31 março 2006

Na estrada,

...há curvas tão apertadas que, por impulso, me levam a ligar o pisca. Já conheci pessoas assim. Apertadas.
Carlos Malmoro

A traição fatal

Vou fazer um restyling a este blog. Ai vou, vou.

Carlos Malmoro

P.S.: A propósito: ninguém conhece, ou tem ou faz, um template que tenha fundo branco quando é escrito e fundo preto quando se inserem imagens. É que é de um desses que eu ando à procura. Alguém...?!...Não?...Ninguém? Ok.

At the office today: RETRATOS DO TRABALHO EM PORTUGAL

29 março 2006

Cruzamento de dados em 2009

Com um obrigado à S. com Z, por me ter enviado isto, aqui fica:
- Telefonista: Pizza Hot, boa noite!
- Cliente: Boa noite, quero encomendar pizzas...
- Telefonista: Pode-me dar o seu NIN?
- Cliente: Sim, o meu número de identificação nacional é 6102-1993-8456-54632107.
- Telefonista: Obrigada, Sr. Lacerda. Seu endereço é Av. Paes de Barros,1988 ap. 52 B, e o número de seu telefone é 5494-2366, certo? O telefone do seu escritório da Lincoln Seguros é o 5745-2302 e o seu telemóvel é 962662566.
- Cliente: Como é que você conseguiu essas informações todas?
- Telefonista: Nós estamos ligados em rede ao Grande Sistema Central.
- Cliente: Ah, sim, é verdade! Eu queria encomendar duas pizzas, uma quatro queijos e outra calabresa...
- Telefonista: Talvez não seja uma boa ideia...
- Cliente: O quê?
- Telefonista: Consta na sua ficha médica que o Sr. sofre de hipertensão e tem a taxa de colesterol muito alta. Além disso, o seu seguro de vida proíbe categoricamente escolhas perigosas para a sua saúde.
- Cliente: É. Tem razão! O que você sugere?
- Telefonista: Por que é que o Sr. não experimenta a nossa pizza Superlight, com tofu e rabanetes? O Sr. vai adorar!
- Cliente: Como é que você sabe que vou adorar?
- Telefonista: O Sr. consultou o site "Recettes Gourmandes au Soja" da Biblioteca Municipal, dia 15 de janeiro, às 14:27h, onde permaneceu ligado à rede durante 39 minutos. Daí a minha sugestão...
- Cliente: OK, está bem! Mande-me duas pizzas tamanho familiar!
- Telefonista: É a escolha certa para o Sr., sua esposa e seus 4 filhos, pode ter certeza.
- Cliente: Quanto é?
- Telefonista: São 49,99.
- Cliente: Você quer o número do meu cartão de crédito?
- Telefonista: Lamento, mas o Sr. vai ter que pagar em dinheiro.O limite do seu cartão de crédito foi ultrapassado.
- Cliente: Tudo bem, eu posso ir ao Multibanco levantar dinheiro antes que chegue a pizza.
- Telefonista: Duvido que consiga, o Sr. está com o saldo negativo no banco.
- Cliente: Meta-se na sua vida! Mande-me as pizzas que eu arranjo o dinheiro.Quando é que entregam?
- Telefonista: Estamos um pouco atrasados, serão entregues em 45 minutos. Se o Sr. estiver com muita pressa pode vir buscá-las, se bem que transportar duas pizzas na moto não é aconselhável, além de ser perigoso...
- Cliente: Mas que história é essa, como é que você sabe que eu vou de moto?
- Telefonista: Peço desculpas, mas reparei aqui que o Sr. não pagou as últimas prestações do carro e ele foi penhorado. Mas a sua moto está paga, e então pensei que fosse utilizá-la.
- Cliente: @#%/§@&?#§/%#!!!!!!!!!!!!!
- Telefonista: Gostaria de pedir ao Sr. para não me insultar... Não se esqueça de que o Sr. já foi condenado em Julho de 2006 por desacato em público a um Agente Regional.
- Cliente: (Silêncio).
- Telefonista: Mais alguma coisa?
- Cliente: Não, é só isso... Não, espere... Não se esqueça dos 2 litros de Coca-Cola que constam na promoção.
- Telefonista: Senhor, o regulamento da nossa promoção, conforme citado no artigo 095423/12, proíbe a venda de bebidas com açúcar a pessoas diabéticas...
- Cliente: Aaaaaaaahhhhhhhh!!!!!!!!!!! Vou-me atirar pela janela!!!!!
- Telefonista: E torcer um pé? O Sr. mora no rés-do-chão!

Carlos Malmoro

Na piscina

...onde pratico natação, as mulheres são assim discriminadas:


SHAME ON YOU!!!!

Carlos Malmoro

Simplex?!?

Simplex?!?....

27 março 2006

Perspectivas IX

Diz-se que há males que vêm por bem. Mas são infinitamente mais os bens que vêm por mal.

Carlos Malmoro

Perspectivas VIII

- Eu sou assim: digo aquilo que penso.
- Devias ser assado: pensar naquilo que dizes.

Carlos Malmoro

26 março 2006

Por vezes, as «invejas» são boas


«Quando for grande quero ter umas estantes assim altas, com todos os livros lá dentro.» Deve ter sido este o meu primeiro pensamento quando visitei pela primeira vez a casa do geógrafo Orlando Ribeiro, em Vale de Lobos.
O meu pai dava-lhe assistência médica e, um dia, tinha eu sete anos, proporcionou-se que eu o acompanhasse nessa visita. Quando entrei na casa do geógrafo (para quem não sabe quem ele foi, consulte os livros de Geografia do secundário: a maior parte dos textos são dele) e fui para a sala, fiquei completamente fascinado com aquelas estantes, altas, até ao tecto, por todo lado, a forrarem literalmente as paredes com livros e mapas, mais livros do que alguma vez imaginara, planisférios enrolados naquele espaço entre o final das lombadas e o madeira da próxima prateleira e cartografias abertas sobre a mesa de trabalho. Eu também tinha de ter aquilo.
O meu pai e o professor Ribeiro lá iam falando das condições de saúde deste último. Eu continuava de boca aberta. Repararam em mim. O professor, com carinho, perguntou-me se eu queria levar algum emprestado. Não lhe respondi perguntando se já tinha lido aqueles livros todos. Ele replicou que a maior parte sim, mas que outros eram só de consulta. Voltou a perguntar se eu queria levar algum. Eu perguntei se me emprestava todos só por um dia. Os dois sorriram. Eu voltei a pensar: «um dia hei-de ter umas estantes assim. Com todos os livros lá dentro.» E jurei a mim mesmo lê-los de uma ponta a outra. Até os de consulta.



Hoje tenho algumas estantes com livros. Muitos livros. Não dão para forrar as paredes de casa na sua totalidade nem vão até ao tecto. Mas já vão estorvando e tirando rendimento mensal. Não cumpri a minha promessa de lê-los a todos. Alguns porque são de consulta, outros porque, muito honestamente, desiludiram-me. Mas ainda tenho trinta e um anos, e a possibilidade de ler e ter tantos livros como o Professor ainda não se pode dar como perdida. Já não digo o mesmo em relação à sua sabedoria. Mas não podemos ter tudo, não é?

Carlos Malmoro

25 março 2006

turner

23 março 2006

Perspectivas VII

Diz-se que dá deus nozes a quem não tem dentes. Também não é menos verdade dizer que dá deus dentes a quem não tem nozes.

Carlos Malmoro

Um dia hei-de entender. Prometo.

Nesta época de minidisc’s, DVD’s, Pen’s e outros gadget’s modernos de gravação, por que obscura razão o ícone que serve para 'Guardar' no Office (para os puros, «Save») é uma anacrónica e paleolítica disquete?
Carlos Malmoro

22 março 2006

O nome também se gasta

Depois de um dia de trabalho destes, a palavra que mais me irrita ouvir é «Carlos».

«Pessoas com defeito»

"Muitas vezes, as empresas exigem pessoas com menos de 25 anos e outras vezes reclamam porque nós mandamos pessoas com defeitos."

