30 abril 2006

Às pitinhas deste

...meu belo Portugal:

Depois de uma hora em 'revista de blogs', deixo-vos um conselho. Para se ter um blog igual ao da rititi ou ao da luna, é preciso ter pelo menos uma destas quatro características:
1)Um bocadinho, só um bocadinho, não sou muito exigente, de cultura;
2)Ter um mínimo de personalidade (inclui o bom-gosto);
3)Saber as regras gramaticais mínimas, e (o mais importante de tudo),
4)Saber descrever um gregório de forma exemplar.
Agora, reflecti, minhas lindas. E vão ver que chegamos todos à mesma conclusão: mais vale desistir.

Carlos Malmoro

O meu défice

Há duas coisas com as quais lido bastante mal: a injustiça e a impotência. Não consigo perdoá-las, esquecê-las ou ficar indiferente. No amor, elas abundam. Enfim, são as minhas sensações bestiais.

Carlos Malmoro

PS: bestiais, de bestas

28 abril 2006

Perspectivas XXIV

(pensamento básico para acabar com o absolutismo da razão. Ou uma forma de agradecimento ao mestre António Damásio por ter provado que a razão também é feita de emoção.)
O que nos distingue dos animais é a razão. E o que nos distingue dos robots é a emoção.


Carlos Malmoro

27 abril 2006

Perguntar não ofende

Por que caprichoso motivo nós temos três pessoas simpáticas, agradáveis e cultas 'atrás' de nós, e ficamos completamente obstinados por uma criatura com quem falámos há dois meses, durante dez minutos, num bar que já nem lembramos muito bem onde fica, e que nem nos recordamos do nome dela?
Carlos Malmoro

Há certos estudos

...que escusavam ser feitos. Pois se as estradas, que não sendo as melhores da Europa, já não são caminhos de cabras e o parque automóvel português já não se pode chamar propriamente de envelhecido, era preciso fazer um estudo para se chegar a esta conclusão?
Carlos Malmoro

Perspectivas XXIII

Série: L'amour...

Se não há chama, não vale a pena andar à cabeçada para ver se dá faísca.

Carlos Malmoro

Perspectivas XXII

Série: L'amour...

(tradução livre de uma expressão norte-americana)

A chama mais intensa é a que mais depressa se extingue.

Carlos Malmoro

26 abril 2006

Wall of Sound

Doze CD para os doze estados de espírito.

Aqui, através do Blog do Desassossego.

Carlos Malmoro

Os amigos servem para dizer

...estas verdades: «tu já te apercebeste que metade das nossas vidinhas já passou?»
Obrigado, N.

Carlos Malmoro

25 abril 2006

Negativo

O teu retrato depois de queimado pelas labaredas bruscas, retorna à forma de negativo como opaca flora a renascer do ventre da tundra.

Carlos Malmoro

Perspectivas XXI

O beijo é o fogo liso do lábio.

Carlos Malmoro

Perspectivas XX

A música é a prisão livre do som.

Carlos Malmoro

Perspectivas XIX

O sonho é a alma gémea do destino.

Carlos Malmoro

Perspectivas XVIII

A guerra é a brisa constante da dor.

Carlos Malmoro

Dedicatória

Uns e outros entrarão em desespero pela imensidão de palavras que te concedo. Mas será que eles não enxergam o hiato, o desconsolo, a lacuna, entre uma canção contigo e outra em que tu não nasças?

Carlos Malmoro

Perspectivas XVII

Há críticos literários, como este e Eduardo Prado Coelho, que fazem questão em transformar o prazer da leitura num sacrifício (ao contrário deste e deste).

Carlos Malmoro

24 abril 2006

Posso escrever neste

...estaminé sem temer represálias por causa 'disto':

Amor aos papéis

Passei a tarde toda com um amigo holandês que quer vir morar para Portugal. Andei com ele nas burocracias. Ao fim da tarde, fomos tomar um café a Viana. Diálogo com a cidade aos nossos pés:

Ele: Eu não compreendo os portugueses.
Eu: Porquê?
Ele: Vocês têm uma paisagem, um sol e as mulheres mais bonitas da Europa...
Eu: E?...
Ele: E eu não compreendo como é que vocês, com tanta beleza, se foram apaixonar por papéis e burocracia...
Eu:...erghh...ah...nem nós...

Carlos Malmoro

23 abril 2006

Perspectivas XVI

Humanidade não rima com bom senso.

Carlos Malmoro

Vergílio Ferreira

Geralmente, não gosto do Existencialismo. Particularmente, gosto de Vergílio Ferreira. Em traços gerais, podemos definir o Existencialismo como uma corrente literária em que a «Existência precede a Essência». Tirando as aspas à formulação de Sartre, nela está explícita que a Existência do indivíduo deve ser o paradigma primeiro da literatura.

É exactamente por isto que não gosto do Existencialismo na Literatura: transforma os romances e os poemas em autênticos tratados de filosofia. Prefiro ler Kierkegaard (o grande percursor do Existencialismo enquanto corrente filosófica e inspirador de muitos dos escritores existencialistas), e depois ler um bom romance, a ler aquela filosofia de Sartre, embrulhada como se de um romance se tratasse, em que as palavras que mais vezes se encontram são «eu» e o verbo «existir» conjugado até à «Náusea».

Vergílio Ferreira é um pouco diferente. O romance, isto é, a história, a narrativa, as personagens estão lá. Existe um mundo e uma circunstância. Também é verdade que subsiste o Existencialismo. Mas é um Existencialismo que se manifesta para servir riqueza do romance e não é o romance que serve de canal para expôr novas teses filosóficas.
Vergílio Ferreira é um escritor que tem a particularidade (que eu tanto aprecio) de ser um escritor do não-óbvio. E é aí que a sua obra brilha: ele não nos descreve as personagens, mas antes as sombras que elas projectam; ele não nos mostra a tecedura da narrativa, apresenta-nos os filamentos de que é feita; o tempo é psicológico e o espaço é uma quase dimensão paralela. Ele até ‘acaba’ romances com palavras inacabadas, como a dizer: esta é a última palavra do universo atrás descrito mas, como todos os universos, está incompleto.

Tenho para mim o «Alegria Breve» e o «Até ao Fim» como os romances maiores de Vergílio Ferreira, além de ler as suas «Conta-Corrente» aleatoriamente. Vergílio Ferreira escrevia romances cheios de névoa e entregava ao leitor a tarefa hercúlea de a dissipar. Escrevia romances esbatidos, mas romances que aclaravam de modo único «o espantoso milagre de estar vivo e o incrível absurdo da morte.»*
*in Aparição
Carlos Malmoro

22 abril 2006

Há sites assim:

com a capacidade de motivar através da desmotivação.



