízos materiais.
Este ano, no mesmo mês e na mesma zona, bateram-se recordes de temperaturas provocados, essencialmente, pelo baixo índice de humidade no ar, lamentando-se, igualmente, mais mortes pela fúria da canícula.
O Homem vai assumir, de uma vez por todas, que está a fazer estragos no clima, e tentar consertá-los, ou vai continuar a assobiar para o ar e desculpar-se com ditos populares do género: "Depois da tempestade, vem a bonança.", ou a afirmar levianamente que isto sempre aconteceu, mas, o que agora sucede, é que existe mais informação?
Carlos Malmoro

NO COMMENT

Eis uma fala de João Baião para Marisa Cruz, no programa Campeões Nacionais, da SIC (ou será que houve interferências do Canal 18?) :
" Marisa, agora vou-te dar umas voltinhas para ficares tonta. Depois, baixas-te e apanhas a cenoura...agora vem, vem mais para dentro, vem, vem mais rápido, força, vem, não deixes cair a cenoura, isso, vem, mais rápido, estás quase, depressa, força, força, vem, agarra-te bem à cenoura, vem,... conseguiste em 1 minuto e 18 segundos." No comment

MALMORO@PORTUGALMAIL.PT

Críticas, sugestões, opiniões e comentários aos textos, mandar o autor dar uma volta, chamar-lhe nomes, contar-lhe a vossa vidinha, pedir-lhe dinheiro, pedir que se cale, declarações de amor e de guerra, tudo, tudo para malmoro@portugalmail.pt.
Carlos Malmoro

SER OU NÃO SER...

Uma sondagem feita pela livraria Amazon, revela que há mais britânicos que se lembram do enredo do primeiro livro do Harry Potter, 66%, do que aqueles que se recordam da trama de «Hamlet», de Shakespeare, 28%.
A Existência humana está a ficar mais fútil: enquanto há uns séculos a premissa existencial era "Ser ou não ser: eis a questão", hoje, ela é: "Ou ser caixa de óculos e comprar uma vassoura voadora que não voa ou não ser cool: eis o marketing.
Carlos Malmoro

DÚVIDA

Se "pecado" é um substantivo do género masculino, por que razão os sete pecados mortais são todos substantivos do género feminino? A natureza feminina é assim tão inexorável, tão fatal, tão mortal?
Carlos Malmoro

31 julho 2003

A LUMINAR CLASSE

Apesar dos argumentos para a mudança do regime de permissões das escutas telefónicas aos mais altos representantes da Nação ( PR, PM, PAR e Ministros), em certa medida, serem válidos; apesar de não fazer sentido, num sistema judicial que se pretende moderno, o absurdo de tempo que se pode ficar detido sem acusação formada, e apesar do segredo de Justiça, de "segredo" só ter o nome, a verdade é que a Justiça teve de bater à porta da classe política, para esta se propor a fazer mais do que discursos niilistas, visitas às cadeias em época natalícia eoutros expedientes inconsequentes a que esta luminar classe já habituou o comum dos cidadãos.
Há um ano, alguém falava destas situações que, verdade seja dita, roçam o domínio do kafkiano? Há um ano, alguém publicava "Apelos" no Diário de Notícias, comparando a Justiça actual à do Estado Novo - curiosamente, como fez o advogado da "Fatinha" Felgueiras? Há um ano, algum político ficava consternado, mais do que cinco minutos, com os relatórios das Organizações Internacionais de Justiça e Direitos Humanos que alertavam e pediam rápida resolução destes mesmos problemas, ano após ano? As respostas são não, não e não.
Ironicamente, quem hoje pretende mudar a Legislação são exactamente os mesmos que a fizeram e aprovaram, mas, agora que a Justiça lhes bate à porta de olhos vendados, a primeira reacção corporativista que a classe política teve foi a de tentar retirar-lhe a venda. Na data em que escrevo isto, ela ainda continua
de olhos vendados. Até quando?
Carlos Malmoro

30 julho 2003

HAJA PACIÊNCIA

Na promoção do terceiro filme da saga "Terminator", o subtítulo diz isto " A Ascenção das Máquinas"... exacto, ascensão escrito com "ç" em vez do normal, e correcto, "s". Curiosamente, o apelido do Arnold está bem escrito. O que é que podemos concluir? Não podemos concluir nada, excepto que o analfabetismo funcional grassa transversalmente toda a sociedade portuguesa ou, parafraseando as "Abóboras Esmagadas", que existe ignorância e infinita estupidez.
Haja Paciência.
Carlos Malmoro

29 julho 2003

A JESSICA

No início, a Jessica foi resgatada aos vilões que a tinham brutalmente torturado. Encontrava-se num hospital, como prisioneira de guerra, onde recuperava de graves ferimentos em combate. A qualidade do enredo fez com que Hollywood piscasse os olhos à Jessica. Sinopse: jovem, com palminho de cara, é feita prisioneira em combate, torturada pelo inimigo e resgatada pelos homens bons, numa operação espectacular. Blockbuster garantido.
Depois, a Jessica já tinha sido resgatada do hospital, onde tinha sido abandonada pelos homens maus, padecendo dos seus ferimentos e torturas, a evanescer-se para a morte.
Posteriormente, a Jessica "teve alta" de um hospital onde não havia ninguém e no qual a nossa heroína estava a recuperar dos ferimentos provocados pelo acidente com o jipe onde seguia.
Finalmente: não havia ninguém no hospital, quem a salvou foram os homens maus, que forneceram as indicações do seu paradeiro aos soldados bons, após estes terem "corrido" aqueles à metralhadora, quando os maus a queriam entregar aos bons, dois dias antes. Soube-se também que a Jessica foi tratada segundo a Convenção de Genebra, pelos homens maus.
Nestes dédalos de mentiras e desmentidos, deixa-me fazer-te duas perguntas Jessica: ó Jessica, tu és feita de carne e osso ou és um holograma?; ó Jessica, o teu apelido é Lynch ou Rabbit?
Carlos Malmoro