Será que há pessoas que «têm defeito»? As pessoas precisam de ter uma garantia de dois anos como as torradeiras? Ou será que as pessoas precisam de ser «normalizadas» pelas normas CE como as batatas, as bananas ou os espargos? Eu pensava que não… Até Sua Eminência, o Exmo Sr. Director do Centro do IEFP de Fafe, dizer o contrário. E se ela, a Sua Eminência, afirma uma bestialidade dessas, quem sou para a contrariar?
Carlos Malmoro

21 março 2006

Dia Mundial da Poesia III (vertiginoso jogo de palavras)

And the mercy seat is waiting / And I think my head is burning / And in a way I'm yearning / To be done with all this measuring of truth. / An eye for an eye / And a tooth for a tooth / And anyway I told the truth / And I'm not afraid to die. / And the mercy seat is burning / And I think my head is glowing / And in a way I'm hoping / To be done with all this weighing up of truth. / An eye for an eye / And a tooth for a tooth / And I've got nothing left to lose / And I'm not afraid to die. / And the mercy seat is glowing / And I think my head is smoking / And in a way I'm hoping / To be done with all this looks of disbelief. / An eye for an eye / And a tooth for a tooth / And anyway there was no proof / Nor a motive why. / And the mercy seat is smoking / And I think my head is melting / And in a way I'm helping / To be done with all this twisted of the truth. / A lie for a lie / And a truth for a truth / And I've got nothing left to lose / And I'm not afraid to die. And the mercy seat is melting / And I think my blood is boiling / And in a way I'm spoiling / All the fun with all this truth and consequence. / An eye for an eye / And a truth for a truth / And anyway I told the truth / And I'm not afraid to die. / And the mercy seat is waiting / And I think my head is burning / And in a way I'm yearning / To be done with all this measuring of proof. / A life for a life / And a truth for a truth / And anyway there was no proof / But I'm not afraid to tell a lie. And the mercy seat is waiting / And I think my head is burning / And in a way I'm yearning / To be done with all this measuring of truth. An eye for an eye / And a truth for a truth / And anyway I told the truth / But I'm afraid I told a lie.
Nick Cave - The Mercy Seat

Carlos Malmoro

O pior dia da semana

O meu pior dia da semana não é a Segunda-Feira. Considero-a, antes, o início do fim da semana – tem-se sempre de começar por algum lado.
A Terça-feira serve para embalar e, além disso, por motivos pessoais, é um dia especial. Quarta-Feira: chega-se ao fim do dia e sabe-se que mais de metade da semana está cumprida. É um primeiro alívio.
Sexta-feira: tudo está consumado.
Quinta-feira – o empecilho da quinta-feira. É o pior dia da semana. É o estorvo que está entre o meio e o fim-de-semana. É um dia chato. É aquele dia em que o trabalho corre sempre mal. É o dia em que, se somos empregados, o chefe começa por nos dizer: «Bom dia e que bela merda de trabalho você tem aqui.»; e é o dia em que, se somos patrões/chefes os empregados acabam sempre por fazer aquelas merdas que julgávamos impossíveis de serem realizados por humanos com [suposta] inteligência.
As quintas estão enguiçadas, sempre desconfiei, e cada vez tenho mais certezas disso. Nem quando o dia de S. Receber calha numa quinta feira, ela é menos penosa. Por outro lado, os colegas parece que estão mais irritantes do que nunca - mesmo aquela colega simpática do escritório, aquela que quando queremos aliviar um pouco a tensão a convidamos para o café, anda completamente carrancuda e deixou o sorriso colgate guardado dentro da respectiva pasta dentrífica.
Eu sei que tudo isto é uma embirração e uma estúpidez. Mas que outra coisa é a quinta-feira, senão um dia embirrento e estúpido?
Carlos Malmoro

Dia Mundial da Poesia II

«Se a natureza é a arte de Deus, a arte é a natureza do homem. » J. A. Pina

20 março 2006

Dia Mundial da Poesia

«Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.» Ricardo Reis

«Encher o vazio com nada.» e.e. cummings

«Tantos nomes que não há para dizer o silêncio - » Herberto Helder

«Vaza-me os olhos: continuarei a ver-te.
Tapa-me os ouvidos: continuarei a ouvir-te.» Rainer Maria Rilke

«Possam estes sinais permanecer
Quando tudo for ruínas outra vez.» W. B. Yeats

«Pensamento meu,
Quando me levarás onde te envio eu?» Anónimo

«No mundo há só um templo: o corpo humano.
É no céu que tocamos quando tocamos num corpo humano.» Novalis

«Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar» Luís Vaz de Camões

«Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades» Sophia

«A razão de eu escrever
É fazer algo
Tão belo como tu» Leonard Cohen


Carlos Malmoro

Turner

19 março 2006

Visões ao anoitecer de um domingo chuvoso


Estou na biblioteca infinita de Borges. Joyce propõe-se a escrever trezentas páginas acerca do melhor modo de se fritar e comer um rim ao pequeno-almoço. Franz Kafka ainda está irritado por não lhe terem queimado os escritos como era sua vontade testamental - como bom advogado, vai processar todos aqueles que leram, criticaram ou elogiram a sua Obra.

Marcel Proust quer escrever a oitava parte da Recherche: seiscentas páginas a descrever um sorriso numa única frase. Pessoa apoia a ideia e oferece-lhe um Porto para acompanhar as Madalenas: diz-lhe que não há melhor pomada para os acamados.

Camões e Shakespeare já não podem ouvir falar de poesia pós-moderna: um está a escrever uma Lírica a dizer mal da Poesia Minimalista e o outro a escrever uma peça de teatro de duas mil páginas, fora didascálias, em vinte actos, contra a Poesia Concreta. Termina assim: «Quando a poesia é representada por instalações, videopoemas e infopoemas, então há algo de muito podre no reino da Palavra.»

Acordo.

Carlos Malmoro

Perspectivas VI

Uma pessoa foi morta.

Dez pessoas foram mortas.

Cem pessoas foram mortas.

Mil pessoas foram mortas.

Um milhão de pessoas foram mortas.



Carlos Malmoro

Sou um tipo importante....

Fui alvo de uma tentativa de phishing aos dados da minha conta no banco norte-americano Chase Bank.
Só que há aqui um 'pequeníssimo' pormenor que escapou aos artistas que tentaram fazer isto: não tenho lá conta (nem nunca tinha ouvido falar em tal instituição)..Estes piratas informáticos de hoje não valem um cêntimo...
Carlos Malmoro

18 março 2006

Patrick Wolf - The Libertine

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17 março 2006

Arte contemporânea

A maior dificuldade dos empregados de limpeza daquele museu era distinguir o que era arte do que era lixo.

Carlos Malmoro

16 março 2006

Auto-elogio

Serve o presente para esclarecer que o anterior foi a coisinha mais desinspirada, mais insonsa, mais entediante e mais digna de competir com um qualquer valium ou lorenin, no que à indução de sono diz respeito, que alguma vez escrevi.
Podia apagá-lo mas mantenho-o. Para que a memória do que é uma triste figura ao teclado não esmoreça.
Tenho dito.

Carlos Malmoro

15 março 2006

Dia Mundial do Consumidor

Já o sabíamos. Mas é sempre bom confirmarmos com quem de direito: «Fornecedores contornam regras nas garantias dos produtos.»

Carlos Malmoro

14 março 2006

A propósito da morte de Milosevic...

...fica aqui um excerto do romance «A Vida e o Tempo de Michael K.». de J. M. Cotzee:
«Não é vergonha nenhuma ser um simples de espírito. Eles costumavam deter os simples de espírito antes dos outros. Agora têm campos para crianças cujos pais andam fugidos, campos para pessoas que estrebucham e deitam espuma pela boca, campos para pessoas com cabeças grandes e para pessoas com cabeças pequenas, campos para pessoas visivelmente sem recursos, campos para desempregados da agricultura, campos para pessoas que se encontram a viver junto dos canos de esgoto, campos para prostitutas, campos para idiotas, campos para pessoas que se esquecem dos seus cartões em casa, campos para pessoas que vivem nas montanhas e fazem explodir pontes durante a noite. Talvez seja verdade que já é suficiente estar fora dos campos, fora de todos os campos ao mesmo tempo. Quantas pessoas restam que não estão detidas, nem de guarda ao portão?»
Na Jugoslávia, no tempo de Milosevic, eram poucos aqueles que nem estavam detidos nem de guarda ao portão. Nem numa vala comum...
Carlos Malmoro

Se tu o dizes, quem sou eu para...

E aos 14 dias do Mês de Março do ano da Graça de 2006, C. decreta: «Já se vêm alguns decotes: está aberta a caça.»