(clique para aumentar)

A minha motivação favorita:




20 abril 2006

Tanto se poderia dizer sobre estas quatro notícias que hoje aparecem nos jornais, mas só me ocorrem dois versos de Nick Cave: I wondered when this would be over / And at home we are all so guilty-sad.
Carlos Malmoro

Escrever

Escrever é uma constante derrota. Tentar traduzir realidades por sinais, tentar expressar emoções por signos, tentar desvendar personagens através de símbolos ou tentar desenhar pensamentos e ideias em letras, são actos falhados. Escrevo com inteira e absoluta consciência disso. Sei que por cada realidade que tento descrever, é um teatro que enceno; sei que por cada emoção que arrisco a expressar, é apenas uma impressão ténue que transmito; sei que por cada personagem que caracterizo, é uma máscara que nasce e sei que cada vez que tento conduzir um pensamento do cérebro até à ponta dos dedos, metade da sua essência fica pelo caminho


Escrever é uma constante derrota. Se eu afirmar uma coisa tão prosaica como «Hoje está a chover.», a miríade de possibilidades, nuances e matizes que se encontram dentro desta singela frase, deixaria os leitores completamente desarmados: muito ou pouco?, onde? em que dia escreveste isso?, ontem não estava?... E dentro dessas nuances, entraria o subjectivo: o que significa para ti muito? E mesmo se eu quantificasse em mililitros por metro quadrado, essa quantificação não passaria de uma média aritmética que generalizava a cidade onde eu vivia e as vinte e quatro horas do dia. Se escrever uma frase tão simples como esta, representa sempre uma derrota, porque nunca a explicaríamos na sua totalidade, é inconcebível tentar expressar a mais simples das emoções humanas.

Escrever é uma constante derrota. Por cada frase que escrevemos, deveríamos escrever uma biblioteca infinita de Borges. Escrevia-se a frase pretendida. A partir daí, explorávamos as possibilidades dessa frase. Dessas possibilidades, explorávamos cada uma individualmente e as bifurcações que elas permitiam. E continuaríamos nesta progressão geométrica até ao limite do infinito. Mas, como é dos livros, o infinito é exactamente a ausência de limites. Derrotado, portanto.

Escrever é uma constante derrota. Sabendo-o, continuo a tentar até a uma utópica vitória momentânea ou até à derrota final. Não por masoquismo. Não por pessimismo. Entro no texto, assim como entraria numa partida de xadrez contra o Kasparov – tendo a total noção de que os meus conhecimentos comparados com os dele se resumem a partículas, mas não deixando de aceitar o desafio. O desafio em que as minhas infinitésimas possibilidades de o vencer são proporcionalmente inversas àquilo que eu aprenderia com ele e, principalmente, comigo próprio. Através dos meus erros e da sua sabedoria.

Escrever é uma constante derrota. Aceito-o. Sei que é numa utopia em que entro quando entro num texto. Sei que haverá distorções. Sei que haverá pessoas transformadas em personagens, realidades travestidas de circo e jamais conseguirei um texto completo. Sei ainda que os meus pensamentos não estarão bem explanados, que as minhas emoções serão metamorfoseadas em ténues impressões, e que a minha voz não passará de um disforme sussurro. Mas prefiro um mau pensamento à acefalia. Prefiro uma impressão à insensibilidade. E, claro, prefiro um sussurro ao silêncio.
Carlos Malmoro

19 abril 2006

Perspectivas XV

Começar a namorar é melhor maneira de acabar com a paixão.

Carlos Malmoro

18 abril 2006

Qual é a utilidade...

de os portugueses suportarem um canal sem publicidade, se as séries como «Sete Palmos de Terra», acabam às duas e meia da manhã de um dia de semana?...
Carlos Malmoro
Sugestão ao programador d' «A Dois»: a próxima série de Sopranos, às três da matina de segunda para terça, parece-me uma boa hipótese de trabalho. Brincadeirinha...atreve-te, ó palhaço!...


17 abril 2006

Perspectivas XIV

«Do rio que tudo arrasta se diz que é violento / Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.»

«Infeliz do país que precisa de heróis. »

«Primeiro levaram os negros

Mas eu não me importei com isso

Eu não era negro


Em seguida levaram alguns operários

Mas eu não me importei com isso

Eu também não era operário


Depois prenderam os miseráveis

Mas eu não me importei com isso

Porque eu não sou miserável


Depois agarraram uns desempregados

Mas como tenho o meu emprego

Também não me importei


Agora levam-me

Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém

Ninguém se importa comigo.»

Bertold Brecht

Amar em círculos

Quando aos dez anos se ama uma criança de um ano, é-se internado num estabelecimento psiquiátrico.

Quando aos vinte se ama uma criança de dez, é-se preso por pedofilia.
Quando aos trinta se ama uma pessoa de vinte, é-se olhado de lado porque ele só quer «aquilo» dela.
Quando aos quarenta se ama uma pessoa de trinta, a de trinta anda atrás do nosso dinheiro.
Quando aos cinquenta se ama uma pessoa de quarenta, já ninguém acredita que é possível haver amor.
Quando aos sessenta se ama uma pessoa de cinquenta, os familiares do de sessenta perguntam se não é melhor mandá-lo para um lar.
Quando aos setenta se ama uma pessoa de sessenta, é-se internado num estabelecimento psiquiátrico.

Carlos Malmoro

A resposta correcta

...para o desafio que lancei neste post, era que tinha sido um homem a escrever o livro que recebera tais críticas: Leonard Cohen, para o romance «Beautiful Losers». Podem conferir desenvolvimentos na caixa de comentários do mesmo.

Carlos Malmoro

16 abril 2006

Beijos originais

Na senda alguns testes feitos na Internet, mas que propositadamente não publiquei, porque a exposição do ridículo também tem limites, deixo-vos com o meu resultado de Como são realmente os seus beijos?, que afirma que os meus beijos são originais. A pergunta que se impõe: isso significa exactamente o quê?

Carlos Malmoro

Perspectivas XIII

O engenho aguça a necessidade.

Carlos Malmoro

14 abril 2006

Van Gogh - Pieta d'apres Delacroix

13 abril 2006

Beckett e o Parlamento português

No dia em que passa um centenário sobre o nascimento de Samuel Beckett, as páginas dos jornais trazem isto:

119 deputados saíram para férias e já ninguém pôde votar: Oito propostas do Governo e um voto de protesto do CDS/PP contra o encerramento das maternidades de Barcelos, Santo Tirso e Bragança ficaram ontem, véspera de férias de Páscoa, por votar no Parlamento por falta de quorum de deputados. Dos 230, estavam no plenário apenas 111 parlamentares, quando são necessários, no mínimo, 116 para se poder proceder a votações.

Percebo agora que aquele «Tentar de novo. Falhar de novo. Falhar melhor.» foi escrito a pensar em Portugal.