Carlos Malmoro

Turner

13 março 2006

Profecia

Quando o clamor pela justiça se esbater
Na deriva dos ecos do silêncio, e os sonhos
De liberdade forem agrilhoados à vertigem
Do ter;
Quando a dor, a tristeza, a morte
E a fome se revelarem como destinos últimos
Da poesia, e os regressos quedarem-se como
Delírios por não existir ponto de partida;
Quando
A memória for trocada por um fotograma, a
Imaginação tiver como matriz o bite e a alma
Decifrada em códigos de barra;
Quando o último
Anjo da morte tomar o poder e desaparecer
O derradeiro espírito da estirpe que caminha
Na senda do elemento onírico;

Nesse dia, desesperadamente, entenderemos
Que o silêncio é o mais violento dos discursos.

Carlos Malmoro

Perspectivas V

Ela: Sempre bola, sempre bola…Que graça tem 22 homens a correr atrás de uma bola?
Ele: Que querias? 22 bolas a correr atrás de um homem?
Ela: Sempre era diferente e pelo menos tinha o mérito de o jogador, durante os 90 minutos, saber o que uma mulher sente numa sexta à noite.
Carlos Malmoro

Nem assim...

Numa visita à Palestina e a Israel, Sharon Stone afirmou que não se importava de dar os beijos necessários para que houvesse paz no Médio Oriente. Se nem assim as tréguas são declaradas, não esperem milagres: aqueles lábios valem mais para os homens do que mil acordos de paz.
Carlos Malmoro

12 março 2006

Os «Fundamentais»

«A Direcção-Geral da Saúde fez uma lista das cem mil pessoas "fundamentais para o país" e encomendou medicamentos antivirais para as proteger em caso de uma pandemia de gripe. Pelos cargos que ocupam, estes portugueses serão capazes de "manter as estruturas básicas do país a funcionar". É caso para perguntar: quem são os indispensáveis?» DN, 11/03/2006.
Normalmente, e como relata a notícia, os «fundamentais» seriam os profissionais da Saúde, Justiça, Protecção Civil, Educação, etc. Mas o que, olhando à nossa idiossincrasia enquanto país, vai acontecer é a distribuição segundo a cunha. Assim, terão direito ao Tamiflu, os seguintes «fundamentais»:
  • os construtores civis e empreiteiros (porque é preciso destruir o que resta de ordenamento);
  • a Administração Púbica toda, desde a Central à Local, desde os ministros ao 2º vogal assistente do 2.º secretário de Alfaquiques (porque nenhum país progride sem um bom prato de caos e uma lauta sobremesa de burocracia kafkiana, refeições que estes senhores sempre foram mestres em nos servir);
  • os dirigentes do futebol e os jogadores de futebol (que, respectivamente, vão cuidar que a corrupção continue a grassar e que os pontapés na gramática sejam uma realidade);
  • Finalmente, os responsáveis e empregados de centros comerciais (para evitar que os fins de semana de mais de 90% dos portugueses sejam passados a pensar na pandemia).

No final, a pandemia vai revelar-se um autêntico flop, como foram a Febre Aftosa, a BSE ou a Pneumonia Atípica, que, segundo previsões 'nada alarmistas', iriam causar milhões de mortes, planos de evacuação de cidades e a mudança radical no nosso quotidiano.

O mal destes episódios é que se vêm assemelhando à história do Pedro e do Lobo. E quando for realmente a sério, ninguém acudirá o Pedro.

Carlos Malmoro

Pollard Birches - V. Van Gogh - 1884

11 março 2006

Perspectivas IV

Uma pessoa tem defeitos e virtudes. Como um copo que está a meio.

Na paixão, olhas para o copo e dizes que está meio cheio de virtudes
.
No desprezo, olhas para o copo e dizes que está meio vazio de virtudes.

No amor, vês as duas perspectivas serenamente.

Carlos Malmoro

PS: Ou também podes beber...(lá se foi o romantismo...)

PPS: Todas as palavras foram retiradas do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Está bem assim, Pitucha?

10 março 2006

Tal pai, ...

Na cerimónia de posse de um novo Presidente, um homem que já foi presidente e foi candidato nas últimas edições, não se dignou a cumprimentar o Presidente empossado.
Esse homem, dizia há cerca de dezoito meses, que o actual Presidente daria um excelente Presidente da República.

Esse homem não aplaudiu o discurso do novo Presidente. Eu também não o faria: adormecia antes.

Esse homem é apelidado de «Pai da Democracia», mas não teve a democracia necessária para cumprimentar o adversário/sucessor.

Esse homem chama-se Mário Soares. É com resignação que coloco este nome num texto sobre um acto tão anti-democrático.

E quando o «Pai da Democracia» não tem a democracia, nem o civismo, nem a educação suficientes para cumprimentar aquele que o povo democraticamente elegeu para Presidente da República, então é bom que não se exija aos filhos da democracia grandes veleidades democráticas, nem se sonhe com uma sociedade civilizada ou educada. Porque, como se costuma dizer, tal pai, tal filho.

Carlos Malmoro

Perspectivas III

- Não te telefonei, mas tenho pensado bastante em ti.
- E eu telefonei.te...Mas para dizer que não penso mais em ti.

Carlos Malmoro

09 março 2006

Perspectivas II

-Uma coisa que gosto de fazer é conduzir sem destino.
-E quando conduzes sem destino para onde vais?
-?!?
-Não te faças de ingénuo: temos sempre um destino.

Carlos Malmoro

08 março 2006

Perspectivas

  • - P. a ligação está com pouca rede: estou a perder-te.
    - Não é só na ligação…
    - Que disseste, P., que não entendi.
    - Nada, S., nada…

  • Quando viam um episódio de novela mexicana, um dizia que a esperança é a última a morrer. O outro dizia que morrer é a última esperança.

  • Um dizia que era de mau carácter ter dois pesos e duas medidas. O outro dizia que o carácter até nem era mau. O chato era de ter de escolher a roupa.

Carlos Malmoro

07 março 2006

Apostas e Catherine Keener

Apostas: Realizador – falhei;

Filme – ao lado;

Actriz Secundária – água;

Actor principal – tiro no porta-aviões.

Mas falemos da água: a actriz Catherine Keener, nomeada para Óscar para Melhor Actriz Secundária (é a senhora que está na foto abaixo). Vi-a em «Queres ser John Malkovich?», «A Intérprete», «S1mOne» e neste «Capote». Em todos eles, mesmo quando o filme era mauzito, vi competência, vi sobriedade, vi excelência em actuações sempre em low-profile. Dá gosto ver e apreciar. Além disso, é uma mulher que não tendo uma beleza transcendental ou um corpo de deusa, é uma mulher misteriosamente bela. Que também dá gosto ver e apreciar.
Quando lhe perguntaram porque não tinha papéis mais marcantes ou porque não concorria para castings de personagens mais destacados, respondeu, simplesmente, que não tinha nascido para ser estrela. É pena.
Carlos Malmoro

Sovay - Andrew Bird

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05 março 2006

Aposto em Capote: Melhor Actriz

Aposto em Capote: Filme, Realizador e Actor

Entre-os-Rios, cinco anos depois.

04 março 2006

As Intermitências da Vida

  • Quando se escuta na rádio: «Um gato alemão morreu com a gripe das aves», perguntamo-nos se o humor non-sense tem alguma hipótese contra a realidade ou se o rádio não estava sintonizado na Monty Python’s Radio.

  • E ao terceiro dia do mês de Março do Ano da Graça do Senhor de 2006, Maya, a astróloga, teve este rasgo: «Lili tem uma nova cara em cima de um pescoço velho.» Soberbo! Letal! Absoluto!

  • Há uns anos, se lesse num jornal que «em 2005, os administradores do Metro do Porto receberam 650 mil euros de prémios de gestão, numa empresa altamente deficitária e cheia de derrapagens financeiras», vociferava neste estaminé que já não havia decência, dizia revoltado ao meus amigos que era por estas e por outras que o país não saía da cepa torta e podia mesmo cometer a loucura de escrever uma carta irada para um periódico de referência dizendo que «este país está perdido! Per-di-do!!!».
    Hoje, e sabendo que algum do dinheiro que custou a ganhar aos meus neurónios foi para aqueles senhores, regresso do estrangeiro, olho para a notícia e penso: «Finalmente, em Portugal». Chama-se a isto crescer. Cres-cer!!!

  • Quando se lê numa revista que Joss Stone quer deixar a música para ser parteira e que Sara Moniz (uma das meninas dos «Morangos com Açúcar») está farta de ser actriz e vai ser cabeleireira, agradeço e fico feliz pelas meninas se irem dedicar àquilo que realmente sabem fazer.

    Carlos Malmoro

Tudo o Que Há Para Saber de Adolph Eichmann

OLHOS:..........Normais
CABELO:..........Normal
PESO:..........Médio
ALTURA:..........Média
SINAIS PARTICULARES:..........Nenhum
NÚMERO DE DEDOS DAS MÃOS:..........Dez
NÚMERO DE DEDOS DOS PÉS:..........Dez
INTELIGÊNCIA:..........Média

Que esperavas?
Garras?
Incisivos enormes?
Saliva Verde?

Loucura?

Leonard Cohen, Flores Para Hitler

Carlos Malmoro

C�sar Cadimo

01 março 2006

Tabuadas

Amigos meus pediram ao filho que fizesse as tabuadas do sete, do oito e do nove. Passados dois minutos, ele aparece com as tabuadas do zero, do um e dois feitas. Justificação do miúdo: «as coisas mais simples são as mais complicadas. E agora, já posso ir brincar?»
Como advogado, o miúdo faz-se.

Carlos Malmoro

Há dez anos...

...morria quem escreveu isto:
«A crença seja no que for é um resíduo de tudo o que falhou.», e isto:«Não te queixes tanto das falhas de memória. Porque se soubesses tudo o que soubeste, não te poderias mexer. E então é que não terias nenhuma», e isto: «Não queiras saber tudo. Deixa um espaço livre para te saberes a ti», ou isto: «O melhor de uma verdade é o que dela nunca se chega a saber» e, finalmente, isto: «A verdade primeiro ama-se, depois demonstra-se».

Vergílio Ferreira, Escrever

Carlos Malmoro

28 fevereiro 2006

Van Gohg

Da Licenciosidade

«Contém Material Sexualmente Explícito». Foi esta a explicação que a NBC deu para não transmitir a canção Start Me Up dos Rolling Stones. A banda tocou dois temas durante o intervalo da final do Super Bowl. Curiosamente, transmitiram a canção «(I can’t get no) Satisfaction», do mesmo grupo. Chama-se a isto licenciosidade relativa.

David Irving, o historiador negacionista do Holocausto, foi condenado por um tribunal austríaco a cumprir uma pena efectiva de prisão. Está mal. Se existem cartoonistas ridículos a quem defendo a sua licenciosidade, também não o poderia deixar de fazer para este «historiador» de estorietas. A licenciosidade tem de ser absoluta.

Dicionário de sinónimos do Word para o verbo «fazer»: defecar, evacuar, obrar, conceber...E para o adjectivo «licencioso»: depravado, devasso, indecoroso, libidinoso, sensual,… A licenciosidade chegou à informática.

Carlos Malmoro

27 fevereiro 2006

Falta de rede

Ao telemóvel, ele pergunta:

- Gostas de mim?
- P+*x_ enzzztz, não. GSM Service your call…


Ele ainda está a matutar nas três hipóteses:
1) Será que ela disse, «Por enquanto, não»? Será que é um problema temporal?
2) Será que ela disse, «Por encanto, não»? Ou seja, não há amor à primeira vista, mas pode haver a possibilidade de uma relação construída.
3) Ou será que ela usou a velha táctica das mulheres do «pronto-amor-toma-lá-uma-festinha-para-preparar-o-sítio-antes-de-te-dar-uma-paulada», dizendo «Puro encanto, não.»

Passados 20 segundos de profunda reflexão, em que pensou a sério em todas as hipóteses, e em que maldisse a mania das mulheres do não que significa sim e do não que significa não, telefonou a outra.
Afinal, a resposta foi não. E há que ser homenzinho e reconhecer que uma tampa é sempre uma tampa.
Carlos Malmoro

25 fevereiro 2006

Deixar de fumar

Antigamente, fumar era um sinal de afirmação. Hoje, deixar de fumar é um sinal afirmação.

O meu médico, sempre preocupado com a minha afirmação pessoal (e penso que com uma doença que o meu criador padece a que fico mais exposto por fumar, mas isso é o menos), disse que estava na altura de incrementar a minha auto-estima largando o vício.
Depois do choque, analisemos.
Historial:
Começo a fumar cigarros roubados ao criador aos 9 anos. Vou fumá-los para a cave da casa com uma amiga. Um dia, além dos cigarros, fiz-lhe uma cama muito bonita na cave. Olhou-me terna e longamente, sorriu, passou a língua entre os lábios e sussurrou como um regato límpido estas palavras de veludo: «Carlos, vai à fava!». Adiante.
Comecei a fumar «a sério» aos dezassete. A partir daí, e até aos vinte e quatro foi sem parar e em crescendo. No dia dezanove de Novembro de 1999, deixei de fumar. Sem reduções. De um dia para o outro, deu-me para isso. Durante quinze dias, perdi doze amigos e fiz dezoito novos inimigos. E nem foi necessário recorrer ao mau feitio intrínseco: a falta de nicotina realizou a proeza. Deve ser por isso que agora tenho um blogue: falta de amigos.

Recomecei a fumar aos 26 anos. Porquê? Como é que dizia o Einstein? «Só conheço duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. E quanto ao Universo, não tenho a certeza.» Exacto, recomecei a fumar porque o Einstein não tinha a certeza se o Universo é infinito.
Hoje, estou com 31 anos e 30 cigarros por dia.
Possibilidades:
1) Continuar a fumar (é mau para a minha afirmação, segundo o meu médico);
2) Parar de fumar de um dia para o outro, como fiz no passado (esta opção levanta um problema: se perco mais amigos, fico sem contactos…a não ser que crie mais um blogue);
3) Reduzir, força de vontade e pensos de nicotina (não quero adoptar esta opção: sempre pensei que um problema se resolvia com uma solução e não com três. Isso dos sistemas é na matemática);
4) Picada na orelha (é uma escolha que dizem que resulta em mais de 90% dos casos. Porém, (tem de haver sempre um porém, um mas, um contudo, não é?...) é dispendiosa.

Conclusões:
Telefonar à menina que me mandou «à fava» a convidá-la para fumar um cigarro comigo. A meias, como nos bons velhos tempos.
Carlos Malmoro

Acerca de «Munique»

Munique não é um grande filme. É um bom filme.
É um filme poderoso no argumento, imprevisível na narrativa e belo enquanto objecto estético (notável fotografia). É ainda um filme com uma excelente produção e com uma sonoplastia muito bem cuidada. Então o que lhe falta para ser um grande filme? Os pormenores. Erros de palmatória ao nível dos pormenores. A saber:

  • é minimamente plausível que membros de elite da mais reputada e organizada polícia secreta do mundo – a Mossad - possam parecer-se com aquele bandos de rapazolas que, inadvertidamente, dão informações top-secret a um completo desconhecido numa esplanada de Roma, ou que o membro indicado para a construção das bombas seja apenas um curioso, pois o seu verdadeiro trabalho é desmontá-las ou , finalmente, que caiam na mais velha armadilha do mundo da espionagem: uma apetecível senhora no bar de um hotel a implorar que façam amor com ela? A mim não me parece verosímil.

  • Também não me parece lá muito verosímil que exista uma pessoa em Paris que saiba todos os nomes e todas as movimentações dos espiões de todo o mundo.

  • Finalmente, é um filme com uma montagem muito fraquita, com flashbacks constantes e cenas que parecem descontínuas. As interpretações, não sendo fracas, não enchem o olho


Para rematar o filme, está a verdade que ainda hoje constatamos: no fim disto não haverá vencedores nem vencidos. Apenas as mortes não terão fim. De um lado e do outro.
Um bom filme, sem dúvida.

Carlos Malmoro



22 fevereiro 2006

Um cartoon licensioso

Lost In Translation

«Só pra dizer que te amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.

Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.»

Esta letra de Sérgio Godinho para a canção «Problema de Expressão» dos Clã, só erra num verso: onde está «E nunca atraiçoa ninguém», deveria estar, em meu entender, «E nunca apaixona ninguém» (ou «E não apaixona niguém»). Dizer «I love You» não provoca calafrios, mas dizer «Amo-te», aí sim, é necessária coragem e, mais importante, Amor.
O primeiro termo é uma expressão; o segundo é uma declaração.

Carlos Malmoro

20 fevereiro 2006

Turner: Snowstorm

17 fevereiro 2006

No mail...

N., enviou-me um mail com um pensamento e uma anedota.

«O atraso do nosso país resulta de um problema agrícola: excesso de nabos e falta de tomates.»