Carlos Malmoro


12 abril 2006

Perspectivas XII

A melhor forma de se levar a vida de adulto é agir como uma criança.

Carlos Malmoro

11 abril 2006

Nós de gravata

Diálogo entre uma empregada de uma loja e um cliente:
Ele – Desculpe, como eu não sei fazer nós de gravata, a Srª não se importava de o fazer?
Ela – Com todo gosto. Qual é o tipo de nó que o Sr. deseja?
Ele – Aquele igual ao do Abel Xavier.
Eu (pensamento) – Quando o futebol até já inspira nós de gravata, podemos perder as esperanças de quaisquer laivos de civilização…
Carlos Malmoro
PS: Mentira! O que eu realmente pensei foi: quando estás com a tua mulher, também lhe pedes uma queca à Ronaldo?

O bem amado II

Quando há cerca de mês e meio vi «Capote», apercebi-me que a gabardina do protagonista era em tudo semelhante à que eu levei à sessão. Sendo que a acção decorre no tempo da Maria Cachucha, não devia vir para aqui choramingar de aos 31 não ter ninguém que me acompanhe aos casórios. É que a vestir assim, não se deve ter grandes ilusões.
Carlos Malmoro
PS: E não, não acredito que o Guarda-roupa do filme esteja errado...

Não se lê, mas

…se às escutas orwellianas, juntarmos a burguesia queirosiana, a burocracia kafkiana e os incêndios dantescos, temos de conceder que Portugal é um país eminentemente literário.
Carlos Malmoro

10 abril 2006

Um carolo

Comprei um teclado todo XPTO, sem fios, e um rato com as mesmas características. Saio da loja. Ando duzentos metros e entro numa livraria. Compro um romance de Philip Roth. Saíu-me mais caro o livro do que os dois instrumentos. Da próxima vez que alguém me vier dizer que a cultura não é cara, que é tudo uma questão de prioridades, que mais vale um livro do que uma ida à disco, blá blá blá, blá blá blá, coiso e tal, dou-lhe um carolo. A sério que dou. Dasse...
Carlos Malmoro

08 abril 2006

Vida Garfield

Sexta-feira: sair do trabalho pelas dezanove horas. Ter ainda uma agenda cheia de problemas inadiáveis para resolver.Estar-me positivamente cagando para eles. Dar meia volta ao carro. Fazer 150 Km para ir comer arroz de lulas a Sanxenxo. Ir beber um copo cheio de coisas boas a Vigo. Voltar para casa com todos os problemas inadiáveis resolvidos.

Carlos Malmoro

To my sweet oldest brother

We went into town on the tuesday night
Searching all the places that you hang about
We’re looking for you

In the back street cellar dive drinking clubs
In the discotheques and the gaming pubs
We’re looking for you

You will pay the price for my own sweet brother
And what he has become
And a hundred other boys and girls
And all that you have done
We picked up the trail at the seven crowns
One of your cronies - he was doing your rounds
We followed him

Just a silhouette figure up market pass
Where the headlamps shine on the broken glass
We followed him

Over the bridge by the old canal
Where the shadows dance on the lighted wall
He stopped to light up a cigarette
And we dived into a doorway

No police, no summons, no courts of law
No proper procedure, no rules of war
No mitigating circumstance
No lawyers fees, no second chance

There are lasses getting trouble on their own home beat
There are old folk battered in the open street
In this city of ours
There are eyes that see but say nothing at all
There are ears that hear but they don’t recall
In this city of ours
So we followed your man back to your front door
And we’re waiting for you outside’cos not everybody here is scared of you
Not everybody passes on the other side

No police, no summons, no courts of law, no courts of law
No proper procedure, no rules of war
No mitigating circumstance
No lawyers fees, no second chance

And we could spent our whole lives waiting
For some thunderbolt to come
And we could spent our whole lives waiting
For some justice to be done
Unless we make our own

No police, no summons, no courts of law
No proper procedure, no rules of war
No mitigating circumstance
No lawyers fees, no second chance


Carlos Malmoro

The Hunt - Sepultura

06 abril 2006

Homem ou Mulher

A mulher mais traumatizada pelo mau tempo que conheço, lançou um desafio: tratava-se de, através de um excerto do texto, descobrir se tinha sido um homem ou mulher a escrevê-lo. Vinha isto a propósito de saber até que ponto existia uma separação de águas entre escrita feminina e masculina. Pedindo permissão para a utilização da ideia (espero que não seja propriedade industrial como as ideias da Guidinha Rebelo Pinto), lanço o mesmo desafio mas noutros moldes: quem obteve as seguintes críticas a um livro seu – um homem ou uma mulher? (deixo em inglês por impossibilidade de tradução de algumas palavras / expressões)
«This is among other things the most revolting book ever written in (...)»

«I have just read the new novel and I’ve had to wash my mind.»

«Verbal masturbation.»

«We’ve overdrive and overkill and now we have oversex.»
«At it’s best (...) is a sluggish stream of concupiscence exposition of nausea»
Boa Sorte.
Carlos Malmoro

05 abril 2006

iPod - Playlist # 1

Track 1 - It's difficult. It's very tough. I said to the man who'd been sleeping rough / I wondered when this would be over /And at home we are all so guilty-sad / Now, I'm sitting pretty down on the bank /Life shuffles past at a low interest rate / In the money-coloured meadows / And all the interesting shadows / They leap up, then dissipate / Easy Money / Rain it down on the wife and the kids / Rain it down on the house where we live / Rain it down until you got nothing left to give /And rain that ever-loving stuff down on me.

Track 2 - In two more years, my sweetheart, we will see another view / such longing for the past for such completion / What was once golden has now turned a shade of grey / I've become crueler in your presence / They say: 'be brave, there's a right way and a wrong way' / This pain won't last for ever, this pain won't last for ever / Two more years, there's only two more years / Two more years, there's only two more years / Two more years so hold on

Track 3 – Rosemary / Oh heaven restores you in life / I spent a lifespan with no cellmate / The long way back / Sandy, why can't we look the other way? / You're weightless, semi-erotic / You need someone to take you there / Sandy, why can't we look the other way? / Why can't we just play the other game? / Why can't we just look the other way?

Track 4 - It's the only way of getting out of here / This is the modern way / Of faking it everyday / And taking it as we come / And we're not the only ones / Is that what we used to say / This is the modern way / This is the modern way

Track 5 - With one hand you calm me / With one hand I'm still / People are fragile things, you should know by now / Be careful what you put them through / People are fragile things, you should know by now / You'll speak when you're spoken to

Track 6 - The magicians secrets all revealed / And the preachers lies are all concealed / And all our heroes lack any conviction / They shout through the bars of cliche and addiction / So i've got to go / I've got to go, so here i go / I'm going to run the risk of being free // And in this drought of truth and invention / Whoever shouts the loudest gets the most attention / So we pass the mic and they've got nothing to say except: / "Bow down, bow down, bow down to your god" / Then we hit the floor / And make ourselves and idol to bow before, // Well i can't / And i wont / Bow down /Anymore.// No more.

Track 7 - people say that you'll die faster than without water, but we know it's / just a lie, scare your son, scare your daughter / now here's the sun, it's alright! now here's the moon, it's alright! / now here's the sun, it's alright! now here's the moon, it's alright! but everytime you close your eyes, lies!

(…)
Carlos Malmoro

04 abril 2006

Um destes dias vou deitar-me com Couves & Alforrecas.

Perspectivas XI

A humildade é a suprema vaidade.

Carlos Malmoro

Alberto João Jardim - uma pessoa coerente

Porquê tanto berreiro por Alberto João Jardim não querer comemorar o 25 de Abril? Se no 25 de Abril se celebra a liberdade e a democracia, então para quê festejar?

Carlos Malmoro

Perspectivas X

(ou como todas as generalizações são falaciosas):

Na mulher, o amor é a Prova Geral de Acesso ao sexo. No homem, o sexo é Prova Geral de Acesso ao amor.

Carlos Malmoro

O bem amado

O insucesso nas relações revela-se quando, aos 31 anos, olhamos para a agenda e não achamos ninguém indicado para servir de acompanhante a um casamento. E anda um pai a criar um filho para isto.

Carlos Malmoro

Oferta de emprego

Revisor: profissional que através de uma leitura vigilante, revê os manuscritos para encontrar erros ortográficos/gramaticais, contradições do enredo, incongruências das personagens. Também preciso de um revisor. Mas para a minha vida.

Carlos Malmoro

«- Pensam que eu estou zangado por eles dizerem disparates, laborarem em erro? Mentira! Até gosto que eles disparatem, que laborem em erro! Enganarmo-nos é o único privilégio humano frente a todos os outros organismos! Quem erra, chega à verdade! Sou ser humano precisamente porque erro.Ainda ninguém chegou a uma verdade qualquer sem antes se ter enganado catorze vezes, ou talvez cento e catorze, e isso é um mérito, neste sentido. Mas não, nem sequer sabemos errar por nossa nossa própria cabeça! Diz-me um disparate, mas à tua maneira, aí dou-te um beijo. Um disparate nosso, à nossa maneira, é quase melhor que uma verdade alheia: no primeiro caso, somos seres humanos, no segundo somos passáros! Não é a verdade que foge de nós, mas é muito mais fácil dar cabo daquilo que é realmente vida: há exemplos disso. O que somos nós, agora? Todos nós, todos sem exclusão, em termos de ciência, de desenvolvimento, de pensamento, de descobertas, de ideais, de desejos, de liberalismo, de razão, de experiência, de tudo, tudo, tudo, tudo, andamos ainda no primeiro ano do liceu! Tomámos o gosto de nos satisfazermos com as ideias alheias, ganhámos esse hábito! Não é verdade? Não é verdade o que eu estou a dizer? - gritava Razumíkkhin, sacudindo e apertando os braços das duas mulheres. - Não é verdade?»
Fiódor Dostoiévski, Crime e Castigo (ou 'O Grande Livro das Sombras da Alma'), Parte III, Cap. I.
Carlos Malmoro

02 abril 2006

João Paulo II - Um ano depois

Não creio. Sou a favor da Interrupção Voluntária da Gravidez. Defendo o uso do preservativo. Considero que a vida, se estiver a causar unicamente sofrimento, possa ser interrompida. Estas são as minhas convicções. As convicções do senhor Wojtyla eram diferentes. Ainda bem que as defendeu: uma pessoa que não defende as suas convicções, só porque a maioria possa estar contra elas, é vulgarmente chamado de cobarde, cacique, oportunista, enfim, por aí...
Apenas registo, passado um ano da sua morte, o legado que ele deixou: esteve contra o comunismo e o nacional-socialismo, vulgo, nazismo, estava agora contra o capitalismo neo-liberal; aproximou-se dos jovens, mas não deixou de prescindir de mostrar que a velhice, mesmo sofrida, é uma parte da condição humana,i.e.,resistiu à tirania da juventude que neste mundo assume proporções cada vez mais surrealistas - aos 45 anos, uma pessoa já não é válida para trabalhar...
Praticou o ecumenicismo, abrindo a Igreja ao diálogo com outras religiões, deixou o conforto do Vaticano e viajou pelo mundo inteiro, desde a mais cosmopolita das cidades ao mais inóspito sítio; foi um pregador incansável da paz, nunca renengando que existem certos momentos na vida que a força possa ser usada para libertar o Homem (ele foi o primeiro líder internacional a denunciar que a população muçulmana de Sarajevo estava sob cerco e que todos os meios eram válidos para prevenir o genocídio).
Há um ano, muitos elogios se ouviram. Aquele que eu considerei mais correcto, na altura, foi proferido pelo Presidente da Comunidade Islâmica Portuguesa: «João Paulo II foi o Papa dos crentes e dos não crentes.» Hoje, com a boçalidade da questão dos cartoons na agenda, talvez não fosse permitido a um líder muçulmano tal liberdade.
Agora que passa um ano sobre a sua morte, e uma vez que não sou crente, apenas desejo que descanse em paz e que a forma como percorreu a vida inspire a vida de certos cowboys que andam pelo mundo a provocar a morte.
Infelizmente, sei que este meu último desejo não se realizará...
Carlos Malmoro
PS: É impressão minha ou Karol Wojtyla conseguia ser mais enfático com uma palavra, dita distorcidamente por causa da doença, do que Bento XVI numa encíclica inteira?

Na mesa de cabeceira:

Para T

Estou velho para isto. Para este correr sem saber muito bem para onde. Para este trânsito raivoso. Para esta ditadura da beleza, do ser fixe, do estar sempre ‘feliz’, do rebanho, dos sítios in, da estereotipação dos gostos. Estou velho para sentir a necessidade de mudar de telemóvel de seis meses em seis meses, só para poder dizer que amo via imagem, e estou velho para ver quatro horas de telelixo diário.
Estou velho para a literatura light e para a literatura não-emocional, ou, se preferirem, asséptica. Estou velho para ‘ler’ poesia em videopoemas e em infopoemas e para me aperceber que os versos da poesia pós-moderna são meros aforismos. Estou velho para não ter a liberdade de dizer os clássicos sem que me chamem snob e para ser obrigado a dialogar num dialecto qualquer - que eu não conheço - onde existem as palavras 'prontos', 'quaisqueres', 'fostes',...