«Um homem chega a casa, vira-se para a mulher e diz:
- Querida, recebi uma intimação das finanças a respeito do atraso da entrega da declaração do IRS! Achas que devo comparecer na repartição de jeans ou de fato e gravata?
- Bem, querido... Digo-te a mesma coisa que a minha mãe me disse quando lhe perguntei se, na noite de núpcias, eu devia usar uma cuequinha de rendas ou uma cuequinha de seda!
- E o que foi que a tua mãe te disse?
- Tanto faz. Ele vai foder-te na mesma!»

Deixo aqui o agradecimento ao N. Só falta descobrir qual dos textos é o pensamento e qual é a anedota...

Carlos Malmoro

13 fevereiro 2006

O tino e o desatino

O desatino:
«-Quem têm sido os maiores agressores nos últimos tempos? Somos nós!» (Freitas do Amaral, antes de sugerir que um campeonato euro-árabe de futebol aproximaria os povos…)

O tino:
Em resposta à questão “Como reage às caricaturas a temáticas cristãs?”:
- O facto de estarmos num ambiente de liberdade de expressão significa que eu não me indigno com isso, mas quando acontece magoa-me. A liberdade de expressão tem desses riscos: eu sei que, às vezes, magoo os outros. A grande diferença entre o horizonte ocidental e o horizonte que estamos a assistir nos muçulmanos é que eu manifesto a minha indignação de outra maneira, não vou pôr bombas nas embaixadas, nem bater nas pessoas na rua". E conclui: "tenho visto comentadores a tentar pôr isto no âmbito do diálogo e do respeito inter-religioso, mas penso que, por trás disto há mais estratégias políticas que questões religiosas". (Cardeal Patriarca de Lisboa)

Começa-se a perceber por que razão Freitas do Amaral era um candidato a PR com metade do país com ele e agora é um Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Da mesma forma, começa-se a perceber por que razão o Cardeal Patriarca era um dos possíveis sucessores de João Paulo II.
Carlos Malmoro

Um dia...

...vou contar aos meus netos o seguinte
- Bem no final do século XX, houve a crise dos mísseis, a crise do petróleo, várias crises derivadas da fome extrema em muitas partes do mundo, crises provocadas por tempestades e fenómenos naturais, crises políticas, enfim, uma imensidão de crises que se resolveram de forma positiva algumas vezes…
E eles perguntarão:
- E o século XXI, como foi o seu início?
- Bem, algumas das crises que eu vos enumerei há pouco resolveram-se, outras agravaram-se e surgiram outras novas
-Avô, dá-nos um exemplo de uma crise que tenha surgido.
- A crise dos cartoons.
Depois de me abraçarem, os meus netos dirão:
- É por isso que gostamos tanto do avô: consegue sempre pôr humor mesmo nos assuntos mais sérios.
-Mas...deixem - direi eu, com bonomia
Carlos Malmoro

12 fevereiro 2006

Easy Money

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11 fevereiro 2006

Foto do Ano 2005 - World Press Photo


Uma mulher espera, juntamente com o filho, a chegada de
ajuda num centro de emergência alimentar em Tahoua-Níger.
Foto tirada pelo canadiano Finbarr O' Reilly, para a Reuters,
com o fim de retratar a situção de fome extrema no Níger.
Carlos Malmoro

10 fevereiro 2006

À consideração do interessados:

  • Eu também vou lançar uma OPA sobre a PT. Só para não pagar mais telefone;

  • É um abuso de coscuvilhice (linda palavra, esta) dizer-se que aquelas duas mulheres que se querem casar têm o mesmo sexo;

  • Previsibilidade :

«Daqui a cinco minutos, estou aí» - disseste. Passados seis minutos, encontraste um bilhete na mesa que dizia:

«Há um minuto estava aqui.»

Carlos Malmoro

09 fevereiro 2006

E agora para algo completamente diferente

Amigos, o que se segue não é nenhum texto humorístico, embora os humoristas de todo o mundo sonhem alcançar este patamar de excelência. É um comunicado do SINTAV - Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audivisual, acerca da Oferta Pública de Aquisição da Portugal Telecom pela Sonae. Reza assim:
«NOTICIA DE ÚLTIMA HORA:
“POLVO” ATACA AS TELECOMUNICAÇÕES

(...)Segundo a Comunicação Social, Belmiro de Azevedo, o homem mais rico de Portugal, cuja ganância não tem limites, prepara-se para comprar a PT-C através do lançamento de uma OPA(...) Estas afirmações fundamentam-se no conhecimento concreto que a sociedade tem do indivíduo em causa.(...)
Embora ainda não se conheça muito deste macabro processo desencadeado da noite para o dia, o SINTTAV desde já assume uma posição de total contestação, denunciando tudo o que vier a ser digno disso e mobilizando os trabalhadores e a sociedade para lutar e resistir contra as tentações deste poderoso “Polvo”.»

E, para finalizar em beleza, eis a jóia da coroa:

«NÃO AO RETROCESSO SOCIAL.O FUTURO É DOS TRABALHADORES E DOS POVOS E NÃO DOS “POLVOS” NEM DOS IMPÉRIOS.»
(sublinhados meus)

Eu sei que por mais credibilidade que se possa ter, existem certos acontecimentos que excedem o limite do plausível. Não vos levo a mal. Eu faria o mesmo. Convido-vos a virem aqui e confirmarem que estas preciosidades fazem corar de inveja muitas das rábulas dos Monty Python.

Carlos Malmoro

Assunto encerrado:

08 fevereiro 2006

Breves

  • Maya, a astróloga, afirma que a sua imagem de marca é o nariz. Grande feito: a de um actor pornográfico é o seu pénis;

  • O unico contacto que tem direito a número de fax na letra «A» da minha agenda pessoal é o sr. A., o profissional que trata dos funerais da família. Nem na série «Sete Palmos de Terra se dá tanta importância aos coveiros;

  • Freitas do Amaral diz que «Portugal lamenta e discorda da publicação de desenhos e/ou caricaturas que ofendem as crenças ou a sensibilidade religiosa dos povos muçulmanos.» E não disse uma palavra sobre a violência islâmica que surgiu como protesto a estes desenhos. Só há um comentário a fazer: Freitas do Amaral adoraria viver numa sociedade sem liberdade de expressão ou que quando esta se manifestasse fosse reprimida violentamente;

  • A TVI vai alojar o «Circo das Celebridades» em Março, diz o DN de hoje. Este programa, pelo menos, tem o mérito de acertar no nome: 'Circo', com os seus elefantes, burros, camelos, macacos, palhaços e fauna afim (peço desculpa se ofendi algum dos géneros atrás citados aos compará-los com os possíveis concorrentes);

Carlos Malmoro

Esta boa ideia está n' O Espectro

COMUNICADO
COMUNICADO - CONVITE

Na próxima 5ª feira, 9 de Fevereiro, pelas 15 horas, um grupo de cidadãos portugueses irá manifestar a sua solidariedade para com os cidadãos dinamarqueses (cartoonistas e não-cartoonistas), na Embaixada da Dinamarca, na Rua Castilho nº 14, em Lisboa. Convidamos desde já todos os concidadãos a participarem neste acto cívico em nome de uma pedra basilar da nossa existência: a liberdade de expressão. Não nos move ódio ou ressentimento contra nenhuma religião ou causa. Mas não podemos aceitar que o medo domine a agenda do século XXI. Cidadãos livres, de um país livre que integra uma comunidade de Estados livres chamada União Europeia, publicaram num jornal privado desenhos cómicos. Não discutimos o direito de alguém a considerar esses desenhos de mau gosto. Não discutimos o direito de alguém a sentir-se ofendido. Mas consideramos inaceitável que um suposto ofendido se permita ameaçar, agredir e atentar contra a integridade física e o bom nome de quem apenas o ofendeu com palavras e desenhos num meio de comunicação livre. Não esqueçamos que a sátira – os romanos diziam mesmo "Satura quidem tota nostra est" – é um género particularmente querido a mais de dois milénios de cultura europeia, e que todas as ditaduras começam sempre por censurar os livros "de gosto duvidoso", "má moral", "blasfemos", "ofensivos à moral e aos bons costumes". Apelamos ainda ao governo da república portuguesa para que se solidarize com um país europeu que partilha connosco um projecto de união que, a par do progresso económico, pretende assegurar aos seus membros, Estados e Cidadãos, a liberdade de expressão e os valores democráticos a que sentimos ter direito.
Pela liberdade de expressão, nos subscrevemos
Rui Zink (916919331)
Manuel João Ramos (919258585)
Luísa Jacobetty

06 fevereiro 2006

O Amor É Um Fogo

O amor é um fogo

Queima-nos a todos

Desfigura-nos a todos
´
É a desculpa do mundo

Para ser tão feio

Leonard Cohen - A Energia dos Escravos - Relógio d´Água

Carlos Malmoro

05 fevereiro 2006

Temptation

A propósito...