Estou velho para os créditos a cinquenta anos, para os «dinheiro’s já» e envelheço cem anos quando ouço a expressão «produtos financeiros de alta rentabilidade». Estou velho para as promessas do governo, da oposição, para as reivindicações sindicais e patronais, para o «agora é que é», para o endeusamento da economia, para as «reformas estruturais» e para os «temas fracturantes».
Estou velho para escutar os críticos de tudo e de nada, para os críticos dos críticos, para seguir as profecias do Prof. Marcelo, Pacheco Pereira, Miguel Sousa Tavares e quejandos, e tomar as suas declarações como verdades iluminadas.
Enfim, estou velho para a falta de bom senso. E depois vens tu e dizes «o teu mundo de afectos é muito bonito», rejuvenesço e fazes-me perceber que as pessoas são elixir da eterna juventude.
Carlos Malmoro

31 março 2006

Na estrada,

...há curvas tão apertadas que, por impulso, me levam a ligar o pisca. Já conheci pessoas assim. Apertadas.
Carlos Malmoro

A traição fatal

Vou fazer um restyling a este blog. Ai vou, vou.

Carlos Malmoro

P.S.: A propósito: ninguém conhece, ou tem ou faz, um template que tenha fundo branco quando é escrito e fundo preto quando se inserem imagens. É que é de um desses que eu ando à procura. Alguém...?!...Não?...Ninguém? Ok.

At the office today: RETRATOS DO TRABALHO EM PORTUGAL

29 março 2006

Cruzamento de dados em 2009

Com um obrigado à S. com Z, por me ter enviado isto, aqui fica:
- Telefonista: Pizza Hot, boa noite!
- Cliente: Boa noite, quero encomendar pizzas...
- Telefonista: Pode-me dar o seu NIN?
- Cliente: Sim, o meu número de identificação nacional é 6102-1993-8456-54632107.
- Telefonista: Obrigada, Sr. Lacerda. Seu endereço é Av. Paes de Barros,1988 ap. 52 B, e o número de seu telefone é 5494-2366, certo? O telefone do seu escritório da Lincoln Seguros é o 5745-2302 e o seu telemóvel é 962662566.
- Cliente: Como é que você conseguiu essas informações todas?
- Telefonista: Nós estamos ligados em rede ao Grande Sistema Central.
- Cliente: Ah, sim, é verdade! Eu queria encomendar duas pizzas, uma quatro queijos e outra calabresa...
- Telefonista: Talvez não seja uma boa ideia...
- Cliente: O quê?
- Telefonista: Consta na sua ficha médica que o Sr. sofre de hipertensão e tem a taxa de colesterol muito alta. Além disso, o seu seguro de vida proíbe categoricamente escolhas perigosas para a sua saúde.
- Cliente: É. Tem razão! O que você sugere?
- Telefonista: Por que é que o Sr. não experimenta a nossa pizza Superlight, com tofu e rabanetes? O Sr. vai adorar!
- Cliente: Como é que você sabe que vou adorar?
- Telefonista: O Sr. consultou o site "Recettes Gourmandes au Soja" da Biblioteca Municipal, dia 15 de janeiro, às 14:27h, onde permaneceu ligado à rede durante 39 minutos. Daí a minha sugestão...
- Cliente: OK, está bem! Mande-me duas pizzas tamanho familiar!
- Telefonista: É a escolha certa para o Sr., sua esposa e seus 4 filhos, pode ter certeza.
- Cliente: Quanto é?
- Telefonista: São 49,99.
- Cliente: Você quer o número do meu cartão de crédito?
- Telefonista: Lamento, mas o Sr. vai ter que pagar em dinheiro.O limite do seu cartão de crédito foi ultrapassado.
- Cliente: Tudo bem, eu posso ir ao Multibanco levantar dinheiro antes que chegue a pizza.
- Telefonista: Duvido que consiga, o Sr. está com o saldo negativo no banco.
- Cliente: Meta-se na sua vida! Mande-me as pizzas que eu arranjo o dinheiro.Quando é que entregam?
- Telefonista: Estamos um pouco atrasados, serão entregues em 45 minutos. Se o Sr. estiver com muita pressa pode vir buscá-las, se bem que transportar duas pizzas na moto não é aconselhável, além de ser perigoso...
- Cliente: Mas que história é essa, como é que você sabe que eu vou de moto?
- Telefonista: Peço desculpas, mas reparei aqui que o Sr. não pagou as últimas prestações do carro e ele foi penhorado. Mas a sua moto está paga, e então pensei que fosse utilizá-la.
- Cliente: @#%/§@&?#§/%#!!!!!!!!!!!!!
- Telefonista: Gostaria de pedir ao Sr. para não me insultar... Não se esqueça de que o Sr. já foi condenado em Julho de 2006 por desacato em público a um Agente Regional.
- Cliente: (Silêncio).
- Telefonista: Mais alguma coisa?
- Cliente: Não, é só isso... Não, espere... Não se esqueça dos 2 litros de Coca-Cola que constam na promoção.
- Telefonista: Senhor, o regulamento da nossa promoção, conforme citado no artigo 095423/12, proíbe a venda de bebidas com açúcar a pessoas diabéticas...
- Cliente: Aaaaaaaahhhhhhhh!!!!!!!!!!! Vou-me atirar pela janela!!!!!
- Telefonista: E torcer um pé? O Sr. mora no rés-do-chão!

Carlos Malmoro

Na piscina

...onde pratico natação, as mulheres são assim discriminadas:


SHAME ON YOU!!!!

Carlos Malmoro

Simplex?!?

Simplex?!?....

27 março 2006

Perspectivas IX

Diz-se que há males que vêm por bem. Mas são infinitamente mais os bens que vêm por mal.

Carlos Malmoro

Perspectivas VIII

- Eu sou assim: digo aquilo que penso.
- Devias ser assado: pensar naquilo que dizes.

Carlos Malmoro

26 março 2006

Por vezes, as «invejas» são boas


«Quando for grande quero ter umas estantes assim altas, com todos os livros lá dentro.» Deve ter sido este o meu primeiro pensamento quando visitei pela primeira vez a casa do geógrafo Orlando Ribeiro, em Vale de Lobos.
O meu pai dava-lhe assistência médica e, um dia, tinha eu sete anos, proporcionou-se que eu o acompanhasse nessa visita. Quando entrei na casa do geógrafo (para quem não sabe quem ele foi, consulte os livros de Geografia do secundário: a maior parte dos textos são dele) e fui para a sala, fiquei completamente fascinado com aquelas estantes, altas, até ao tecto, por todo lado, a forrarem literalmente as paredes com livros e mapas, mais livros do que alguma vez imaginara, planisférios enrolados naquele espaço entre o final das lombadas e o madeira da próxima prateleira e cartografias abertas sobre a mesa de trabalho. Eu também tinha de ter aquilo.
O meu pai e o professor Ribeiro lá iam falando das condições de saúde deste último. Eu continuava de boca aberta. Repararam em mim. O professor, com carinho, perguntou-me se eu queria levar algum emprestado. Não lhe respondi perguntando se já tinha lido aqueles livros todos. Ele replicou que a maior parte sim, mas que outros eram só de consulta. Voltou a perguntar se eu queria levar algum. Eu perguntei se me emprestava todos só por um dia. Os dois sorriram. Eu voltei a pensar: «um dia hei-de ter umas estantes assim. Com todos os livros lá dentro.» E jurei a mim mesmo lê-los de uma ponta a outra. Até os de consulta.