  • Factos:
  • A Agência Internacional de Energia Atómica remeteu para o Conselho de Segurança da ONU a análise do programa nuclear iraniano. Como retaliação, o Irão suspendeu unilateralmente o TNP (Tratado de Não Proliferação). Final da estória: o chefe da AIEA a fazer uma declaração não para explicar o sucedido, mas para justificar-se perante o Irão a opção tomada;

  • Uns cartoonistas dinamarqueses, de um jornal tablóide lá do sítio, publicaram em Setembro umas caricaturas do profeta Maomé. Passados quatro meses, uma onda de protesto assola as virgens ofendidas muçulmanas, com destruição de embaixadas, queima de bandeiras, etc....Final da estória: As autoridades europeias vêm a público defender, não a liberdade de imprensa, mas o direito à indignação dos muçulmanos. (Os mesmos que aquando de Londres e Madrid nos pediram para não confudir o terrorismo islâmico e o islamismo...). Por outro lado, o Grande Ayatollah Ali al-Sistani, o líder do clérigo iraniano, condenou ontem as caricaturas e a «acção horrenda» dos jornais ocidentais. (Nota – este último período foi a concretização de um sonho há muito adiado: ter neste estaminé a presença de um Grande Ayatollah…dá logo outra seriedade à coisa);

  • Conclusões:
  • Ó meus amigos líderes europeus, se quereis ser serventis perante o poder do petróleo, façam muito bom proveito. Agora que eu - e mais uns milhões de gatos e gatas pingados - defendemos que a liberdade de imprensa é um pilar da nossa civilização, e que o Tratado de Não Proliferação Nuclear é uma das (poucas) boas coisas que V.exas se lembraram , é um facto que não podeis negar. Entendido?

  • Ó meus amigos líderes muçulmanos, aprendei de uma vez por todas que eu prefiro – e mais uns milhões de gatos e gatas pingados - que façam uma caricatura do deus que a maioria da Europa segue, do que ter de receber um telefonema a meio de uma manhã qualquer a dizer que um familiar, amigo, colega ou filho ficou esfrangalhado no metro ou no comboio só porque cometeu o pecado capital de ir trabalhar…E nós, também estamos entendidos?

Carlos Malmoro

30 janeiro 2006

10 coisas que dão comigo em doido por estes dias...

1 - Como está vastamente demonstrado neste estaminé, eu gosto do trabalho de Leonard Cohen (canções & escrita). Acontece que existem duas músicas dele – The Tower of Song & Take This Waltz - que só me levam ao nirvana quando acompanhadas do charuto e do Black Russian. A irritação é que não posso beber;

2 - Que na Europa rica, o carro do ano seja o Clio, um carro que custa metade do carro do ano português: o Passat. Ai este novo riquismo;

3 – Que, com todos os seus defeitos, o DNa tenha acabado;

4 – A discussão sobre o que há-de Manuel Alegre fazer ao milhão e duzentos mil votos. Eu tenho uma teoria…

5 – Que a mais importante coisa neste país seja o clima….

6 – Que ande obcecado por pianos de cauda. Para quem possa andar distraído, são caros;

7 – Que ninguém me ofereça um reluzente piano de cauda (e criticava eu o novo-riquismo) …

8 – Que o euro-milhões não tenha vencedores. Já vou com catorze propostas para «entrar numa sociedade». Quando se recusa, as pessoas não pensam que seja porque não se acredita em jogos de azar, mas sim porque estamos a desconfiar da honradez delas em repartir o prémio …

9 – Que os cartazes das campanhas eleitorais ainda nos impinjam como panorama citadino as carinhas larocas dos senhores candidatos à presidência….

10 – A TVI.

Carlos Malmoro


29 janeiro 2006

«Poema»

«Ouvi falar de um homem
que fala com tanta beleza
que só de pronunciar os seus nomes
as mulheres se lhe entregam.


Se estou mudo junto ao teu corpo
enquanto o silêncio floresce como tumores em nossos lábios
é porque ouço um homem subir as escadas
e a aclarar a voz do outro lado da porta.»

Leonard Cohen, Poemas & Canções - Vol. I, Relógio d'Água
Com um especial agradecimento à R.
Carlos Malmoro

28 janeiro 2006

Mozart

Portugal por estes dias

  • Há vinte anos, na rua onde vivia, colocou-se um novo tapete de alcatrão. Passados três meses abriram-se os fossos para instalar o saneamento básico. Ficou o tapete todo destruído.
    Há três meses, na rua onde vivo, colocou-se um novo tapete de alcatrão. Actualmente, estão a substituir os canos da água. O tapete está a ficar todo destruído. Conclusão: vinte anos passados, não se conseguiu atingir que a falta de organização é a maior responsável pelo mau aproveitamento do dinheiro. Parafraseando: é a organização, estúpidos!

  • Diálogo:
    Ela: -Tu já reparaste que agora todos os casais que compram casa estão a reservar uma divisão para o «escritório»?
    Eu: - Com a quantidade de papelada que hoje se é obrigado a administrar, é a coisa mais natural do mundo.
    Ela: - Mas assim, as casas, que supostamente deveriam ser lares, passam a ser um género de empresa…As pessoas saem do escritório da empresa e entram no da casa.
    Eu: - As famílias sempre foram empresas. Só não o sabiam.

  • Uma mulher foi destacada para o comandar o posto da GNR do Pombal. É triste que apenas em 2006 isto aconteça. E é triste que quando isto aconteça, seja motivo de notícia. A notícia que testemunha o nosso provincianismo latente.

Carlos Malmoro

24 janeiro 2006

Notas soltas

  • Pergunta para definir carácter: qual das versões de Neighborhood dos Arcade gostas mais?

  • Frase mais ouvida por estes dias (e pelos próximos anos): eu não votei Cavaco;

  • Diálogo escutado entre duas recepcionistas de Repartição Pública:
    - Amanhã, se calhar, chove.
    - Amanhã, se calhar, faz sol.
  • Máxima de fim de noite: o tamanho é preto e a cor é o L.

  • E agora, com um obrigado à T., relaxem aqui.

Carlos Malmoro

22 janeiro 2006

Conclusões...

  • É engraçado na declaração de Louça o adjectivo «grande» estava junto da palavra «mobilização». Meus senhores do BE, expliquem lá ao vosso líder que ele ficou em quinto lugar, mesmo atrás de um Jerónimo oriundo de uma força política que dizem em decadência;
  • Na aceitação da derrota, Mário Soares portou-se como sempre: um democrata...em quem não votei, mas em quem reconheço que se hoje posso discordar dele, a ele muito lhe devo. Como cidadão, não tenho as suas convicções; como homem, aceite que lhe retribua com um simples mas sincero obrigado a vida política que dedicou a Portugal.
  • O senhor Alegre tem de descer um pouco do pedestal de poeta: se uma jornalista perguntar-lhe se «foi o senhor o responsável pela divisão da Esquerda?», não é um crime que lhe mereça fuzilar com o ollhar a dita senhora. A liberdade é de todos;
  • O sr Jerónimo de Sousa tem de aprender que se mais de 50% dos portugueses deram a vitória a uma candidatura de centro-direita, não significa necessariamente que todos esses cidadãos estejam a «sonhar» desde Salazar em «apoderar-se» da Presidência da República - quantos mais não seja porque muitos deles ainda não eram nascidos;
  • Garcia Pereira, não comento porque não me apetece;
  • Cavaco Silva: ganhou por 50%+1 voto expressos. Será empossado Presidente da República dentro de algumas semanas. Espero sinceramente que para o meu bem enquanto cidadão e para o do País, que se mostre como o melhor Presidente da República Portuguesa de sempre;
  • Jorge Sampaio: grande homem, grande Presidente - atravessou as mais inconcebíveis crises políticas que um país pode ter, com primeiros-ministros que abondonavam o barco. Em minha opinião, escolheu na esmagadora maioria das vezes as soluções que melhor defendiam o interesse de Portugal. Obrigado;
  • E agora a melhor notícia da noite: não teremos eleições nos próximos três anos e meio.YES!