Hoje tenho algumas estantes com livros. Muitos livros. Não dão para forrar as paredes de casa na sua totalidade nem vão até ao tecto. Mas já vão estorvando e tirando rendimento mensal. Não cumpri a minha promessa de lê-los a todos. Alguns porque são de consulta, outros porque, muito honestamente, desiludiram-me. Mas ainda tenho trinta e um anos, e a possibilidade de ler e ter tantos livros como o Professor ainda não se pode dar como perdida. Já não digo o mesmo em relação à sua sabedoria. Mas não podemos ter tudo, não é?

Carlos Malmoro

25 março 2006

turner

23 março 2006

Perspectivas VII

Diz-se que dá deus nozes a quem não tem dentes. Também não é menos verdade dizer que dá deus dentes a quem não tem nozes.

Carlos Malmoro

Um dia hei-de entender. Prometo.

Nesta época de minidisc’s, DVD’s, Pen’s e outros gadget’s modernos de gravação, por que obscura razão o ícone que serve para 'Guardar' no Office (para os puros, «Save») é uma anacrónica e paleolítica disquete?
Carlos Malmoro

22 março 2006

O nome também se gasta

Depois de um dia de trabalho destes, a palavra que mais me irrita ouvir é «Carlos».

«Pessoas com defeito»

"Muitas vezes, as empresas exigem pessoas com menos de 25 anos e outras vezes reclamam porque nós mandamos pessoas com defeitos."

Será que há pessoas que «têm defeito»? As pessoas precisam de ter uma garantia de dois anos como as torradeiras? Ou será que as pessoas precisam de ser «normalizadas» pelas normas CE como as batatas, as bananas ou os espargos? Eu pensava que não… Até Sua Eminência, o Exmo Sr. Director do Centro do IEFP de Fafe, dizer o contrário. E se ela, a Sua Eminência, afirma uma bestialidade dessas, quem sou para a contrariar?
Carlos Malmoro

21 março 2006

Dia Mundial da Poesia III (vertiginoso jogo de palavras)

And the mercy seat is waiting / And I think my head is burning / And in a way I'm yearning / To be done with all this measuring of truth. / An eye for an eye / And a tooth for a tooth / And anyway I told the truth / And I'm not afraid to die. / And the mercy seat is burning / And I think my head is glowing / And in a way I'm hoping / To be done with all this weighing up of truth. / An eye for an eye / And a tooth for a tooth / And I've got nothing left to lose / And I'm not afraid to die. / And the mercy seat is glowing / And I think my head is smoking / And in a way I'm hoping / To be done with all this looks of disbelief. / An eye for an eye / And a tooth for a tooth / And anyway there was no proof / Nor a motive why. / And the mercy seat is smoking / And I think my head is melting / And in a way I'm helping / To be done with all this twisted of the truth. / A lie for a lie / And a truth for a truth / And I've got nothing left to lose / And I'm not afraid to die. And the mercy seat is melting / And I think my blood is boiling / And in a way I'm spoiling / All the fun with all this truth and consequence. / An eye for an eye / And a truth for a truth / And anyway I told the truth / And I'm not afraid to die. / And the mercy seat is waiting / And I think my head is burning / And in a way I'm yearning / To be done with all this measuring of proof. / A life for a life / And a truth for a truth / And anyway there was no proof / But I'm not afraid to tell a lie. And the mercy seat is waiting / And I think my head is burning / And in a way I'm yearning / To be done with all this measuring of truth. An eye for an eye / And a truth for a truth / And anyway I told the truth / But I'm afraid I told a lie.
Nick Cave - The Mercy Seat

Carlos Malmoro

O pior dia da semana

O meu pior dia da semana não é a Segunda-Feira. Considero-a, antes, o início do fim da semana – tem-se sempre de começar por algum lado.
A Terça-feira serve para embalar e, além disso, por motivos pessoais, é um dia especial. Quarta-Feira: chega-se ao fim do dia e sabe-se que mais de metade da semana está cumprida. É um primeiro alívio.
Sexta-feira: tudo está consumado.
Quinta-feira – o empecilho da quinta-feira. É o pior dia da semana. É o estorvo que está entre o meio e o fim-de-semana. É um dia chato. É aquele dia em que o trabalho corre sempre mal. É o dia em que, se somos empregados, o chefe começa por nos dizer: «Bom dia e que bela merda de trabalho você tem aqui.»; e é o dia em que, se somos patrões/chefes os empregados acabam sempre por fazer aquelas merdas que julgávamos impossíveis de serem realizados por humanos com [suposta] inteligência.
As quintas estão enguiçadas, sempre desconfiei, e cada vez tenho mais certezas disso. Nem quando o dia de S. Receber calha numa quinta feira, ela é menos penosa. Por outro lado, os colegas parece que estão mais irritantes do que nunca - mesmo aquela colega simpática do escritório, aquela que quando queremos aliviar um pouco a tensão a convidamos para o café, anda completamente carrancuda e deixou o sorriso colgate guardado dentro da respectiva pasta dentrífica.
Eu sei que tudo isto é uma embirração e uma estúpidez. Mas que outra coisa é a quinta-feira, senão um dia embirrento e estúpido?
Carlos Malmoro

Dia Mundial da Poesia II

«Se a natureza é a arte de Deus, a arte é a natureza do homem. » J. A. Pina

20 março 2006

Dia Mundial da Poesia

«Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.» Ricardo Reis

«Encher o vazio com nada.» e.e. cummings

«Tantos nomes que não há para dizer o silêncio - » Herberto Helder

«Vaza-me os olhos: continuarei a ver-te.
Tapa-me os ouvidos: continuarei a ouvir-te.» Rainer Maria Rilke

«Possam estes sinais permanecer
Quando tudo for ruínas outra vez.» W. B. Yeats

«Pensamento meu,
Quando me levarás onde te envio eu?» Anónimo

«No mundo há só um templo: o corpo humano.
É no céu que tocamos quando tocamos num corpo humano.» Novalis

«Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar» Luís Vaz de Camões

«Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades» Sophia

«A razão de eu escrever
É fazer algo
Tão belo como tu» Leonard Cohen


Carlos Malmoro

Turner

19 março 2006

Visões ao anoitecer de um domingo chuvoso


Estou na biblioteca infinita de Borges. Joyce propõe-se a escrever trezentas páginas acerca do melhor modo de se fritar e comer um rim ao pequeno-almoço. Franz Kafka ainda está irritado por não lhe terem queimado os escritos como era sua vontade testamental - como bom advogado, vai processar todos aqueles que leram, criticaram ou elogiram a sua Obra.