Carlos Malmoro

21 janeiro 2006

Dia de Reflexão

Hoje é dia reflexão.
Cogitemos, então.
Cavaco: Não - nunca gostei de políticos/economistas/salvadores;
Soares: Não - nunca gostei de políticos/políticos/políticos;
Alegre: Não - nunca gostei de políticos/poetas/parlamentaristas;
Jerónimo: Não - nunca gostei de políticos/operários/dançarinos;
Louçã: Não - nunca gostei de políticos/economistas/Pregadores de Verdades Absolutas;
Garcia Pereira - Não, e nem me vou dar ao trabalho de explicar porquê...

Cavaco: Sim - sempre gostei daqueles de que todos falam mal;
Soares: Sim - sempre gostei dos que combatem a ditadura da juventude;
Alegre: Sim - sempre gostei de rebeldes;
Jerónimo: Sim - sempre gostei de convicções;
Louçã: Sim - sempre gostei de inteligência;
Garcia Pereira - Não, e nem me vou dar ao trabalho de explicar porquê...

Mas como o que eu queria mesmo era uma Presidente, o meu voto está direccionado para uma grande mulher: Carmelinda Pereira - é o único candidato a quem eu não consigo encontrar defeitos.
Eu sei que virtudes também não encontro (nem sequer sei quem é a senhora), mas em eleições já estou habituado a escolher, não melhor opção, mas a opção menos má. É só mesmo pelo capricho de querer uma mulher como Presidente.
Carlos Malmoro




19 janeiro 2006

��Aishwarya Rai

heln wein

16 janeiro 2006



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O massacre continua.

Como algumas pessoas que conheço, tenho uma caixa de correio electrónico que serve de caixa de correio publicitária. Eu explico: é uma forma de salvaguardarmos que quando fazemos um registo numa determinada empresa ou serviço, e colocamos que não desejamos receber regularmente correspondência, nem autorizamos que a empresa comunique os nossos dados a outras empresas, mas as empresas fazem de conta de que não perceberam essas instruções, as mensagens vão para um sítio diferente que não o nosso endereço de e-mail mais pessoal. É como se tivéssemos duas caixas de correio: numa o carteiro colocava o que realmente interessava; na outra, e embora estivesse lá bem explícito que não aceitávamos publicidade de qualquer tipo, colocava os panfletos do Intermarché, as carinhas larocas dos candidatos às presidenciais e os cursos CEAC que garantem que uma pessoa aprende a tocar piano de cauda em três semanas sem praticar.
No dia sete de Janeiro, abri as caixas de entrada dos dois e-mails. Já andava visivelmente satisfeito por estarem a desaparecer as publicidades natalícias. Quando me deparo com o seguinte título de mensagem: «Dia dos Namorados: não se atrase». Paciência, haja paciência.
Depois, reflecti um pouco e apercebi-me que isto vai durar o ano inteiro. A saber: depois do Dia dos Namorados, existirá o Carnaval, e a Páscoa, seguido dos dias do Pai e da Mãe. Entramos na canícula e nas viagens, e saímos da canícula com os saldos e os primeiros cheiros a Natal, intercalados pelo Halloween, essa tradição portuguesíssima. Acto contínuo, entra o Natal em força e no dia sete de Janeiro de 2007, a caixa de e-mail publicitária lá receberá uma mensagem com o título «Dia dos Namorados - não se atrase», e o ciclo estará consumado e eu consumido. Arre!!!
Carlos Malmoro

15 janeiro 2006

Comentando Comentários

«Os jornalistas querem impor-nos a homossexualidade até cairmos» D. Eurico de Nogueira, bispo emérito de Braga, revista Sábado.
Estes jornalistas são, de facto, uns perversos: sempre a pensarem na malandrice. Marotos. Só uma questão: eu leio jornais, e nunca vi nenhum jornalista a tentar impor-me a homossexualidade «até cair». Será que sou iletrado?

«Mário Soares não confunde o autor da Montanha Mágica com o autor da Utopia, não acrescenta cantos a «Os Lusíadas» e sabe que Fernando Namora foi um dos autores mais lidos e traduzidos no século XIX» Presidente da Câmara de Condeixa, referindo-se a Mário Soares como um homem de cultura, antes do candidato entrar na Casa-Museu Fernando Namora. Diário de Notícias
Fernando Namora de certeza que deu uma volta no caixão. Mário Soares pensou com os botões: se eu sou do mesmo século que o Namora, então estou mesmo velho. Cavaco Silva diz: não me facilitem tanto a vida. O eleitor pede: poupem-nos a estas lições, seguidas de humilhações – é confrangedor ver estas tristes figuras feitas por pessoas em quem votámos. Eu digo: de facto, Fernando Namora até pode dever alguma coisa da sua inspiração literária ao século XIX. Mas nada que possa transladar a sua existência física para o século anterior.
Carlos Malmoro

Constatação

Quando o Holocausto provocou aqueles milhões de mortos, fizemos o que tínhamos a fazer para terminar com ele.
Hoje, morrem tantas pessoas vítimas de fome e de doenças curáveis em quatro anos como as vítimas do Holocausto, e não estamos a fazer um centésimo do que era preciso.
Se o resultado é tão mortífero como as ideias loucas de um ditador megalómano, então temos de admitir que a inacção também é um crime contra a Humanidade.
Carlos Malmoro

A «MAIS BELA MULHER DO PLANETA»

Aishwarya Rai, 31 anos. Eu concordo.
Carlos Malmoro

14 janeiro 2006

Visões das presidenciais

A Optimista: Depois destas eleições, Portugal voltará a ser a Nação Valente e Imortal.
Pessimista: O que eles querem é tacho!

A Indiferente: Que eleições?!..Que presidenciais?! É para escolher o novo presidente do Benfica?!...Ah, é para escolher Presidente da República. Eu até acho que o Ramalho Eanes está a fazer um bom mandato...

A Conspiradora: Isto é tudo mas é uma grande jogada para desviar as atenções do Processo Casa Pia, da Moderna e do Elefante Branco. Eles estão todos feitos uns com os outros. E, como sempre, o Zé-povinho é que se lixa.

A Cavaquista: A opinião que eu tenho sobre o estado da nação está escrita na Bíb..., perdão, na Autobiografia Política do Prof. Aníbal Cavaco Silva.
A Soarista: Eu já disse que não falo. É uma censura completa o que estão a fazer ao homem. Nem a jornais, nem a televisões, nem a rádios, e muito menos a blogalhadas como esta, eu não falo!
A Alegre: Eu falo no nome de Álvaro Cunhal quantas vezes me apetecer: Álvaro Cunhal, Álvaro Cunhal, Álvaro Cunhal…e se o Jerónimo me tentar calar, eu concretizo a ameaça que o grande vate lhe fez: apanha a sério!

A Comunista: Temos que olhar para os trabalhadores como pessoas dignas e não como máquinas de lucro escravas ao serviço do grande capital. Só assim poderemos aspirar a ser uma sociedade justa, equilibrada e tolerante como a Coreia do Norte.
A Bloquista: Nesta campanha não se discutem os principais problemas das pessoas e do país. Já algum dos outros candidatos falou na necessidade das mortalhas serem produzidas em papel reciclado «Amigo do Ambiente»? Pois, é a campanha do ruído e das briguinhas, mas do silêncio sobre o que realmente importa. A propósito: alguém tem uma mortalha?

MINHA: Depois de ter reparado que mais de metade deste texto supostamente satírico é vero, vou, portanto, votar na Carmelinda Pereira.
Carlos Malmoro

11 janeiro 2006

Se ainda subsistissem dúvidas...

É uma casa de Gaudí, com certeza...
Carlos Malmoro

08 janeiro 2006

Coisas que se vão passando...

O maior medo dos pilotos do Dakar: que Jorge Sampaio discursasse na altura em que deu a partida.


Sondagens: segundo uma sondagem do Expresso, um milhão de portugueses têm tendências homossexuais. Vamos ver como esse milhão de portugueses homossexuais foi encontrado:
«-Boa noite. Sou a Kátia Vanessa e estou a falar-lhe do centro de estudos do Expresso.
-Boa noite, minha senhora. Que deseja?
-Estamos a fazer uma sondagem sobre homossexualidade.
-Sim…
-O senhor alguma vez teve ou pensou em ter relações homossexuais?
-Ó minha va…. Vira para cá essa p….que eu já te digo quem é o maricas!
-Desculpe, estou só a perguntar: é o meu trabalho.
-Onde tu devias estar a trabalhar sei eu, minha p….
-Não me ofenda, por favor. Como lhe disse, este é apenas o meu trabalho….
-E tu vens para aqui chamar-me de pane…às tantas da noite!!
-Olhe, sabe que mais? Vou colocar nas respostas que o senhor sempre pegou de empurrão, sempre gostou de morder a fronha da almofada e sempre desejou ter um boeing 747 metido bem dentro do seu hangar.
-Atreve-te, p…» (chamada desligada pela operadora)
Foi assim que o Expresso encontrou o milhão de portugueses homossexuais.


Herman: depois de ter sido «posto na linha» pelo novo director da SIC, já começa a dar gosto dar umas espreitadelas ao Herman Sic.
Carlos Malmoro

2005

Discos:
Leonard Cohen - Dear Heatter
Nick Cave – Abattoir Blues / Lyre of Orpheus(2004) / B-Sides & Rarities (2005)
Arcade Fire - Funeral
Patrick Wolf - Wind in the Wires
Bloc Party - Silent Alarm
Andrew Bird - The Mysterious Production of Eggs
Editors: The Back Room

DVD:
Nick Cave – The Videos
Million Dollar Baby – Clint Eastwood
Verão Azul (é mesmo muito pessoal e, diria mesmo, freudiana)

Concertos:
Nick Cave – Paredes de Coura
Patrick Wolf – Gaia

Filmes:
Million Dollar Baby – Clint Eastwood
Charlie e a Fábrica de Chocolates - Tim Burton
Flores Partidas - Jim Jarmusch

Blogs:
Estes três links aqui ao lado

Livros:
Philip Roth - A Conspiração Contra a América
Gonçalo M. Tavares - Jerusalém
T.S. Eliot - Prufrock e Outras Observações
J.M. Coetzee - No Coração desta Terra

Carlos Malmoro

04 janeiro 2006

editors-munich

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01 janeiro 2006

Luz no fundo do? Bom 2006

26 dezembro 2005

Eu e eu e mais eu.


Carlos, o dono do carro atropelado – Está uma pessoa muito bem parada numa interminável e secante fila de trânsito, quando vem uma perigosa e excêntrica consumidora natalícia a olhar para uma amiga que estava do outro lado do passeio, dizendo-lhe: «Sandra, olha o que comprei para a T…» quando choca violentamente com o meu carro. A consumidora vinha a pé. Segundo os parâmetros jornalísticos, estas situações são os paradigmas que tipificam uma notícia: não foi o carro que atropelou o peão, mas o peão que atropelou o carro;
Carlos, o perverso: A dona do café onde tomo o pequeno-almoço tem a preocupação de colocar tudo o que eu digo no seu diminutivo: se eu peço um café, ela diz: «sai um cafezinho para o Sr. Carlos.»; ao princípio, é agradável, depois é tolerável e por fim já se estava a tornar insuportável. Ontem, a minha paciência cansou-se: pedi-lhe um descafeinado e foi bastante divertido vê-la a tentar dizer o diminutivo da palavra… Nota a mim mesmo: repetir sempre que possível.
Carlos, o eleitor: Se Soares ganhar, vai jurar a Constituição e depois apelar ao voto no PS em dias de eleições? Se Jerónimo ganhar, vai implementar uma democracia tipo Coreia do Norte, em clara consonância com as directrizes principais da nossa Constituição? Se Louçã ganhar, vai implementar a regra de que a minoria dos votos passa a vencer as eleições? Se Alegre ganhar, vai dissolver a Assembleia da República sempre que acordar mal disposto? Se Cavaco ganhar, vai jurar cumprir a Constituição ou os tomos da sua biografia política?
Carlos, o leitor: em leitura – A Ilha dos Pinguins, de Anatole France, «…Por mais que busquemos, apenas nos encontramos a nós próprios…»
Carlos, o ouvinte: no auto rádio, na aparelhagem e no computador: The Back Room – Editors e a pergunta que se torna em dúvida existencial para quem escuta este disco: por que razão aquela música se chama «Munich»?... «People are fragile things, you should know by now / Be careful what you put them through»
Carlos, o consumido: esta é a época de excelência dos consumidores ou dos consumidos?
Carlos, o intelectual: M. enviou-me um mail, que diz que segundo um reputadíssimo numerólogo (esta profissão existe?!) apenas os dias do nascimento são determinantes na personalidade de um indivíduo. Pois…Deixo-vos com os traços de carácter para quem nasceu no dia 30: «É o número da intelectualidade. Neste dia nascem pessoas de grande imaginação e intuição, que apreciam a arte, a música e o teatro e são eloquentes.» M.: sabes que comigo podes falar sem rodeios, isto é, acho que já existe confiança entre os dois para me chamares directamente de chato!
Carlos Malmoro

25 dezembro 2005

Boas Festas. C.M.

20 dezembro 2005

Refuse/Resist...

17 dezembro 2005

UM BOM T�TULO PARA UM LIVRO - O AMARELO DE VAN GOGH

Porque eu tenho actualizar o blog, e tenho, é melhor que o faça já....

Uma das coisas mais peculiares no falar minhoto, é a repetição do verbo para dar força à ideia. Assim, achei por bem sair do período de hibernação deste blog, atribuindo um título a este post, onde se experimenta essa mesma forma...e digam lá que não fica um must?....
E agora chega de falar do umbigo. Vamos para a rua: é Natal! É tempo de paz, amor e concórdia entre os homens e as mulheres. Para onde quer que telefone, lá estão as famílias em concordante discussão a saber porque a prenda para o tio ainda não foi comprada, a despacharam-me com um amigável «despacha-te que ainda não comprei as prendas todas», a compatriotas a declararem aos seus amores que «nem pensar em dar uma prenda de 20,00€ à pirua/ao tanso da(o) C. que o que ela(e) quer sei eu»...enfim, é só amor....
Num assomo de laicismo, o Governo decidiu retirar todos os crucifixos das escolas. A função pública, incluindo professores, concordou. Agora só falta retirarem os feriados religiosos. Mas aí os professores vão querer que se respeite a dignidade dos católicos. Estes tipos são, como o título deste post: um «must»...Em sentido contrário, George W. Bush, esse Monty Python transatlântico, decretou multas para os estabelecimento comerciais que, nas suas montras natalícias, para além do tradicional Pai Natal, não tenham presépios, ou alguma forma de representação similar, que demonstre que estas festividades celebram o nascimento de Cristo.. Lá, como cá, quando existem problemas que a sua resolução é adiada consecutivamente, desvia-se a atenção da opinião pública criando um falso problema com esse íman das atenções gerais que é a religião.

Carlos Malmoro

14 agosto 2005

Participação Cívica

Pacheco Pereira, agora que o Governo é PS,está a dedicar uma grande atenção e um grande empenho em discutir os fogos. Ao consultarmos os arquivos do Abrupto, não encontramos esse empenho quando o PSD, principalmente com Durão Barroso como PM, era poder.
Carlos Malmoro

28 maio 2005

Wassily Kandinsky.The Blue Rider

15 maio 2005

Se...

Este texto era para ser enviado para um jornal quando ainda fazia sentido, isto é, há cerca de 10-11 meses. Porém, e por motivos vários, entre os quais se contam a infinda desorganização de quem mantém este tasco, ficou perdido nos meus papéis. A carta consistia numa paráfrase ao poema «If» de Rudyard Kipling, e rezava assim:


«Se Durão Barroso sair para a Comissão Europeia, se Santana Lopes subir a Primeiro-Ministro, se o Presidente da República aceitar esse nome, e assim desvirtuar todo o sistema democrático, porque embora o partido mais votado fosse o PSD, foi-o em nome de um Programa de Governo encabeçado pelo por um determinado líder, se tivermos que aturar os dislates de Santana por dois anos e os do seu séquito de santanetes, se a política seguida por Santana for anti-europeísta e populista – como não o ser?... –, Se os dois anos de sacrifícios dos portugueses forem esbanjados em nome da alimentação de clientelas, se tudo isto for acompanhado de muita demagogia própria de quem disse que se afastava da política por um sketch televisivo, pela ignorância cultural de quem afirmou que Mário de Sá Carneiro era o poeta da Arrábida, e não Sebastião da Gama, que disse que gostava dos violinos de Chopin e que endereçou uma carta de agradecimento ao escritor brasileiro Machado de Assis, quando este já faleceu há cerca de 100 anos; então, meu filho, peço-te para saíres de Portugal: só assim poderás ser um Homem.»


Ainda bem que não o enviei: ter razão antes do tempo implica fazer juízos de valor à priori das acções. Mas também não era preciso ser-se um geniozinho para ter razão antes do tempo neste caso, pois não? …
Carlos Malmoro