Marcel Proust quer escrever a oitava parte da Recherche: seiscentas páginas a descrever um sorriso numa única frase. Pessoa apoia a ideia e oferece-lhe um Porto para acompanhar as Madalenas: diz-lhe que não há melhor pomada para os acamados.

Camões e Shakespeare já não podem ouvir falar de poesia pós-moderna: um está a escrever uma Lírica a dizer mal da Poesia Minimalista e o outro a escrever uma peça de teatro de duas mil páginas, fora didascálias, em vinte actos, contra a Poesia Concreta. Termina assim: «Quando a poesia é representada por instalações, videopoemas e infopoemas, então há algo de muito podre no reino da Palavra.»

Acordo.

Carlos Malmoro

Perspectivas VI

Uma pessoa foi morta.

Dez pessoas foram mortas.

Cem pessoas foram mortas.

Mil pessoas foram mortas.

Um milhão de pessoas foram mortas.



Carlos Malmoro

Sou um tipo importante....

Fui alvo de uma tentativa de phishing aos dados da minha conta no banco norte-americano Chase Bank.
Só que há aqui um 'pequeníssimo' pormenor que escapou aos artistas que tentaram fazer isto: não tenho lá conta (nem nunca tinha ouvido falar em tal instituição)..Estes piratas informáticos de hoje não valem um cêntimo...
Carlos Malmoro

18 março 2006

Patrick Wolf - The Libertine

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17 março 2006

Arte contemporânea

A maior dificuldade dos empregados de limpeza daquele museu era distinguir o que era arte do que era lixo.

Carlos Malmoro

16 março 2006

Auto-elogio

Serve o presente para esclarecer que o anterior foi a coisinha mais desinspirada, mais insonsa, mais entediante e mais digna de competir com um qualquer valium ou lorenin, no que à indução de sono diz respeito, que alguma vez escrevi.
Podia apagá-lo mas mantenho-o. Para que a memória do que é uma triste figura ao teclado não esmoreça.
Tenho dito.

Carlos Malmoro

15 março 2006

Dia Mundial do Consumidor

Já o sabíamos. Mas é sempre bom confirmarmos com quem de direito: «Fornecedores contornam regras nas garantias dos produtos.»

Carlos Malmoro

14 março 2006

A propósito da morte de Milosevic...

...fica aqui um excerto do romance «A Vida e o Tempo de Michael K.». de J. M. Cotzee:
«Não é vergonha nenhuma ser um simples de espírito. Eles costumavam deter os simples de espírito antes dos outros. Agora têm campos para crianças cujos pais andam fugidos, campos para pessoas que estrebucham e deitam espuma pela boca, campos para pessoas com cabeças grandes e para pessoas com cabeças pequenas, campos para pessoas visivelmente sem recursos, campos para desempregados da agricultura, campos para pessoas que se encontram a viver junto dos canos de esgoto, campos para prostitutas, campos para idiotas, campos para pessoas que se esquecem dos seus cartões em casa, campos para pessoas que vivem nas montanhas e fazem explodir pontes durante a noite. Talvez seja verdade que já é suficiente estar fora dos campos, fora de todos os campos ao mesmo tempo. Quantas pessoas restam que não estão detidas, nem de guarda ao portão?»
Na Jugoslávia, no tempo de Milosevic, eram poucos aqueles que nem estavam detidos nem de guarda ao portão. Nem numa vala comum...
Carlos Malmoro

Se tu o dizes, quem sou eu para...

E aos 14 dias do Mês de Março do ano da Graça de 2006, C. decreta: «Já se vêm alguns decotes: está aberta a caça.»

Carlos Malmoro

Turner

13 março 2006

Profecia

Quando o clamor pela justiça se esbater
Na deriva dos ecos do silêncio, e os sonhos
De liberdade forem agrilhoados à vertigem
Do ter;
Quando a dor, a tristeza, a morte
E a fome se revelarem como destinos últimos
Da poesia, e os regressos quedarem-se como
Delírios por não existir ponto de partida;
Quando
A memória for trocada por um fotograma, a
Imaginação tiver como matriz o bite e a alma
Decifrada em códigos de barra;
Quando o último
Anjo da morte tomar o poder e desaparecer
O derradeiro espírito da estirpe que caminha
Na senda do elemento onírico;

Nesse dia, desesperadamente, entenderemos
Que o silêncio é o mais violento dos discursos.

Carlos Malmoro

Perspectivas V

Ela: Sempre bola, sempre bola…Que graça tem 22 homens a correr atrás de uma bola?
Ele: Que querias? 22 bolas a correr atrás de um homem?
Ela: Sempre era diferente e pelo menos tinha o mérito de o jogador, durante os 90 minutos, saber o que uma mulher sente numa sexta à noite.
Carlos Malmoro

Nem assim...

Numa visita à Palestina e a Israel, Sharon Stone afirmou que não se importava de dar os beijos necessários para que houvesse paz no Médio Oriente. Se nem assim as tréguas são declaradas, não esperem milagres: aqueles lábios valem mais para os homens do que mil acordos de paz.
Carlos Malmoro

12 março 2006

Os «Fundamentais»

«A Direcção-Geral da Saúde fez uma lista das cem mil pessoas "fundamentais para o país" e encomendou medicamentos antivirais para as proteger em caso de uma pandemia de gripe. Pelos cargos que ocupam, estes portugueses serão capazes de "manter as estruturas básicas do país a funcionar". É caso para perguntar: quem são os indispensáveis?» DN, 11/03/2006.
Normalmente, e como relata a notícia, os «fundamentais» seriam os profissionais da Saúde, Justiça, Protecção Civil, Educação, etc. Mas o que, olhando à nossa idiossincrasia enquanto país, vai acontecer é a distribuição segundo a cunha. Assim, terão direito ao Tamiflu, os seguintes «fundamentais»:
  • os construtores civis e empreiteiros (porque é preciso destruir o que resta de ordenamento);
  • a Administração Púbica toda, desde a Central à Local, desde os ministros ao 2º vogal assistente do 2.º secretário de Alfaquiques (porque nenhum país progride sem um bom prato de caos e uma lauta sobremesa de burocracia kafkiana, refeições que estes senhores sempre foram mestres em nos servir);
  • os dirigentes do futebol e os jogadores de futebol (que, respectivamente, vão cuidar que a corrupção continue a grassar e que os pontapés na gramática sejam uma realidade);
  • Finalmente, os responsáveis e empregados de centros comerciais (para evitar que os fins de semana de mais de 90% dos portugueses sejam passados a pensar na pandemia).

No final, a pandemia vai revelar-se um autêntico flop, como foram a Febre Aftosa, a BSE ou a Pneumonia Atípica, que, segundo previsões 'nada alarmistas', iriam causar milhões de mortes, planos de evacuação de cidades e a mudança radical no nosso quotidiano.

O mal destes episódios é que se vêm assemelhando à história do Pedro e do Lobo. E quando for realmente a sério, ninguém acudirá o Pedro.

Carlos Malmoro

Pollard Birches - V. Van Gogh - 1884

11 março 2006

Perspectivas IV

Uma pessoa tem defeitos e virtudes. Como um copo que está a meio.

Na paixão, olhas para o copo e dizes que está meio cheio de virtudes
.
No desprezo, olhas para o copo e dizes que está meio vazio de virtudes.

No amor, vês as duas perspectivas serenamente.

Carlos Malmoro

PS: Ou também podes beber...(lá se foi o romantismo...)

PPS: Todas as palavras foram retiradas do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Está bem assim, Pitucha?

10 março 2006

Tal pai, ...

Na cerimónia de posse de um novo Presidente, um homem que já foi presidente e foi candidato nas últimas edições, não se dignou a cumprimentar o Presidente empossado.
Esse homem, dizia há cerca de dezoito meses, que o actual Presidente daria um excelente Presidente da República.

Esse homem não aplaudiu o discurso do novo Presidente. Eu também não o faria: adormecia antes.

Esse homem é apelidado de «Pai da Democracia», mas não teve a democracia necessária para cumprimentar o adversário/sucessor.

Esse homem chama-se Mário Soares. É com resignação que coloco este nome num texto sobre um acto tão anti-democrático.

E quando o «Pai da Democracia» não tem a democracia, nem o civismo, nem a educação suficientes para cumprimentar aquele que o povo democraticamente elegeu para Presidente da República, então é bom que não se exija aos filhos da democracia grandes veleidades democráticas, nem se sonhe com uma sociedade civilizada ou educada. Porque, como se costuma dizer, tal pai, tal filho.

Carlos Malmoro

Perspectivas III

- Não te telefonei, mas tenho pensado bastante em ti.
- E eu telefonei.te...Mas para dizer que não penso mais em ti.

Carlos Malmoro

09 março 2006

Perspectivas II

-Uma coisa que gosto de fazer é conduzir sem destino.
-E quando conduzes sem destino para onde vais?
-?!?
-Não te faças de ingénuo: temos sempre um destino.

Carlos Malmoro

08 março 2006

Perspectivas

  • - P. a ligação está com pouca rede: estou a perder-te.
    - Não é só na ligação…
    - Que disseste, P., que não entendi.
    - Nada, S., nada…

  • Quando viam um episódio de novela mexicana, um dizia que a esperança é a última a morrer. O outro dizia que morrer é a última esperança.

  • Um dizia que era de mau carácter ter dois pesos e duas medidas. O outro dizia que o carácter até nem era mau. O chato era de ter de escolher a roupa.

Carlos Malmoro

07 março 2006

Apostas e Catherine Keener

Apostas: Realizador – falhei;

Filme – ao lado;

Actriz Secundária – água;

Actor principal – tiro no porta-aviões.

Mas falemos da água: a actriz Catherine Keener, nomeada para Óscar para Melhor Actriz Secundária (é a senhora que está na foto abaixo). Vi-a em «Queres ser John Malkovich?», «A Intérprete», «S1mOne» e neste «Capote». Em todos eles, mesmo quando o filme era mauzito, vi competência, vi sobriedade, vi excelência em actuações sempre em low-profile. Dá gosto ver e apreciar. Além disso, é uma mulher que não tendo uma beleza transcendental ou um corpo de deusa, é uma mulher misteriosamente bela. Que também dá gosto ver e apreciar.
Quando lhe perguntaram porque não tinha papéis mais marcantes ou porque não concorria para castings de personagens mais destacados, respondeu, simplesmente, que não tinha nascido para ser estrela. É pena.
Carlos Malmoro

Sovay - Andrew Bird

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05 março 2006

Aposto em Capote: Melhor Actriz

Aposto em Capote: Filme, Realizador e Actor

Entre-os-Rios, cinco anos depois.

04 março 2006

As Intermitências da Vida

  • Quando se escuta na rádio: «Um gato alemão morreu com a gripe das aves», perguntamo-nos se o humor non-sense tem alguma hipótese contra a realidade ou se o rádio não estava sintonizado na Monty Python’s Radio.

  • E ao terceiro dia do mês de Março do Ano da Graça do Senhor de 2006, Maya, a astróloga, teve este rasgo: «Lili tem uma nova cara em cima de um pescoço velho.» Soberbo! Letal! Absoluto!

  • Há uns anos, se lesse num jornal que «em 2005, os administradores do Metro do Porto receberam 650 mil euros de prémios de gestão, numa empresa altamente deficitária e cheia de derrapagens financeiras», vociferava neste estaminé que já não havia decência, dizia revoltado ao meus amigos que era por estas e por outras que o país não saía da cepa torta e podia mesmo cometer a loucura de escrever uma carta irada para um periódico de referência dizendo que «este país está perdido! Per-di-do!!!».
    Hoje, e sabendo que algum do dinheiro que custou a ganhar aos meus neurónios foi para aqueles senhores, regresso do estrangeiro, olho para a notícia e penso: «Finalmente, em Portugal». Chama-se a isto crescer. Cres-cer!!!

  • Quando se lê numa revista que Joss Stone quer deixar a música para ser parteira e que Sara Moniz (uma das meninas dos «Morangos com Açúcar») está farta de ser actriz e vai ser cabeleireira, agradeço e fico feliz pelas meninas se irem dedicar àquilo que realmente sabem fazer.

    Carlos Malmoro

Tudo o Que Há Para Saber de Adolph Eichmann

OLHOS:..........Normais
CABELO:..........Normal
PESO:..........Médio
ALTURA:..........Média
SINAIS PARTICULARES:..........Nenhum
NÚMERO DE DEDOS DAS MÃOS:..........Dez
NÚMERO DE DEDOS DOS PÉS:..........Dez
INTELIGÊNCIA:..........Média

Que esperavas?
Garras?
Incisivos enormes?
Saliva Verde?

Loucura?

Leonard Cohen, Flores Para Hitler

Carlos Malmoro

C�sar Cadimo

01 março 2006

Tabuadas

Amigos meus pediram ao filho que fizesse as tabuadas do sete, do oito e do nove. Passados dois minutos, ele aparece com as tabuadas do zero, do um e dois feitas. Justificação do miúdo: «as coisas mais simples são as mais complicadas. E agora, já posso ir brincar?»
Como advogado, o miúdo faz-se.

Carlos Malmoro